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Biografia de Marcelo Rebelo de Sousa. O candidato taxista que se atirou ao Tejo

Aos 40 anos, Marcelo procurava ser saudável. Passou a dar mergulhos diários no Guincho – que mantém de forma quase religiosa até hoje –, começou a fazer bodyboard e a praticar aikido. Estava no auge da sua forma física quando o vieram desafiar para se candidatar à Câmara de Lisboa.

Biografia de Marcelo Rebelo de Sousa. O candidato taxista que se atirou ao Tejo

Jorge Sampaio, eleito líder do PS há pouco tempo, tinha ótimos índices de notoriedade e do, lado do PSD, não havia ninguém a perfilar-se. António Pinto Leite, líder da distrital, convence Marcelo que se atira de cabeça à candidatura.

Conhecido pelas elites, Marcelo era um desconhecido para o grande público. A campanha foi feita a pensar nisso. Tudo servia para chamar a atenção dos media: o candidato fez a recolha do lixo, andou por bairros de lata, conduziu um táxi e atirou-se ao Tejo para chamar a atenção para a poluição do rio.

Hipocondríaco como é, perguntou ao amigo Germano de Sousa se seria seguro fazê-lo. “Disse-lhe que devia ter tomado uma vacina, mas como só me perguntou na véspera, já não dava tempo”.

Eduardo Barroso também se recorda da impressão que lhe causou a campanha e a ida aos bairros de lata. “Estava genuinamente triste com o que tinha visto. Ele dizia-me: ‘Eduardo, tens razão. Precisamos de um Estado social mais forte”.

Durante a campanha, conheceu uma rapariga do Alto do Pina que tinha média de 19, mas não tinha dinheiro para ir para a Faculdade. Durante anos, arranjou maneira de fazer chegar cheques à rapariga para pagar roupas e propinas, até ela acabar o curso de Direito.

“Lembro-me que fiquei surpreendido quando descobri que ele pagou os estudos universitários a dezenas de jovens que tinham capacidades mas não possuíam condições económicas. Quando soube disso, já estava a rever as provas do livro, e acrescentei essas informações escritas à mão em páginas que já estavam fechadas”, revela o biógrafo, Vítor Matos.

Tal como na campanha para as presidenciais, Marcelo está a pagar as despesas do seu bolso, na campanha de Lisboa gastou quatro mil contos para oferecer rosas às lisboetas no dia 8 de dezembro.

O esforço acabou, porém, por não compensar. Marcelo perdeu as eleições para Jorge Sampaio, que é hoje seu amigo, e por quem alguns dos mais próximos dizem ter até alguma “reverência”.

Para Marcelo, a explicação seria sempre a forma como foi arrasado no debate televisivo. “Tenho a impressão de que desiludi os meus apoiantes. Apostei numa imagem de seriedade e sou capaz de ter usado uma dose de elefante”, admitiria ao Expresso. Na altura, como ao longo da sua liderança no PSD, a imagem televisiva era um handicap.

Em baixo, foi em casa do amigo Guterres que jantou no dia a seguir à derrota eleitoral. Mas a tristeza de não ter ganho não o fez desistir: assumiu o cargo de vereador sem pelouro e quase não faltou às reuniões de Câmara durante todo o mandato.

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margarida.davim@sol.pt

 

 

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