Sociedade

Pinto Monteiro: ‘Almoço com Sócrates foi coincidência desagradável’

Pinto Monteiro disse esta noite na RTP1 que o almoço que teve na terça-feira com José Sócrates, e que o SOL noticiou, “foi uma coincidência desagradável” e “complicada”, e que o ex-primeiro-ministro “não fez nenhuma pergunta” sobre o processo. “Foi uma conversa completamente inocente”, garante.

Quando foi contactado pelo SOL, no sábado à tarde, o antigo procurador-geral da República não quis dar qualquer esclarecimento. Hoje foi à RTP1, disse, para esclarecer as dúvidas que se têm levantado sobre esse almoço: “Quero que fique claro, em defesa dele”.

Pinto Monteiro explicou que “foi a primeira vez” que almoçou “a sós” com o ex-primeiro-ministro, sendo que “uma secretária” de Sócrates lhe telefonou a convidá-lo no dia anterior, para lhe dar um exemplar do seu livro. Como tinha um exame médico, avisou que iria chegar atrasado: “Ele esperou uma hora por  mim”. Questionado se não acha estranha a coincidência, Pinto Monteiro respondeu: “Só achei estranho agora, ignorava este processo e a situação que levou à detenção. Aliás, soube da detenção pelo telefonema de um amigo. Mas o engenheiro Sócrates ele não me fez qualquer perguntas sobre isso, foi uma conversa completamente inocente, um almoço de amigos”.

“Toda a vida, o engenheiro José Sócrates só me telefonou uma vez: para desejar bom Natal!”, afirmou ainda. “As simpatias que tenho não as nego”, acrescentou Pinto Monteiro, depois de referir que já almoçou também com Ramalho Eanes, Alberto Costa, Alberto Martins e Luís Filipe Meneses, “que parece que também tem uma questão aí, agora, com a  Justiça”.

“Estranho”, diz Pinto Monteiro, “é o SOL ter sabido do almoço”. O ex-PGR chega mesmo a ligar este facto a eventuais escutas a que o jornal terá tido acesso. E diz que “está a haver um aproveitamento político da Justiça”.

O almoço, recorde-se, decorreu no restaurante do hotel Avis. Quando foi contactado pelo SOL, na tarde de sábado, Pinto Monteiro recusou dar pormenores: “Não tenho nada a dizer sobre isso. Não falo desse assunto. Nunca na minha vida discuti decisões judiciais, nem situações pessoais”.

Confrontado com o facto de no seu consulado nunca se ter responsabilizado Sócrates em nenhum dos processos em que esteve envolvido, Pinto Monteiro respondeu: " O processo Freeport é uma fraude, um processo inventado. Disse-o e volto a dizê-lo. Não foi encontrado nada".

paula.azevedo@sol.pt