Economia

"Nem todas as empresas vão conseguir sobreviver", diz CEO do grupo Securitas

    

A imposição dos meios tecnológicos está a ditar as novas tendências no mercado da segurança. Se até aqui era um setor que apostava em mão-de-obra humana, agora as regras mudaram e assenta num negócio digital de tecnologia e conhecimento, em que nem todas as empresas conseguem sobreviver. “Esta é uma mudança dramática, o que significa que algumas empresas conseguirão aguentar e sobreviver e outras irão, simplesmente, morrer”, garante ao SOL, o CEO do grupo Securitas, Alf Goransson.

“A indústria da segurança está a mudar por completo, onde tudo é muito mais otimizado entre a tecnologia e as pessoas e esta é uma mudança que está a ocorrer em todo o mundo e de forma muito rápida”, salienta o responsável.

No entanto, Alf Goransson reconhece que, essas alterações são mais fáceis de ser implementadas em empresas de maior dimensão. A explicação é simples: têm mais recursos para desenvolver soluções alternativas.

Novas soluções

Mas as exigências não ficam por aqui. A par do acesso à tecnologia é também necessário combinar pessoas com as novas tendências. Uma forma de se ter melhor segurança é recorrer a câmaras inteligentes, que permitem basicamente a deteção do crime antes da sua ocorrência. “Estas câmaras podem ser programadas a reagir a determinados acontecimentos. Se o cliente tem uma pessoa à sua porta e essa pessoa não deveria estar lá a determinada hora, no seu apartamento ou empresa, a câmara envia-nos um alarme, nós vemos a imagem e agimos. Mas é necessário enviar alguém. A combinação de pessoas e tecnologia é necessária”, salienta.

O grupo Securitas já usa câmaras inteligentes e tem desenvolvido soluções tecnológicas desta natureza em projetos em todo o mundo. “A câmara inteligente usa análise de vídeo e programamo-la, a título de exemplo, para que aceite que esteja apenas um número máximo de quatro pessoas numa sala. Se estão cinco pessoas ou mais, a câmara irá reagir e enviar um alarme para a Securitas”, revela, acrescentando ainda que, nessa altura, a empresa decide se é uma ameaça real ou falsa. “Neste caso podemos, ainda, através de um microfone que liga através da câmara, dar o alerta de que estão demasiadas pessoas no local e que uma deveria sair. Caso este sistema não funcione, enviamos a polícia ou seguranças nossos”, diz

Desta forma, de acordo com Alf Goransson, consegue-se melhor segurança por um valor mais reduzido. Uma fórmula vista, pelo mesmo, como atrativo para os clientes: “todos querem ter poupanças, reduzir gastos e ter uma melhor relação qualidade-preço. E esta é uma forma muito inteligente de o fazer. Somos líderes mundiais neste campo”.

Mudança de perceção em relação ao perigo

Alf Goransson admite que, a criminalidade violenta não está a aumentar, ao contrário da criminalidade cibernética. “O que está a alterar é a nossa perceção relativamente ao perigo e ao crime em concreto, em que os riscos são maiores e existe mais valor para proteger. Nessa altura, as pessoas estão dispostas a pagar um valor extra para se certificarem para se protegerem e salvaguardarem. Isso é o que realmente impulsiona o nosso mercado. Não é o número de ocorrências, nem nada que se assemelhe. É mais a necessidade das pessoas se assegurarem que não terão interferências na sua vida pessoal ou no seu negócio. É uma questão de segurança e confiança. O sentimento de confiança e segurança é o que mais impacto tem nas pessoas”, refere.

E dá como exemplo o aumento dos atentados terroristas. “O volume de trabalho recente não tem permitido às forças de segurança de alguns países darem resposta a todas as necessidades e isso abre espaço de entrada ao setor privado que tem trabalhado em conjunto com a polícia”, lembra.

Daí o grupo estar já a trabalhar em alguns aeroportos portugueses e em mais de 180 aeroportos em toda a Europa. “São sempre os próprios aeroportos a decidir alterar as regras de segurança e depois nós só temos que nos adaptar e garantir que são cumpridas”, garante.

Por norma, as decisões de alteração são tomadas pelo próprio governo, em estreita articulação com os serviços de informação e os serviços de segurança pública. Os operadores privados entram numa fase posterior. “Normalmente, executamos aquilo que nos pedem”, salienta.

 “Após os ataques em Paris, depois do Charlie Hebdo, de novembro, e dos atentados de Bruxelas, tivemos um boom de pedidos de clientes receosos e que queriam elevar os seus padrões de segurança. Isso levou-nos a empregar milhares de pessoas em poucos dias”, lembra.

No entanto, passado algum tempo, os níveis de segurança baixaram e diminuiu a necessidade de segurança adicional. Em Paris, por exemplo, o grupo recrutou 1100 vigilantes em três dias, após o ataque em novembro. “Dois meses depois, tudo voltou ao normal. Portanto, os ataques terroristas são muito temporários e têm uma validade curta, em que normalmente, dois meses depois, tudo se dissipa e desaparece”.

Ao contrário do que se verifica coma crise dos refugiados em que as necessidades são outras: “os locais de receção têm diversas necessidades no que diz respeito à vigilância e aos níveis de segurança devido a ameaças internas e externas”, conclui.

O grupo está atualmente presente em 53 países, mas continua à procura de novos mercados para poder atuar nos próximos anos.