Internacional

Inocência provada após mais de 30 anos de prisão

Um norte-americano saiu da passada sexta-feira da prisão, após ter estado encarcerado durante 38 anos por um crime que não cometeu, relata o Washington Post.

Joseph Sledge, agora com 70 anos, foi declarado inocente após um teste de ADN ter mostrado que nenhum dos compostos orgânicos recolhidos na cena do crime lhe pertencia. O homem tinha sido condenado por esfaquear até à morte duas mulheres – mãe e filha.

Um procurador do Ministério Público – que não esteve envolvido na condenação de Sledge - já pediu desculpa pelo sucedido e garante que a investigação será reaberta. “O sistema cometeu um erro”, admitiu Jon Davis.

Ao sair da Columbus County Detention Center, Sledge disse que estava ansioso por dormir numa cama "a sério" e por nadar numa piscina. Entrou para um carro com os seus familiares e rumou para Savannah, Georgia, onde irá viver com um irmão.

Segundo o Washington Post, o estado da Carolina do Norte é obrigado a pagar 50 mil dólares (cerca de 44 mil euros) por cada ano que uma pessoa passa injustamente na prisão. Fazendo as contas, Sledge teria que receber 1.9 milhões de dólares (cerca de 1.7 milhões de euros). No entanto, existe um limite de 750 mil dólares (cerca de 670 mil euros) para as compensações por parte do Estado nestes casos, sendo este o valor que Sledge irá provavelmente receber.

Acto criminoso ou acidente?

Na semana passada, um outro homem foi ilibado. James Hugney Sr. passou mais de 35 anos na prisão, após ter sido considerado culpado de um incêndio na sua própria casa, em Susquehanna, na Pensilvânia, que causou a morte do seu próprio filho, na altura com 16 anos, explica o site da Local 21 News. 

Os investigadores afirmaram na altura que Hugney tinha posto álcool à volta da cama do seu filho e que tinha ateado fogo à mesma. Apenas com base na observação do local, as autoridades disseram que se tratava de um acto criminoso. Hugney afirmou até ao fim que era inocente.

O caso foi entretanto revisto e os cientistas chegaram a conclusão que nenhum dos argumentos usados para condenar Hugney tinha como base uma explicação científica. No relatório feito recentemente, as autoridades afirmam que, com base nos dados recolhidos e apresentados na altura, era impossível saber se se tratou de um acto criminoso ou de um acidente.

Hugney, agora com 72 anos, foi libertado na passada sexta-feira. A Pensilvânia é um dos estados onde não existe qualquer compensação monetária paras as pessoas que foram presas injustamente.

joana.alves@sol.pt