Politica

Catarina Martins diz que Dijsselbloem é o ministro da offshore da Europa

A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, afirmou este domingo que a União Europeia é um projeto "em tudo contrário aos direitos humanos" por não saber dar resposta à crise dos refugiados. 

"Um dos sinais mais evidentes da crise na União Europeia é sem dúvida a incapacidade de integrar as milhares de pessoas que aqui acorrem como migrantes, como refugiados. Sermos incapazes de impedir a construção de muros de segregação em países-membros como a Hungria e de contribuir para atacar as causas das migrações faz da União Europeia um projeto que é em tudo contrário aos direitos humanos e o acordo com a Turquia é em boa medida espelho dessa atuação", disse Catarina Martins, Na intervenção que encerrou o encontro da comissão executiva do Partido da Esquerda Europeia.

A porta-voz do Bloco de Esquerda juntou-se assim a Guterres – que também marcou presença no encontro - nas críticas ao acordo entre a UE e Ancara.

Catarina Martins respondeu também ao presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, que no sábado abriu a porta à simplificação das regras orçamentais europeias, afirmando que "é bom que a Europa reconheça que tem utilizado recursos que diz técnicos para impor políticas".

"Mas há conclusões que quer retirar que são em tudo perigosas e aquilo que fazem é apressar o caminho da Europa para o precipício. É que o presidente do Eurogrupo sugere que a solidez das contas públicas seja feita olhando apenas para a despesa permanente dos estados e não para a as receitas", disse a líder do Bloco.

Catarina Martins sugere assim que os países provem o seu equilíbrio orçamental "através da sua capacidade de cortar em despesas como a saúde, a educação, a proteção social", recordando Jeroen Dijsselbloem é ministro das Finanças da Holanda, "o país que é na Europa um 'offshore' onde a maior parte das empresas portuguesas foge para não pagar aqui impostos".

"[Isto] diz tudo sobre a natureza do Eurogrupo e sobre a necessidade de, nos nossos países, lutarmos contra esta ditadura dos ricos, dos mais ricos que tem vindo a retirar as possibilidades da condição de vida digna dos nossos povos", declarou.