Politica

Ferro Rodrigues: 'Realmente os políticos não são todos iguais'

O líder da bancada parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, respondeu hoje a Passos Coelho, que no domingo, dia em que José Sócrates estava a ser interrogado pelo juiz Carlos Alexandre, clarificou a partir da Guarda que "os políticos não são todos iguais". O primeiro-ministro fazia então um balanço dos três anos que leva à frente do Governo, sublinhando que não se pode andar para trás" à primeira dificuldade, mas a afirmação, precisamente à mesmo hora em que Sócrates estava a ser interrogado, não deixou de ser lida no seu subtexto: Passos afastava-se de Sócrates. 

 


Ora, o socialista aproveitou as declarações que antecedem a votação final global do Orçamento para responder, mesmo que a resposta aparecesse enquadrada na crítica à política económica do Executivo: "O fracasso das políticas dos últimos três anos está à vista. Realmente as políticas e os políticos não são todos iguais", afirmou, reiterando que o PS irá votar contra a proposta do Governo.

Ferro, continuou com um discurso recheado de subtextos e sugestões e observou que "desde o debate do Orçamento na generalidade até a esta votação final, após a discussão na especialidade, muito se passou em Portugal". E isto teve uma consequência, segundo Ferro: "A confiança dos cidadãos nas instituições democráticas, certamente diminuiu". Neste quadro, alertou, todos os deputados estão obrigados a "defender o Parlamento e o Estado de Direito".

O dirigente socialista, embora sem concretizar os episódios que se passaram no período em que o Orçamento do Estado foi discutido, deixou um alerta: "a defesa do regime democrático representativo e com base nos partidos, também depende de nós". E acrescentou : "Vamos estar ao lado de todos os democratas de todos os partidos em combate pelo Estado Democrático de Direito, contra os populismos quaisquer que sejam as suas bandeiras", assegurou, em tom de antecipação.

Ferro Rodrigues acusou ainda o Governo ter "falhado a estratégia orçamental", bem como "qualquer estratégia de transformação estrutural da Economia, já que, disse, "ou o governo confunde, sem saber, empobrecimento com transformação; ou então está a quer-nos dizer que a transformação é sinónimo de empobrecimento".

ricardo.rego@sol.pt

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