Sociedade

Qual o risco de desnutrição dos idosos portugueses?

Como se alimentam os idosos portugueses? Que recursos económicos afectam a sua dieta? E isso condiciona a prevalência de doenças? São estas as questões que um grupo de investigadores do Instituto de Medicina Preventiva, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, vai tentar responder numa investigação que foi para o terreno hoje, Dia Internacional do Idoso.

Os investigadores sublinham a falta de informação sobre o estado nutricional dos idosos portugueses. Ou seja, sobre os seus hábitos alimentares e a prevalência de malnutrição. Mas baseiam-se em estudos internacionais para sublinhar que a desnutrição é um problema muito frequente entre os mais velhos: estima-se que pelo 25,4% dos idosos a residir em comunidade estejam em risco de desnutrição e que esta prevalência atinja os 85% entre os que vivem em lares.

O Estudo PEN-3S «permitirá conhecer a dimensão deste problema na população portuguesa com mais de 64 anos, identificar fatores determinantes de malnutrição nesta população e implementar um sistema de rastreio e referenciação de pessoas em risco nutricional, quer ao nível dos cuidados de saúde primários quer ao nível dos lares de idosos», explicou ao SOL Ana Teresa Madeira, nutricionista que integra este grupo de trabalho. Depois de conhecida esta realidade, será criado um sistema eletrónico de vigilância de risco nutricional ao nível dos cuidados de saúde primários e dos estabelecimentos ligados à terceira idade. O objetivo é permitir aos profissionais de saúde identificar este risco nutricional do idoso e, se necessário, referenciá-lo para uma consulta de avaliação nutricional mais detalhada.

Este projeto, coordenado pelo Professor Doutor João Gorjão Clara do Instituto de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, tem o patrocínio do Mecanismo Financeiro 2009-2014 do Espaço Económico Europeu (EEA Grants) no âmbito do Programa Iniciativas em Saúde Pública.

Serão realizadas cerca de duas mil entrevistas a idosos em comunidade e em lar. Os dados deveram estar recolhidos em abril, mas em fevereiro a equipa liderada por João Gorjão Clara já conta ter alguns resultados intermédios.

rita.carvalho@sol.pt