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Paulo Morais: ‘Tinha demitido Passos ao fim do primeiro ano’

Saiu do PSD só em 2013, «com muita pena», mas diz-se social-democrata. Em entrevista ao SOL, Paulo Morais garante que não vai desistir da candidatura e tem esperança de vencer.

O que fará para combater a corrupção?

Tem de haver uma liderança por parte do Presidente da República numa estratégia global que passa pela via parlamentar. Para não ser exaustivo, todo o deputado que tenha um conflito de interesses real ou aparente tem de deixar de exercer funções privadas ou públicas. O Presidente, que no acto de posse jura fazer cumprir a Constituição, por que permite que se violem tantos princípios constitucionais? Porque tem sido eleito com o apoio dos partidos e fica refém.

Como será uma campanha consigo e Rui Rio, caso avance?

Estou disponível e desejoso para discutir ideias com candidatos. Para discutir candidatos e proto-candidatos não estou disponível. Isso é para comentadores, não é para candidatos.

Em 2005, que divergências houve com Rio para sair da Câmara Municipal do Porto?

Tinha um entendimento sobre o combate à corrupção, nomeadamente nas questões do urbanismo, que era diferente do presidente e do partido. Não havia possibilidade de continuar.

Mas havia corrupção na Câmara?

Não, não permitíamos isso. Havia uma estratégia de combate à corrupção que achava que devia ser reforçada, mas não era esse o entendimento dos restantes.

Por que saiu só em 2013 do PSD?

No início, apoiei Passos Coelho para primeiro-ministro. Ao fim de um ano tinha percebido que Passos estava a fazer tudo ao contrário do que tinha prometido. Entendi que o PSD já não teria emenda e que era o momento de me desvincular, com muita pena.

Mas continua nessa área política?

Sou claramente social-democrata. Acredito na total liberdade de comportamentos, sejam opções de carácter familiar, sexual, o que for, acho que as pessoas devem ser totalmente livres, o Estado não tem que se meter nisso. Como suporte de uma sociedade livre e empreendedora tem de haver um forte Estado Social, que dê segurança a todos e gere igualdade de oportunidades.

Demitiria Passos Coelho?

Logo ao fim do primeiro ano. Se tivesse sido Presidente em 2012, Passos teria sido demitido imediatamente. Temos de ter um combate sistemático e permanente à mentira. Quem vai para o Parlamento e Governo está vinculado ao programa com que se apresenta ao povo. Quem governa tem de governar fiel ao contrato que celebrou no dia das eleições. Se violar esse contrato, deixa de se verificar o regular funcionamento das instituições e portanto o Presidente tem de demitir o Governo, ponto final.

Conta com o apoio de Marinho e Pinto?

Não quero o apoio nem de entidades colectivas, nem de partidos, nem de dirigentes partidários. Não digo isto por Marinho Pinto, por quem tenho grande estima, mas entendo que o voto em democracia é o maior valor entre um cidadão e o candidato e não pode ter intermediários.

Quanto vai gastar na campanha?

Já estou em muitas actividades pelo país e assumo as minhas despesas e quem me acompanha assume as suas. A apresentação da candidatura custou 220 euros. Quem suportou o custo fui eu. A partir do momento em que seja possível contabilizar despesas o orçamento será de 200 mil euros através de um modelo de financiamento cuja garantia é dada pelo candidato. Só aceitarei donativos de pessoas particulares e até cem euros. Se houver superavit depois da subvenção estatal, que é o que se calcula, arranjaremos um destino público para o que sobrar. Ninguém vai ficar com um euro da campanha.

Conta com um bom resultado?

Espero ter um bom resultado. Não seria candidato se não achasse que não havia hipótese de ganhar.

Admite desistir?

Não.

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