Politica

PSD começa a acreditar que Marcelo é candidato

No PSD são cada vez mais os que acreditam que Marcelo Rebelo de Sousa vai lançar uma candidatura a Belém. Nos últimos meses, a presença do professor em eventos pelo país relacionados com os 40 anos do PSD tem ajudado a consolidar a ideia. E há quem veja neste 'roteiro' uma “campanha subterrânea” para um candidato que só deverá apresentar a candidatura depois das legislativas.

Depois de se ter excluído do perfil presidencial traçado por Passos Coelho na sua moção ao Congresso do PSD e das hesitações relacionadas com a possibilidade de uma candidatura de António Guterres, Marcelo Rebelo de Sousa dá cada vez mais sinais de poder avançar para Belém.

Mais desejado do que Santana Lopes

Há mesmo quem admita, na direcção do PSD, que dificilmente Passos descartaria um candidato como Rebelo de Sousa. “Duvido muito que Marcelo seja menos desejado do que Santana pela direcção do partido”, diz ao SOL um vice-presidente social-democrata.

“Tem sido convidado sobretudo pelas estruturas locais para participar em eventos e é muito bem recebido. Aliás, os dirigentes locais adoram tê-lo ao lado porque ele é muito mobilizador”, admite uma fonte próxima do comentador da TVI, que se tem desdobrado em acções de charme e é o mais bem colocado nas sondagens entre os candidatos do centro-direita.

Da entrevista que fez a Cristiano Ronaldo a um dueto com Pedro Abrunhosa na TVI, sem esquecer a entrevista intimista no primeiro número da revista da popular apresentadora Cristina Ferreira - a segunda personalidade portuguesa com mais seguidores no Facebook, a seguir a Ronaldo -, dificilmente se poderia imaginar uma campanha pré-eleitoral mais eficaz.

Com Marcelo na estrada, Santana Lopes acusou o toque. “A partir do momento em que me afastei do processo, aí passou Marcelo a fazer campanha a toda a hora”, escreveu no Correio da Manhã, admitindo que cumprir o calendário que o próprio Marcelo definiu - com as candidaturas só em Outubro - o deixa em desvantagem.

De resto, a estratégia do professor de atirar para depois das legislativas o anúncio de uma candidatura cumpre três objectivos: perceber se Guterres avança, condicionar eventuais candidaturas de centro-direita que precisariam de mais tempo de campanha - como as de Rui Rio e Santana - e descolar-se do resultado do PSD nas legislativas.

“Um candidato que avance já fica colado à direcção do partido e isso condiciona e prejudica”, aponta uma fonte próxima de Marcelo. E uma das coisas que este quer garantir é não ser afectado por uma derrota de Passos.
A principal incerteza que paira sobre uma candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa é o nome de Guterres. Se o socialista avançar, acreditam várias fontes do PSD, Marcelo dificilmente irá a jogo. “Tem medo de perder com Guterres”, admite-se no partido.

Marco António puxa por Rio

O calendário que Marcelo definiu e Santana resolveu seguir, atirando a apresentação de candidaturas para Outubro, foi posto em causa pela primeira vez, na semana passada, por Marco António Costa.

Sendo Marco António próximo do antigo autarca do Porto, as declarações do dirigente do PSD foram entendida por alguns sociais-democratas como um “gesto de cortesia” para com Rui Rio, dando-lhe um sinal para avançar.

“A proximidade entre legislativas e presidenciais não nos pode permitir ter a ilusão de que se possa arrastar a situação [apoio a um candidato presidencial] até tão tarde [eleições legislativas] para se tomar decisões”, disse o vice-presidente do PSD, em entrevista ao Observador.

Ao antecipar o calendário, Marco António Costa tentou abrir a porta a um candidato que não goza da popularidade de Marcelo e que precisaria de uma campanha mais longa para se afirmar.

É que Rio, apesar de ter sido presidente da Câmara do Porto durante 12 anos e de ter dado nas vistas por causa das lutas com Pinto da Costa, está longe de ter um nível de notoriedade que lhe permitisse fazer uma campanha apenas entre Outubro e Janeiro (a data prevista para as presidenciais).

No PSD, porém, ninguém acredita que as palavras de Marco António tenham sido concertadas com Passos. “É uma posição individual”, asseguram várias fontes do partido.

Passos ainda sem decisão

De resto, no PSD, são muitos os que duvidam de que Rui Rio venha a apresentar-se como candidato presidencial. 

“Ele está ainda muito indeciso”, comenta um destacado social-democrata, explicando que o ex-presidente da Câmara do Porto enfrenta um dilema: se avançar para Belém, perde as hipóteses de, não ganhando, tentar mais tarde chegar à liderança do partido e de ser candidato a primeiro-ministro, um lugar que seria mais adequado ao seu perfil executivo.

“Rio ainda é muito novo. Avançar já com uma candidatura presidencial condiciona-o. Se não ganhar, o que é que vai fazer a seguir?” - questiona a mesma fonte, lembrando que um dos problemas de Rui Rio é, precisamente, o de ter deixado de ter um palco político.

Passos continua, aliás, sem definir qual será o seu candidato preferido para as presidenciais, já que a grande prioridade são as legislativas. “A decisão será tomada depois de se apresentarem os candidatos”, garante uma fonte da direcção do PSD.

margarida.davim@sol.pt