Politica

Guterres não se candidatar às presidenciais é ‘perda’ para esquerda

O social-democrata Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o antigo primeiro-ministro socialista António Guterres não se candidatar a Presidente da República é "uma perda" para o PS, para a esquerda e parte significativa dos portugueses.


"Compreendo que seja uma certa perda para o PS, para a esquerda em geral, e, porventura, para uma parte significativa dos portugueses, que gostaria que ele fosse candidato presidencial e, porventura, até que fosse Presidente da República", afirmou o ex-líder do PSD, em Beja.

O também comentador político, que falava aos jornalistas à margem de um encontro comemorativo dos 40 anos da distrital de Beja do PSD, reagia a declarações de António Guterres, que ontem, em entrevista ao canal de televisão Euronews, em Bruxelas, disse que "não é candidato a ser candidato" presidencial.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, o anúncio de António Guterres "era um cenário muito plausível", porque "já tinha dado a entender que, provavelmente, não seria candidato e agora é a confirmação".

O anúncio também é "definitivo", porque "conheço António Guterres desde o tempo em que andávamos juntos em movimentos e grupos católicos e quando ele diz desta maneira tão categórica que não é [candidato] é porque é não", frisou Marcelo Rebelo de Sousa.

Questionado pelos jornalistas sobre se pondera ser o candidato do PSD às eleições presidenciais em 2016, Marcelo Rebelo de Sousa disse que "nunca" ponderou tal "até agora" e "quem tiver de ponderar pondera a partir de Outubro".

"Estar a ponderar a esta altura faz mal à cabeça. Acho que é cedo, genericamente, estar a tratar das presidenciais", disse.

Questionado pelos jornalistas sobre se a sua candidatura e a de António Guterres à Presidência da República seria um "desafio interessante", Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: "Está visto que, pelo menos, no que respeita a um dos dois não é possível. Veremos se é possível ou não em relação ao outro".

Segundo o comentador, "quem governa é o Governo, não é o Presidente da República e a grande escolha dos portugueses este ano é a escolha de quem vai governar o país nos próximos anos, numa situação difícil, à saída da crise, com a Europa também numa situação ainda de arranque, mas complicada, mas não se sabendo o que se vai passar com a Grécia".

"Essa é a grande questão deste ano. As presidenciais são a questão do ano que vem, não a deste ano", sublinhou, referindo: "Ainda hoje ouvi Pinto Balsemão dizer, muito prudentemente, que não há razão para haver uma fuga para a frente em relação a candidaturas presidenciais. Vai haver eleições legislativas e depois haverá tempo para as presidenciais".

Lusa/SOL