Cultura

‘Outro Tempo, José Afonso’ lançado no dia 17

Realiza-se no próximo dia 17 de Novembro pelas 21h, no Teatro São Luiz o lançamento do CD “Outro Tempo, José Afonso”, um projeto de autor de José Pedro Gil e de Emanuel de Andrade, com orquestração deste último, interpretado por um Ensemble Orquestral composto por um quarteto de cordas, piano e voz.

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O trabalho apresentado neste disco é fruto da constatação da existência de um sentimento identitário comum a todos os intervenientes em torno da música e da poesia de José Afonso. A partir daí, surgiu a ideia e a vontade dos autores e intérpretes deste disco de porem os seus talentos e diferentes conhecimentos musicais ao serviço da arte de José Afonso, interpretando-a, experimentando-a e redescobrindo-a à ‘luz’ de uma sonoridade mais clássica e menos ortodoxa, se se pensar nos instrumentos para os quais essa arte foi pensada e originariamente executada, ou habitualmente ouvida noutras interpretações.

Escolher as músicas de entre um reportório tão rico, diversificado e cativante como é o de José Afonso, chegando a uma seleção que pudesse representá-lo e homenageá-lo, seria sempre um processo subjetivo e necessariamente redutor. Foram escolhidas canções que representassem as várias vertentes e linguagens da obra como o Fado, a Canção Popular, o Surrealismo, ou simplesmente a Poesia posta em canção, e que sob novas roupagens deixassem à "vista" a matriz musical que lhes dá força há várias décadas.

Os contributos que Mônica Salmaso (Voz) e Teco Cardoso (Flauta Transversal), nomes maiores da atual música brasileira, quiseram dar a este projeto, são mais uma demonstração que José Afonso é ainda hoje um vetor de comunicabilidade, não só no tempo, mas também no espaço, entre as várias culturas de língua portuguesa.

A ironia por detrás de Outro Tempo, José Afonso, é o facto de ser interpretado por músicos que não são em bom rigor contemporâneos de José Afonso, mas que sublinham a atualidade e plasticidade da sua música, filhos da madrugada que José Afonso deu e continua a dar à música e à cultura portuguesa.

Quase 30 anos depois da sua morte, é revelador do génio, da força e da influência de José Afonso, que a sua arte continue a embalar velhas e a despertar novas gerações, portuguesas e não só, perpetuando-se e regenerando-se, sem que se apague a chama que continua a dar vida a noites (e dias) inteiros.