Politica

Leite de Campos diz que actual sistema protege «os mais espertos e os aldrabões»

Diogo Leite de Campos, vice-presidente do PSD, quer «acabar com os benefícios sociais e fiscais para toda a gente» e defende a criação de um «cartão social de débito».

um sistema no qual o estado presta serviços em vez de dar dinheiro. é este modelo defendido por diogo leite de campos, que quer criar um «cartão social de débito» que substitua prestações sociais como o rendimento social de inserção ou o abono de família.

«há muita gente que recebe subsídio para a renda ou abono de família e depois gasta o dinheiro noutras coisas», diz o vice-presidente do psd, explicando que com «o actual sistema não é só quem mais precisa que recebe benefícios sociais, são os mais espertos e os aldrabões».

leite de campos acredita que «por muito socialmente indigente que seja uma pessoa, não pode morrer abandonado ou à fome». por isso, o social-democrata estabelece uma hierarquia de «valores sociais» que têm se ser assegurados pelo estado e que incluem «à cabeça a saúde e a educação».

segundo esta ideia, o acesso a hospitais e escolas públicos deve ser gratuito, mas os outros serviços devem ser prestados «por instituições de solidariedade social, que têm mais vocação do que o estado para essas áreas» e pagos por um cartão social de débito.

«sopa dos pobres, albergues e serviços de saúde» são alguns dos exemplos de serviços sociais que poderiam ser pagos por este sistema, segundo o dirigente social-democrata.

diogo leite de campos acredita mesmo que seria possível aplicar esta ideia sem aumentar os impostos e afirma que actualmente «o estado não sabe os benefícios que dá por categorias, está a englobá-los na categoria de despesa pública».

«o estado dá benefícios fiscais para a saúde, educação e transportes e não sabe se o benefício fiscal está a ser bem utilizado», disse leite de campos num almoço organizado pela câmara do comércio e indústria luso francesa, esta terça-feira, em lisboa.

esta nova forma de financiar os apoios sociais do estado pode mesmo ser integrada no programa de governo do psd. «a minha cabeça vale alguma coisa», comenta o vice-presidente do partindo, fazendo votos de que o programa do psd «vá interiorizando o cartão de débito social».

apesar de achar «um desastre» a taxa de iva a 23% e de defender a redução da carga fiscal, diogo leite de campos admite que o psd, se for governo, possa ter de aumentar os impostos.

«um governo do psd terá de governar com o programa do fmi», afirma, explicando que as medidas impostas pela troika que está a negociar a ajuda financeira a portugal «são uma factura deixada por este governo», que deveria ter pedido essa ajuda «em outubro do ano passado» em vez de «aumentar impostos e diminuir as prestações sociais».

margarida.davim@sol.pt

*notícia corrigida às 20h45