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Maria de Belém em entrevista: ‘Sei das horas a que Marcelo liga às pessoas’

A entrevista de Maria de Belém à SIC fica marcada pelos fortes ataques a Marcelo, um “hiperativo”, que “não descansa” e faz chamadas telefónicas a altas horas da noite. Um candidato que “cria factos” e que, se chegar a Presidente, “vai meter-se em tudo”. Os ataques visaram também a forma como a comunicação social, no caso a SIC, o tem beneficiado.

A socialista não gostou de ter menos tempo que Marcelo. “Gostaria de ter a oportunidade de ter mais tempo”, afirmou a candidata, quando anunciaram as últimas perguntas. A entrevista não ultrapassou os 23 minutos, numa duração idêntica à de Sampaio da Nóvoa, na quarta-feira, mas uns bons 20 minutos mais curta que a de Marcelo Rebelo de Sousa, na segunda-feira.

A polémica com as condições de igualdade dos candidatos presidenciais na SIC não ficou pela duração da entrevista.

Maria de Belém pediu, logo no início, para falar de uma “questão prévia”, num protesto pelo cenário da entrevista a Marcelo. “Não gostei de ver a instrumentalização ao serviço de uma candidatura de uma instituição como a Faculdade de Direito de Lisboa”, disse, acrescentando que vinha com todo o gosto ao estúdio da SIC (o mesmo local onde foi entrevistado Sampaio da Nóvoa).

Um dos entrevistadores, Anselmo Crespo, respondeu que “não houve intenção de instrumentalizar”. Maria de Belém suavizou: “Não estou a dizer que foi a SIC”. Ficou claro o destinatário.

Marcelo foi o alvo preferido da candidata. Para Maria de Belém, o ex-comentador não pode ser Presidente da República porque ,sendo uma pessoa “estimável”, não é de confiança. “Passa a vida a fazer de conta que é coisas que não é”, desde logo “que não é político”, “manifesta ingratidão” por Cavaco Silva, de quem foi conselheiro. “Faz de conta que não é feliz por não ser candidato e vemos o seu sorriso”. E ainda “é hiperativo”.

Maria de Belém já antes tinha feito este ataque, mas na entrevista à SIC desenvolveu-o: “Sei das horas a que telefona às pessoas“, “não descansa”, afirmou a socialista. Marcelo apareceu neste retrato como alguém que procura sarilhos e é intrometido. “Se alguma coisa está certinha, ele começa logo à procura” para a mudar, para “criar factos”, criticou.

Como PR, o professor de Direito “vai meter-se em tudo”, antecipa Belém que disse ainda que um Presidente “não tem de ser constitucionalista” e que isso “não é vantagem”, pois “não é o Presidente que emite pareceres sobre as leis”, mas sim o Tribunal Constitucional.

De bem com Costa e sem o apoio de Seguro

Em relação à sua própria candidatura, Maria de Belém insurgiu-se contra a ideia de ser uma candidatura de fação, hostil a António Costa. De resto, as relações com o líder do PS “estão boas”, começou por dizer. Demarcando-se do segurismo, revelou que não procurou o apoio do anterior secretário-geral do PS. Gostaria de o ter na campanha? “Não tomei nenhuma iniciativa”.

Costa pode de resto contar com Maria de Belém para cumprir os quatro anos da legislatura. “Um Presidente da República não deve ser intrometido com o Governo, qualquer que ele seja”, defendeu. Apenas “incumprimentos gravíssimos” a levarão a interromper um mandato governativo. “Não estarei nunca a interferir”, vincou.

Sampaio da Nóvoa foi poupado. A candidata socialista fez apenas uma distinção de eleitorados, apresentando-se como “social-democrata” e do “centro-esquerda”, colocando o adversário num extremo: “Situo Sampaio da Nóvoa mais à esquerda, teve o apoio formal do Partido Livre e do MRPP”.

Negou que a sua candidatura dividisse o PS e prejudicasse o campo socialista. Se Marcelo ganhar à primeira volta, não sentirá “nenhuma” responsabilidade por isso. Ela e Nóvoa são “um militante contra um não militante” do PS e Belém diz que não pode ser prejudicada por o adversário ter arrancado antes. “Não parto o PS, era o que faltava que não me pudesse candidatar», protestou, dizendo que ambos cobrem “áreas diferentes” e aumentam a fixação de votos à esquerda.

Nas questões de regime, Belém manifestou-se “confortável” com a atual Constituição e afirmou-se contra o fim da eleição direta do Presidente da República, para garantir que o PR não seja “uma figura decorativa”.

A terminar, disse que o facto de ser mulher não é um handicap, mas também não é uma vantagem. Considera, porém, que ainda há muitos “preconceitos sexistas e machistas” e define-se como feminista, na luta pela igualdade de direitos.