Politica

Cavaco marca legislativas para 4 de Outubro e pede governo de maioria

Em dez minutos de discurso, os últimos segundos chegaram a Cavaco Silva para informar o país da data das legislativas: 4 de Outubro, uma data que não segue a preferência de PS, PSD e CDS por 27 de Setembro. O resto da intervenção do Presidente da República consistiu na defesa de um governo de maioria absoluta. Cabe aos partidos, segundo Cavaco Silva, manterem níveis de “civilidade e elevação” na campanha eleitoral que facilite o entendimento entre eles, para um eventual governo de coligação, se isso se revelar necessário.

Cavaco Silva deu o exemplo europeu, de governos de maioria absoluta, referindo que há 23 governos de coligação entre os 26. “Não há nenhuma razão para que Portugal seja excepção”, afirmou. Saído do resgate e das exigências da troika há um ano, que devolveu a Portugal o regresso aos mercados, “o país continua sujeito a regras muito exigentes de disciplina financeira”. As próximas eleições são «particularmente importantes” e “há riscos que o país não pode correr”, sublinhou Cavaco.

“É da maior importância que Portugal disponha de condições de estabilidade política”. Os portugueses têm o “direito de exigir um governo estável e duradouro», reforçou ainda.

Cavaco parece disposto a esperar algum tempo para que os partidos, no pós-eleições se entendem, se isso for necessário para formar o tal governo de maioria. Lembrou que “as negociações não foram fáceis e exigiram tempo” em vários países europeus. Mas para haver entendimento é “essencial preservar as pontes de diálogo”. Daí o pedido presidencial de uma campanha sem casos, evitando “uma crispação sem sentido”.

“Apelo aos partidos para que a campanha decorra esclarecedora e serena” disse o Presidente da República, antes de terminar o discurso com a informação de que as eleições ficam marcadas para o primeiro domingo de Outubro. Uma data que corresponde à preocupação de que a campanha não se faça em tempo de férias.

Cavaco Silva já tinha deixado escapar, num voo de uma viagem à Noruega, no início de Maio, a sua preocupação de não fazer coincidir a campanha com o descanso dos portugueses. “Se não têm cuidado” a campanha “ocorre nas praias”, gracejou então, recordando que só uma vez, para evitar a coincidência com eleições autárquicas, se tinham marcado eleições legislativas em Setembro.

manuel.a.magalhaes@sol.pt