Sociedade

O primo de Sócrates: Amadora, Freeport e Monte Branco

Três anos mais velho que José Sócrates, José Paulo Bernardo Pinto de Sousa é filho do seu tio António Pinto de Sousa (irmão do pai), radicado em Angola desde os anos 50.

Já surgiu em diversos casos judiciais em que o ex-primeiro-ministro e a família foram envolvidos, como o da Câmara da Amadora – em 2001, por crimes de corrupção e financiamento de partidos, em que foi investigada a Mecaso, uma das empresas da mãe de Sócrates, Maria Adelaide Monteiro. O caso acabou por ser arquivado.

No caso Freeport, José Paulo era o parente que Charles Smith – um dos suspeitos de ter pagado ‘luvas’ a Sócrates, enquanto titular da pasta do Ambiente no segundo Governo de António Guterres, para obter o licenciamento do centro comercial –  dizia ser quem teria recebido a verba para o efeito. O caso chegou a julgamento, que terminou em absolvição, e a Justiça não chegou a incriminar o ex-líder socialista nem o primo.

Mas José Paulo surgiu depois no processo Monte Branco, sendo um dos clientes da rede. A sua ligação resultou do facto de recorrer a um funcionário de uma empresa do pai para ir buscar dinheiro à loja de Francisco Canas (o ‘Zé das Medalhas’), que era o intermediário usado pela rede para introduzir em Portugal as quantias que os clientes tinham escondido na Suíça. A empresa do pai é a Coutada, um estabelecimento de venda de armas, na Praça da Figueira, em Lisboa. Por sua vez, a loja de Canas, a Montenegro Chaves, situava-se bastante perto, na Rua do Ouro. As verbas passavam por contas de Canas, que as levantava em Lisboa, ao balcão do seu banco, e depois, na loja, as entregava em malas aos clientes.

Milhares de cheques em branco

Finalmente, numa quinta de Coruche onde em tempos viveu José Paulo, foram descobertos em 2012 pelo seu novo proprietário, fechados na gaveta de uma escrivaninha abandonada, quase 1.300 cheques em branco emitidos na década de 90 e tendo como titulares membros da família de Sócrates. Conforme o SOL noticiou na altura, 263 cheques pertenciam ao próprio ex-primeiro-ministro.

Os cheques de Sócrates e dos familiares diziam respeito a uma conta no Banco Totta e Açores – contrariando a afirmação pública feita pelo antigo governante de que tem um «única conta» há 25 anos, na CGD – que era titulada pela empresa de artigos desportivos Jonela. Trata-se de uma sociedade de Maria Adelaide Monteiro (sua mãe) com António Pinto de Sousa (pai de José Paulo), mas em cuja escritura nunca constaram os nomes de José Sócrates nem da sua irmã, Ana Maria (entretanto falecida), também titular de alguns dos cheques encontrados.