Politica

Nuno Crato ao SOL: 'Redução de professores é inevitável'

O ano lectivo arranca segunda-feira e mais de 40 mil docentes ficaram sem lugar nas escolas. O ministro assume que há poucas esperanças para quem quer seguir a profissão: «O número de alunos caiu 14%», explica.

na última semana, mais de cinco mil professores ficaram sem colocação. houve quem falasse do maior despedimento colectivo da história. é uma consequência desse esforço de contenção?
o ministério da educação e ciência (mec) tem mais de 50% do total de funcionários da administração central. é um ministério gigantesco e tudo o que se faça nele significa números muito grandes. agora, é verdade que houve muitos candidatos a professores que não ficaram colocados. muitos deles já tinham dado aulas em momentos anteriores. mas não se pode daí concluir que havia aquele número de professores…

mas há uma redução dos contratados em relação ao ano anterior.
este ano o sistema absorveu menos. até ao momento. mas nada que se pareça com aqueles números fantasiosos de que se falava, as dezenas de milhares. chegou-se a uma etapa decisiva, mas ainda há uma série de colocações...

há 1.714 horários por preencher.
sim. e ainda as contratações das escolas para as necessidades transitórias que existam. agora, se me está a perguntar se o que se está a passar é algo de inevitável, infelizmente é. infelizmente porque é uma situação humanamente preocupante. eu sou professor, sou de uma família de professores, todos percebemos os problemas humanos de muita gente.

qual é a explicação para o que se está a passar? a revisão curricular? o aumento do número de alunos por turma?
o que se está a passar é o resultado de várias coisas que são mais fortes do que nós. a primeira delas é a redução da população escolar, em cerca de 200 mil alunos nos últimos anos (cerca de 14%). é uma diminuição brutal. o que temos sempre dito é que os professores do quadro são necessários e que além disso há algumas necessidades mais, mas nós faremos apenas as contratações estritamente necessárias. nem o contribuinte português poderia entender uma coisa diferente.

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david.dinis@sol.pt e margarida.davim@sol.pt

leia ainda, na entrevista do ministro da educação ao sol: 'contestação de rua não vai acontecer'