SOL

Olivença esquecida

«Se Olivença é uma causa perdida, não é Olivença que está perdida para Portugal; é muito provavelmente Portugal que se perdeu a si próprio, incapaz de defender os seus interesses e muito especialmente os seus direitos.»

Grupo dos Amigos de Olivença

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Carta Aberta ao Senhor Primeiro Ministro

Carta Aberta ao Senhor Primeiro Ministro


O Governo Português tem o dever de lutar pela devolução a Portugal de Olivença e seu termo. Vila que está em poder de Espanha desde 1801 , ilegalmente, em violação do Direito Internacional, sendo parte integrante do Território Nacional Português, desde sempre.

José Sócrates, enquanto PM , Cavaco Silva enquanto PR e Jaime Gama, enquanto Presidente da AR têm o dever , constitucional, de tudo fazer para que Espanha devolva Olivença e seu termo, terra portuguesa desde sempre e sobretudo desde o Tratado de Alcanizes.

O Governo Português baixa-se ao Governo Espanhol. O Governo Português não tem a coragem necessária para exigir de Espanha a devolução de Olivença, que os espanhóis se comprometeram a devolver, desde 1817, e até antes desde 1812 , nas Cortes de Cadiz.

Esta situação é insustentável. A capitulação perante Espanha é vergonhosa para nós portugueses.

O Governo Português não só nada faz para que seja devolvida Olivença , como age de modo a impedir a visibilidade de qualquer manifestação que exija o cumprimento da lei internacional.

Aconteceu agora por altura da Cimeira Ibérica em Braga. O Governo mandou a PSP e a GNR impedir que o Grupo Amigos de Olivença mostrasse faixas e cartazes a exigir a devolução de Olivença. Inadmissível!

O Governo de Zapatero não se cansa de exigir do Reino Unido a devolução a Espanha de Gibraltar, perdido para os ingleses em 1714. Por isso decidi enviar ao Primeiro Ministro uma carta aberta que público de imediato.
 

Exmº Senhor Primeiro Ministro

Excelência

Na qualidade de cidadão português e com a legitimidade acrescida que me confere o facto de ter servido o meu País no Regimento de Cavalaria de Estremoz, com o lema "Dragões de Olivença", venho manifestar a minha perplexidade pelo comportamento do seu Governo ,na chamada "Questão de Olivença".
Acredito que V. Exª nem tenha bem a noção do que é ser militar e jurar bandeira, porque nunca cumpriu serviço militar, mas a reserva da Nação está nos que foram militares.
Espanta-me que o Governo Português não tenha a coragem necessária para exigir de Espanha a devolução de Olivença, território português na posse , ilegal, do Reino Espanhol, pelo menos desde 1815.
Alarma-me a falta de vontade, de força política, de arrojo, do seu Governo, necessários para enfrentar Espanha e obrigá-la a devolver a Vila de Olivença e seu termo, territórios portugueses, anexados a Espanha de forma ilegal, violenta, e que fazem parte integrante do nosso Portugal.
Por isso não posso deixar de censurar, como cidadão, como ex-militar, que o seu Governo tenha impedido os manifestantes do Grupo Amigos de Olivença de mostrar as faixas, os cartazes que portavam, aquando da última Cimeira Ibérica.

V. Exª mandou a PSP afastar os manifestantes para um raio de 5 km de distância.

V. Exª mandou a GNR afastar os manifestantes para um raio de 5 km do Mosteiro de Tibães. Impedindo a visibilidade público do protesto.

Creio que sabe perfeitamente que essa manifestação de fraqueza do seu Governo só beneficia Espanha, que se ri do medo do Governo Português, que em boa verdade nem quer ouvir falar de Olivença.

Saberá V. Exª que a História só honrou os corajosos, os que sabem quais são os grandes desígnios nacionais.

O que mais de preocupa, que me causa estupefacção , é que V. Exª não pode desconhecer que o seu "grande amigo" Zapatero não tem o mínimo receio de exigir do Reino Unido a devolução do rochedo de Gibraltar.

E que logo que eleito foi a Londres com Gibraltar na agenda.

Mas V. Exº não o faz em relação a Olivença.

Para mim, e digo-o com toda a frontalidade, seria bom que V. Exª tivesse 1/10 da coragem de Zapatero, na defesa dos interesses nacionais.

Mas parece que o seu Governo tem medo, receio, temor, reverencial em relação a Espanha.

No entanto, Senhor Primeiro Ministro, eu na qualidade de cidadão português exijo-lhe que pressione Espanha para devolver a Portugal Olivença e seu termo.

E assinalo-lhe que é seu dever fazê-lo, dever constitucional, e que se o não fizer que eu recorrerei ÀS INSTÂNCIAS INTERNACIONAIS PARA DENUNCIAR A CONDUTA DO GOVERNO PORTUGUÊS.

Desde a CE, passando pelos EUA, pela China, pelos PALOPS, tudo farei para denunciar a fraqueza inexplicável do Governo Português face a Espanha.

V. Exª é apenas mais um Primeiro Ministro, que um destes dias nem será lembrado, mas Portugal é perene viverá para sempre e está acima de todos nós.

Apresento a V. Exª os meus cumprimentos.
José Maria de Jesus Martins
 



 

Publicado Sunday, January 27, 2008 10:26 AM por Olivencaesquecida | 1 Comentário(s)

Incrível! Inqualificável!


Incrível!

Inqualificável!


No telejornal das 20 horas de hoje, sábado, 19 de Janeiro de 2008, o chefe do Governo, José Sócrates, respondendo à pergunta de um jornalista sobre se na cimeira luso-espanhola fora discutida a questão de Olivença, disse: “Isso é folclore”.

Este homem não revelou sentido de Estado. Nem está a defender a dignidade de Portugal.

Enquanto o governo espanhol não perde oportunidades de reivindicar a posse do rochedo de Gibraltar actualmente sob soberania do Reino Unido e o Reino de Marrocos persistentemente reclama da Espanha a devolução de Ceuta e Mellila, os governantes portugueses demitem-se do dever patriótico de exigirem da Espanha o retorno de Olivença ao seio da pátria portuguesa.

Infelizmente a atitude de cobardia face à Espanha tem sido constante. Desde governos monárquicos, passando pelos governantes da primeira república, governos de Salazar, até aos executivos que se sucederam desde 25 de Abril de 1974, todos se têm curvado, subservientes, perante os governantes espanhóis. É uma vergonha nacional. Uma desonra do Estado de Portugal.

Teria sido por esta cobardia dos dirigentes políticos nacionais que o generalíssimo Francisco Franco nutria um soberano desprezo pelos portugueses e que, mesmo na hora da morte, ousou classificar-nos de gente cobarde?

Quanto aos actuais governantes comprazem-se em se confessarem amigos dos seus homólogos espanhóis e se assumirem como simpatizantes do Iberismo.

Esta é uma situação de renúncia, de servilismo e desonra que nos deixa envergonhados perante nós mesmo e os outros povos.

Uma infelicidade que resulta de estarmos mergulhados na “austera, apagada e vil tristeza”, citada pelo imortal poeta maior da nossa mui querida Língua.

Brasilino Godinho

extraído de: A Quinta Lusitana

Publicado Wednesday, January 23, 2008 9:23 AM por Olivencaesquecida | 0 Comentário(s)

Sócrates e Olivença

SÓCRATES E OLIVENÇA


Há jornalistas que nos fazem continuar a acreditar que a liberdade de opinião teima em resistir.

Assim sucedeu no final da XXIII Cimeira Ibérica de Braga, no dia 19 de Janeiro de 2008. Um jornalista da RTP teve a coragem de perguntar ao Primeiro Ministro José Sócrates o que pensava da presença, uma vez mais, de gente a questionar o problema de Olivença. Visivelmente surpreendido, o estadista português disse que tal presença se inseria no folclore habitual de tais eventos... esquecendo-se de referir que os "Amigos de Olivença" foram impedidos de exibir uma faixa ("Olivença é Terra Portuguesa"), salvo se a cinco (!!!) quilómetros de distância, sob ameaça de prisão. O Jornalista insistiu, referindo que talvez fosse tempo de abordar a questão em tais cimeiras. Sócrates repetiu-lhe que tal "situação" se verificava há quinze anos, e que, tal como sempre os vários primeiros-ministros o faziam, considerava tal um folclore. O profissional da Informação reformulou inteligentemente a pergunta, inquirido se, afinal, o problema de Olivença estivera ou não na agenda. O Primeiro-Ministro disse simplesmente que não.

Não chegou, pois, ao extremo de dizer que o problema não existia, o que constituiria algo grave, dada a existência de documentos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, com menos de dois meses, em que é afirmado claramente que Portugal nada fará que ponha em causa os Direitos de Portugal sobre a Região de Olivença. Talvez Sócrates se tenha lembrado que as águas do Alqueva são quase exclusivamente portuguesas por causa de Portugal manter esta posição.
Compreende-se que, em nome do politicamente correcto, se evitem abrir feridas, de parte a parte, nestas cimeiras, embora seja muito discutível a sua real utilidade partindo destes pressupostos. Compreende-se que se façam concessões... e viu-se a rapidez com que o Governo Português prometeu mudar legislação para que os médicos espanhóis não vissem os seus carros multados em Portugal. Parece que nestas cimeiras há um estado que não deixa passar "nada em claro"(e faz muito bem !)e não adia problemas. Critérios, enfim!

É muito lamentável, todavia, a classificação de "folclore" para tais manifestações. Por um lado, faz recordar o episódio do barco português enviado a Timor com Ramalho Eanes como passageiro, que foi barrado por navios indonésios e classificado como "folclórico" por Jacarta. Sócrates, aqui, não foi feliz. Por outro lado, levanta algumas questões práticas: considerará Sócrates "folclóricas" as habituais contestações espanholas à presença britânica em Gibraltar? Ou insinuará que os "manifestantes por Olivença" deverão mostrar-se com trajes folclóricos oliventinos (alentejanos)? Talvez assim as autoridades não os impeçam de exibir uma faixa.

Devo a José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa respeito enquanto Primeiro-Ministro do meu País. Mas não sou obrigado a concordar com ele. E lamento que, falando em nome do País, produza tão infelizes adjectivações..

Estremoz, 19 de Janeiro de 2008
Carlos Eduardo da Cruz Luna
 

Publicado Saturday, January 19, 2008 11:19 PM por Olivencaesquecida | 2 Comentário(s)

XXIII Cimeira Luso-Espanhola


Grupo dos Amigos de Olivença


www.olivenca.org

Nota Informativa


XXIII Cimeira Luso-Espanhola

Uma Delegação do Grupo dos Amigos de Olivença estará presente em Braga, no local onde vai ter lugar a XXIII Cimeira Luso-Espanhola (Mosteiro de Tibães), em 18-01-2008, lembrando a situação litigiosa do território.
Ao encontrarem-se o Presidente do Governo de Espanha e o Primeiro-ministro de Portugal, a Direcção do Grupo dos Amigos de Olivença dirigiu a cada uma daquelas personalidades uma carta onde assinala, em síntese, o seguinte:
A Questão de Olivença, inquestionavelmente presente na realidade política luso-espanhola, continua por resolver, uma vez que Portugal não reconhece a soberania de Espanha sobre o território e considera o mesmo, de jure, português.
O litígio à volta da soberania de Olivença, factor, pela sua natureza, de desconfiança e reserva entre os dois Estados, tem sido a causa de muitos dos atritos e dificuldades verificados em áreas relevantes da política bilateral.
Porque uma política de boa vizinhança entre os dois Estados não pode ser construída sobre equívocos e ressentimentos, sendo escusada, inadmissível e insustentável a tentativa de esconder a existência política da Questão de Olivença e os prejuízos que traz ao relacionamento peninsular, impõe-se que a mesma seja inscrita - com natural frontalidade e sem subterfúgios - na agenda diplomática luso-espanhola.
As circunstâncias actuais, integrando Portugal e Espanha os mesmos espaços políticos, económicos e militares, com salutar aproximação e colaboração em vastas áreas, são propícias a que ambos os Estados assumam que é chegado o momento de discutir, de forma adequada, a Questão de Olivença e de dar cumprimento à legalidade e ao Direito Internacional.
O Grupo dos Amigos de Olivença, com a legitimidade que lhe conferem 70 anos de esforços pela retrocessão do território, lança o desafio aos Governantes dos dois Estados para que, no respeito pela História, pela Cultura e pelo Direito, dêem início a conversações que conduzam à solução justa do litígio.
O Grupo dos Amigos de Olivença apela ao Governo de Portugal para que leve por diante a sustentação dos direitos de Portugal e aguarda do Governo de Espanha que reconheça a ilegitimidade da sua presença nas terras oliventinas.


OLIVENÇA É TERRA PORTUGUESA!
VIVA OLIVENÇA PORTUGUESA!

Rua Portas S. Antão, 58 (Casa do Alentejo), 1150-268 Lisboa
www.olivenca.org
- olivenca@olivenca.org
Tlm. 96 743 17 69 - Fax. 21 259 05 77

Lx., 17-01-08.
SI/Grupo dos Amigos de Olivença
 

 

Publicado Thursday, January 17, 2008 8:48 PM por Olivencaesquecida | 0 Comentário(s)

Poema Oliventino

ESCUTA


NESTA CASA, VIVE A VENTURA E A ESPERANÇA
DA HISTÓRIA PÁTRIA! NÃO PERTURBES A SUA PAZ!

SE ÉS MEU AMIGO - DEUS TE GUIE!
SE ÉS PORTUGUÊS - DEUS TE GUARDE!
SE ÉS ALENTEJANO - DEUS TE SALVE!
MAS SE ÉS DE OLIVENÇA

ENTRA, MEU IRMÃO - ESTA CASA É SEMPRE TUA!

AQUI VIVE-SE JUNTO AO CÉU
A ALMA ALIMENTA-SE DA IMPONDERÁVEL FÉ!
O CORAÇÃO SONHA E ADORMECE
OLHANDO O MAR...

É A SAUDADE LUSÍADA DO PASSADO!
É O CULTO DA PÁTRIA QUE SÓ DEUS MANTÉM INALTERAVELMENTE!
É PORTUGAL, AQUECENDO O PEITO AO FOGO DOS CÂNTICOS DE CAMÕES!
É O PENSAMENTO MÍSTICO DA ALMA
É A FÉ DO PATRONO... NUN'ÁLVARES!

LAUS DEO

CASAL OLIVENTINO
OLIVENÇA - PORTUGAL

 

Publicado Saturday, December 15, 2007 10:33 PM por Olivencaesquecida | 2 Comentário(s)

Viva o 1.º de Dezembro!

No próximo 1.º de Dezembro comemoram-se 367 anos da Restauração da Independência.


Olivença foi das primeiras povoações a aclamar D. João IV como seu legítimo soberano, logo em 5 de Dezembro de 1640, identificando-se com a divisa que lhe fora outorgada pelos Reis de Portugal:

NOBRE, LEAL E NOTÁVEL VILA DE OLIVENÇA!


Ocupada militarmente por Espanha em 1801 e mantida sob o seu domínio, Olivença não pode hoje viver, com os demais portugueses, a sua Portugalidade.


A usurpação de Olivença, em violação do Direito, da História, da Cultura e da Moral, constitui alerta eloquente para todos os portugueses que querem um Portugal livre e independente.

Lembrando a ocupação estrangeira do território oliventino e apelando à participação cívica de todos na exigência da sua retrocessão, o Grupo dos Amigos de Olivença participará como habitualmente nas comemorações nacionais do Dia da Restauração.


Convidam-se todos os associados e apoiantes a integrarem a Comitiva do Grupo dos Amigos de Olivença que se concentrará, no dia 1.º de Dezembro, às 15:30 horas, frente à sua sede, na Casa do Alentejo, dali saindo para comparecer nas cerimónias públicas que terão lugar às 16:00 horas, na Praça dos Restauradores, em Lisboa.

 

Olivença É Terra Portuguesa! 

Publicado Tuesday, November 27, 2007 6:11 AM por Olivencaesquecida | 1 Comentário(s)

Olivença: A Espanha, tem vergonha!

Tem aparecido nos últimos dias em alguns fóruns na Internet, um texto escrito por um bibliotecário ao serviço da Câmara Municipal de Olivença, (município português, presentemente administrado pelo Estado Espanhol). Naquele texto, refere-se a tese do catedrático espanhol Fernadez Liesa, de que “quem cala consente”, justificando com o silêncio português a presente situação de ocupação, que a seu ver deverá ser definitiva.

É, dos extractos analisados, uma obra com algum interesse e ideias organizadas. No entanto, e infelizmente, como é normal nas ideias expressas pelos Espanhóis, de origem castelhana, trata-se de uma monografia que não esconde uma extrema incapacidade para entender Portugal e os portugueses.

Várias questões, são propositadamente ocultadas e pura e simplesmente “esquecidas”.

As invasões francesas, não foram apenas francesas, também foram espanholas.

Um dos argumentos, por exemplo, é o de que Espanha, não invadiu Portugal em 1807, porque nessa altura, eram os franceses que controlavam Espanha, e que portanto, ficaría a Espanha isenta de responsabilidades nessa questão.

Ora em Dezembro de 1807, são as tropas espanholas que entram em Portugal, juntamente com as tropas francesas que se dirigem a Lisboa. Mas, há tropas espanholas que entram em Portugal (sem qualquer comando francês) para tomar o Porto (e que se vão juntar ás tropas espanholas que entraram por Segura junto com os franceses). São tropas espanholas, as que entram em Portugal, em 1 de Dezembro (data que marca o fim do domínio Habsburgo em Portugal) para ocuparem o Alentejo.

Tratado de Fontainebleau.

O tratado de Fontainebleau, firmado entre os Estado Espanhol e o Estado Francês, tinha como objectivo a ocupação de Portugal e a sua destruição, ficando partes para os espanhóis, e outras para um reino a criar, sob a égide de Espanha.

O Estado Espanhol, tornou, com essa acção, totalmente inútil, e totalmente vazio o tratado de Badajoz, único instrumento jurídico que pode de alguma forma justificar a presente ocupação de Olivença pelo Estado Espanhol.

Os textos são apresentados e escritos, muito mais com o objectivo pré-definido de justificar a situação de Olivença, do que com o objectivo de fazer um estudo claro, limpo e imparcial, que permitisse aproveitar a obra, para estudar a questão de Olivença.

Sendo o objectivo tão claramente pré-definido, teria o autor poupado bastante tempo, se tivesse utilizado, como argumento único, aquele que continua a ser o argumento válido. A presença espanhola na vila de Olivença, justifica-se apenas porque não é possível a Portugal recupera-la pelas armas, da mesma forma que não é possível a Espanha recuperar Gibraltar.

O problema de Olivença, não depende no entanto, nem nunca dependeu, de qualquer questão jurídica. Aliás, a própria Espanha, sem ter qualquer fundamentação legal, exige do Reino Unido, (ao qual entregou o rochedo de Gibraltar) a sua devolução.

O problema, de Olivença, prende-se acima de tudo com a maneira de ser dos Portugueses, completamente ignorada pelo senhor Fernandes Liesa.

É infelizmente típico de certa Espanha “castelhana”, o olhar para os povos peninsulares, como se fossem todos, uma espécie de “castelhanos menores” mas basicamente iguais. Este sempre foi um erro. O erro da soberba, tão criticada por todos os restantes povos peninsulares aos castelhanos. Fernandes Liesa, esquece (ou melhor ignora, porque não se pode esquecer o que nunca se tentou conhecer) não só a história de Portugal, como também esquece o perfil psicológico dos portugueses. Por natureza os portugueses, quando têm um problema, preferem não falar nele. Falam, muitas vezes com o silêncio. Isto ocorre quer nas relações entre vizinhos, quer nas relações entre empresas. Os governos portugueses, são de portugueses e são portugueses com hábitos e costumes portugueses que regem a política externa portuguesa.

Não entender isso, é demonstrar apenas, que se escreve um livro com mil páginas, apenas para tentar justificar uma situação incómoda para Espanha, demonstrando ainda que não se teve nenhum cuidado em analisar profundamente a questão.

O senhor Fernandez Liesa, diz que “quem cala consente”, mas os portugueses habituaram-se a achar que o silêncio fala mais alto que o grito.

O silêncio português sobre Olivença, grita mais alto que todos os livros que quaisquer espanhóis possam escrever para justificar o injustificável: A muito pouco digna e completamente ilegal ocupação da vila de Olivença pelo Estado Espanhol.


Ao contrário do silêncio português, a tentativa espanhola de criar a ideia de que tudo está terminado, e que nada há a fazer, serve apenas para demonstrar o desconforto dos espanhois que, no fundo, sabem não ter razão, e sabem que o tempo, corre contra eles.

 

Publicado Sunday, November 04, 2007 12:32 PM por Olivencaesquecida | 3 Comentário(s)

Salvar o português em Olivença

Salvar o português em Olivença

Carlos Luna


Em 1840, trinta e nove anos após a ocupação espanhola (1801), o Português foi proibido em Olivença, inclusivamente nas Igrejas.

Todavia, ele foi sobrevivendo, numa deliciosa toada alentejana, que logo as autoridades, vigilantes, classificaram como "chaporreo", palavra de difícil tradução (talvez "patois"; talvez "deturpação"), que criou complexos de inferioridade nos utilizadores, levando-os, cada vez mais, a usar a Língua Tradicional apenas a nível caseiro, dentro do aconchego do lar.
Mesmo com esses condicionalismos, depois de duzentos anos de pressão, ela é entendido e falado por cerca de, pelo menos 35% da população, segundo cálculos da União Europeia (Programa Mosaic).

Como sucede, contudo, neste casos, em qualquer ponto do Globo, o Português foi perdendo prestígio. Não sendo utilizado nunca em documentos oficiais, na toponímia (salvo se traduzido e deturpado), ou em qualquer outra situação que reflectisse a dignidade de um idioma, manteve-se, discretamente, por vezes envergonhadamente.

A ditadura franquista piorou a situação. Nas décadas de 1940, 1950, e 1960, era raríssimo, mesmo impossível em alguns casos, encontrar professores, polícias, funcionários em geral, que fossem filhos da terra oliventina, na própria Olivença.

Colonizadores inconscientes, peões numa política geral de destruição das diferenças por toda a Espanha.
Por ironia da História, alguns desses cidadãos "importados", com muito menos complexos que os naturais porque não tinham, quaisquer conflitos de identidade, ou os seus filhos, puseram-se a estudar os aspectos "curiosos", "específicos", da cultura oliventina, acabando por produzir trabalhos de valor sobre a cultura da sua Nova terra, que podem chamar para
sempre, e sem contestações, de Terra Mãe, por adopção, por paixão, ou já por nascimento.

A Democracia abriu algumas novas perspectivas, mas os fantasmas não desapareceram de todo. Alguns cursos de Português foram surgindo, com maior ou menor sucesso. Por vezes ao sabor de questões políticas, como durante a
Década de 1990 . Em 1999/2000, continuando em 2000/2001, a Embaixada de Portugal em Madrid, e o Instituto Camões, passam a apoiar o apoiar o ensino do português no Ensino Primário em todas as Escolas de Olivença. Incluindo as Aldeias. Apenas Táliga, antiga aldeia de Olivença transformada no Século XIX em município independente, está ainda de fora deste projecto, para o qual foram destacados, primeiro três, depois quatro professores portugueses.

É urgente acudir a Táliga, onde só 10% da população ainda tem algo a ver com a Língua de Camões.
Foi dado um primeiro e importante passo. Mas não se tem revelado suficiente. O Estado Português deverá tentar influenciar mais a tomada de outras medidas, dada até a sua posição sobre o Direito de Soberania sobre Olivença: o ensino da História (que não é feito em parte nenhuma em Olivença), por exemplo: a utilização prática da Língua, em documentos oficiais, toponímia, etc.; a continuação do Estudo do Português até níveis de ensino mais avançados; e tantas coisas mais que se poderiam referir!

Acima de tudo, é preciso dar ao Português dignidade... e utilidade.
Revalorizar o Português que sobrevive, o qual, por ser uma variante da fala lusa regional do Alentejo, é vítima de comentários pouco abonatórios.
Deve-se "fazer a ponte" entre as velhas gerações e os jovens alunos. Ensinando-lhes, por exemplo, a partir de exemplos da velha poesia popular e erudita oliventina, no idioma de Camões, e que é ainda, graças a recolhas etnográficas e a alguns poetas populares vivos, suficientemente conhecida para tal. Porque, sem perceberem que estão a dar continuidade à cultura dos seus avós, os jovens oliventinos dificilmente compreenderão que aprender a língua lusa é muito diferente de aprender uma língua estrangeira (Inglês, Francês, Alemão). É preciso dizer claramente que o Português é imprescindível para que as novas gerações compreendam o que as gerações anteriores quiseram transmitir.

Por tudo isto, a situação actual não é famosa. Há estudos recentes que falam em "declínio do Português em Olivença", no seu uso coloquial, como um trabalho da Professora Maria de Fátima Resende Matias, da Universidade de Aveiro.
Como dizia um jovem oliventino (Junho de 2007), a este respeito, «isto é uma verdadeira tragédia; depois de pouco mais de 200 anos, o português vai desaparecer em Olivença; a alma dos povos é a lingua; a lingua é a memória, é tudo; em Olivença vam ficar sómente as pedras, as fachadas, do que foi o seu passado português; Nao há nada mais triste que conhecer que o fim vai chegar e ninguém fiz[fez] nada para evitá-lo; ninguém compreende que a morte do último luso-falante vai ser a morte da alma portuguesa, o fim de gerações falando português nas ruas, nas moradias, no campo oliventino, ao longo de mais de sete seculos?». E continua: «O artigo da senhora Fátima Matias explica perfeitamente as razoes e o contexto da agonia do português em Olivença; mas... agora já não há ditadura; Deveriamos ficar orgulhosos de ter esta riqueza linguística e procurar a defesa e o ensino do português oliventino; (...) e, um pouco também, o Estado português é também responsavel; com independência de questões de índole soberanista, deveria implicar-se na promoção do português em Olivença e nao sómente não reconhecer [a soberania espanhola] e não fazer nada.»
Pode-se aplaudir o que se faz hoje, mas é imprescindível algo mais: faça-se um estudo do Português-Alentejano falado em Olivença, e ligue-se o mesmo ao Português-Padrão ensinado nas Escolas, de modo a fazer a ligação entre as gerações e produzir uma normal continuidade que deveria naturalmente ter ocorrido. Assim se corrigirá a distorção introduzida pela pressão do Castelhano. Este estudo pode ser feito por quem se mostre capaz de o fazer: portugueses, mas também alguns especialistas e linguistas extremenhos. A nenhum Estado (Portugal ou Espanha) se poderá perdoar deixar morrer uma cultura !

O aspecto político da questão, que existe, pode ser secundarizado ao máximo.O Primeiro passo poderão ser umas Jornadas, ou um Congresso, sobre o tema, que reuna a participação de especialists e autoridades das mais diferentes origens, unidos pela sua boa vontade...

Publicado Thursday, November 01, 2007 6:51 PM por Olivencaesquecida | 0 Comentário(s)

NÃO ME PEÇAM

Leio a História duma repressão
no nome de cada rua adulterado;
verifico uma consciente intenção
num apelido que foi modificado.

Não posso negar uma omissão
em cada livro que foi rasgado;
não pode merecer uma aprovação
cada facto por má-fé ocultado.

Não me peçam que seja conivente
para calar a voz da memória
apenas porque tal é conveniente

não me digam ser acção meritória,
emnome dum fugaz tempo presente,
apagar de Olivença a sua História!


Broken Heart

 autor: Carlos Eduardo da Cruz Luna

Publicado Thursday, November 01, 2007 1:46 PM por Olivencaesquecida | 0 Comentário(s)

Saudade...


Grupo dos Amigos de Olivença


www.olivenca.org

Divulgação 14-2006


«SAUDADE - Olivença é um cemitério de Portugal»
de José António Gonzalez Carrillo

 Em Olivença, acaba de ser publicado o novo trabalho gráfico do artista oliventino José António Gonzalez Carrillo, com o título "SAUDADE".

Trata-se, nas palavras do Autor, de «um projecto íntimo e pessoal que tem como protagonistas a Morte, a Religião e o Passado, sempre sob a directa influência das localidades portuguesas mais próximas de Olivença e seu termo».

 José António Gonzalez Carrillo, reafirmando o seu fulgor poético e pictórico, interroga-nos enquanto dá expressão a atmosferas incómodas e inconformadas.
 

Conheça o projecto no youtube: SAUDADE (ouvindo Madredeus...)


Os interessados em adquirir o livro podem solicitá-lo ao GAO, pelos contactos habituais.



Lx., 09-11-2006.
SI/Grupo dos Amigos de Olivença


Rua Portas S. Antão, 58 (Casa do Alentejo), 1150-268 Lisboa
www.olivenca.org - olivenca@olivenca.org
Tlm. 96 743 17 69 - Fax. 21 259 05 77

Publicado Thursday, November 16, 2006 1:27 PM por Olivencaesquecida | 0 Comentário(s)

Portugueses Oliventinos, abandonados á sua sorte...


Com Timor foi assim, e Olivença como foi?
 

Petição contra o massacre em Timor Leste

Aristides Tavares dos Santos
Fri, 10 Sep 1999 06:26:31 -0700

Assine e divulgue a petição contra o massacre em Timor Leste ao maior número de pessoas através do link abaixo.
 
PETIÇÃO

Timor está hoje a braços com uma onda de morte e destruição.
Se os líderes mundiais não exercerem a máxima pressão sobre o governo indonésio, os resultados do referendo da passada segunda-feira serão seguidos do massacre crescente e da destruição de milhares de cidadãos que corajosamente fizeram tudo para exercer o seu direito de voto, exprimindo inequivocamente o seu desejo de independência.
Lamentavelmente, o Governo indonésio não está a cumprir os acordos de Nova York e permitiu a explosão de violência.
 Uma força internacional é essencial para evitar o total assassinato dos timorenses pelas milícias anti-independentistas.
Assim,
Venho apelar a que  use todos os meios à sua disposição  para  pôr fim à matança em curso e impedir a deportação e massacre do povo de Timor-Leste.
 



Durante o tempo que Timor esteve dominada pela Indonésia foram muitíssimos os mortos numa cruel tentativa de extermínio.
Aquando do massacre após as eleições os portugueses se se uniram de norte a sul em apoio ao povo irmão martirizado.


Pare um pouco... e pense, Portugal nasceu corajosamente da libertação do condado Portucalense pelos esforços de D. Afonso Henriques, por nossa culpa os castelhanos não são os donos absolutos de toda a península Ibérica, sanguinários como eles foram nos países que colonizaram já pensou o quanto eles terão feito com nossos irmãos alentejanos do concelho de Olivença. Quantas violações quantas mortes numa tentativa de exterminar os portugueses que não conseguiram fugir para Portugal independente.

Como podemos nós hoje ter uma boa relação ou ser AMIGOS dum país que tem injustamente parte de nosso território nacional?
Os homens mortos as mulheres violadas, gritam do álem-tumulo por JUSTIÇA. Hoje em pleno século XXI os habitantes desse nosso território roubado por Castela certamente é maioritariamente habitado por descendentes de espanhóis, mas isso não muda em nada o nosso direito a tais terras e se temos algum amor à pátria e se somos HOMENS  de verdade não podemos deixar o tempo calar esses crimes praticados.

IMAGINE SE TIMOR CONTINUASSE DEBAIXO DO DOMÍNIO DE JACARTA, SERÁ QUE DAQUI A 200 ANOS MUITOS DOS CRIMES PRATICADOS NÃO ESTARIAM JÁ MEIO-ESQUECIDOS???

Certamente com o povo de Olivença não foi diferente, é bom não esquecer que nesse tempo a imprensa não tinha o poder de divulgação que tem hoje, nesse tempo muitas coisas não se chegavam a saber e quanto a vê-las só quem tivesse no local, hoje podemos ver o que se passa em qualquer parte do mundo pouco tempo após ter acontecido, Meditem sobre isto e lembrem-se que nossa maior riqueza é nossa dignidade, se  a perdemos nada somos.


Olivença esquecida
 

Publicado Sunday, October 22, 2006 12:10 PM por Olivencaesquecida | 1 Comentário(s)

Para não esquecer...

 Invasão de Olivença

Foi a 20 de Maio de 1801, relembraremos sempre a ocupação espanhola do Território de Olivença .
O estado português continua a não reconhecer a soberania espanhola sobre aquele pedaço de terra alentejana. Por esse facto ainda não foi demarcada a fronteira entre os dois países ibéricos na região de Olivença. Permanecem, assim, por colocar cem marcos fronteiriços, desde o nº 801 até ao nº 900. A Espanha persiste em não cumprir os acordos de retrocessão celebrados internacionalmente. Portugal, na sua apatia crónica e no seu complexo de humilhação face ao estrangeiro, mantém a decisão de não reconhecer a fronteira, mas nada fazendo de concreto para reaver uma parte inalienável do espaço nacional. Se aos políticos parece preferível optar pelo mais fácil e adiar interminavelmente a resolução do litígio, aos verdadeiros portugueses que sentem o país como sua própria carne esta situação afigura-se vergonhosa e verdadeiramente intolerável, fazendo das gerações presentes indignos sucessores de um povo que se fez a si próprio pela conquista e pela afirmação do seu carácter e da sua tenacidade. Como já escrevi em outra parte, «se Olivença é uma causa perdida, não é Olivença que está perdida para Portugal, é muito provavelmente Portugal que se perdeu a si próprio, incapaz de defender os seus interesses e muito especialmente os seus direitos».

A pequenez mental dos portugueses de hoje, rendidos às dificuldades do presente e alucinados por ideias estranhas à sua história e à sua verdadeira identidade, gerou um sentimento de inexorável ruína e de insuperável abatimento, causando um complexo de inferioridade e de vergonha geral que impede quase todos, incluindo os presumidos intelectuais e dirigentes nacionais, de reclamarem por Olivença, tido, pelo vulgo, como território insignificante; mas que, apesar de tudo, é maior em superfície que 21 estados independentes do mundo.

Custa a crer que nos anos 40, 50 e 60 a generalidade dos grandes vultos das artes, das letras, da política e das forças armadas bradassem a cheios pulmões o desejo português de reaver Olivença, mesmo quando Portugal se assumia como um dos maiores estados territoriais do mundo. E agora, que o nosso país voltou à sua diminuta dimensão geográfica da Primeira Dinastia, vemos, estranhamente, tão abandonado o apoio dado à causa da retrocessão portuguesa por parte das principais figuras da nossa república. Algo se passa de monstruosamente grave no ânimo e no espírito da gente lusitana, quando tomamos por amigos os inimigos de sempre; quando julgamos ter diante de nós fiéis aliados, mas que continuadamente nos ultrajam e nos espezinham; quando há quem em Portugal tudo faça pela nossa submissão incondicional ao governo de Espanha, enquanto, paradoxalmente, Galegos, Bascos e Catalães lutam para se libertar do poder de Madrid.

Como escreveu Paul Valéry, «a história é o produto mais perigoso que a química do intelecto tem elaborado»; perigosa quando se pretendem manipular os factos do passado, mas de efeitos igualmente devastadores quando se procura iludir o tempo e se desejam ocultar os traços indesejáveis da vida transcorrida dos povos. O problema fronteiriço de Olivença é uma das muitas histórias que alguns sempre pretenderam apagar, um assunto incómodo que muitos se esforçam por escamotear. Não foi esta a atitude de figuras como Hernâni Cidade, Alfredo Pimenta, Virgínia Rau e Jaime Cortesão, historiadores muito empenhados na questão oliventina. Infelizmente a maioria dos historiadores de hoje não sabem ou não querem ouvir falar de Olivença. A cumplicidade que revelam num esforço de ocultar este problema fronteiriço leva-os a ignorarem Olivença, mesmo para o período anterior a 1801, data em que o país foi despojado de uma parte inalienável do seu território. É confrangedor observar como nenhum manual escolar da disciplina de história se refere a Olivença. E é gravíssimo que a cartografia histórica que se produz em Portugal coloque o Território de Olivença nas fronteiras espanholas, mesmo entre 1297 e 1801, enquanto os mapas similares estrangeiros representam Olivença como território nacional. Neste panorama de ciclópica ignorância talvez até não se estranhe que em obras de prestigiadíssimos historiadores não se represente Olivença, ou não se saiba desenhar todo o amplo território português que se interna em Espanha até Higuera de Vargas, incluindo, além da cidade propriamente dita, as povoações de S. Francisco, S. Rafael, S. Domingos de Gusmão, Vila Real, Táliga e S. Bento da Contenda.

O silêncio do Ministério dos Negócios Estrangeiros, relativamente a este litígio, faz crer à generalidade dos portugueses que o Problema de Olivença se submergiu nas brumas do passado, permanecendo irremediavelmente esquecido no sepulcro dos assuntos mal resolvidos da história. No entanto, o diferendo persiste e a nossa diplomacia continua a reafirmar, diante da Espanha, os direitos portugueses sobre Olivença, ainda que de uma forma demasiado dissimulada e sem incomodar drasticamente a irredutível posição de ilegalidade do país ocupante. Ainda o ano passado o estado português afirmou, perante a Espanha, que continua a considerar seu o termo oliventino, mas apenas o fez para não comprometer os nossos direitos face ao monumental lapso da Secretaria de Estado do Planeamento Regional, aquando da realização do projecto de reconstrução da Ponte da Ajuda. Recorde-se que em 1990 o nosso Primeiro-Ministro assinou um convénio com a Espanha para reconstruir aquela ponte ligando Elvas a Olivença, como obra transfronteiriça, o que obrigou o Ministério dos Negócios Estrangeiros a suspender em 1994 o referido convénio para não pôr em causa os direitos de soberania que Portugal reclama sobre aquela superfície.

Infelizmente, apesar do Embaixador Pinto Soares, então à frente da Comissão Internacional de Limites Luso-Espanhola, ter repetido, perante as autoridades dos país vizinho, que do ponto de vista jurídico Olivença nos pertence, não se viu da parte do nosso governo uma atitude de firmeza na reivindicação da retrocessão daquele território alentejano. Assim, 204 anos passados sobre a ignóbil invasão que nos esbulhou de um pedaço do nosso território, as reivindicações dos nossos direitos continuam a ser levadas a efeito quase exclusivamente por cidadãos a título individual. A nossa diplomacia, ainda que não abdique dos direitos que nos assistem, continua a não apoiar os portugueses que aspiram à libertação daquela parcela do sul de Portugal. Prova-o à saciedade a recusa do Ministério dos Negócios Estrangeiros em participar num debate sobre o assunto que a Faculdade de Direito de Lisboa organizou no dia 4 de Maio de 2000, uma das primeiras grandes iniciativas públicas relativamente ao problema de Olivença.

Dois séculos decorridos sobre o fim da administração portuguesa em Olivença, ainda persistem inúmeros vestígios da portugalidade das suas gentes. Apesar da estratégia deliberada das autoridades espanholas para irradicar os traços da presença portuguesa, continua-se a falar a nossa língua, quase sempre apenas dentro de portas, já que não se apagaram inteiramente as formas institucionalizadas de repressão sobre os que, contumazmente, se mantêm mais próximos do país a que historicamente pertencem.

O silêncio deliberado a que a nossa comunicação social tem votado o Território de Olivença continua a permitir que as autoridades de Madrid persistam em manter esta terra portuguesa como uma coutada intransponível onde interminavelmente vão perpetrando todas as atrocidades contra a nossa cultura e contra os que teimam em manter-se fiéis a Portugal. A fachada aparente de respeito pelos edifícios de Olivença não pode fazer esquecer a proposta recentemente apresentada por um vereador da Câmara Municipal para proibir a entrada, naquela cidade, dos membros do Grupo dos Amigos de Olivença e do Comité Olivença Portuguesa. O intolerável desrespeito por Portugal é bem patente nas ameaças feitas a vários elementos do Grupo dos Amigos de Olivença e do Comité Olivença Portuguesa, pondo em risco as suas vidas; no encerramento de parte do ensino de Língua Portuguesa após a decisão do nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros de suspender as obras da Ponte da Ajuda; bem como na intervenção das autoridades de Badajoz junto da Câmara Municipal de Olivença contra a divulgação de publicações em português sobre a verdadeira história do roubo de que o nosso país foi vítima em 1801.

Quando todos poderiam pensar que a Questão de Olivença se tornou insensível e que apenas uma levíssima lembrança do passado resiste em Olivença, há graves problemas que causam preocupação e sofrimento a muitos dos seus habitantes. Calarmos e silenciarmos estes gravíssimos acontecimentos constitui um verdadeiro crime de que não devemos ser cúmplices. Denunciar estas situações é imperativo a que não nos podemos eximir.


Mário Rodrigues

Publicado Sunday, October 22, 2006 12:04 PM por Olivencaesquecida | 0 Comentário(s)