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José Saramago, no seu interrompido (e ocasionalmente retomado) Caderno, referiu-se ao caso de Maria João Pires e à sua renúncia à nacionalidade portuguesa, na sequência de graves desentendimentos entre a pianista e o Ministério das Finanças, que levaram ao encerramento da escola de Belgais.
É curioso, ou talvez não, que Saramago tenha aberto uma excepção (como agora abriu a propósito de uma edição d’A Jangada de Pedra, cujo produto reverterá integralmente a favor das vítimas do sismo no Haiti), para se referir a uma rotura de cidadania, ele que também se desentendeu com certas autoridades do seu país, tendo ido viver para Espanha, que o acolheu de braços abertos (os espanhóis gostam de nacionalizar tudo o que lhes possa trazer vantagens, e um Prémio Nobel não é para desprezar…).
São duas figuras de peso que de certo modo nos deixaram, virando-nos as costas e batendo com a porta.
Quanto à pianista, o caso é um bocadinho diferente. Poderia dizer-se, a propósito, que o génio artístico e a capacidade de gestão não andam necessariamente de mãos dadas. No final, foi pena que ninguém tenha sido capaz de encontrar uma maneira de obviar esse inconveniente. Que afinal não era mais do que isso.
Se algum dia alguém for capaz de fazer o balanço de ambas as situações, saber-se-á quem ganhou e quem perdeu?
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A
escravatura foi abolida, em Portugal e seu império, no século XIX, um processo
que começou em 1836.
Mas
agora, 173 anos depois, lembrei-me disto, não sei porquê.
Ou
será que sei?...
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O artista ia em viagem por Castela (Castilla - La Mancha), qual Quijote sem Sancho Panza. Algures entre Toledo e Ciudad Real, os seus olhos depararam com um monte de potes de cimento, desses onde há algumas décadas eram fermentados os mostos aqui abundantes e encorpados, tarefa hoje a cabo de esterilizadas cubas de aço inoxidável.
Acabada que foi a sua função, por desnecessários converteram-se num estorvo, às vezes decoração de rotundas, e a servirem também como reservatórios de água, líquido este do qual se diz que com aquele se não deve misturar. Diz-se...
Filosofando sobre o triste fado das inutilidades, o artista puxou do pincel e pintou esta aguarela, para que, mesmo inúteis, não fiquem esquecidos os tristes potes...
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Doca de Pedrouços, 30/11/09
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O Pai Natal era verde e
agora é vermelho, graças a…
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Adeste Fideles
Laeti triumphantes
Venite, venite in Bethlehem
Natum videte
Regem angelorum
Venite adoremus
Dominum
Cantet nunc io
Chorus angelorum
Cantet nunc aula caelestium
Gloria, gloria
In excelsis Deo
Venite adoremus
Dominum
Ergo qui natus
Die hodierna
Jesu, tibi sit gloria
Patris aeterni
Verbum caro factus
Venite adoremus
Dominum
Embora ainda subsista alguma polémica quanto à autoria deste hino, é quase consensual que se deve ao rei D. João IV de Portugal.
http://en.wikipedia.org/wiki/Adeste_Fideles
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http://fiestas.practicopedia.com/files/bel%C3%A9n476_0.jpg
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Eu julgava que os políticos, pelo menos os mais pragmáticos, não acreditavam em milagres como forma de solucionar problemas.
Admito que existam muitas excepções, pois também tem de haver lugar para os poetas.
Mas não esperava ouvir da boca do presidente de um país habitado por muitas dezenas de milhões de pessoas, a profecia de que talvez um milagre conseguisse salvar a cimeira de Copenhaga, trazendo aos participantes (desde o céu, com toda a certeza) a inteligência que até ali, ainda segundo o mesmo presidente, lhes tinha faltado.
Parece que o milagre não se concretizou.
Agora foi a vez de António Vitorino, político e comentador de reconhecidos méritos, vir prognosticar que era bem possível que a época natalícia trouxesse alguma concórdia aos desavindos presidente e primeiro-ministro de Portugal, certamente por milagre, presumo eu.
Mas será que se deve acreditar em milagres, mesmo pelo Natal?!
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Gosto especialmente da maneira como as duas fotos (não) se relacionam entre si.
imagens obtidas em:
http://eman59photos.blogspot.com/2009/07/new-book-by-brigitte-lacombe.html
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Em alguns momentos deste adaggio lamentoso final da Patética de Tchaikovsky (p.ex. logo no início), parece que vamos ouvir a seguir:
Não é bem assim, mas vale a pena ouvir, em ambos os casos.
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Uma catedral gótica pode ser algo
mais do que uma obra de arte.

Imagem:
http://2.bp.blogspot.com/_Mq4S1uVPJOo/SNFxTgZcS7I/AAAAAAAACRU/uvYgggl0Nyg/s400/duomo_milano.jpg
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A inspiração também se cansa.
Ausenta-se, foge, adormece...
Tenho estado aqui perto.
Quem conhece os cantos à casa, não deixou de me ver.
Reli, mais uma vez, porque continua a valer a pena, o desabafo de um amigo, ele também cansado da poluição dos fundos marinhos onde as redes se emaranham.