Sociedade

Quer deixar de fumar? O SNS promete passar a ajudar mais

O Serviço Nacional de Saúde vai passar a ter mais respostas para quem sofre de problemas respiratórios e para quem quer deixar de fumar. O compromisso é assumido num diploma publicado hoje em Diário da República. O governo ordena que até ao final do ano todos os Agrupamentos de Centros de Saúde passem a ter pelo menos uma consulta de apoio intensivo à cessação tabágica. Atualmente nem toda a população está coberta.

Uma das preocupações centrais é o número crescente de portugueses diagnosticados com Doença Pulmonar Crónica Obstrutiva, que se estima afetar cerca 800 mil pessoas no país. Estima-se que 13% não estão diagnosticados e muitos doentes só procuram ajuda quando já perderam metade da capacidade respiratória. A falência respiratória associada a DPOC está por detrás de mais de 2300 mortes por ano.

No diploma publicado hoje em Diário da República, o governo alerta que o diagnóstico precoce e a cessação tabágica aumentam a possibilidade de retardar a progressão da doença. Nesse sentido, os ACES têm de garantir não só consultas, mas capacidade interna para realizar espirometrias – o exame indicado para avaliar a gravidade da DPOC e a correta orientação clínica dos doentes. Os agrupamentos de centros de saúde terão ainda de garantir o acesso a tratamentos de reabilitação respiratória, quando necessário.

As Administrações Regionais de Saúde são incumbidas de passar a avaliar semestralmente a cobertura de todas estas valências.

De acordo com o último balanço do Programa de Prevenção e Controlo do Tabagismo, nos últimos anos houve um acentuado desinvestimento nesta área. Em 2008 e 2009 chegou a haver mais de 200 locais de consulta de cessação tabágica no SNS. Em 2013 eram apenas 118 e em 2014 registou-se um ligeiro aumento para 130, isto incluindo centros de saúde e hospitais. Não existe uma monitorização sistemática da atividade desenvolvida mas estima-se que, por ano, 7500 utentes recorram ao SNS para deixar de fumar.