Craque da Informática aos 26 anos

Chega em passo de corrida, cabelo desgrenhado e ténis com os atacadores desatados. Às costas traz uma mochila que se adivinha pesada. Quem o vê pela primeira vez facilmente o confunde com mais um aluno universitário. Mas Pedro não é o que parece. Aos 26 anos é regente de duas cadeiras na Universidade de Coimbra,…

um currículo invejável para este professor sub-30 que começou no técnico, em lisboa. «estive lá dois anos e percebi que era tudo muito abstracto. queria fazer uma coisa com resultados mais imediatos e dentro do audiovisual», relembra. mudou para a licenciatura de comunicação e multimédia, em coimbra. no novo curso, não passava de «um aluno mediano. no entanto havia coisas em que era muito bom». por «coisas» entende a ligação entre engenharia, comunicação e design. deste ‘casamento a três’, começou a colaborar com a oficina de design da faculdade. «sabia que esse ateliê era muito bom e foi graças a ele que a minha carreira acabou por seguir outros caminhos».

decidiu fazer o último ano do curso no brasil, ao abrigo de um intercâmbio universitário. «fui para a universidade de belo horizonte, no estado de minas gerais, e foi lá que comecei a fazer algumas coisas de jeito. trabalhei para a 3bits, em são paulo, e fiz uma instalação para a [vodca] smirnoff, um mapa sobre a evolução da música electrónica no mundo», explica enquanto mostra o projecto no seu ipad. este trabalho, um dos que pedro mais gostou de fazer, marcou a sua entrada definitiva no mundo da visualização de informação. pedro traduz: «é uma área em que temos grandes quantidades de dados e tentamos retratá-los numa linguagem simples e próxima das pessoas».

depois desse mapa interactivo, começou a trabalhar nos seus próprios projectos. o primeiro foi ‘a queda dos impérios’, em que pegou nos quatro maiores impérios marítimos – o português, o britânico, o espanhol e o francês – e acompanhou a sua evolução ao longo dos séculos. «tento mostrar os impérios e a forma como se vão fragmentando ao longo do tempo». o projecto ganhou entre outros, o prémio siggraph 2010, do maior festival de computação gráfica e tecnologia do mundo, em los angeles.

olhar para trás com os olhos no futuro

pedro acaba de chegar de vancouver com mais um prémio na bagagem, graças ao projecto ‘visualização do tráfico de lisboa’. esta instalação traduz o tráfico da cidade de lisboa, através do mapeamento de dois milhões de registos gps. este projecto levou-o até ao moma, em nova iorque. «mandaram-me um e-mail a dizer ‘olá pedro, não queres vir até cá?’. e lá fui à inauguração da exposição. além dos artistas, estava toda a socialite de nova iorque!». impressionado com a multidão, pedro teve o impulso de sair dali rapidamente: «era tudo tão apertado, com tanta gente… e claro que ninguém sabia quem eu era».

professor nos cursos de design e multimédia da universidade de coimbra, regente de duas cadeiras de licenciatura e assistente em mais duas cadeiras de mestrado, pedro não tem muito tempo para relaxar. até porque além dos afazeres académicos e do doutoramento continua a apresentar projectos um pouco por todo o mundo: «a revista wire uk convidou-me para fazer para londres o que fiz na ‘visualização do tráfico de lisboa’. só que enquanto em lisboa tinha dois milhões de dados, em londres tinha oito ou dez milhões de entradas gps!».

olhando para trás, o investigador nem quer acreditar que toda esta visibilidade começou pelo site onde publicava os seus projectos: «quando fiz esta brincadeira dos impérios é que notei que as coisas tinham notoriedade. passei a ter 300 mil views e depois meio milhão de views em apenas dois meses». este ‘milagre da multiplicação’ fez com que o seu site constitua já uma referência na área. para 2012 pedro tem dois projectos relacionados com a crise: «vou tentar dar uma estética à economia».

patricia.cintra@sol.pt