Politica

Coligação treme no final da reunião de Costa e Catarina

António Costa até pode estar a fazer bluff nesta sua aproximação à esquerda, mas está a fazê-lo suficientemente bem para deixar a direita com medo de que seja afinal bem real a possibilidade de um governo PS com apoio do PCP e do BE.

MÁRIO CRUZ/LUSA

No final da reunião entre António Costa e Catarina Martins, a coligação deixava transparecer algum nervosismo. Vários sociais-democratas e centristas ouvidos pelo SOL assumiam temer que Costa avance com a ideia de um governo de esquerda.

Na PàF acredita-se agora que, caso Costa opte pelo caminho “da sobrevivência”, nem o já falado referendo interno no PS será suficiente para travar um governo de esquerda.

Sociais-democratas e centristas temem que esse referendo não se venha a realizar, por demorar muito tempo a pôr em prática. Mas, mesmo que a consulta aos socialistas avance, na PàF acredita-se que “a sede de poder falará mais forte”.

Ou seja, confrontados com a possibilidade de chegar ao governo, muitos socialistas não quererão pôr de lado essa hipótese.

“A clientela é muito grande”, aponta-se do lado da coligação onde ganha adeptos a teoria de que Costa pode não estar a fazer bluff, mesmo que ainda haja a esperança de que o Presidente da República trave essa solução de governo à esquerda por entender que, com partidos com bases programáticas tão diferentes, nunca poderá ser estável.

Redes sociais ao rubro, na PàF há quem preveja eleições em menos de um ano

À direita acredita-se, contudo, que esta aproximação à esquerda terá custos elevados para o PS, deixando-o envolto em cisões internas.

Além disso, mesmo os que acreditam que a hipótese de um governo à esquerda é real estão convencidos de que essa será uma solução frágil e pouco duradoura, pelo que já são muitos os que têm na cabeça um cenário de eleições dentro de menos de um ano.

Do lado do PS, a pressão mantém-se. Na conta oficial de Twitter, os socialistas destacaram a possibilidade de entendimento com o BE. "Foram identificadas matérias que podem dar suporte a um entendimento sólido, estável", foi a frase de Costa escolhida pelo PS para aquela rede social.

As redes sociais têm sido, de resto, palco desta guerra surda entre coligação e PS. De um lado, recorda-se um vídeo de 2009 onde Costa deixa claro que quem tem mais votos é quem deve governar. De outro, recorda-se o debate entre Passos e Portas em 2011, quando o líder do CDS lembrava ao líder do PSD que o sistema é parlamentar e permite coligações pós-eleitorais para formar governos entre as forças que sozinhas ficaram abaixo das mais votadas.

margarida.davim@sol.pt