Opiniao

Fanatismo maternal

A mãe de um bombista-suicida afirmou pouco depois dos atentados em Paris que o seu filho não tinha intenções de matar ninguém. É certo que Ibrahim Abdeslam se fez explodir no exterior do café Voltaire e a única vítima foi o próprio. Os familiares explicaram que os atos do terrorista foram causados por stress.

Apesar de Ibrahim ter ido à Síria e estar um bocado mais radicalizado, nada disso teve que ver com a sua participação na morte de 130 pessoas. O amor de mãe é o sentimento mais próximo do fanatismo. Muito provavelmente Ibrahim não matou ninguém por mera sorte de não ter inocentes à volta e por incompetência. Não é como os seus dois irmãos que também participaram no massacre em Paris. Mas os dois ainda estão a monte. Um deles é suspeito de ser o cabecilha (prefiro a ‘cérebro’, que me parece demasiado elogioso) do grupo que fez os ataques em simultâneo. Ambos já devem ter percebido que o filho preferido da mamã era o imbecil do Ibrahim.

HE

Aproveitemos o momento de reflexão presidencial para refletir no nome a dar à troika constituída por PS, PCP e BE. ‘Troika’ é pouco rigoroso (PCP e Verdes formam uma coligação e o BE é uma mistura de revolucionários) e afasta ainda mais o investimento. ‘Aliança das Esquerdas’ não é breve, mas tem a vantagem de ter a verdade expressa no plural. Tem também a vantagem de se poder transformar numa sigla: AE. Não é mau e, apesar de tudo, sempre é mais respeitável para apresentar ‘lá fora’ do que as divertidas ‘caranguejola’ ou ‘geringonça’ inventadas por Vasco Pulido Valente. Precisamos de um nome para definir esta relação exótica entre três partidos, em que um fala com todos e dois não falam entre eles. Qualquer variante conjugal é insuficiente. Embora não seja especialista em poligamia, diria que se trata mais de um ‘Harém das Esquerdas’, com a particularidade de haver o risco de debandada geral quando uma das mulheres decidir ir-se embora.

Decisão corajosa

No meio do verdadeiro horror transmitido pela televisão, vimos imagens de pessoas que tentavam escapar pelas portas laterais do Bataclan. Algumas corriam, outras estavam feridas, outra arrastava uma pessoa que tinha sido atingida pelos disparos. Vimos ainda uma mulher pendurada numa janela e mais tarde informaram-nos de que estava grávida. Minutos depois vimos alguém a socorrê-la e a ajudá-la a entrar no edifício em segurança. O final foi feliz. Depois de tudo ter acabado, a mulher tentou entrar em contacto com o homem que a tinha ajudado. Graças às redes sociais conseguiu encontrá-lo e agradecer-lhe. Não posso deixar de pensar nesta mulher antes de ser salva, antes de decidir pendurar-se numa janela para escapar da morte certa. Aquele momento em que decide tudo ou nada e em que toma uma boa decisão no desespero. Que mulher corajosa e de sorte! Mas uma sorte merecida, arrancada, ganha. Toda a minha admiração e alegria para esta mulher.   

O que fazer?

Ouço um responsável das autoridades gregas a avisar que os refugiados que chegam à Grécia não têm a documentação certa para prosseguir a viagem. Diz que a solução está em registar as pessoas que fogem aos horrores do ISIS ou Daesh – ou seja lá como se chamam os assassinos – na Turquia ou na Jordânia, locais de onde partem para fazerem as travessias por mar tantas vezes a custo da própria vida. Foi refrescante ouvir alguém que está no terreno a apresentar uma solução prática. Adorava ouvir uma coisa parecida sobre o que fazer nos casos em que se sabe haver ligações a grupos terroristas. Sabemos, por exemplo, que Omar Ismail Mostefai, um dos jihadistas nos atentados de Paris, que ficou conhecido por ter mãe portuguesa (a avaliar por alguma imprensa tem importância relevante), já tinha sido apontado duas vezes pela Turquia como tendo ligações ao terrorismo. Não pode ser um problema de fácil solução, mas é neste ponto que a Europa terá de mudar.

O regresso das pontes

Uma das primeiras medidas que o PS e os partidos ligados ao seu governo pretendem implementar é a recuperação de quatro feriados. O 5 de Outubro e o 1 de Dezembro, datas em que se comemoram a República e a Restauração respectivamente, vão voltar a ser dias de festa. Curiosamente, os quatro partidos, que não se caracterizam pela religiosidade, também tencionam celebrar a eucaristia no dia de Corpo de Deus e os santos e mártires no dia de Todos os Santos. Ambas são celebrações católicas. Se para Henrique IV, Paris bem valia uma missa, para a esquerda portuguesa, dois dias de folga bem valem duas. O partido ecologista Os Verdes, na sua busca por originalidade, redescobriu os prazeres da carne ao propor a recuperação do feriado de Carnaval, festa tradicional pagã, embora a terça-feira tenha sido adoptada pela Igreja Católica para se despedir dos prazeres da mesa, e não só, antes da Quaresma. O que teremos feito para merecer tanta generosidade?