Desporto

Jorge Jesus é o melhor na Luz do pós-1974

O  treinador atingiu os 300 jogos no Benfica com o melhor saldo de vitórias dos últimos 40 anos. Equipa só por uma vez não marcou golos em casa nas provas nacionais.

Jorge Jesus é desde quarta-feira o primeiro treinador a acumular 300 jogos ao serviço do Benfica e não será por acaso: nos últimos 40 anos ninguém ganhou mais do que ele no clube da Luz.

Com 209 triunfos, o homem que cumpre a sexta temporada consecutiva nos ‘encarnados’ – mais tempo só o húngaro Janos Biri, de 1939 a 1947 – apresenta o melhor registo de vitórias das últimas quatro décadas, com quase 70 por cento de taxa de sucesso (69,6%).

É preciso recuar ao ciclo de Jimmy Hagan, de 1970 a 1974, para encontrar um treinador com melhor saldo (78,3%). Após a Revolução de Abril de 1974, nem as épocas áureas com Sven-Goran Eriksson ao leme das ‘águias’ superam a regularidade com que o actual Benfica ganha. No acumulado das duas passagens do sueco pelo clube (1982 a 1984 e 1989 a 1992), a percentagem de vitórias ficou ligeiramente abaixo, nos 67,9%.

Quem mais se aproxima de Jesus neste período é o britânico John Mortimore, que somou 159 triunfos nos 202 jogos (68,8%) em que orientou a equipa, primeiro de 1976 a 1979 e mais tarde de 1985 a 1987. À frente de Eriksson situa-se ainda o húngaro Lajos Baroti, com 68,5% de vitórias no início dos anos 80.

O técnico português de 60 anos assinalou as três centenas de jogos pelo Benfica com uma goleada caseira ao Arouca (4-0), a meio da semana, a contar para a fase de grupos da Taça da Liga. Os golos de Pizzi, Cristante, Salvio e Jonas prolongam a série de jogos consecutivos na Luz em que o marcador funciona sempre para a equipa da casa, em provas nacionais. A sequência dura há 101 encontros, desde 22 de Novembro de 2009, quando a equipa ficou em branco na recepção ao Vitória de Guimarães e foi eliminada da Taça da Liga. Jesus levava então cinco meses de Benfica e essa constitui até hoje a única excepção à regra, num total de 107 jogos, de marcar sempre golos em casa nas competições internas – Campeonato, Taça de Portugal e Taça da Liga.

Menos golos sofridos só com Mozer e Ricardo Gomes

Mas nesta sexta época do treinador da Amadora ao comando das ‘águias’ é a solidez defensiva que mais tem surpreendido os adversários. Desde 1990/91 que o clube não atingia esta fase do Campeonato com tão poucos golos sofridos (sete) e é preciso reviver a temporada de 1988/89 para encontrar melhor registo.

Nessa altura alinhava no sector recuado uma das mais famosas duplas de centrais da história do Benfica, formada pelos brasileiros Mozer e Ricardo Gomes. Agora a realidade é outra: quando se pensava que a saída de Siqueira e principalmente a de Garay pudessem fragilizar a equipa, a resposta de Jardel e André Almeida, antes habituais suplentes, ou do reforço César tem superado as expectativas. Ao ponto de este ser o sexto melhor desempenho defensivo de sempre do Benfica à 16.ª jornada do Campeonato. A segurança do guarda-redes Júlio César ajuda. 

Mesmo sem Luisão, que se lesionou em Dezembro na visita ao FC Porto, a equipa não sofre golos há cinco jogos e venceu-os todos, depois da eliminação da Taça de Portugal frente ao Sp. Braga.

Essa derrota não foi a única desilusão da época. Apesar dos feitos para consumo interno, Jesus revelou-se incapaz de ‘espremer’ o plantel para render nas várias frentes. E a campanha na Liga dos Campeões acabou por ser desastrosa: nem a repescagem para a Liga Europa, possível através do terceiro lugar no grupo, foi alcançada.

A liderança reforçada do Campeonato, com o triunfo por 2-0 no reduto do FC Porto, veio amenizar os efeitos negativos desses desaires. Jorge Jesus mantém o seu crédito entre os adeptos e segue como o oitavo treinador com melhor saldo de vitórias da história do Benfica. Só atrás do já referido Janos Biri e dos homens dos anos 60 e 70, Czeizler (80,5%), Hagan (78,3%), Riera (73,9%), Schwartz (71,7%), Guttmann (70,6%) e Fernando Cabrita (69,8%).

rui.antunes@sol.pt