Politica

Cristas faz xeque ao PSD

O CDS vai ter uma candidatura própria em Lisboa. A afirmação é do líder da distrital, Telmo Correia, que diz ao SOL que esse foi sem sombra para dúvidas o sentido das palavras de Assunção Cristas no congresso do CDS, no passado fim de semana. O PSD já não pode contar com Santana Lopes – o mais desejado pela distrital laranja – e discute a possibilidade de apoiar Cristas, embora haja quem esteja irredutível num apoio a uma candidatura centrista. A chave para o problema está nas mãos de Passos Coelho. Só ele pode evitar que se consume uma situação indesejável para a direita: haver duas candidaturas, uma do PSD e outra do CDS, o que equivaleria a entregar de bandeja a câmara de Lisboa ao PS de Fernando Medina.

«O CDS tem três opções nas próximas autárquicas: manterá coligações em casos de sucesso, procurará a afirmação própria noutros casos, apoiará independentes, mas em Lisboa é muito claro: haverá uma candidatura própria, forte e mobilizadora», diz Telmo Correia ao SOL.

Assunção Cristas, que deixou no ar a expectativa de ser ela a avançar, é a hipótese que encaixa nesta estratégia. «Proporei que o CDS apresente uma candidatura forte», anunciou a nova líder no discurso de encerramento do 26.º Congresso do partido, lembrando o exemplo do único presidente de Câmara que o CDS já teve, Krus Abecassis.

 No PSD-Lisboa, predominava esta semana a ideia, segundo um dirigente, de que «o CDS tomou a dianteira» ou, nas palavras de outro responsável «já tem um pé nas autárquicas e se o PSD não tiver um candidato à altura, corre o risco de ficar em terceiro». Santana Lopes já não será candidato mas o líder da concelhia de Lisboa, Mauro Xavier, diz que o PSDavançará em nome próprio.

Logo na terça-feira, depois de o jornal i ter noticiado que o PSD já discutia o nome de Cristas para uma candidatura conjunta, o social-democrata apressou-se a fazer uma declaração categórica:  «Haverá tempo depois do congresso [social-democrata, marcado para 1 de Abril] para discutir o candidato do PSD. Apenas posso confirmar que não será Assunção Cristas», escreveu Mauro Xavier no Facebook.

Respondendo a um comentador que punha em dúvida a existência de um candidato do PSD à altura, Mauro Xavier deu a entender que ele até já existia.  «Tenho a convicção que vais gostar!», foi a resposta.

PSD Lisboa tem outra leitura das palavras de Cristas

Mas o líder da distrital, Miguel Pinto Luz, diz que «é prematura a discussão sobre Lisboa». O PSD Lisboa reserva-se para depois do Congresso, sendo que será em Espinho que começará, com a definição de uma estratégia, que «a caminhada para as autárquicas de 2017».

Pinto Luz não dá sequer por certa a candidatura do CDS em Lisboa. «O que entendi das palavras de Assunção Cristas no congresso é que haverá uma candidatura forte, não falou em candidatura própria», diz ao SOL.

Em relação à decisão do PSD, Pinto Luz vinca que «a decisão será sempre do líder do partido e a distrital será solidária com essa posição». E «será natural que o PSD tenha uma candidatura própria», tendo em conta a tradição dos últimos anos.

Marques Mendes desejado

Depois da saída de cena prematura de Santana Lopes, há um nome que surge agora como o mais desejado para Lisboa: Marques Mendes. Oex-presidente do PSD e comentador da SIC «é o único nome forte em perspetiva e tem projeção mediática», argumenta um responsável na distrital. «Assunção Cristas aparece muito forte, terá de ser alguém com estatuto, algúem conhecido», justifica.

Miguel Pinto Luz reage com ironia: «No último ano já ouvi muitos nomes. Até o de Maria Luís Albuquerque, lançado pelo próprio Marques Mendes e pelo atual Presidente da República. Ouvi falar de Carmona Rodrigues, num regresso ao passado. É um exercício normal nesta altura».