Sociedade

Porto luta contra gaivotas

As gaivotas estão a invadir o Porto - não apenas a cidade, mas toda a zona envolvente. O problema tornou-se de tal forma grave que a Área Metropolitana do Porto (AMP) pediu ao Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) que elaborasse um relatório para avaliar a dimensão dos danos provocados por estas aves marítimas que podem tornar-se agressivas e minimizá-los. «A dimensão das populações de gaivotas (laridae) na AMP tem-se tornado, desde há algum tempo, uma realidade preocupante», escrevem os investigadores no relatório, notando que «são cada vez mais frequentes as reclamações de munícipes e de empresas referentes à população de gaivotas e existem, igualmente, questões de qualidade ambiental e de saúde pública que justificam uma atenção cuidada sobre este problema».
 

Fonte oficial da Câmara Municipal do Porto reconhece o problema: «A presença de gaivotas em grande número em áreas urbanas é um problema comum à maioria das cidades costeiras», alega, explicando que o problema está, essencialmente, relacionado com o lixo. «Estas aves encontram alimento com mais facilidade nas cidades, quer pela incorrecta deposição de resíduos (fora dos contentores) quer através da alimentação disponibilizada pela população (...) Também há facilidade de encontrar zonas de nidificação, nos telhados e beirais», acrescenta-se.

Comportamento agressivo
Quando às reclamações, além das relacionadas com ruído, que a Câmara garante serem «residuais», estão muitas vezes associadas à sujidade provocada pelos dejectos e «algum comportamento agressivo durante a época de reprodução, pelo instinto de protecção dos seus ninhos e crias de potenciais ameaças».

A autarquia salienta que esta não é uma situação exclusiva do Porto: «Sendo este um problema comum a várias cidades da área metropolitana - pelo extenso território que estas aves atravessam diariamente para se alimentarem, nidificarem ou repousarem  e que,  portanto, recomenda uma articulação à escala supra concelhia - foi solicitado por este organismo uma avaliação integrada».

Foi assim avaliada, em 2011, a realidade dos concelhos mais afectados: Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia. E nestas cidades foram identificadas em Outubro, mês em que as gaivotas mais estão presentes, 15.962 aves (os números variam, explicam os investigadores, devido ao facto de as gaivotas migrarem). 
Quando se mantêm na cidade, a única solução para minorar o problema, defendem os autores do estudo, parece ser «através da eliminação ou redução acentuada da disponibilidade de alimento para as gaivotas, da tentativa de exclusão destas de zonas de pouso (telhados, beirais, mobiliário urbano) em zonas de elevada concentração de gaivotas, como a lota de Matosinhos».

Protegidas por lei
 

A autarquia está a tomar medidas: «A fim de fazer face às reclamações sazonais relacionadas com a saúde e segurança públicas em telhados e varandas, a Câmara adquiriu equipamento de protecção individual, a fim de permitir a retirada de ninhos em situações pontuais para evitar novas posturas e agressividade destas aves», explica fonte oficial. Acrescenta ainda que «estas acções foram precedidas de autorização formal pelo Instituto de Conservação da Natureza, uma vez que as gaivotas são espécies de aves protegidas por legislação que impede a captura, abate e detenção dos espécimes, dos seus ninhos e ovos». 

Os serviços municipais realizam ainda acções de sensibilização dos munícipes que residem mais próximos das zonas de  ninhos, no sentido de «divulgar procedimentos que condicionem e dissuadam a postura de ninhos em locais acessíveis à população e que possam ocasionar reencontros mais agressivos».

sonia.balasteiro@sol.pt