Economia

Presidente da Volkswagen deverá receber 60 milhões de euros após demissão

O presidente executivo demissionário do grupo Volkswagen, que se demitiu na quarta-feira devido ao escândalo das emissões poluentes, deve vir a receber, entre indemnizações, prémios e pré-reforma, cerca de 60 milhões de euros, noticia a agência AFP. 

 

De acordo com as regras internas estabelecidas pelo fabricante de automóveis alemão, refletidas no relatório anual de 2014, o presidente executivo demissionário, Martin Winterkorn, vai receber 28,5 milhões de euros pela sua saída.

A acrescentar a este valor, será adicionada uma possível indemnização pela cessação antecipada do contrato, concedida pelo Conselho de Supervisão e cujo limite é fixado no "máximo de dois anos de remuneração", adianta o relatório e contas. 

Martin Winterkorn recebeu um total de 16,6 milhões de euros em 2014 e de 15 milhões em 2013, de acordo com os dois últimos relatórios anuais da Volkswagen. 

Ou seja, dois anos de remuneração representam mais de 31 milhões de euros para aquele que tem sido o presidente executivo mais bem pago da Alemanha.

No total, portanto, Martin Winterkorn virá a receber, aproximadamente, 60 milhões de euros em dinheiro e 'reforma dourada'.

Contactado pela AFP, o grupo com sede em Wolfsburgo recusou-se a comentar o assunto.

Este valor é teórico, porque, segundo o mesmo documento, "nenhuma indemnização será paga se a cessação do contrato dos membros do Conselho de Administração surgir por uma razão em que o membro é responsável".

Na sua declaração de renúncia, Martin Winterkorn disse que estava "chocado" com o escândalo da Volkswagen e o Conselho de Supervisão disse não ter "nenhum conhecimento do falseamento das emissões de gases poluentes", tendo, no entanto, assumido "a responsabilidade pelas irregularidades detetadas nos motores a gasóleo".

A interpretação da sua responsabilidade, que dependerá do resultado de um inquérito judicial na Alemanha, permanece em aberto e deve pesar sobre a interpretação do pagamento pela sua saída da Volkswagen.

Lusa/SOL