Sociedade

Rio Tejo. Convocada manifestação contra poluição que ‘envenena ambiente e pessoas’

O diagnóstico do Rio Tejo está feito: “As águas que afluem de Espanha vêm já com um elevado grau de contaminação com origem nos fertilizantes utilizados na agricultura intensiva, na eutrofização gerada pela sua estagnação nas barragens da Estremadura, na descarga de águas residuais urbanas das vilas e cidades espanholas sem o adequado tratamento e na contaminação radiológica com origem na Central Nuclear de Almaraz”, assinalam as sete organizações de defesa do ambiente que marcaram para dia 26 de setembro a manifestação Contra a poluição do Rio Tejo e Seus Afluentes.

Esta “contínua e crescente vaga de poluição” está a matar os peixes mas também “envenena o ambiente e as pessoas”, salientam as organizações não-governamentais (ONG) em comunicado, lembrando que a “gravidade desta poluição das águas do rio Tejo acentua-se devido aos caudais cada vez mais reduzidos que afluem de Espanha”.

Este protesto insere-se num conjunto de ações em defesa do Tejo, pela Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água do Tejo de Portugal e Espanha, assinala o mesmo comunicado.

A poluição devastadora do Tejo não provém apenas do país vizinho, lembra-se: “Em território nacional provém da agricultura, da indústria, da suinicultura, de águas residuais urbanas e de outras descargas de efluentes não tratados”. Tudo “com total desrespeito pelas leis em vigor, e sem a competente ação de vigilância e controlo pelas autoridades responsáveis”.

Autoridades ‘complacentes’ com situação

“Nunca o rio Tejo e seus afluentes registaram tão elevado grau de poluição, de abandono e falta de respeito, por parte de uma minoria que tudo destrói, perante a complacência das autoridades”, insistem os movimentos que reivindicam a atuação da Agência Portuguesa do Ambiente e do Governo o cumprimento d Diretiva Quadro da Água.

A garantia de um bom estado ecológico das águas do Tejo; o estabelecimento e quantificação de um regime de caudais ecológicos, diários, semanais e mensais (refletidos nos Planos da Bacia Hidrológica do Tejo, em Espanha e em Portugal, e na Convenção de Albufeira); a ação rigorosa e consequente da fiscalização ambiental contra a poluição; a intervenção junto do governo espanhol com vista ao encerramento da Central Nuclear de Almaraz, eliminando a contaminação radiológica do rio Tejo e o risco de acidente nuclear e, finalmente, realização de ações para restaurar o sistema fluvial natural e o seu ambiente são as outras reivindicações que contam na lista.

No dia e à hora marcados, as associações apelam aos cidadãos que se manifestem nos cais fluviais, nas praias fluviais e nos parques ribeirinhos do rio Tejo e afluentes das suas terras.

Os manifestantes, pedem ainda as ONG, podem “contactar os media regionais e locais” e enviar fotografias da concentrações nos diferentes locais ribeirinhos para o email protejo.movimento@gmail.com ou, através do número 919061330.

sonia.balasteiro@sol.pt