Opiniao

Toda a tolice será punida

O cientista Tim Hunt foi Prémio Nobel da Medicina em 2001 e era até há dias Professor na University College London. Numa conferência na Coreia do Sul, talvez por estar longe e se sentir à vontade para dizer a verdade, declarou que acontecem três coisas em laboratórios onde há raparigas: “Elas apaixonam-se por nós, nós apaixonamo-nos por elas e quando lhes fazemos uma crítica, elas choram”. A partir daí, Sir Tim Hunt foi rapidamente corrido da universidade, sem lhe ser pedido que esclarecesse as afirmações ingénuas. Num mundo em que a igualdade se tornou a desculpa perfeita para a tirania, Sir Tim Hunt é o tolo de serviço, sacrificado em nome do “sexismo” que é “urgente combater”. Mas alguém pediu ao Prémio Nobel que soubesse alguma coisa de política ou de mulheres? Afastado o cientista, o mundo ficou mais justo? O episódio mostra o desprezo enraizado pela liberdade de expressão. Ou pensavam que servia para dizerem o que queremos ouvir?

Smile coração smile

Iria jurar que a notícia é falsa, mas não estamos em Abril. Uma empresa britânica chamada Intelligent Environments desenvolveu um sistema tecnológico para proteger melhor contas bancárias e de email, entre outras. Em vez de letras e números em palavras-passe que esquecemos e baralhamos, a empresa criou um sistema de códigos com emoji, que são aqueles smiles, corações, carinhas a chorar, trevos, etc. Um “especialista em memória”, que colaborou na elaboração do banco de emoji para palavras-passe, explica que as pessoas se lembram melhor de imagens do que de letras e números.

A empresa que inventou o sistema também garante que a utilização de emoji é mais segura. Os hackers adivinham datas de nascimento, mas dificilmente acertarão no bonequinho que virá a seguir à carinha que chora a rir. Tudo isto é deprimente, mas acaba por fazer sentido quando lemos que 64% dos adolescentes só usam esta linguagem. Estamos a voltar devagarinho aos hieróglifos.

Joguinhos mentais

O Guardian pergunta porque é que Putin chega sempre tarde às reuniões e obviamente não responde. Faz, apesar disso, um balanço divertido sobre o hábito horrível de nunca ser pontual. Não se trata apenas de uma questão política. Já a primeira mulher se queixava que já no namoro que Putin se atrasava. Quando ficava uma hora à espera desatava num pranto. Mas nos encontros políticos é possível intuir uma hierarquia no atraso. O presidente da Ucrânia esperou quatro horas. John Kerry, três. Podíamos arriscar e dizer que a personalidade mais respeitada por Putin é a Rainha de Inglaterra, que só esperou 14 minutos, mas o contrário também pode estar certo. Não é politicamente relevante. Não merecia o exercício de poder de obrigar a esperar. O Papa Francisco esperou 50 minutos, o que sobe o grau putiniano de (des)consideração. Não há notícia de personalidades que tenham desistido de esperar. Ainda não nasceu o homem ou a mulher que o mande à fava.
Irracional e inútil
Tenho sentimentos contraditórios sobre as redes sociais e sobre sites que exigem mais de mim do que a leitura passiva de notícias ou artigos. Até o email me parece hoje um meio de comunicação cansativo. Talvez esteja a passar por uma fase reaccionária no que respeita a actividades que têm menos nobreza quando praticadas nas redes sociais, como a “partilha” ou a “participação. Umberto Eco levou o reaccionarismo mais longe. O escritor fez uma queixa numa intervenção na Universidade de Turim: “O drama da internet foi ter promovido o idiota da aldeia a portador da verdade”. Eco referia-se às redes sociais. Isto acontece por razões matemáticas: os idiotas são mais e é natural que se juntem. E só os idiotas pensam que a verdade se decide por maioria. Acontece que insultar comportamentos típicos das redes sociais não é racional porque se trata meios que vivem do momento e que por isso são vazios. É tão útil como insultar pessoas por andarem na rua.

Solteiros e casados

Li um artigo no Telegraph com o título enganoso "o casamento é mais benéfico para os homens do que para as mulheres". Nada que não saibamos. Na verdade, a novidade, se é que lhe podemos chamar novidade, é ter sido estatisticamente provado que o celibato é mais perigoso para os homens do que para as mulheres. Não vamos incluir neste grupo os homens com perturbações obsessivas-compulsivas nem hipocondríacos, porque sabem tratar deles. Os outros parecem-me mais vulneráveis às idas e vindas da depressão e da euforia nas mais variadas temáticas, sejam gastronómicas, existenciais, laborais ou de ocupação dos tempos livres. As mulheres sozinhas, por seu lado, não são assim tão diferentes das suas congéneres casadas. Mais filho, menos filho, mais ou menos namorado, é mais ou menos a mesma coisa. É por isso que o texto mencionado não tem o título certo. Não é que o casamento seja melhor para os homens. O problema é não saberem lidar com o celibato.