Opiniao

Repensar as políticas educativas do turismo

O que se faz hoje tem reflexos no futuro, sempre. Este senso comum estende-se aos mais variados aspectos da nossa vida, enquanto cidadãos, profissionais, enquanto membros de uma comunidade. E, por isso, o seio académico também reflecte as alterações que, ao longo do tempo, se têm verificado quer por via dos processos de ensino/aprendizagem como por via do crescimento da massa estudantil.


Se analisarmos a dinâmica do sistema de ensino superior em Portugal podemos concluir que o mesmo tem conhecido, nas últimas décadas, profundas alterações. Um dos momentos históricos foi em 1974, com a grande expansão e diversificação da oferta formativa para a qual contribuíram o aumento das instituições de ensino superior (IES) e a criação de um sub-sistema politécnico público e a abertura à iniciativa privada.

Assistimos, sem que tenha havido uma regulamentação eficaz por parte do Estado, ao aparecimento de novas instituições, novos programas e áreas de ensino e formação. E a verdade é que este excesso de oferta provocou uma necessidade de racionalização, principalmente pelas consequências resultantes da questão demográfica que assola o nosso país.

Actualmente verifica-se uma reestruturação na rede, orientada ‘espontaneamente’ pelas IES, ao nível da oferta formativa, através do encerramento de ciclos de estudos e pela fusão de outros entre várias instituições. No entanto, se analisarmos o panorama desta oferta concluímos certamente que a palavra ‘excesso’ permanece no horizonte. 

Vejamos o caso da oferta formativa em turismo. Um estudo recentemente elaborado por Manuel Salgado (Instituto Politécnico da Guarda) em termos de distribuição geográfica destaca a concentração dos cursos do sector privado nas regiões Norte (10 cursos) e de Lisboa (nove cursos). Existem ainda no Algarve (dois cursos), na região Centro (um curso) e na região da Madeira (dois cursos), perfazendo um total de 24 cursos. Por outro lado, o sector público continua a revelar uma maior dispersão. Assim, a região Centro inclui 19 cursos, a região de Lisboa possui nove cursos, bem como a região Norte, mas com os nove cursos distribuídos por seis unidades orgânicas; o Algarve e o Alentejo registam ambos 3 cursos; e os Açores com 1, perfazendo o total de 44 cursos.

 

Parece-me claro que o número de cursos é alto para um país com a nossa dimensão, dando origem a uma certa dispersão que, inevitavelmente, acentua a falta de especialização de projectos educativos, obrigando a curto prazo a uma reorganização da oferta formativa.

Perante este panorama, a maior universidade privada portuguesa fez significativos avanços em várias áreas, nomeadamente no turismo. Assim, reestruturou o Departamento de Turismo por forma a definir uma estratégia integrada e articulada entre todas as escolas do grupo, a nível nacional e internacional, possibilitando não só uma maior mobilidade a todos os estudantes e com uma mais rica e consolidada complementaridade nas suas múltiplas ofertas de aprendizagem. Por outro lado, houve necessidade de uma utilização mais eficiente dos recursos disponíveis.

Assim, e voltando às dinâmicas que tão bem têm caracterizado o ensino em Portugal, penso que as restruturações inerentes à oferta formativa do turismo ao nível do ensino superior deveriam ser estudas de uma forma que abrangesse toda a lógica do território português.

*Directora do Departamento de Turismo do Grupo Lusófona

 

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