Sociedade

Espião será interrogado nas próximas horas

O espião português detido em Itália no mês passado, quando passava informação a um elemento das secretas russas, chegou a Lisboa domingo à noite, no último avião da TAP vindo de Roma, sentado na última fila sob fortes medidas de segurança. Vai começar a ser interrogado nas próximas horas em Lisboa pelos procuradores Vítor Magalhães e João Melo, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), e pelo juiz de instrução criminal Ivo Rosa. Frederico Carvalhão Gil é suspeito de ter praticado crimes de espionagem, violação do segredo de Estado, corrupção e branqueamento de capitais.

Hoje, o Correio da Manhã dá conta de que as autoridades receiam que possa estar em perigo, uma vez que pode revelar segredos russos.

A sua extradição para Lisboa foi decidida em tempo recorde pela justiça italiana, estando ainda por decidir a extradição do membro das secretas russas a quem vendia informações, Sergey Nicolaevich Pozdnyakov.

Após a detenção dos dois homens, num café em Trastevere, Roma, no âmbito da Operação Top Secret, a investigação tenta agora apurar quais as ligações entre os dois homens e perceber qual a dimensão das trocas de informações - bem como das respetivas consequências. Neste encontro, Carvalhão Gil iria receber 10 mil euros pela entrega de informações secretas da NATO, mas muitas outras trocas poderão ter acontecido, uma vez que não era a primeira vez que havia registo de encontros entre Sergey e Carvalhão Gil.

Além de se estar a investigar a possibilidade de o espião português ter cúmplices dentro do Serviço de Informações de Segurança (SIS), uma vez que parte da documentação da NATO lhe estaria inacessível por ordens superiores, existe ainda a hipótese de ter obtido dados de outras entidades portuguesas para vender aos russos. Uma das prioridades da Operação Top Secret é perceber se o agente português entregou aos serviços secretos russos nomes e localização de espiões ocidentais que estão em vários países.