“PORQUÊ ENSINAR AS CRIANÇAS A BRINCAR À GUERRA?"
de Jean-Marie Baudlet
Edições Base (Lisboa)
72 páginas5 euros
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A editora mirense Areias Vivas vai, amanhã, a partir das 15 horas, apresentar, em Macieira da Lixa (no Barracão de Cultura), a obra "NOVO LIVRO DO APOCALIPSE OU DA REVELAÇÃO" do Padre Mário Pais de Oliveira.
A obra (o "livro póstomo" do ex-pároco da Lixa), com 670 páginas, será apresentada pelo escritor angolano José Luandino Vieira e a sessão contará ainda com a participação do actor e encenador Júlio Cardoso que lerá partes do livro.
Recorde-se que este é o terceiro lançamento o projecto editorial de Maria Fernanda Alves, depois de "Espelho D'Agua" de Maria Donzília Alves e de "A força das palavras", colectânea com textos de 10 autores alusivos á palavra.
A editora “Areias Vivas” vai lançar o seu segundo livro, no dia 23 de Maio, em Mira.
O livro junta textos de 10 autores (Maria Donzília Alves, Manuel Madaleno, Lucinda Ferreira, Álvaro Rosa Dias, Oliveira Simão, Maria João Guia, Tulipa, Artur Coimbra, Domingos Neto e António Veríssimo) que se debruçam sobre “a palavra”, tendo esta colectânea denominada “A Força das Palavras” (onde cabe a prosa e a poesia) o objectivo de comemorar o Dia Mundial do Livro. o livro tem prefácio assinado por Joaquim Jorge, do Clube dos Pensadores.
A sessão está marcada para as 16 horas, na Casa do Povo de Mira. A actriz brasileira Rose Marcos e o Grupo Coral de Mira participam na iniciativa.
Recorde-se que a "Areias Vivas" é um projecto editorial de Maria Fernanda Alves com sede em Mira.
No dia 18 de Abril a AREIAS VIVAS, projecto editorial liderado por Maria Fernanda Alves e sedeado em Mira, vai editar o seu primeiro livro, concretamente ESPELHO D´ÁGUA, um livro de crónicas de autoria de Maria Donzília Alves, com prefácio de João Calvão da Silva. A sessão de lançamento terá lugar em Cantanhede, na Biblioteca Municipal, pelas 21 horas. A apresentação do livro ficará a cargo de Manuel Cidalino Madaleno enquanto a apresentação da autora caberá a Mário Cupido.
A 23 de Maio será lançado, em Mira, o livro A FORÇA DAS PALAVRAS, uma colectânea de textos de vários autores sobre a palavra.
Entretanto podemos adiantar que a jovem editora está a trabalhar para, até final deste ano, lançar outros títulos.
A Escola da Noite organiza ao longo desta semana mais dois debates sobre arte e arquitectura, no âmbito da exposição "Arquitecturas em Palco", de João Mendes Ribeiro, que se encontra patente ao público, no Teatro da Cerca de São Bernardo, até 28 de Fevereiro.
As conversas decorrerão no bar do Teatro, ao fim da tarde e em ambiente informal, e contam com a participação de alguns dos mais conceituados arquitectos e artistas plásticos nacionais. Tomando como ponto de partida a obra de João Mendes Ribeiro e os múltiplos cruzamentos disciplinares que ela reflecte e sugere, os convidados partilharão com a assistência as suas próprias reflexões sobre as ligações e as influências recíprocas entre arquitectura, cenografia e artes visuais.
O debate de segunda-feira, dia 16 (18h00), tem como tema " A cena na arquitectura". É moderado por Jorge Figueira, professor no Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra e inicia-se com as intervenções dos arquitectos Ana Tostões, João Luís Carrilho da Graça, Manuel Aires Mateus e Manuel Graça Dias.
Na quinta-feira, 19 de Fevereiro, no mesmo horário, António Pedro Pita moderará o debate intitulado "Cidade, arte e arquitectura", em que participarão os artistas plásticos António Olaio, Gabriela Vaz-Pinheiro, Fernanda Fragateiro, Didier Fiúza Faustino e Pedro Tudela.
A editora AREIAS VIVAS, sedeada em Mira, prepara-se para, muito em breve, editar os seus dois primeiros livros que darão início às colecções Ensaio e Cais da Politica, respectivamente.
O editor, António Veríssimo, adiantou que a editora está já a trabalhar para, em Março/Abril, lançar outros dois títulos, estes de âmbito mais alargado.
Entretanto, a jovem editora está a distribuir o livro PORQUÊ ENSINAR AS CRIANÇAS A BRINCAR À GUERRA, de Jean-Marie Baudlet, editado pelas Edições Base nos anos 80 do século passado.


Rubi é sem sombra de dúvida a grande revelação do Hip Hop português de 2008.
Músico, compositor e letrista de grande talento, Rubi equilibra a irreverência própria do Hip Hop, com a mensagem de quem acredita que cada um de nós pode e deve fazer qualquer coisa para melhorar o mundo.
Usando e criando palavras, as suas letras e a sua música, aliadas a um brilho e uma garra própria de quem tem "o dom", transformam o CD "Fraganâncias" e os seus espectáculos, numa explosão de energia!
Criativo, coloca em cada gesto e em cada palavra a voz e a música de uma nova geração, que se revela coerente e feliz, num “grito” de positividade!
Lançado no Cabaret Maxime, no passado dia 24 de Janeiro, “Fraganâncias” espera por si em todas as Fnacs do País, onde estaremos brevemente com showcases em todo o país!
Esteja atento ás Rádios, à TV e à imprensa escrita, porque é esta a fase de promoção e lembre-se que…
RUBI É QUE BOMBA!
Lenita Gentil vai ser homenageada a 26 de Julho com um JANTAR DE GALA E ESPECTÁCULO no Restaurante Manuela Borges em Santo Antonio da Charneca- Barreiro. LENITA GENTIL, ROSA MADEIRA e NATALINO DE JESUS são as vozes da noite. A apresentação está a cargo de ISABEL ANGELINO.
RESERVAS: TEL. 926 036 586. email- gentil.lenita@gmail.com.
A fadista portuguesa Margarida Guerreiro vai dar voz à Orkestra 7 Sóis, um projecto levado a cabo pelo conceituado festival de world music Sete Sóis Sete Luas.
A cantora alentejana já se juntou à equipa de músicos que vão compor o projecto, para ensaiar os temas que irão fazer parte da digressão que a Orkestra faz este Verão pela Europa. Portugal, Espanha, Itália e França vão ser os pontos de acostagem. Para o nosso país estão já agendadas três datas: Oeiras, a 11 de Julho, Vila Real de Santo António, a 13 de Julho, e Ponte de Sôr, a 13 de Setembro.
Para além dos temas em português do seu último álbum, Encores Fado Live, Margarida Guerreiro vai ainda interpretar músicas em calabrese (dialecto da Calábria), siciliano, grego antigo, espanhol, italiano e árabe. Esta não é a primeira vez que a cantora portuguesa participa num projecto a convite do Sete Sóis Sete Luas. No ano passado, Guerreiro tinha já realizado uma actuação, em Itália, intitulada Encores Fado, com o guitarrista Custódio Castelo.
O Festival Sete Sóis Sete Luas é um projecto, criado em 1993, por uma rede de trinta cidades, onde se incluem localidades de Portugal, Cabo Verde, Itália, Grécia e Espanha. As apostas do festival estão centradas na música tradicional, teatro de rua e artes plásticas.
De 12 a 15 de Junho, Cantanhede vai ser a capital do jazz popular com a realização do V Festival Internacional Dixieland de Cantanhede. Organizado pela Câmara Municipal e a INOVA-Empresa Municipal, com o apoio de diversas entidades e com a produção da empresa “De Mi Para Si”, este evento de características inéditas em Portugal conta este ano com a participação de onze bandas, seis das quais internacionais. São elas: Always Drinking Marching Band (Espanha), The Juggets Jazz Band (Holanda), Dixieman Four (Alemanha), Dixieland Crackerjacks (Holanda), Tiger Dixie Band (Itália), Remember Swing (Espanha), e as portuguesas Dixie Boys, Desbundixie Jazz Band, Castiço Jazz Band, Astedixie e Funfarra. O festival contará ainda com a participação especial da Maria João.
Os momentos altos do festival vão ser os concertos que, todas as noites, se vão realizar num grande espaço coberto instalado para o efeito no Parque Expo-Desportivo de S. Mateus. Antes dos espectáculos, o público poderá apreciar algumas das mais representativas propostas da gastronomia regional nos espaços concessionados a um prestigiado restaurante do Concelho ou nas tasquinhas a cargo das associações concelhias. É que, paralelamente, estará a decorrer no local a X Tapas & Papas – Feira de Gastronomia e Artesanato de Cantanhede, que registará ainda a presença de artesãos provenientes de todo o País. O ambiente será também aqui de festa, com pequenas exibições das bandas dixieland e com a actuação das filarmónicas do Concelho, além de outros elementos de animação.
O que Cantanhede tem para oferecer de 12 a 15 de Junho é um programa verdadeiramente tentador: refeições com os magníficos sabores de terra e mar da gândara e da bairrada em espaços onde também pontificam os excelentes vinhos de Cantanhede, uma grande feira de artesanato e grandes concertos de jazz popular.
Maria João com os Always Drinking Marching Band num grande concerto
Esta banda espanhola vai apresentar-se em palco com Maria João, perspectivando-se um espectáculo de dixieland memorável, com a participação de uma das mais emblemáticas cantoras portuguesas.
Street Parade em ambiente apoteótico no dia 15 de Junho
O V Festival Internacional de Dixieland de Cantanhede encerra com a grande street parade a realizar em 15 de Junho, domingo, a partir das 15 horas, em Cantanhede, com passagem pelas principais ruas e praças do núcleo urbano da cidade. A avaliar pelo sucesso dos desfiles das edições anteriores, o evento terminará em ambiente apoteótico, à boa maneira de New Orleans, com a cidade a ser mais uma vez inundada com as sonoridades fortemente ritmadas do dixieland, género popular de jazz oriundo daquela cidade norte-americana. Ao longo de todo o percurso, as ruas de Cantanhede vão estar engalanadas com as janelas e varandas das habitações decoradas a preceito com colchas e bandeiras, criando uma atmosfera de festa popular que dará expressão ao enorme entusiasmo com que habitualmente a população adere à iniciativa.
Aposta na descentralização e na formação de públicos
Do V Festival Internacional de Dixieland de Cantanhede merece também especial referência a aposta em exibições das bandas participantes em todas as freguesias do Concelho. Estes espectáculos cumprem o objectivo de descentralização que a organização se propôs conferir ao evento, tendo em vista a formação de públicos, produzindo assim um efeito mobilizador junto da população daquelas freguesias para os concertos a realizar à noite
Organizado em moldes semelhantes aos que se realizam em New Orleans, nos Estados Unidos, de onde é originário aquele género musical de raiz popular que esteve na origem do jazz e que veio a ter uma grande influência na música e na cultura do mundo ocidental, o festival atingiu em apenas quatro edições uma expressão idêntica a iniciativas congéneres em diversas cidades da Europa.
O seu carácter original e inovador e o forte impacto que o dixieland tem junto de diferentes tipos de público são factores que contribuíram decisivamente para colocar o evento e o Município de Cantanhede no circuito dos grandes festivais de Verão do País.
" Custódio Castelo, uma das maiores referências da guitarra portuguesa quer em capacidade técnica quer na expressividade criativa com o instrumento, e Margarida Guerreiro, uma voz quente e sedutora, juntam-se numa actuação memorável e criam um ambiente notável. Este primeiro disco do projecto Encores Fado, inicialmente pensado apenas com um formato de concerto, é um álbum estupendo que em boa hora foi captado para um registo físico.
A actuação, gravada na Igreja da Misericórdia em Montemor-o-Novo, é como que uma cerimónia de doação gratuita do fado ao mundo pela ligeireza com que a nossa cultura é feita soar por ambos os protagonistas, pelas suas incursões a campos de música erudita, ouça-se como exemplo, o instrumental em "Ausente", ou o acréscimo de feeling jazz, como é claro no instrumental que termina o concerto, ou qualquer coisa de bossa nova com que os músicos coloram "Barco Negro" momentos sob a condução do versátil contrabaixo de Carlos Menezes.
É um testemunho da beleza da língua portuguesa, dos seus autores ( como é sublime ouvir aqui Fernando Pessoa cantado em "O Que Nunca Te Direi", talvez o momento máximo do álbum ), de como escrevem o amor, o encontro com o outro, mágoas que a vida edifica, a inevitável saudade, e como canta Margarida Guerreiro essas palavras, como nos embala em momentos com a melancolia doce da sua voz e noutros com alegria "alfacinha", momentos sempre guiados pela guitarra de Custódio Castelo, que arranjos extraordinários nos mostra, como por exemplo acolhe Pedro Abrunhosa em "Eu Não Sei Quem Te Perdeu". A Antena 1 merece os parabéns pelo trabalho que faz na aposta em projectos como este, é realmente urgente criar uma nova geração de ouvintes para a beleza da nossa música e em trabalhos como estes encores do fado que viajam entre a canção popular, acessível, e a subtileza musical para ouvidos mais atentos.
Uma palavra final para a opção de mostrar o fado ao vivo, de escolher captar assim o trabalho em concerto. De facto parece-me que o palco ( seja numa taverna de Alfama, seja num auditório em qualquer canto do mundo ) é o local próprio do fado, na presença do ouvinte a intimidade torna-se maior, sente-se a emoção com que a audiência responde aos músicos que por sua vez se torna resposta, numa linguagem de celebração em comunhão quase religiosa. Que venham depressa as duas partes seguintes deste projecto."
Nero Ferreira, na 3ª Edição da Revista " Arte Sonora ";
www.artesonora.pt
Maria de Medeiros, conceituada actriz e realizadora, recentemente nomeada “Artista Unesco para a Paz”, apresenta, amanhã, dia 6 de Junho, numa das suas poucas actuações em Portugal, “A Little more Blue” que nos revela a sua musicalidade, cantando temas de jazz, Música Popular Brasileira e bossa nova, com temas de Chico Buarque, Vinicius de Moraes, Gilberto Gil ou Ivan Lins. “A little more blue, mais melancólico, ligeiramente distante da celebração festiva de uma cultura cheia de cores e contrastes – este título de uma das canções compostas no exílio por Caetano Veloso corresponde sem dúvida ao espírito desta viagem através de um repertório íntimo e fundador.”
O espectáculo terá lugar no Centro Cultural de Ílhavo e está marcado para as 21.30h.
Em Dezembro de 2005, um conjunto de sessenta cidadãs e cidadãos de Coimbra manifestou publicamente a sua preocupação com a forma como estava a ser conduzida a política cultural da Câmara Municipal. Num documento intitulado “O saneamento básico da cultura”, chamava-se a atenção para dois aspectos fundamentais: o corte de 60% nas verbas destinadas à cultura no orçamento para 2006 e a falta de respeito por alguns dos agentes culturais da cidade, evidenciada nas expressões com que os responsáveis autárquicos a eles se referiam e nas suas atitudes reveladoras de uma visível e ofensiva falta de cultura democrática. Alertava-se para o péssimo prenúncio que tal comportamento configurava para o seu segundo mandato que então se iniciava.
Dois anos depois, as piores expectativas foram ultrapassadas. Coimbra é hoje uma cidade amarfanhada do ponto de vista cultural, que só não se tornou absolutamente insignificante a nível nacional graças à actividade que, no limiar da sobrevivência, os poucos agentes culturais que ainda restam conseguem ir desenvolvendo. A Câmara Municipal já não se limita a não apoiar devidamente a actividade cultural que aqui é feita; assume-se, pelo contrário, como um elemento dificultador e tendencialmente destruidor do potencial de criação artística que a cidade possui e que é uma das suas principais mais-valias.
O orçamento aprovado para 2008 é apenas o exemplo mais facilmente quantificável desse comportamento da autarquia. As verbas para a cultura sofreram um novo corte de 3 milhões de Euros, sendo hoje menos 80% do que em 2004. O investimento público na cultura atingiu, assim, o grau mais reduzido e insignificante. Uma cuidada análise do orçamento revela que as verbas com que este pulmão de vida e de cidadania de uma sociedade democrática e participativa deveria ser contemplado nem sequer atingem o limiar da simples manutenção. E os discursos com que os responsáveis autárquicos pretendem justificar-se, iludindo as questões e distraindo os munícipes, não passam de um mar de contradições, demonstrando um vazio total de ideias sobre o papel da cultura no desenvolvimento da cidade e no exercício da cidadania. Não há plano estratégico cultural a curto, médio e longo prazo para a cidade de Coimbra e para o seu município, não há definição de objectivos, não há definição nem quantitativa nem qualitativa de resultados a atingir, não há planificação dos recursos a mobilizar, não há definição nem de dinâmicas internas a desenvolver (sobre a cultura na cidade e no concelho), nem de dinâmicas externas a incentivar (sobre a ligação cultural de Coimbra a Portugal, à Europa e ao Mundo). Não há política de construção, de gestão e de programação de espaços culturais, quer para espectáculos de dança, música e teatro, quer para exposições de artes visuais, excepto se se considerar que a omissão e a alienação dessa capacidade de programação a entidades exteriores a Coimbra é uma forma de política. O programa e o regulamento de apoio à actividade cultural das colectividades já não é cumprido desde o ano das eleições autárquicas. Há, em contrapartida, uma asfixia dos recursos e dos agentes culturais e há um desbaratar do património constituído, numa demonstração paralisante de mediocridade e provincianismo, bem patente na falta de condições e dignidade com que é desenvolvida na Casa da Cultura uma parte significativa das suas actividades, entre o átrio das casas de banho transformado em espaço de exposições e uma garagem imunda e sucessivamente inundada a servir de entrada para um teatro-estúdio que só o esforço do grupo nele instalado consegue manter em funcionamento. As intersecções da cultura com a educação e o ensino e a política de bibliotecas, de arquivos e de promoção da leitura têm sido praticamente ignoradas em termos de planificação e algumas iniciativas avulsas não escondem a falta do investimento político nestas áreas.
Quem acredita que a Câmara Municipal fez algum esforço para ser Capital Europeia da Cultura, quando o investimento que está disposta a fazer nesta área é cada vez menor? Quem acredita que este executivo quer efectivamente instalar um novo Teatro Municipal no Convento de São Francisco, quando nem sequer consegue dar condições mínimas ao Centro de Artes Visuais e ao Teatro da Cerca de São Bernardo, recusando-se a pagar as despesas com a electricidade? Que incentivo sentirão os novos grupos e criadores (na área do teatro e da música, por exemplo) se a desastrosa gestão dos espaços municipais que existem continua a arredá-los de qualquer possibilidade, sequer, de partilharem um espaço? Que tipo de programação cultural se pode esperar, quando a Câmara deixou de ter qualquer protocolo com o TAGV, a principal sala de espectáculos da cidade e deixou cair ou abandonou os principais eventos que colocavam Coimbra na rota da cultura em Portugal?
Que tipo de política cultural se pode esperar de um executivo que insiste em amesquinhar publicamente os agentes culturais da cidade, denegrindo a actividade que desenvolvem, forçando-os a assinar protocolos que ameaçam a sua própria subsistência, procurando virá-los uns contra os outros e utilizando-os para acções de auto-homenagem? Chegou-se a um ponto em que, mais do que qualquer outra prerrogativa, é respeito aquilo que se reclama: respeito pelos que se dedicam à actividade cultural neste concelho – pelo seu direito à vida, à liberdade, à capacidade de acção; respeito pelo direito à cultura de uma cidade que se quis capital cultural do país e que se diz ser cidade do conhecimento; respeito pelo dever de cultura de quem, também em nosso nome, vai tendo a responsabilidade de a governar.
Em resposta às críticas que têm sido feitas, encontramos sempre duas linhas de argumentação: a do vereador da Cultura, que nas suas crónicas semanais de crítica aos “intelectuais” insiste na mais que ultrapassada dicotomia entre “cultura popular” e “cultura de elites”, agarrado a conceitos que já só fazem sentido na sua cabeça; e a do presidente da Câmara, que reserva para si próprio o anúncio dos “grandes projectos” e o facilitismo das acusações ao “discriminador” governo central, num exercício de auto-vitimização que se tornou slogan.
É manifestamente muito pouco para seis anos de mandato. É manifestamente muito grave nos efeitos que produz sobre a dinâmica e a oferta para quem vive nesta cidade. E é sobretudo muito triste que Coimbra continue espartilhada nesta forma de encarar a actividade cultural e a criação artística e amarrada a uma tão grande incompreensão sobre o papel destas actividades no desenvolvimento das pessoas e da comunidade.
Por isso tomamos esta posição pública. Para dizer que já chega. Para mostrar que não aceitamos com naturalidade a redução sistemática das verbas destinadas à cultura. Para apelar a uma urgente inversão de rumo, antes que seja demasiado tarde e Coimbra perca em definitivo qualquer possibilidade de se afirmar como o pólo cultural de referência que, para além dos rótulos balofos e das placas de auto-estrada, pode efectivamente ser.
http://amigosdacultura2008.blogspot.com
Cheia de penas
Cheia de penas me deito
E com mais penas
Com mais penas me levanto
No meu peito
Já me ficou no meu peito
Este jeito
O jeito de querer tanto
Desespero
Tenho por meu desespero
Dentro de mim
Dentro de mim o castigo
Eu não te quero
Eu digo que não te quero
E de noite
De noite sonho contigo
Se considero
Que um dia hei-de morrer
No desespero
Que tenho de te não ver
Estendo o meu xaile
Estendo o meu xaile no chão
Estando o meu xaile
E deixo-me adormecer
Se eu soubesse
Se eu soubesse que morrendo
Tu me havias
Tu me havias de chorar
Por uma lágrima
Por uma lágrima tua
Que alegria
Me deixaria matar
Por uma lágrima
Por uma lágrima tua
Que alegria
Me deixaria matar

Rão Kyao (flautas) e Renato Júnior (teclados e acordeão) vão estar no CONTRABAIXO BAR na Praia de Mira, nas noites de 21 e 22 de Setembro.
Uma oportunidade a não perder...