Politica

Alfredo Barroso abandona PS, furioso com António Costa

O fundador do PS Alfredo Barroso decidiu abandonar o partido, por causa das declarações do líder António Costa, que esta semana elogiou a forma como Portugal está a vencer a crise, concluindo que o país está melhor que há quatro anos.

O histórico socialista revelou na noite passada no Facebook que vai entregar uma carta requerendo a desfiliação, devido à intervenção que considera “vergonhosa” de António Costa, em que este agradeceu à comunidade chinesa o ”grande contributo para Portugal estar hoje” melhor. Barroso diz-se embaraçado com a "inqualificável chinesice" do seu secretário-geral e acusa-o de “prestar vassalagem” à China.

“Sou um dos fundadores do PS (em 1973) e sou, hoje, o militante número 15 do partido (com as quotas em dia). Mas já chega! Nunca me passou pela cabeça que um secretário-geral do PS se atrevesse a prestar vassalagem à ditadura comunista e neoliberal da República Popular da China, e se atrevesse a declarar, sem o menor respeito por centenas de milhares de desempregados e cerca de dois milhões de portugueses no limiar da pobreza, que Portugal está hoje melhor do que há quatro anos. A declaração de António Costa é uma vergonha!”, escreveu ontem Barroso no seu Facebook.

O post do sobrinho de Mário Soares intitula-se “Depois da ignóbil ‘chinesice’ de Costa, demito-me do PS, e é já!”.

A intervenção de Costa, no Casino da Póvoa, no último dia 19, tem feito a direita rejubilar.

“Como nós dizemos em Portugal, os amigos são para as ocasiões. E numa ocasião difícil para o país, em que muitos não acreditaram que o país tinha condições para enfrentar e vencer a crise, a verdade é que os chineses, os investidores disseram presente, vieram e deram um grande contributo para que Portugal pudesse estar hoje na situação em que está, bastante diferente daquela que estava há 4 anos atrás. E queria agradecer à China todo o apoio que nos deu e que certamente não esqueceremos e que é um sinal do muito que ainda temos para desenvolver nas relações entre todos nós", afirmou Costa.

O centrista Nuno Melo, que divulgou o vídeo no Facebook, notou com ironia, a “franqueza imprevista” do líder do PS. “Calculamos como deve ter custado. Mas o reconhecimento de que Portugal está muito melhor em 2015, governado pelo PSD e pelo CDS, do que estava em 2011 pelas mãos dos socialistas, só engrandece António Costa”, afirmou o dirigente e eurodeputado centrista, num artigo de opinião anteontem publicado no Diário Económico.

manuel.a.magalhaes@sol.pt