Sociedade

Diminui apreensão de animais exóticos

Nos últimos cinco anos, o departamento do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR apreendeu 957 exemplares de espécies exóticas. Mas o número de animais apreendidos diminuiu quase para metade entre 2014 e 2015: há dois anos, os inspetores do Sepna intercetaram 162 animais, enquanto no ano passado o número desceu para 82. O ano com mais apreensões foi 2012: 278.

Segundo fonte oficial do SEPNA, as «espécies mais apreendidas são papagaios e araras». No entanto, as autoridades dizem que não tem sido «possível apurar uma origem fidedigna das espécies». Sabe-se, porém, que muito do contrabando destas aves provém de países da América do Sul: os ovos viajam de avião, ‘colados’ com faixas à cintura dos traficantes.

Arara de 30 mil euros resgatada este ano

O contrabando de espécies exóticas movimenta milhões. Os últimos números revelados num relatório encomendado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), estimam que, por ano, o tráfego de animais movimenta 12 mil milhões de euros.

Em Portugal, «a espécie apreendida com valor comercial mais elevado foi uma arara jacinto [anodorhynchus hyacinthinus], com um valor estimado em 30 mil euros», revela o SEPNA. A apreensão ocorreu em janeiro deste ano. Também conhecida como arara azul grande, a ave pode chegar a um metro e 40 centímetros de comprimento. Espécie autóctone da floresta da Amazónia e de outros locais do Brasil (inclusivamente do Paraguai) é uma ave em vias de extinção. A sua venda - sem ser por criadores certificados - está proibida desde 1975, pela Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção, também conhecida como Convenção de Washington (CITES). Ainda assim, continua a ser um dos animais mais populares entre o contrabando de animais exóticos.

 Se no passado Portugal pode ter sido uma porta de entrada para este crime, ultimamente as «apreensões têm sido efetuadas maioritariamente a detentores particulares residentes em Portugal», revela a mesma fonte do SEPNA.

Após a apreensão, os animais são entregues ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a quem cabe decidir o seu destino. Por exemplo, no caso da arara jacinto apreendida em janeiro, o ICFN encaminhou-a para o Centro de Recuperação do Jardim Zoológico da Maia.

Redes sociais preocupam ambientalistas

A WWF (World Wildlife Fund) emitiu, no início do mês, um alerta para o uso de redes sociais por grupos de traficantes, que por esta via atingem um maior número de clientes.

Em Portugal, o SEPNA garante estar atento a estes meios. «Durante o ano de 2015, foram fiscalizadas, em várias plataformas de vendas online, 134 situações de venda de espécies protegidas no âmbito da Convenção CITES», revelam. Desta situação, resultaram «dois processos-crime e 39 contraordenações».