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Bruno de Carvalho. Um leão com vista turva e maquiavélica

Quem frequenta a IURD ou outras seitas similares acredita no que os bispos dizem em cima do palco. Eles prometem a cura do cancro, o fim de maus-olhados, a solução para o amor e o sucesso financeiro, e os fiéis erguem os braços como se vissem essas imagens à sua frente. Por muito que alguém lhes explique que tudo não passa de uma enorme fraude, ninguém quer saber de tais novas.

No mundo do futebol há muitas parecenças, já que os adeptos encaram a verdade de acordo com a sua cor clubística. Nos últimos tempos, um bispo da seita do futebol tem tentado rivalizar com o papa da modalidade, disparando em todas as direções, tentando convencer os sócios da sua agremiação. Acredita ele que quanto mais alto gritar e mais disparates disser, mais adeptos arregimenta para a causa, ignorando o perigo de tais alarvidades. Se os adeptos dos bispos da IURD fazem mal a si próprios, já os fanáticos do novo ideólogo da bola podem causar mossa nos outros, nomeadamente nos árbitros. Mas, quanto a isso, Bruno de Carvalho, o destemido presidente do Sporting, pouco se importa. Para ele, os fins justificam os meios e tudo serve para condicionar os árbitros.

Ainda esta semana tentou convencer o país de que o seu clube foi vítima de um roubo monumental, quando todos viram na televisão que só uma mente maquiavélica poderia chegar a tal conclusão. Vamos por partes: o seu clube foi castigado com um penálti que, aos olhos de qualquer adepto não sportinguista, não justifica qualquer dúvida, mas até se pode admitir que os simpatizantes leoninos discordem de tal visão. O que não se consegue entender é que se deduza que o árbitro estava comprado ou que é um ladrão de pontos do clube de Alvalade.

Qual o mal que daí advém? É simples: ao utilizar uma linguagem bélica, quase apelando à violência, Bruno de Carvalho está a fomentar o ódio, o que é altamente perigoso. O FC Porto já usou essa tática durante muitos anos, com o papa Pinto da Costa a demonizar todos aqueles que não estivessem do seu lado, provocando o isolamento de uma região contra o resto do país, como se o Porto fosse uma nação independente. O futebol não deve servir para essas divisões perigosas, mas sim para alimentar uma competição saudável entre cada clube. Diga-se que nas seitas do futebol ninguém está inocente, pois todos usam todos os meios para atingir os seus fins. Bruno é apenas o mais novato...  

Artigo originalmente publicado na edição em papel do B.I. de 22/01/2016