Internacional

Alemanha pondera tornar a vacinação obrigatória

O caso da morte de um bebé de 18 meses com sarampo em Berlim fez soar o alerta entre as autoridades sanitárias alemãs. A criança não tinha sido vacinada por opção dos pais e desencadeou um amplo debate sobre a matéria na Alemanha, que se vê a braços com 600 casos desde Outubro, diz a agência Reuters.

O Ministério da Saúde lança agora a hipótese de tornar a vacinação compulsiva, num país onde ela não é obrigatória e um número significativo de pais opta por não imunizar os filhos com receio de supostos efeitos secundários. O caso acompanha um recrudescimento de doenças praticamente erradicadas no mundo ocidental. Além da Alemanha e dos EUA, – com vários casos registados a partir da Disneylândia da Califórnia, e noutros estados –, a França também assistiu, em 2011, a um surto de sarampo.

Nos EUA, alguns receios são semelhantes aos dos alemães, mas há também um movimento antivacinas pelo qual algumas figuras públicas têm feito campanhas, entre as quais a actriz Jenny McCarthy e a política republicana Michele Bachmann. E há que contar com os motivos religiosos: em 2013, irrompeu um surto de sarampo no Texas, numa igreja.  

O sarampo, recordam os responsáveis alemães pela saúde pública, pode ser mortal. Em alguns países do Sudeste Asiático e de África onde o acesso às vacinas é muito limitado, em 2000 ainda se estimava haver 750 mil mortes devido à doença. Até 2008, números da Gavi (Aliança pela Vacinação, uma organização internacional de defesa da saúde pública), esse número caiu para os 164 mil óbitos por ano devido à imunização das populações mais carentes

ricardo.nabais@sol.pt