Cristas, a candidata pop

Assunção Cristas de bata. Assunção Cristas no trator. Assunção Cristas num barco. Assunção Cristas a dar beijinhos. Assunção Cristas a falar com as pessoas. Ao som de uma música de dança com o nome de "Changes", desfilaram imagens da nova líder do CDS no grande ecrã do Congresso de Gondomar. "Babe I don't know just…

Assunção Cristas de bata. Assunção Cristas no trator. Assunção Cristas num barco. Assunção Cristas a dar beijinhos. Assunção Cristas a falar com as pessoas. Ao som de uma música de dança com o nome de "Changes", desfilaram imagens da nova líder do CDS no grande ecrã do Congresso de Gondomar.

"Babe I don't know just why I love you so", ouvia-se na música escolhida para marcar o começo da liderança Cristas. E ela subiu ao palco para mostrar por que podem gostar dela. Em duas palavras: ambição e proximidade.

Embalada pelo fenómeno Marcelo, Assunção promete estar próxima das pessoas. "Grande proximidade no terreno", prometeu, será uma das marcas do seu consulado, que quer repleto de "políticos todo-o-terreno, políticos que não têm medo de arregaçar as mangas e pôr as mãos no terreno".

Assunção já tinha dito ontem que ia continuar a volta pelo país que começou na candidatura à liderança e hoje reforçou a promessa. Faltou a palavra "afeto", tão querida ao novo Presidente da República, mas a mensagem está toda lá. "Vamos falar para todos e com todos", garante a nova líder centrista.

Com esta nova roupagem de uma líder que fala da sua história pessoal como filha de retornados de Angola ou mãe de quatro filhos, o CDS, acredita Assunção, pode crescer. Esse foi, aliás, o verbo que mais usou nestes dois dias de Congresso em Gondomar.

CDS, a novidade?
"Ambição máxima para Portugal e ambição máxima para o CDS", diz Cristas. A fasquia que coloca é alta, mas esse é o trunfo que tem para oferecer a um partido que fica um pouco órfão do líder que sai depois de 16 anos de liderança.

Assunção quer "um partido reformista para toda a gente e em particular para os que quiserem olhar para esta novidade". Sim, Cristas quer que os portugueses olhem para o CDS como uma novidade, mesmo que o partido tenha nascido há 40 anos.

Embalada pelo sucesso de uma forma de fazer política mais próxima, mais intimista e no feminino, com exemplos de sucesso em Marcelo na proximidade e – curiosamente – pelo BE nesta marca de fazer política com mulher na liderança, Cristas sonha alto.

"Vamos trabalhar para ser a primeira escolha dos portugueses", anuncia, com o cuidado de não hostilizar o parceiro natural que é o PSD e preferindo apontar o discurso de encerramento ao "Governo apoiado pelas esquerdas radicais", mesmo que seja notório que o CDS se afastará dos sociais-democratas para ganhar terreno eleitoral.

Caras novas
Parte desta novidade que Assunção Cristas quer trazer para o CDS passa também por caras novas. Novos militantes e novos independentes. Num mês, houve mil novas filiações e Cristas, de algum modo, chamou a si os louros disso.

No palco do Congresso elencou os nomes dos recém militantes Mariana França Gouveia (professora de Direito), João Bastos (agrónomo e gestor), Raquel Vaz Pinto (especialista em Ciência Política) e Samuel Almeida (fiscalista).

"Profissionais de excelência", disse Cristas que quer fazer a equipa centrista crescer à medida das suas ambições emanter a marca criada por Paulo Portas do CDS como um partido de quadros.

A sucessora de Portas sabe, porém, que estilo novo e caras desconhecidas não fazem um programa. Anunciou "propostas que são respostas" aos problemas dos portugueses" e voltou a falar do contributo que quer do gabinete de estudos, onde integrará independentes, para formular estas ideias novas.

Para já, as prioridades são a Segurança Social, o modelo de supervisão e regulação do sistema bancário e financeiro, a aproximação dos regimes laborais público e privado e a eliminação de obstáculos às empresas.