Economia

Monte dei Paschi: O banco mais antigo do mundo está em queda livre

As acções do banco italiano Monte dei Paschi di Siena foram suspensas depois de terem tombado cerca de 20% em dois momentos da sessão de segunda-feira da bolsa de Milão.

Esta é a reacção dos investidores aos resultados dos testes de stress conduzidos pelo Banco Central Europeu, que foram anunciados no domingo. Segundo o exercício, a instituição histórica, mais antiga que a própria Itália, precisava de 4,2 mil milhões de euros para resistir a um cenário de extrema adversidade financeira. É o valor mais volumoso assinalado entre os 25 bancos que foram testados pelo BCE.

Este é o mais recente de uma série de golpes sofridos pelo banco toscano fundado em 1472, que nos últimos cinco anos foi buscar mais de 4 mil milhões de euros ao Estado italiano. A instituição tem sido acusada de má gestão pelos analistas, sobretudo devido à compra, em 2007, do banco Antonveneta ao Santander por 9 mil milhões de euros – um negócio que muito rendeu aos espanhóis mas que se revelou desastroso para os transalpinos quando estalou a crise internacional de 2008.

Para já, não há indicação de uma nova intervenção de Roma. O Banco de Itália não está surpreendido com os resultados e desvaloriza-os. Submeter o Monte dei Paschi a um teste de stress foi “como pedir a alguém que está a recuperar de uma doença para correr a maratona”, considerou o vice-governador Fabio Panetta.

Mas há movimentações em Siena. O Monte dei Paschi contratou no domingo consultores do Citigroup e do UBS para estudar uma solução para o banco. E esta poderá passar por uma fusão com um banco rival ou com a venda em massa de balcões. Em todo o caso, abre-se um novo capítulo numa história de cinco séculos. Que pode ser o último.

pedro.guerreiro@sol.pt