Politica

Ex-dirigente do PSD denuncia à PJ 'rede de influências' de Marco António Costa

“Dono Disto Tudo de Gaia”, “alpinista político” que “faz da Distrital do PSD a “sua Quinta", usando-a como uma “importante plataforma de gestão politica e de “interesses”. É assim que o antigo secretário-geral do PSD/Porto Paulo Vieira da Silva, descreve Marco António Costa. Numa longa carta, que publicou na sua página do Facebook, Vieira da Silva denuncia o que diz ser a utilização de empresas municipais, autarquias e estruturas partidárias para cumprir a ambição de chegar a líder do PSD.

No relato de Viera da Silva – que chegou a ser tão próximo de Marco António que o convidou para o seu casamento –, o vice-presidente de Passos Coelho era “um jovem de origens humildes” que conheceu “a conduzir um modesto Citröen comercial de dois lugares” e que “passou em pouco tempo, a conduzir carros topo de gama” da Mercedes, BMW e SAAB, enquanto passava de “um andar moradia muito humilde e antigo para uma grande e luxuosa moradia no centro da cidade de Valongo”.

Na denúncia enviada pelo antigo dirigente do PSD à Polícia Judiciária (PJ) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), Marco António Costa é acusado de usar meios públicos para se beneficiar a si ou a pessoas próximas, que Paulo Viera da Silva identifica como “SHM (os seus homens de mão)”.

“No plano político faz a gestão da escolha dos nomes das listas de deputados e dos candidatos às mais diversas autarquias, e com a sua influencia politica vai conseguindo nomear dirigentes concelhios, familiares destes, e seus amigos, para gabinetes ministeriais, para diversos lugares na administração pública, que vão desde as administrações hospitalares, passando por lugares nas diversas delegações regionais e intermunicipais, pela administração da APDL, pela Lipor, por cargos intermédios de gestão na Administração Pública, entre muitos outros, reservando sempre para os “SHM” [Seus Homens de Mão] os lugares mais apetecíveis”, escreve Vieira da Silva.

“Reconheço que é um político trabalhador, inteligente e muito ambicioso levando a que algumas vezes não olhe a meios para atingir os seus fins. E este sim é o seu grande defeito que nos coloca no plano dos princípios e dos valores em lados completamente opostos”, diz o antigo dirigente social-democrata, que chegou a fazer parte de listas formadas por Marco António para órgãos do partido e que relata a forma como o actual membro da direcção de Passos agiu para afastar Luís Filipe Menezes da maior distrital do PSD.

Mais tarde, recorda, Menezes acabaria por convidar Marco António Costa para a Câmara de Gaia, que este – segundo a denúncia feita à PJ – usou para dar emprego a militantes sociais-democratas.

Segundo Paulo Vieira da Silva, a autarquia de Gaia e as suas empresas municipais passaram a ser um centro para ajudar “desempregados políticos”,  uma vez que na altura “o PSD se encontrava na oposição a nível nacional” e essa terá sido a forma de ajudar “filhos, filhas, primos e primas de pessoas com posições relevantes em determinadas empresas nacionais e em órgãos de comunicação social”.

“Marco António foi também o responsável durante vários anos pelos Pelouros Administrativo e Financeiro da Câmara de Gaia, sendo que foi, nesse período, que a dívida da autarquia mais cresceu, responsabilidade provavelmente da sua má gestão, bem como das muitas largas dezenas de “ contratações políticas “ que fez, pagas a peso de ouro, que visavam a concretização da sua ambição pessoal de chegar à liderança do PSD”, afirma Paulo Vieira da Silva.

Paulo Viera da Silva considera que esta estratégia de poder – que valeu a Marco António controlar directa ou indirectamente há mais de 12 anos a distrital do Porto – lhe assegura não o respeito, mas o medo dos companheiros de partido.

“Os dirigentes do PSD não respeitam minimamente Marco António Costa, mas têm medo da sua forma de actuar na política e das eventuais retaliações que possam vir sofrer no futuro”, diz.

Apesar das acusações ao membro da direcção de Passos, Vieira da Silva entende que o primeiro-ministro tem procurado distanciar-se de Marco António Costa: “É público e notório que o protagonismo político de Marco António Costa tem diminuído a cada dia que passa, por decisão de Passos Coelho”.
Paulo Vieira da Silva termina o longo relato, disponibilizando-se para prestar todos os esclarecimentos que as autoridades entendam necessários, mas admitindo ter receio das consequências da denúncia.

“Até há uns meses atrás diria que não [tenho medo], mas agora confesso que ultimamente às vezes sim, não tanto por mim, mas sobretudo pela minha família, pelas minhas empresas e pelos postos de trabalho dos meus funcionários porque conheço “ os seus métodos “ e tenho noção que infelizmente, para mal do nosso Portugal, é uma pessoa com alguma influência no País”, escreve.

O SOL tentou, sem sucesso, contactar Marco António Costa.

Leia na íntegra a denúncia de Paulo Vieira da Silva sobre Marco António Costa [clique para ler]

margarida.davim@sol.pt