SOL

E O CÃO, SÓCRATES? E O CÃO?

A antevisão de um futuro breve?


«Primeiro foi a família. (…)

 

Agora, são os amigos. (…)

 

Falta, evidentemente, o cão. Se Sócrates tem um cão, sugiro que o submeta a vigilância apertada. Parece óbvio que vai ser o bicho a protagonizar o próximo escândalo. Ninguém sabe se fez um desfalque nas latas de ração, se alçou a pata para uma árvore protegida, se foi visto a cheirar o rabo do cão do Presidente. Mas alguma coisa terá feito. E a justiça há-de deixar no ar a ideia de que se trata de qualquer coisa grave, ideia à qual a comunicação social dará o eco devido. E, no final, o caso terá um desfecho terrivelmente inconclusivo.» (por Ricardo Araújo Pereira em Visão)

 

Absolutamente corrosiva e irónica, a vários níveis! A crónica de ontem de Ricardo Araújo Pereira.

 

Sem saber se Sócrates tem algum cão ou algum gato (animal que não é sugerido pelo RAP, o que não deixa de ser assinalável…), não deixo no entanto de antever as fotos que dentro em breve poderão ser capa do SOL, do Correio da Manhã ou do Público, encimando títulos bombásticos que igualmente imagino:

 

 

“Cão de Sócrates apanhado em flagrante com produto de sublorno!”

 

 


 “Gato de Sócrates apanhado pela Operação ‘Gatil dos Euros’, com dinheiro suspeito”

 

 

“Cão do 1º Ministro liderava gang de corruptos”

 

 

 

Mensagens Privadas“Gato de Sócrates foi capturado quando tentava transferência de dinheiro para uma offshore”

 

 


“Era o cão de Sócrates que se encarregava de pagar as luvas! Divulgamos, em exclusivo, as fotos que constam do processo"


 

 

“Reviravolta sensacional no caso 'Dinheiro Verde': Garfield e Sócrates apanhados em escutas comprometedoras!”

 

Mas, verdadeiramente bombástica, será a revelação que guardei para o fim: a das ligações entre Sócrates e um dos homens mais poderosos do país! O xadrezismo sabe que no âmbito do processo "Papa Azul", foram interceptadas conversas telefónicas que provam que Bobby e Tareco pertencem afinal, não ao Presidente do FC Porto, mas sim ao primeiro ministro! Sócrates terá articulado com Pinto da Costa, toda a encenação produzida por um popular programa televisivo, com o objectivo de que os cidadãos não estabelecessem qualquer relação entre ele e os 2 animais.

Sabe-se agora que Bobby e Tareco puderam ser assim um instrumento de todas as malfeitorias perpetradas por José Sócrates. Pinto da Costa, viu sempre esta aliança com Sócrates como uma forma de controlar um importante adepto do SL Benfica. A linha da investigação que decorre nesta altura, esforça-se por encontrar provas para as fortes  suspeitas, segundo as quais, José Sócrates terá mesmo conseguido manipular ao longo dos anos vários árbitros, levando-os a beneficiar o FC Porto, em troca do favor que Pinto da Costa lhe fez... Outra das linhas de investigação seguida conduziu a PJ e o MP à possibilidade de o prórprio leão do Sporting CP e a águia benfiquista poderem ser igualmente "agentes" ao serviço de José sócrates! Ao que parece, Pinto da costa opôs-se a que o dragão do FC Porto colaborasse com o primeiro ministro. Responsáveis do Jardim Zoológico de Lisboa poderão ser ouvidos nas próximas horas na tentativa de se apurar quais dos animais que se pensava serem propriedade do Zoo, estarão também envolvidos na enorme rede criada pelo principal suspeito...

 

Um caso, cujos desenvolvimentos futuros, continuaremos a acompanhar.


GOVERNO “EMENDA A MÃO” E VAI PROIBIR TAXAS EM PAGAMENTOS COM CARTÕES

Corrigir uma estupidez, é um acto de inteligência


O Governo anunciou através do Ministério das Finanças que está em elaboração o diploma que proibirá a taxação de levantamentos de dinheiro em terminais Multibanco, bem como os pagamentos em estabelecimentos comerciais com cartões de débito e crédito.

 

Se a primeira questão põe fim a uma pretensão da Banca durante as últimas duas décadas, já a segunda resulta da transposição (apressada ou descuidada?) para o ordenamento jurídico nacional de uma Directiva da U.E., que abria caminho à eventualidade de qualquer comerciante poder optar por cobrar as referidas taxas.

 

«Em declarações ao Diário Económico, o ministério tutelado por Teixeira dos Santos garante que já está a trabalhar na proposta legislativa para impedir a banca de aplicar comissões pela utilização do Multibanco. As iniciativas do Governo não ficam no entanto por aqui. É que depois de a taxa multibanco regressar à discussão pública a propósito da transposição de uma directiva europeia sobre serviços de pagamentos, o ministro está também a preparar a legislação que impedirá os comerciantes de cobrar aos clientes taxas pelos pagamentos com multibanco.» (em Diário Económico)

 

Foi um dos últimos diplomas do anterior Governo (o Decreto-Lei nº 317/2009, 30 de Outubro), que em dois artigos (61º e 63º), tornava possível esta cobrança de uma taxa que, como aqui afirmei na altura em que entrou em vigor, era uma rotunda estupidez, pois não aproveitava a ninguém...

 

Escrevi na altura, que restava «esperar que o Governo corrija o disparate, que cheira a medida apressada e pouco pensada do executivo anterior, demonstrando que as medidas de esquerda não se resumem às chamadas "questões fracturantes"!» Foi o que agora se soube que iria suceder! Gesto de humildade? Reconhecimento do erro? Ou mera questão de bom senso? Classifique-se como se quiser, a decisão do Governo, só se pode aplaudi-la com veemência idêntica aquela com que se criticou a anterior decisão! Por mim, classifico este “emendar de mão” como um acto de inteligência. Para um Governo a que muitos tentam colar a imagem da arrogância (com algum sucesso junto de grande parte da opinião pública, reconheça-se), não fica nada mal, a atitude...


MAGALHÃES: UM SUCESSO INTERNACIONAL

Sucesso do Plano Tecnológico da Educação não se resume ao computador


 

Primeiro, fora Don Tapscott, um especialista de renome internacional em novas tecnologias a mostrar o seu agrado pela forma como em Portugal se operava uma verdadeira revolução tecnológica no ensino. E foi de tal monta esse agrado, que Tapscott tornou pública uma carta onde aconselhava o Presidente dos EUA, Obama, a “pôr os olhos em Portugal”, se queria resolver os problemas das escolas Americanas!

 

Sabe-se agora que a ansiada internacionalização do computador Magalhães, uma das peças do Plano Tecnológico da Educação, iniciada com a exportação para Macau e Venezuela, está em vias de se consolidar noutros mercados Sul-americanos. Chile e Colômbia são os próximos “clientes”. Realce-se ainda que o objectivo assumido e definido há partida para o Plano Tecnológico da Educação, "Colocar Portugal entre os cinco países Europeus mais avançados ao nível de modernização tecnológica do ensino", é já uma realidade pois Portugal transformou-se num caso único, sem paralelo no mundo, no que respeita à utilização das novas tecnologias nas escolas!

 

 

Espantado, caro leitor? É natural pois como é hábito entre nós, estes casos de sucesso e reconhecimento internacional, não são habitualmente noticiados pela generalidade da nossa imprensa sempre mais interessada na trica, na intriga ou nas catástrofes para as suas parangonas...

 

A excepção desta vez, foi o Jornal i, que deu algum destaque à notícia bem como às declarações do responsável pela parceria da Intel com o projecto, Nuno Martins. Sem mais delongas continue a surpreender-se, caro leitor, com os excertos do referido artigo:

 

«Depois de desembarcar em Macau e na Venezuela, o Magalhães está a caminho de conquistar a América do Sul. Há vários países interessados em importar o minicomputador produzido em Portugal e 2010 deverá ser o ano da sua explosão internacional. Quem o garante é Nuno Martins, responsável máximo pelo Magalhães na Intel

(...)

"Portugal foi único no mundo. Fez o que ninguém conseguiu fazer", avança o responsável

(...)

estes governos [do Chile e da Colômbia] poderiam optar por desenhar uma versão própria, licenciando o Classmate PC desenvolvido pela Intel e que esteve na base do Magalhães. No entanto, Nuno Martins explica que este é um empreendimento dispendioso, que exige muita coordenação entre governo, empresas e escolas. "A abordagem global que Portugal teve foi única, e a forma como conseguiu pôr a funcionar o Plano Tecnológico da Educação exemplar"

(...)

O Magalhães foi precisamente o motivo que levou a Intel, que investe 100 milhões de euros por ano em educação, a organizar no Porto a sua cimeira mundial de e-Learning, na semana passada. Durante dois dias, 200 pessoas de 43 países estiveram na cidade invicta a tentar perceber como é que Portugal passou de uma má posição no ranking de inovação para o topo da União Europeia.

"Portugal lidera claramente a introdução de tecnologias na sala de aula" (...) embora Portugal tenha começado mais tarde que outros países europeus, a abordagem nacional foi integrada e não incluiu apenas a infra-estrutura de acesso à internet e os computadores escolares; também introduziu quadros interactivos, cartões de aluno electrónicos, ensino de tecnologias aos professores e até pacotes de software especialmente desenvolvidos pela norte-americana Microsoft para o Magalhães. (...) Portugal está na linha da frente porque "é o único país do mundo com um Plano Tecnológico com um impacto social e económico tão grande".» (em Jornal i)

 

Será desta que se deixarão de ouvir alguns comentários parolos, daqueles que sempre têm tentado desdenhar de um projecto, na tentativa vã de retirarem dividendos políticos caso conseguissem desvalorizá-lo aos olhos da opinião pública? Duvido, mas aguardo para lê-los e ouvi-los... enquanto vou desfrutando do prazer de ver Portugal à frente, em qualquer coisa. Depois do êxito que a aposta nas energias renováveis já conheceu, saúdo agora este Magalhães que deveria ser do nosso contentamento!

AS FACES OCULTAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA

Existirá corrupção onde menos se poderia esperar, ou são apenas incompetentes?


Diz a alínea b) do n.º 2 do artigo 11.º da Lei n.º 48/2007 (Código de Processo Penal) que compete ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça, em matéria penal "autorizar a intercepção, a gravação e a transcrição de conversações ou comunicações em que intervenham o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República ou o primeiro-ministro”.

 

Antes de começar, relembro que sempre tenho tido o cuidado de apenas abordar aqui casos de justiça, depois de deixar a “poeira assentar”, isto é, tentando não embarcar nas ondas de mediatismo imediato que normalmente nos são servidos por alguns órgãos de comunicação social, em função de critérios que (no mínimo) não são claros mas indiciam ultrapassar em muito o simples interesse jornalístico (que presume isenção) da questão, e sem que nunca saibamos o que ficou por divulgar...

 

Assim fiz nos casos Freeport, BPN, e mesmo na aberração das alegadas escutas a Belém: esperei pelo momento em que fossem para mim claros os contornos da “coisa” e o alcance da mesma.

 

Por isso não me irei pronunciar ainda sobre o caso Face Oculta em si mesmo, mas antes sobre as muitas faces ocultas que permitiram que os seus aspectos colaterais sejam nos dias que correm, um dos principais temas da agenda política nacional.

 

Aliás, o “Face Oculta” passou para 2º plano na agenda mediática a partir do momento em que se soube que Vara telefonava para Sócrates e que durante vários meses, as respectivas conversas eram escutadas ao arrepio do que a lei impõe.

 

Ao arrepio da lei, assistiu o país – atónitos uns, salivantes, outros – à divulgação na imprensa de partes da investigação – cirurgicamente seleccionadas, sabe-se lá por quem e com que objectivos – que deveriam estar no recato das actividades inerentes a essa mesma investigação, a bem da eficácia da mesma e do bom nome dos envolvidos, enquanto ainda inocentes.

 

Há três aspectos que a voragem mediática não tem assinalado com o merecido destaque:

 

1. Há ou não uma subtil corrupção na Justiça Portuguesa?

 

Importaria saber o que anda a fazer o Procurador Geral da República (PGR) , o Ministério Público (MP) e a Polícia Judiciária (PJ), para apurarem quem no âmbito da investigação de sucessivos casos policiais, com as investigações a decorrer, vai alimentando alguns jornais (e são sempre os mesmos…) de factos parcelares dessas mesmas investigações. E, já agora, importaria perceber a motivação dessas gargantas fundas. Só assim saberíamos se há ou não corrupção no MP e/ou na Polícia Judiciária! Até esse esclarecimento, todas as leituras serão possíveis, desde a pura e simples incompetência de Magistrados pagos por todos nós para cumprirem a lei até às piores suspeições: as de que alguns dos elementos envolvidos nas investigações, se deixam corromper, vendendo as informações a “jornalistas” sem escrúpulos, ou apenas se deixam corromper, na busca de objectivos políticos…

 

Neste sentido, pronunciaram-se uma série de vozes com responsabilidade no sector: «Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados: "Não conheço o teor das escutas nem o fundamento da decisão do SJT, mas seguramente se a certidão foi anulada é porque era ilegal. É com muita preocupação que vejo esta cobertura. Em Portugal, a investigação criminal é excessivamente mediatizada, é feita mais para os órgãos de informação que para realizar os objectivos da Justiça. Há casos a apodrecer há anos, sem sequer haver acusação e fazem-se as piores acusações e piores condenações publicamente ainda na fase inicial da investigação. Deveria investigar-se, acusar-se e julgar-se e passa-se o contrário: julga-se primeiro, investiga-se depois e no final é o que se vê: nenhum culpado preso nem nenhum inocente ilibado, é uma caldeirada, o que é muito mau. O MP e a polícia vão pagar caro.

(…)

Rui Patrício, Penalista: “tenho visto com muito desgosto que, estando em segredo de justiça, as informações estejam continuamente cá fora. Antes de alterar o regime [do segredo de justiça] seria preciso que todos os operadores judiciários fossem rigorosos no cumprimento das regras e, em caso de violação, que se fizesse as averiguações necessárias.”

(…)

Assunção Esteves, Jurista: “A Justiça tem tido demasiado espectáculo ao longo destes anos no nosso país. Por culpa de vários agentes de Justiça, muitas vezes por não guardarem o segredo de Justiça na devida medida. Há sempre demasiado espectáculo nestes casos, preferia que não houvesse, mas enfim...as características dos cargos de muitas pessoas investigadas nestes processos implicam um certo apetite dos media e uma publicidade exagerada em relação aos mesmos.” » (em Jornal de Notícias)

 

Estranhamente (ou talvez não?) no mesmo artigo do J.N., os dois representantes sindicais ouvidos, António Martins, Presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, e João Palma, Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), não se mostram incomodados sobre setes factos. João Palma, chega ao ponto de declarar: «Quanto à cobertura mediática considero-a uma cobertura normal, atendendo à matéria que está a ser investigada.» (!!!) Ficamos sem saber – mas eu muito gostaria de ser esclarecido se esta “normalidade” da cobertura mediática, está incluída a divulgação das fugas de informação ao segredo de justiça…

 

Na mesma linha de irresponsabilidade conivente com tão gritantes violações da lei, por parte de quem a devia cumprir e fazer cumprir, o secretário-geral do mesmo SMMP, Rui Cardoso, viria a dizer-se “muito atento” [em Diário de Notícias] à eventual abertura de um processo disciplinar a colegas que tenham feito escutas à margem da lei, no caso ao primeiro-ministro. Que confiança se pode ter no funcionamento da justiçazinha que depende desta gente? Depois de se saber como começou o processo de averiguações do Freeport, temos agora estes degradantes exemplos!?

 

 

Quem nos garante que uma Justiça que não respeita os princípiose a LEIdo Estado de Direito em processos tão mediatizados como estes, que se move ao sabor de denúncias anónimas, que promove e instiga alguém a enviar cartas anónimas para denunciar supostas ilegalidades, que é incapaz de expurgar do seu seio quem não mantem sob sigilo as investigações a decorrer, é capaz de garantir aos cidadãos anónimos, um tratamento isento e justo um dia que dela necessitem ou em que caiam nas suas malhas!?

 

Se tiver de optar entre avaliar alguns investigadores deste tipo de casos entre corruptos ou incompetentes, escolho... ambas as hipóteses! Poderão ser tidos como competentes, quando os resultados dos inúmeros casos redundam em anulações em Tribunal por falta de provas, ilegalidades na obtenção das mesmas ou erros formais que seriam indesculpáveis a meros estagiários?

 

2. Porque não foi cumprida a lei, atempadamente, pelo MP, Juiz de instrução e PGR?

 

O sr. PGR também sai pessimamente da fotografia, noutro aspecto, como bem refere Eduardo Dâmaso, naquilo a que chamou “Justiça de castas”: «Se o PGR quisesse teria resolvido de imediato o problema da eventual nulidade da primeira escuta, em que o alvo é Vara e não Sócrates. Bastava que no dia em que foi informado da questão – "entre Maio e Junho", como disse – tivesse contactado o STJ e solicitado a intervenção no sentido de autorizar ou não a investigação ao primeiro-ministro.

Optaram pelo contrário – deixaram inequivocamente arrastar a questão, prejudicando todos, da investigação aos próprios visados.». (em Correio da Manhã).

 

O mesmo se pode dizer do Juiz de instrução e do Magistrado que em Aveiro foram confrontados com a 1ª escuta em que Sócrates aparecia! Não está em causa – não pode estar – se a Lei foi recentemente alterada (em 2007) ou a concordância ou não com a mesma. A Lei, a partir do momento em que existe, é para ser cumprida! Concorde-se ou discorde-se da mesma.

 

3. As motivações dos adeptos do Big Brother político

 

Discute-se agora a eventual divulgação das conversas de Sócrates com Vara! Mesmo que sem relevância criminal!

 

Quem o faz, mostra-se adepto de uma espécie de  Big Brother político, que substituísse nos jornais, nas televisões, nos blogues, nos cafés, o local próprio onde as coisas devem ser julgadas: os Tribunais! Que a coisa tem agora uma dimensão política, dizem os que exigem a divulgação. E tem! A dimensão que lhe dá quem pretende fazer esquecer que as coisas nasceram, de uma intolerável ilegalidade! E que se os Magistrados “orelhudos” que fizeram as escutas tivessem agido em conformidade com a Lei, teriam de imediato remetido o pedido de autorização ao Presidente do STJ, para as poderem continuar e, na ausência ou recusa, da mesma, não teriam continuado a audição, de cada vez que do outro lado da linha, o primeiro ministro atendesse mais uma chamada de Vara.

 

Manuela Ferreira Leite é um caso paradigmático destes neo-BigBrotherianos... Ainda há bem pouco tempo, “nunca se pronunciava sobre casos em investigação”! Disse-o para fugir a comentar a polémica situação de 2 acusados com julgamento marcado, cuja não menos polémica inclusão nas listas do PSD, forçou internamente... Agora, mudou a agulha:

 

«Há um facto iniludível: Existem certidões sobre escutas que envolvem o primeiro-ministro e o que está em comentário na opinião pública e a ganhar consistência é que estas se referem à intromissão do Governo numa área tão sensível como a liberdade de informação na área da comunicação social", referiu Manuela Ferreira Leite, numa declaração política no Parlamento. (…) Aqui chegados, é grave, é muito grave que subsistam dúvidas. E as dúvidas políticas não se dissipam adiando investigações ou destruindo hipotéticas provas. Isso só resolve o problema jurídico, mas deixa em aberto um enorme problema político. As dúvidas dissipam-se esclarecendo os factos e esse esclarecimento cabe, sem sombra de dúvidas, ao senhor primeiro-ministro» (Manuela Ferreira Leite, no Parlamento citada pelo Jornal Notícias)

 

Isto não é mais do que nova cedência à baixa política e ao mais vil dos populismos, por se ter apercebido que em qualquer cenário, o PS perderia sempre políticamente, como claramente se explicava no blogue Aspirina B, ainda antes da intervenção parlamentar da ainda líder laranja... Mas é também o reconhecimento da politização da Justiça e do indecoroso contributo da mesma para fazer alastrar o clima de suspeição em que se vive actualmente! Vindo de alguém que fez uma campanha baseada na seriedade, no não espectáculo, na... “verdade”!

 

E falar de Manuela ferreira Leite, significa falar de... Cavaco Silva! A coincidência entre as declarações de um e outro quase em simultâneo, voltou! Que saudades dos meses de campanhas eleitorais onde Cavaco nos habituou às tentativas de ser o farol salvador do desnorte da “verdadeira” senhora! Cavaco não resistiu ao remake do não-devo-comentar-mas-comento, para se declarar “preocupado”... Da mesma forma que manuela perdeu uma excelente oportunidade para sendo verdadeira, condenar as fugas cirúrgicas ao segredo de justiça, recusando-se a tirar proveitos políticos de tais indignidades, Cavaco não se coibiu de bolsar... esquecendo-se de que sobre Dias Loureiro e o BPN, nunca se manifestou preocupado... apesar de aí estarem em causa mais de dois mil milhões de euros! Um bocadinhop mais do que os dez mil euros de que se fala entre Vara e Godinho... A outra grande diferença é que no caso BPN, aparentemente ou ninguém escutou telefonemas de Oliveira Costa e de Dias Loureiro, para os seus amigos bem colocados politicamente, ou então, quem as fez soube respeitar a lei e preservou o segredo de justiça...

 

E neste ponto dou asas à imaginação: como reagiria Manuela Ferreira Leite se, ganhando as últimas eleições, fosse hoje chefe do Governo e objecto de escutas de hipotéticos telefonemas que Preto lhe tivesse feito, onde em conversas particulares – entre amigos – comentassem o financiamento do PSD, as notícias sobre compras de votos no PSD e os jornais e jornalistas que as publicaram, e viesse agora alguém exigir que as mesmas deveriam ser publicadas, apesar de terem sido efectuadas sem a autorização do Presidente do STJ!? Como reagiria? Não sei, mas suspeito... e se um telefonema de Oliveira Costa para Cavaco a discutir as cotações de compra ou de venda das acções da SLN (não cotadas em Bolsa e que proporcionaram chorudas mais-valias a Cavaco e familiares directos) tivesse sido escutado durante as investigações do caso BPN, que tipo de “preocupações” teria o agora Presidente? Mas quanto a Cavaco, nem é preciso imaginar cenários. Basta recordar os argumentos de virgem ofendida com que se referiu apenas há um mês e meio, ao tratamento jornalístico da “inventona” das escutas de S. Bento a Belém. E a forma como tentou justificar o seu prolongado silêncio sobre o assunto, para facilmente concluirmos que este não-devo-falar-mas-falo de Cavaco foram “ultrapassados os limites do tolerável e da decência” !

 

Quisessem Manuela e Cavaco pronunciar-se de forma séria e assertiva, sobre questões  da Justiça Portuguesa e interrogar-se-iam sobre os "desaparecidos" casos BPN, Furacão e sobre a cada vez mais pífia investigação do Freeport, que já todo o país percebeu que não passou de uma urdidura soez que se esvazia dia após dia...

 

 

 

Conclusão

 

Destes 3 aspectos, o primeiro assume foros de gravidade tal que pode estar em causa a democracia! Se os investigadores continuarem impunemente a comportar-se como se fossem membros de um sistema de Justiça de uma qualquer república das bananas terceiro-mundista, é nisso mesmo que o Estado de Direito ameaça transformar-se em Portugal!

 

Imagino eu que no decorrer de uma investigação, haverá um número restrito de pessoas a terem acesso aos documentos e trâmites processuais. Alguns agentes da PJ, alguns Magistrados do MP e um Juiz de instrução, para além de um pequeno grupo de funcionários administrativos de apoio (pelos quais poderão passar documentos esporadicamente, para fotocopiar, para arquivar, etc). Como se explica então que nunca se consiga apurar de onde partem as fugas? Será apenas o espírito corporativo a funcionar?

 

Face a este estado de coisas (diria melhor: face ao estado a que as coisas chegaram), onde tudo parece  ser permitido a quem devia ter o cumprimento da Lei, como princípio orientador fundamental da sua actividade, sugiro que se dê definitivamente o salto qualitativo que falta:

 

Pela calada da noite, uma brigada especial de “investigadores” deveria invadir a casa do primeiro ministro e submetê-lo a um interrogatório à “antiga Portuguesa”! Uma privaçãozinha de sono complementada pela adequada tortura da água, deverão ser suficientes para o fazer “cantar” as suas culpas no caso TVI, no Freeport e na licenciatuira... nem deverá ser necessário recorrer a métodos mais... radicais! E terá a vantagem de, por um lado, demonstrar a incapacidade dos Tribunais democráticos, para julgar situações deste teor... e por outro, de deixarmos todos de andar a fingir que acreditamos em Sistemas de Justiça garantistas e nessa “treta” dos Direitos Humanos!

 

Exagerada, esta proposta? Pois, concordo que é! Mas será que não nos arriscamos a acordar um destes dias, asfixiados por estes "justiceiros" incompetentes ou corruptos, enquadrados por alguns “jornalistas” sem ética e muitos políticos que mudam de princípios mais rapidamente do que trocam de tailleur ou de gravata?

 

Para meditação final, contraponho dois artigos antagónicos publicados nos últimos dias:

 

Excertos de “A justiça está sob suspeita”

 

«As escutas telefónicas a Armando Vara apanharam José Sócrates pelo caminho e sentaram a justiça no banco dos réus (...) O modelo em que assenta o sistema jurídico português é ainda mais obscuro e complicado: é uma ciência oculta, um buraco negro feito de ecos e silêncios, ajustes de contas e incompetências. Ninguém o entende verdadeiramente, ninguém sabe bem o que se passa lá dentro, apesar de não faltarem especialistas reputados, muitas pessoas sérias e de o assunto ser tão delicado como uma operação ao coração. Quem tem o azar de cair nas mãos de um mau jornalista, de um mau juiz (ou magistrado do Ministério Público), ou ainda de um mau médico, pode ficar com a reputação ou a vida destruídas em poucas linhas, em duas palavras ou em breves segundos na sala de operações. (...) Portugal é o país que inventou a via verde das escutas. Que grande invenção lusitana: escuta-se a torto a direito. Em vez de serem conduzidas com a paciência da pesca à linha - com respeito pelo frágil ecossistema de direitos, liberdades e garantias -, as investigações são feitas por arrastão: atira-se a malha fina e tudo o que vem à rede é peixe. Às vezes é peixe graúdo, outras vezes é peixe sem importância, e esse raramente chega às páginas dos jornais, apesar de a destruição ser igualmente fatal (...) Sabe-se agora que o procurador-geral da República terá deixado o caso em pousio deliberadamente ou por incompetência de alguém. (...) é inadmissível o estado a que as coisas chegaram. A falta de confiança no sistema e nas pessoas que o representam entranhou-se de tal forma que nenhum dos protagonistas parece ter salvação.» (por André Macedo, no Jornal i)

 

Excertos de “Uma questão de honra”

 

«Mark Felt (...) como Director Adjunto do equivalente americano à nossa Polícia Judiciária. Durante vários anos foi Director Geral interino do FBI. Foi nesse período que Mark Felt se tornou no Garganta Funda. Muito se tem escrito sobre as motivações de um alto funcionário do aparelho judiciário americano na quebra do segredo de justiça no Watergate. Todo o curriculum de Felt impunha-lhe, instintivamente, a orientação clássica de manter reserva total sobre assuntos do Estado. Hoje é consensual que Mark Felt só pode ter denunciado a traição presidencial de Nixon por uma razão. Para ele, militar e jurista, acabar com o saque da democracia americana era uma questão de honra. Pôr fim a uma presidência corrupta e totalitária era um imperativo constitucional. (...) A única saída era delegar poder na opinião pública para forçar os vários ramos executivos a cumprir as suas obrigações constitucionais. Estamos a viver em Portugal momentos equiparáveis. Em tudo. (...) E assim sabe-se o que dizem as escutas e o que dizem as gravações feitas com câmaras ocultas que registam pedidos de subornos colossais. Ficámos a conhecer as estratégias para amordaçar liberdades de informação com dinheiro do Estado. E sabemos tudo isto porque, felizmente, há gente de honra que o dá a conhecer. Por isso, eu confio no Procurador que mandou investigar as conversas de Vara com quem quer que fosse. Fê-lo porque achou que nelas haveria matéria de importância nacional. E há. Confio no Juiz que autorizou as escutas quando detectou indícios de que entre os contactos de Vara havia faces até aqui ocultas com comportamentos intoleráveis. E, infelizmente o digo, confio, sobretudo, em quem com toda a dignidade democrática e grande risco pessoal, tem tomado a difícil decisão de trazer ao conhecimento público indícios de infâmias que, de outro modo, ficariam impunes. A luta que empreenderam, pela rectificação de um sistema que a corrupção e o medo incapacitaram, é muito perigosa. Desejo-lhes boa sorte. Nesta fase, travam a batalha fundamental para a sobrevivência da democracia em Portugal. Têm que continuar a lutar. Até que a oposição cumpra o seu dever e faça cair este governo.» (por Mário Crespo, no Jornal de Notícias)

 

Ao texto de André Macedo, não acrescento mais comentários – depois de tudo o que escrevi atrás. Já o de Mário Crespo - alguém que até tenho na conta de, habitualmente, moderado - para além de, por paradoxal que possa parecer, servir de fundamento a grande parte do que escreve André Macedo, permite-me soltar uma pergunta:

 

E o exagerado, sou eu!?


UMA FICÇÃO “FURADA” OU APENAS UM DELÍRIO?

Pedro Lomba e a imaginação galopante!


Um amigo meu, PPD, mandou-me ontem à noite um email em tons eufóricos. Que continha um desafio em tom de provocaçãozinha, daquelas que os amigos se permitem: qualquer coisa como “toma lá e quero ver se tens coragem de publicar isto”. O “isto” a que o meu amigo se referia era uma crónica que ontem Pedro Lomba dera à estampa no Público, onde se desenrola um enredo digno de filme de série “B”, verdadeiramente imaginativo…

 

Reparei que o email do meu amigo não era original, tratando-se antes de um reencaminhamento, o que indicia que o “delírio lombar” andava já ontem em circulação pelos servidores de email do país.

 

A ficção que Lomba desenvolve merece de facto divulgação. Não só por estar completamente “furada”, mas porque a cavalgada imaginativa do autor é tão grande, que me arrisco a adivinhar a recepção  pelo autor a curto prazo, de múltiplos convites no sentido de trocar uma carreira de escrita nos jornais, por outra de argumentista de telenovelas Brasileiras ou Venezuelanas - que as Portuguesas ainda assim, não conseguem atingir tão elevado grau de fantasia…

 

A “história” merece ser lida com atenção. Vá o leitor ao link seguinte (que eu aguardo aqui que volte para o comentário final…). Está pronto? É só clicar em “Cronologia de um Golpe” .

 

Já de volta? Seja então bem regressado, caro leitor. O delírio é tão grande que deverá necessitar de algum tempo para “aterrar” de novo no Mundo real. Para o auxiliar, recomendo que leia o comentários com que Paulo Ferreira, no Blogue A Regra do Jogo, destrói por completo a lógica e credibilidade do “golpe” ficcionado por Lomba:

 

«E se de repente...

...José Eduardo Moniz fosse o principal apoiante de José Sócrates? E um militante do PSD, ex-ministro de Cavaco Silva, fosse um fiel seguidor do actual PM? E se a Ongoing e a Somague tivessem a mesma politica no que toca a apoios a campanhas partidárias? Então Pedro Lomba teria "alguma" razão hoje no Público. Assim fica-se pela tentativa esforçada mas infrutífera.

Presumo que a seguir ele irá analisar a aquisição do BPA nos tempos do Primeiro Ministro Cavaco Silva, o caso sem escutas BPN e a Operação Furacão Pífio.Mal posso esperar.» (no Blogue A Regra do Jogo).

 

Se o leitor ficou tão abalado com o “delírio lombar” que ainda nem atingiu bem toda a dimensão da “desconstrução” do Paulo Ferreira, dou-lhe uma ajudinha: o militante do PSD e ex-ministro de Cavaco a que alude, trata-se do Presidente da CGD, que de acordo com a ficção de Pedro Lomba, assume um papel fundamental na malfeitoria Socrática. O referido cavaquista, teria assim contribuído no financiamento de accionistas do BCP, para que estes pudessem auxiliar a Ongoing, por forma a que esta contratasse à TVI, o amigo e cúmplice de Sócrates(!!!), José Eduardo Moniz, o qual poderia assim posteriormente, adquirir a… TVI!!!

 

Alguém dá, rapidamente, os comprimidos a Pedro Lomba!?

AS OBRAS PÚBLICAS E AS piquenas E MÉDIAS EMPRESAS

Onde acaba o mito e começa a realidade


Ainda recentemente na caixa de comentários de um artigo anterior, era aflorada a questão dos apoios que competiam ou não ao Governo, na criação de condições propícias à criação de emprego.

 

Durante a última campanha eleitoral, uma das tónicas principais que vários dos partidos da oposição colocaram nas suas críticas ao Governo – na sua “fúria” contra o investimento público -, foi a de que as obras públicas existiam como uma espécie de negociata em favor das grandes empresas de construção. O objectivo era triplo e óbvio, à direita: atacava-se o “maldito” investimento público, insinuava-se que havia um proteccionismo do Governo aos “poderosos tubarões” do sector (com a Mota Engil, de Jorge Coelho, à cabeça…) e lançava-se charme e simpatia para cima da multidão de piquenos e médios empresários (que constituem um volumoso universo eleitoral, a não desprezar…)! E assim se foi criando em alguma da opinião publicada (e “blogada”) esse mito de que, de cada vez que o Estado investe numa obra, o faz em benefício de uma grande empresa – detida ou gerida por um “amigo” do partido governamental – e em prejuízo das piquenas e médias empresas!

 

 

Esse mito caiu agora redondamente! Dei por isso num curto texto que João Galamba editou no blogue Jugular, onde aparece estampada uma notícia do jornal de Negócios (edição em papel) que não teve ainda o merecido destaque (e ainda há quem diga que o PS e o Governo têm uma agência de informação…). Em causa, o Programa de Modernização de Escolas, que afinal contribui para a criação de inúmeras piquenas e médias empresas e para cerca de 25.000 empregos, em função da subcontratação que as grandes adjudicatárias efectuam.

 

Seguindo o artigo de João Galamba, chegamos ao excerto da notícia do Negócios que destrói o mito e nos transporta para a realidade:

 

«"O programa de modernização de escolas está, neste momento, a funcionar como um balão de oxigénio para muitas pequenas e médias empresas de construção que pesam, segundo as contas do Negócios, quase metade dos mais de mil milhões de euros que já foram colocados a concurso até agora (...) João Sintra Torres afirma que cada escola pode chegar a ter entre 50 e 80 empresas a trabalhar em várias actividades necessárias e que o programa deverá criar até 25 mil empresas (...) além dos "gigantes" Mota-Engil, Somague, Soares da Costa e Edifer, foram adjudicadas empreitadas a sociedade como a Patrícios, Edivisa, Ladário ou Cantinhos, entre muitas outras, que ganharam por vezes dezenas de milhões de euros em contratos (...)" (página 6 do Jornal de Negócios de 12 de Novembro de 2009)» e o toque final com que Galamba adorna a história é dirigido ao populismo xenófobo que Manuela Ferreira Leite evidenciou há bem pouco tempo: « O Negócios não tratou de apurar a nacionalidade dos trabalhadores, pelo que se espera que Ferreira Leite diga que estes 25 mil trabalhadores são todos de Cabo Verde e da Ucrânia e que, por isso, este programa prejudica Portugal.». O que João Galamba se esqueceu é da máxima que MFL escarrapachou nos cartazes com que inundou o país. E por isso, acredito que, em vez de uma declaração como a que Galamba sugere, veremos a muito curto prazo, Manuela Ferreira Leite em nome da sua “política de verdade”, a dar os parabéns ao Governo pelo êxito desta iniciativa, também no universo das piquenas e médias empresas…

ENCONTRADO O SUCESSOR DO ZÉ CABRA!

Há quem lhe chame o Pimba do Ano


Há uns anos atrás, Portugal (quase) inteiro “deliciou-se” com as virtuosas actuações de um tal Zé Cabra...

 

Pois parece que existe agora um sucedâneo do “fenómeno”, com origem Brasileira! De nome ainda desconhecido, o homem é já apontado em alguns sites como o “Pimba do Ano”!

 

Será que vamos ter a repetição da “febre cabrina” do tempo do Zé?

 

Para quem já não se lembre – será possível alguém já o ter esquecido!? - desse Zé que levava ao rubro as discotecas e todas as festas das “queimas” deste país, coloco abaixo uma das suas actuações (já na fase “polida”) num dos programas do Herman.

 

 

 

E agora compare com o novo mestre! Avalie a voz maviosa, a afinação do canto, a letra rica (e rimada), o bamboleio e as poses do artista... E diga lá, caro leitor, se temos ou não um fenómeno anunciado, nesta mistura abrasileirada de Zé Cabra e de "Animal" portista!?

 

 

 


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SABER LUCRAR COM A CRISE? OU A GANÂNCIA DO LUCRO?

Corticeira Amorim aumenta lucros em mais de 60%


O seu principal accionista é normalmente referido nos rankings, como o homem mais rico de Portugal. Muitas vezes aparece com ares de filantropo e benemérito sob o argumento de ser um promotor de emprego. E é-o de facto. Por provar está no entanto a propalada filantropia de Américo Amorim e as suas preocupações sociais que tantas vezes tem feito gosto em propalar... Tem agora uma oportunidade única de provar essas motivações calando todos os mal intencionados, que como eu, nelas não acreditam. Vejamos como:

 

No princípio do ano, a Corticeira do Grupo Amorim, despediu 200 trabalhadores, a pretexto da crise e das más condições do mercado.

 

Conhecidos agora os resultados do 3º trimestre, saúda-se a pujança do negócio, pois a empresa registou uma subida superior a 60%, relativamente ao mesmo trimestre do ano passado. No total dos 3 trimestres do ano que já decorreram, a Corticeira Amorim  contabiliza já lucros de 8,1 milhões de euros.

 

Como lembrava Fernando Madrinha, na sua crónica do Expresso (já disponível na versão online), «afinal o ponto não era a crise, mas apenas a ganância do lucro. Agora que se demonstrou o logro e o oportunismo daqueles despedimentos, fica o país à espera de que o Governo – recorrendo aos tribunais, se necessário – imponha à Corticeira Amorim a readmissão dos trabalhadores que desejem regressar.» (no Expresso).

 

 

Tem a palavra Américo Amorim, para mostrar que é diferente de qualquer pato-bravo. que se ufane de conseguir “transformar a crise, numa oportunidade”, à custa da miséria de muitos dos que deram anos da sua vida à empresa que lidera, dos contribuintes pacóvios e de um Estado ausente da sua missão fiscalizadora!

 

Caso nada faça, exige-se que o Ministro da Economia, Vieira da Silva, fale por ele…


20 ANOS DEPOIS, É PRECISO NÃO ESQUECER! (actualizado às 15h15)

Há mais muros para derrubar


Cumprem-se hoje duas décadas sobre a queda de um dos mais hediondos símbolos da intolerância e da repressão: o Muro de Berlim foi derrubado em 9/Novembro de 1989!

 

Assinalando a efeméride, a blogosfera Mundial encheu-se de textos a assinalar a data.

 

Escolhi este do Blogue A Nossa Candeia, onde é recordado um pouco da história triste do Muro…

 

Para que nunca a nossa memória colectiva se esqueça de que existiu. E para que essa memória contribua para o derrube de tantos outros muros – também físicos, mas não só – que um pouco por esse Mundo envergonham a civilização e tentam impedir o livre pensamento.

 

 

Entretanto por cá, continuamos a ler e a ouvir coisas como esta que o Avante (órgão oficial do PCP) publica num artigo intitulado… 20 anos de retrocesso :

 

 

« As ditas «comemorações» do 20.º aniversário da queda do muro de Berlim são pretexto para mais uma campanha anticomunista, na qual se procura criminalizar os ideiais do socialismo e os que lutam pela superação do capitalismo. (…)Toda a imprensa ocidental dominante faz coro em qualificar a queda do muro, e portanto a derrota do socialismo, como a «libertação» do povo da RDA e sinónimo de avanço civilizacional.

Porém, a realidade das últimas duas décadas, não só na Alemanha de Leste, mas também na generalidade dos antigos países socialista do Centro e Leste Europeu, já para não falar da URSS, não testemunha qualquer progresso, por mínimo que seja, para o povo, mas antes um tremendo retrocesso económico e social que reduziu à miséria amplas camadas da população, condenou a juventude ao desemprego, privando a grande maioria de uma perspectiva optimista de futuro.»

 

Pretender, 20 anos depois, branquear as atrocidades de um regime cruel, ignorando os crimes da Stasi (uma polícia política torcionária que faz os bufos da “nossa” PIDE parecerem meninos de coro), os assassinatos de todos os que pretendiam deixar o “paraíso” da ex-RDA, fugindo para o “inferno” ocidental, é algo que continua a colocar o PCP na posição incómoda de uma ortodoxia cega historicamente! E a questão nem é geracional, como se poderia pensar à primeira vista… basta lembrar a posição do ainda jovem Bernardino Soares, que continua a achar que a Coreia do Norte, é uma… democracia, ou mais recentemente, a novel deputada comunista Rita Rato, que quando inquirida sobre o gulag e os crimes ali perpetrados, não encontrou melhor resposta do que «Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.» Na mesma entrevista, a Rita Rato - que é licenciada em… Ciência Política (!!!) a propósito das violações dos direitos humanos na China, reincidia no desconhecimento:

 

«CM - Mas se falarmos de atropelos aos direitos humanos, e a China tem sido condenada, coloca-se essa não ingerência na vida dos outros partidos?

 

RR - Não sei que questão concreta dos direitos humanos...

 

CM - O facto de haver presos políticos.

 

RR - Não conheço essa realidade de uma forma que me permita afirmar alguma coisa.

 

CM - Mas isto é algo que costuma ser notícia nos jornais.

 

RR - De facto, não conheço a fundo essa situação de modo a dar uma opinião séria e fundamentada.

 

CM - No curso de Ciência Política e Relações Internacionais, não discutiu estas questões?

 

RR - Não, não abordámos isto.» (Rita Rato em entrevista ao Correio da Manhã).

 

Num dia como o de hoje, resta esperar que a deputada Rita Rato aproveite a vasta informação publicada para suprir as lacunas graves que a sua licenciatura parece evidenciar…

 

 

A VERDADEIRA AMIZADE - 6 (CHRISTIAN, O LEÃO)

Christian, um leão londrino devolvido a África pelos “pais” adoptivos


Esta é uma história real que corre Mundo desde o século passado. Porque não trazê-la aqui ao xadrrezismo?

 

Em curtas palavras: em 1969, dois amigos Australianos John Rendall e Anthony Bourke, compram nos armazéns Londrinos Harrod’s, um lleão que nascera num zoológico local.

 

Criam-no em casa e têm o objectivo de o introduzir no seu habitat natural. Levam o leão já crescido para África (reserva Kora, no Quénia), onde é desabituado da companhia humana e introduzido na vida selvagem. Um ano depois, regressam ambos a África, para reencontrarem Christian, avisados de que o leão já não se recordaria deles...

 

As imagens do reencontro falam por si.

 

Agora, os “pais” adoptivos publicaram um livro com toda a história e estiveram em Portugal para o lançamento do mesmo.

 

Poderá encontrar aqui uma curta entrevista de John Rendall ao Jornal i. Acima de tudo, não deixe de ver os vídeos (o do Jornal i e este que aqui deixo). No Youtube, o tema ultrapassa já os 8 milhões de visualizações e é ilustrado por um sem número de vídeos diferentes.

 

 


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MAIORIAS, MINORIAS E ARROGÂNCIAS... ABSOLUTAS

A propósito do que gravitas em torno do programa do governo


Já é conhecido o programa de Governo. E já são igualmente conhecidas as várias reacções das oposições.

 

Depois de ler o gravitas, de Porfirio Silva, no Blogue Regra do Jogo, pouco mais tenho a acrescentar sobre o tema. Fá-lo-ei após o certeiro e clarividente texto que aqui reproduzo na íntegra (os sublinhados, são meus):

 

«O PS, seguindo uma prática já vetusta para os ciclos da política nacional, apresenta como programa de governo, ao Parlamento, o programa que propôs aos eleitores. Tendo sido na base desse programa que recolheu os votos que o levam ao governo, nada parece mais saudável do que a transparência deste procedimento. Nem todos concordam, contudo. Um coro de críticas troou contra este, dizem alguns, ignorar dos resultados eleitorais. O líder parlamentar do PSD, em particular, fez uns malabarismos verbais para dizer que o programa do governo é "absoluto". Até fez umas ameaças para o futuro, no caso de o Orçamento de Estado também ser "absoluto". Mentiria se escrevesse que isto me espanta: já nada me espanta nesta oposição. Vale a pena, não obstante, tentar perceber o significado último deste ataque a esse acto de transparência que consiste em um partido apresentar ao Parlamento o programa com que pediu o voto popular.

Creio que a oposição ainda não percebeu que acabaram as facilidades para a oposição. É fácil clamar contra a maioria absoluta, mas ela protege os partidos da oposição na sua própria irresponsabilidade. Votar aquilo que lhes parece mais popular num dado momento, sem que isso tenha quaisquer consequências, por se poder imputar toda a responsabilidade ao partido maioritário, é um truque que deixou de funcionar. Quando o voto da oposição pode "governar" o país, bloqueando medida após medida, a coisa pia mais fino. A vida está hoje mais complicada para a coligação negativa que funcionou nos últimos anos com o mero fito de dificultar a governação.

É a essa realidade nova que a oposição custa a habituar-se. Como a oposição não percebeu isto, ainda, queria que fosse o PS a fazer o trabalho dos outros partidos: queria que fosse o PS a assumir, não apenas a sua parte, mas também a parte dos outros partidos, e talvez também a parte do mediador. A oposição queria que o PS apresentasse um programa de governo negociado - sem o ter negociado, por falta de parceiros. A oposição queria que o PS apresentasse um programa de um governo de coligação - sem coligação. A oposição queria desnatar o programa de governo mais votado pelo eleitorado - sem mexer um dedo para discutir o como e o por quê. Isto é o que significa esta reacção das oposições. (O sinal mais claro de que Marcelo ainda pensa ser líder do PSD é ter vindo demarcar-se da posição do seu partido nesta matéria: ele não quer que a sua futura liderança seja ensombrada por este disparate.)

Assumir as responsabilidades é, por vezes, doloroso. É bom que a oposição se habitue a isso. Por que é no Parlamento que vão jogar-se os argumentos e os votos, agora que tudo isso tem muito mais peso e gravidade na realidade da governação. Uma gravidade de que esta oposição já se tinha esquecido. Ficar sentado à espera que o artista em palco se espalhe, para depois vender os cacos pelo melhor preço, deixou de ser a opção simples para uma oposição que só saiba repetir o apelo ao diálogo para esconder a sua própria rigidez. Chegou o momento de saber onde está verdadeiramente a arrogância...»

 

Confirmam-se os receios que aqui deixei logo após as Legislativas, em HUMILDADE E RESPONSABILIDADE, SERÃO CHAVE DA GOVERNABILIDADE: “Veremos quem saberá ser responsável, com humildade! Ou quem optará pelo simples calculismo político”, escrevi na altura. E está a ver-se:

 

«No PSD, o líder parlamentar José Pedro Aguiar-Branco diz mesmo que, se o PS mantiver a rota, não contará com os sociais-democratas para fazer passar o Orçamento de Estado para 2010.»

 

«Pelo CDS, o líder parlamentar, Pedro Mota Soares, defendeu que o PS e o Governo "não tiveram a humildade de reconhecer que as circunstâncias se alteraram e que não têm uma maioria absoluta".»

 

«A bloquista Helena Pinto dirigiu as críticas no mesmo sentido: "Se o PS opta por uma política de continuidade é porque não percebeu o resultado das últimas eleições, e tem de perceber que já não é maioria absoluta".»

 

«Pelo PCP, o líder parlamentar, Bernardino Soares, criticou não só o que está, mas o que falta ao programa do Governo»

 

«Jorge Lacão, ministro dos Assuntos Parlamentares, (...) remeteu para o debate parlamentar de quinta e sexta-feira a concretização das políticas - que o "primeiro-ministro apresentará em maior profundidade". E deixou claro que o ponto de partida para as negociações que o PS terá no futuro de encetar com a oposição terá como base as 129 páginas ontem apresentadas. "A negociação, caso a caso, e conforme as circunstâncias, deverá ser conduzida, quando isso for exigível, com vista a dar coerência à concretização do programa", sublinhou» (excertos do Diário de Notícias).

 

Pelo que se lê acima, fica claro para mim que todos aqueles que criaram o mito da arrogância de Sócrates, em cenário de maioria absoluta, terão de apontar agora o mesmo “vício” a estas oposições, as quais dão prova de não saberem sê-lo, quando são chamadas a “riscar” algo na governação... revelando-se cada uma delas, absolutamente minoritárias, não só na sua expressão eleitoral, mas também na ausência total de responsabilidade. Haverá maior arrogância que esta de se demitirem do papel que o eleitorado lhes conferiu, quando optou por um governo de maioria relativa?

 

Destaco algumas das vozes que à direita se demarcam desta irresponsabilidade:

 

«Acho que tem toda a lógica, foi o que fez Cavaco Silva quando apresentou o seu programa de Governo como Governo minoritário.Fez exactamente o mesmo» (Marcelo Rebelo de Sousa, ao Diário de Notícias).

 

«O facto do programa do Governo replicar, praticamente, o programa eleitoral do Partido Socialista é uma boa notícia. Foi esse o programa que a maior parte dos portugueses aprovou e não seria democraticamente aceitável que as grandes linhas fossem mudadas.

Convém lembrar que, na ronda de audiências com os outros partidos com representação parlamentar, nenhum partido mostrou vontade de coordenar propostas ou fazer alianças. Assim tendo sido, não existiria razão para vermos qualquer falta de sintonia entre os dois documentos.» (Pedro Marques Lopes, no Diário de Notícias).

 

Um último comentário: quem, acabado de chegar de Marte, lesse estas declarações das várias forças da oposição, pensaria (tal a consonância das mesmas) que PSD, CDS, BE e PCP teriam concorrido a eleições, coligados e unidos por um mesmo programa... só assim se justificaria este argumento de que “o Governo não percebeu que não está em maioria absoluta”! Esquecendo que os diferentes programas que apresentaram foram todos derrotados nas urnas, sem excepção e que, para verem algumas das medidas que preconizam, contempladas na acção governamental, terão de abandonar a sua arrogância calculista e partir para aquilo que mais abominam: o diálogo e a negociação democrática, com aqueles a quem o povo conferiu a tarefa governativa.

 

Deixo ainda as ligações para quem pretenda consultar o programa integral do Governo, e para uma resenha publicada pelo Diário de Notícias, dos principais pormenores, sector a sector.


UMA DECISÃO SALOMÓNICA PARA UMA TAXA ESTÚPIDA!

A partir de hoje, cuidado com pagamentos com cartões


«Os comerciantes que optem por cobrar aos consumidores um encargo adicional sobre um pagamento feito com cartão de débito ou crédito na sua loja, e não informem antecipadamente e devidamente o cliente, podem incorrer no pagamento de uma multa entre dez mil e cinco milhões de euros e os quatro mil e os dois milhões de euros (...)

 

A partir de hoje, com a transposição da para a ordem jurídica portuguesa da Directiva sobre Serviços de Pagamentos (decreto-lei que a transpõe, o n.º 317/2009, foi publicado sexta-feira), passa a ser permitido aos comerciantes a criação de uma sobretaxa sobre os pagamentos (...) Segundo esta norma "o prestador de serviços de pagamento (leia-se o banco) não deve impedir o beneficiário (o comerciante) de, relativamente à utilização de um determinado instrumento de pagamento: a) oferecer uma redução pela sua utilização; ou, b) exigir um encargo pela sua utilização".(...)

 

Como o DN noticiou, a maioria dos países da Zona Euro (e alguns fora desta, como a Roménia ou a Dinamarca) optou por proibir a cobrança de uma sobretaxa. Portugal e Espanha, por seu lado, estão entre os países que deixaram a questão ao livre arbítrio dos comerciantes.» (em Diário de Notícias)

 

Parece mentira, mas é verdade! A U.E., emitiu uma directiva que dava a liberdade de cada Estado membro legislar sobre a eventual taxação dos pagamentos efectuados com cartão de débito e crédito. E Portugal foi dos poucos que adaptou a legislação no sentido de possibilitar a introdução da referida taxa! Que é estúpida porque não beneficia ninguém: comerciantes, consumidores e entidades emissoras dos cartões, todos poderão sair a perder, podendo os próprios efeitos colaterais sobre a economia e a sociedade em geral, ser perniciosos.

 

Vejamos: os possuidores de cartões, já pagam anuidades pelos mesmos e os comerciantes pagam igualmente para possuírem os terminais de pagamento. Introduzir nova taxa sobre cada pagamento, é apenas mais um custo absurdo pois o conceito de “taxa”, por definição, pressupõe a contraprestação de um serviço, o que neste caso, é bastante discutível. A tendência do mercado, será passar a preferir o pagamento em cheque ou em dinheiro. Sabe-se que quantos mais pagamentos em dinheiro existam, mais fácil se torna a fuga e evasões fiscais, beneficiando a economia paralela. Por outro lado, caixas registadoras cheias de dinheiro ao fim do dia, são sempre um convite à criminalidade... enquanto que os inconvenientes de quem recebe pagamentos em cheque são por demais conhecidos, não sendo o menor deles o incremento dos montantes incobráveis ou de cobrança difícil. Os custos de cobrança aumentam para os comerciantes e os custos administrativos da banca, serão também eles superiores.

 

Esta decisão do anterior Governo, que pelos vistos o novo pretende manter, enferma ainda de um “vício” político dos piores: é uma decisão salomónica que transfere o ónus da decisão da cobrança das taxas, para cada um dos possuidores de terminais de pagamento (comerciantes)! Isto é, o Estado demite-se da sua função de regular o mercado e permite que cada um dos agentes tome a decisão que mais lhe aprouver... Um Governo liberal, não faria melhor!

 

Claro que poderão os consumidores, penalizar os comerciantes que avancem para a cobrança das taxas. E poderão fazê-lo de várias formas: deixando de consumir pura e simplesmente nesses estabelecimentos, passando a fazê-lo com o recurso a cheque ou dinheiro (pagar uma avultada quantia, em moedas, poderá dar trabalho ao consumidor, mas não será agradável para o comerciante “taxador”...) ou entregando os seus cartões de crédito ao Banco, desabituando-se da sua utilização maciça. Tudo isto seria evitado se o Governo ao invés de “lavar as mãos, legislasse com bom senso e no sentido do interesse geral. O que neste caso, nem seria difícil...


A DECO, anunciou a semana passada a sua intenção de combater a medida: « Não acreditamos que o Governo faça esse acto falhado, mas se isso acontecer a DECO estará na linha da frente da contestação. Ponderamos todas as formas de combate, inclusivamente o boicote, se for caso disso.» (Jorge Morgado, presidente da DECO, em Correio da Manhã).


Resta esperar que o Governo corrija o disparate, que cheira a medida apressada e pouco pensada do executivo anterior, demonstrando que as medidas de esquerda não se resumem às chamadas "questões fracturantes"!

 

Será de esperar também, que os comerciantes não introduzam um mecanismo que só lhes acarretaria incómodos e nenhum benefício. E a acreditar no que se ouviu a muitos dos seus representantes, é bem possível que isso suceda. Até ver o que sucede, devemos todos estar atentos e denunciar situações onde a taxa seja cobrada sem que o comerciante informe disso antecipadamente. E, acima de tudo, recusar a compra, quando nos digam que vamos ser taxados pelo uso do cartão.


Á IGREJA O QUE É DA IGREJA…

...e ao Estado o que é do Estado


«O grupo dos militantes socialistas católicos quer promover um referendo sobre o casamento homossexual se a proposta do PS passar na Assembleia da República e propõe-se participar na recolha de 75 mil assinaturas para o conseguir.

O porta-voz desta tendência dentro do PS, Cláudio Anaia, disse à Agência Lusa que os socialistas católicos pensam que é "uma questão de justiça" haver um referendo para que "todos os portugueses se possam pronunciar sobre esta matéria".» (em Jornal de Notícias)

 

«Bispos vão reunir-se entre 9 e 12 de Novembro e deverão tomar posição sobre o facto de o Governo querer avançar com o matrimónio entre pessoas do mesmo sexo. Alguns mostram-se indignados por o assunto ser prioritário.

 

A notícia de que José Sócrates vai avançar já para a legalização do casamento gay abriu nova polémica com a Igreja. "É triste e lamento que o Governo se vá ocupar de temas que não fazem parte dos problemas fundamentais das pessoas", critica o bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, considerando que o tema "não é de relevo para o País", (…) "Não é uma prioridade. Há outras bem mais importantes, tanto mais que estamos num momento em que há uma diminuição dos casamentos e uma baixa de natalidade", avisa Manuel Pelino [Bispo de Viseu] Já o bispo de Lamego, Jacinto Botelho, mostra-se indignado por existirem "tantos problemas em Portugal" e o Governo escolher os casamentos homossexuais. (…) "Tem de se fazer uma análise cuidadosa e ver se tomamos alguma posição", diz o bispo do Porto, D. Manuel Clemente. Já D. Tomaz, bispo auxiliar de Lisboa, adianta que a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) deverá assumir posição sobre a medida governativa (…). O porta-voz da CEP, Manuel Morujão, admite que, apesar de o tema não estar na agenda oficial da reunião, poderá ser discutido no "contexto de um ponto agendado sobre um olhar para a realidade social que vivemos".

 

No entanto, todos os bispos recordam que já há seis meses a Igreja tomou uma posição explicando o que entende como "verdadeiro casamento". Uma posição tomada depois de José Sócrates ter prometido em Janeiro que, se ganhasse as eleições, levaria o casamento entre pessoas do mesmo sexo ao Parlamento. "As pessoas que votaram sabiam a posição dos partidos. Agora quero é saber o que pensam os juristas sobre o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo", desafia D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas.» (em Diário de Notícias)

 

Parece-me que anda por aí uma confusão a germinar. Não deixa de ser um mau hábito da Igreja, a sua intromissão em assuntos de Estado.

 

Interrogo-me sobre duas questões:

 

1.- O que estará em discussão não é o “casamento” religioso, mas sim o verdadeiro casamento, perante a lei: o civil. A que propósito pois estas opiniões eclesiásticas, num Estado laico e onde a liberdade religiosa é um facto consagrado constitucionalmente? Alguém até agora pretendeu celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo em algum altar do país?

 

2.- O designado “grupo dos militantes socialistas católicos”, ao proporem um referendo, pretenderão ignorar que no programa eleitoral recentemente sufragado pela maioria do  eleitorado, esta questão estava incluída, tendo sido alvo de debate público, quer antes quer depois das eleições?

 

E deixo os seguintes comentários:

 

a) Pretender a Igreja Católica pronunciar-se (leia-se, “pressionar as forças políticas e a opinião pública”) sobre esta matéria, tem um carácter tão absurdo, como se o Governo ou alguma força política pretende-se pressionar a Igreja no sentido de esta terminar com o celibato dos sacerdotes, ou permitir a ordenação de mulheres…

 

b) Pedir um referendo sobre a matéria, num país onde os níveis de abstenção em vários tipos de eleições, variam entre os 35% e os 70%, e com o grau de desinteresse que até hoje os Portugueses demonstraram pelos referendos já efectuados, apenas pode ser utilizado por quem quer negar a vontade maioritária expressa nas urnas recentemente (recorde-se que não era apenas o PS a incluir a matéria no seu programa) e por quem pretenda criar um problema, onde ele não existe de facto.

 

c) Que a hierarquia da Igreja se resumisse às questões eclesiásticas, seria um bom sinal para que alguns católicos mais “confusos” não se movimentassem da forma disparatada que este “grupo dos militantes socialistas católicos”, aparentemente pretende fazer.

 

d) Seria igualmente bom que a Igreja Católica e alguns dos seus seguidores, deixassem de uma vez por todas de pretender impor a toda a sociedade, os seus “valores” e a sua fé.

 

Depois, admiram-se que proliferem os Saramagos a dizerem coisas desagradáveis sobre os malefícios do fundamentalismo católico…

 

Note o caro leitor que não emiti qualquer comentário, para já, sobre a essência da questão que estará em discussão: se devem ou não duas pessoas do mesmo sexo poder casar-se, ou se o contrato civil que as une deve assumir esta designação ou outra distinta da utilizada para pessoas de sexos diferentes. Isso, serão matérias a discutir daqui a algum tempo. Sem fanatismos descabidos e sem “religiosidades” (completamente descabidas) à mistura. Pelo menos é o que espero, para uma discussão séria e de onde possamos todos sair esclarecidos.

SARAMAGO E OUTRAS POLÉMICAS

 

Ou de como o marketing se alimenta da histeria colectiva

 

A excitação vivida com as campanhas eleitorais sucessivas e com alguns casos rocambolescos que atravessaram as mesmas, parecem ter agitado grande parte das “boas almas” Lusas e, à falta de melhor, o êxtase do histerismo colectivo, lá foi procurando motivos para continuar com a adrenalina em alta por mais uns tempos.

 

Primeiro, o sentimento de indignação foi saciado com um episódio velho de dois anos, onde uma tal Dona Proença, brasileira de nascimento, actriz de novelas, autora de alguns escritos ligeiros e ex-modelo de algumas revistas, também elas com objectivos “estimulantes”, tentava ironizar num curto e medíocre sketch, pretensamente humorístico, com alguns aspectos da nossa realidade nacional… O maior índice de humor que a pobre senhora conseguia no seu sketch, resultava dos erros grosseiros que debitava (a própria confessava que o seu “assessor” histórico, era afinal o “câmara” português que a filmava…) como aquele de considerar que Salazar fora ditador por mais de… 20 anos! A coisa terminava com o que parecia ser o apropriado vómito que a Dona Proença não conseguia conter, qual imagem ilustrativa das pérolas que dissera na meia dúzia de minutos por que se prolongava a peça…

 

Foi o bom e o bonito. De abaixo-assinados a invasões do site da tal Proença, passando por artigos de opinião vários, a indignação nacional fez-se sentir de forma absolutamente desmedida e saloia, dando tamanha projecção à protagonista, que ela deve estar já a pensar num remake da peça… ou em internacionalizar a sua carreira, pois se conseguisse idêntica promoção em países de maior dimensão (Estados Unidos, Alemanha, França, Austrália ?), teria notoriedade garantida até à reforma…

 

Andávamos todos nesta azáfama “anti-Maité”, quando o nosso Nobelizado Saramago, a propósito do lançamento do seu mais recente livro (Caim, de seu nome), fez esquecer a Proença. O que disse o homem? Falou da Bíblia em tom de pouca admiração e de nenhuma devoção. Falou cruamente dos crimes repetidamente praticados durante séculos pela Igreja Católica e da violência que perpassa pelo livro sagrado do judaísmo e do cristianismo. Falou das más influências que a Igreja exerce junto de espíritos fracos e pouco esclarecidos. Enfim, exerceu a sua liberdade de expressão e exprimiu a sua opinião de ateu assumido. Sem no entanto pôr em causa a crença de ninguém, limitou-se a explicar algumas razões da sua… descrença!

 

 

A indignação rebentou de novo. Os artigos de opinião, as declarações várias, a exigência de que fosse retirada ao “herege” a nacionalidade portuguesa (!!!) feita por um deputado Europeu ainda com a eleição fresquinha (que ninguém conhecia até então…), os chorrilhos de insultos ameaçadores que inundaram a net e a blogostera em particular.

 

Saramago, vende por norma muito bem os seus livros - traduzidos por todo o Mundo – não necessitando por isso deste tipo de marketing? Talvez, mas as regras de mercado não deixam de funcionar e será sempre difícil resistir-lhes... a prová-lo, todos aqueles que se uniram em coro, ampliando os ecos das declarações de Saramago e tornando-se assim seus aliados na promoção do novo livro. Em futuras edições (parece que a 1ª, esgotou rapidamente...) Saramago devia incluir na página 2 (uma vez que a 1ª costuma ser reservada aos seus agradecimentos à esposa Pilar) um agradecimento à colaboração das comunidades judaica e católica, dos inúmeros autores de blogues e de um cinzento euro-deputado anónimo (que também ele tentou um golpe de marketing, para ter os seus 15 minutos de fama...), que auxiliaram a sua editora a promover o livro, em tempos de crise, com uma redução de custos assinalável.

 

Aplaudo a iniciativa de Saramago, num pormenor muito significativo: o facto de ter sabido utilizar as regras do mercado, sem necessidade de recorrer a publicidade...  enganosa! E terá mesmo contribuído para o aumento do número de leitores da... Bíblia! A este propósito, deixo a sugestão para um novo blogue colectivo (A Regra do Jogo) onde recolhi um pequeno texto, a propósito das declarações de Saramago, que fugia à histeria generalizada:

 

«Com efeito, o Deus do Antigo Testamento é vingativo, caprichoso, ciumento e mesquinho. Que jeito é que tem o coitado do Moisés andar a aturar uma camada de ingratos durante 40 anos, deixar de ser Faraó e ser condenado a não entrar na Terra Prometida só por causa que quando bateu com o bastão na pedra para sair água não ter mencionado o «nome de Deus»?

 

E o desgraçado do Jó que só não morreu com tanta tragédia, manipulado entre Deus e o Diabo como um jogo de playstation?

 

E também há sexo proibido e morte com fartura: é o incesto das filhas de Ló que embebedam o pai, é o genocídio dos cananeus perpetrado pelos judeus, é o Salomão com 900 mulheres, são as orgias cíclicas dos israelitas que se afastam do Deus verdadeiro, são as mortes por apedrejamento por causa do adultério, são as mais de 600 leis que até regulavam a forma como se fazia sexo... enfim.... E não há que esquecer o quase-sacrifício do filho único de Abrãao, porque Deus disse assim para o fazer...

 

Até Jesus entrou no Templo e expulsou o pessoal ao pontapé e à chicotada!

 

Pois é, a Bíblia é o espelho da humanidade e das suas contradições, das suas ilusões, medos e esperanças. É tudo menos um livro coerente, mas sim uma narrativa da essência da imperfeição humana» (por Ruben Ribeiro Eiras, no Blogue A Regra do Jogo)

 

Como nota final, e para desanuviar, a fé no catolicismo e no respectivo Deus, parece continuar firme, apesar da polémica que Saramago provocou: na senda de Alexandra Solnado, que depois de ter escrito livros sobre as suas conversas com Deus, e de ter mesmo “leccionado sobre as formas de comunicar com a entidade divina, agora foi Rui Costa a declarar-se surpreendentemente... visionário:

 

«Estou a gostar muito de ver Jesus» (Rui Costa, director de futebol do Benfica, em declaração pública). Bom, e neste caso, até eu que concordo com o que disse Saramago, "comungo" (salvo seja) do prazer que as "visões" de Rui Costa provocam... 


UM CAVACO RECORDISTA

O pior P.R. eleito em democracia
            

« Se em Julho deste ano a actuação de Cavaco Silva era avaliada pelos portugueses com um 15,6, em Outubro a prestação do Chefe de Estado caiu para 9,6, segundo uma sondagem CM/Aximage, efectuada entre 12 e 16 de Outubro. (…) A queda de Cavaco Silva não deixa, porém, de ser inovadora, uma vez que não há memória de tamanha quebra de confiança dos portugueses num Presidente da República. Aliás, a mesma sondagem indica que 42,4% dos eleitores considera que, nos últimos 30 dias, a actuação do Chefe de Estado correu "mal", contra 35,5% que responderam "bem".» (em Correio da Manhã).

 

« Pela primeira vez em muitos anos, a actuação de um Presidente da República é avaliada negativamente pelos portugueses. Talvez tivéssemos que recuar ao período pós-revolucionário para eventualmente encontrarmos uma avaliação igual. Com crise ou sem crise, política, social ou económica, os chefes de Estado estiveram sempre acima dos humores dos portugueses. Aníbal Cavaco Silva acaba de abrir um precedente: é possível um presidente sair mal na fotografia. (…) Apenas 35,5% do universo de respostas considera que o Presidente esteve bem, contra ainda 15,9% que diz assim-assim. Esta avaliação é ainda mais relevante quando se pediu aos portugueses que dessem uma nota de 0 a 20 de avaliação da actuação de Cavaco Silva em Outubro. O presidente recebeu um chumbo: 9,6! Nunca Cavaco Silva tinha descido do bom (14,5 foi a sua nota mais baixa, em Outubro de há um ano). » (em Jornal de Negócios).

 

O habitual barómetro de popularidade das lideranças políticas Nacionais, registou esta semana este facto inédito de um Presidente eleito em democracia, registar uma popularidade negativa.

 

Nada de estranho, tendo em conta a desastrosa e condenável actuação de Cavaco Silva, desde que se convenceu que com Manuela Ferreira Leite a liderar o PSD, conseguiria derrotar José Sócrates e o PS…

 

Com uma inabilidade a toda a prova, capaz de fazer corar de vergonha qualquer elefante que, contemplando os resultados da sua passagem pelo interior da Polux, a comparasse com a actividade presidencial, Cavaco desbaratou a tradicional complacência com que o eleitorado olha para os habitantes do Palácio de Belém e está cada vez mais perto de gravar na história o seu nome - a letras bem negras -, como sendo 1º Presidente que não exercerá dois mandatos consecutivos.

 

 

Recapitulemos esse percurso que permite a muitos (como eu) considerar já Cavaco Silva, como o pior Presidente eleito em democracia: depois de ter visto o Expresso garantir reiteradamente, que houvera um empenhamento acérrimo de Belém no objectivo de conseguir a ascensão de Manuela Ferreira Leite ao “trono” laranja, Cavaco mudou a sua postura perante o Governo, pondo efectivamente fim aquilo que classificara de “cooperação estratégica”. As hostilidades iniciaram-se a propósito do Estatuto dos Açores, com uma inesperada comunicação ao país em tons dramáticos (anunciada de véspera em exclusivo ao jornal Público que nesse momento apareceu pela primeira vez como veículo privilegiado das “fontes” presidenciais). Sem nunca fazer o óbvio (pedir ao Tribunal Constitucional a verificação da Constitucionalidade do diploma, Cavaco encetou um braço de ferro com o governo, convencido de que a opinião pública ficaria do seu lado…

 

Das “ajudas” ao Governo em matéria económica, prometidas na campanha Presidencial, nunca se vislumbrou o mais ténue sinal. A actuação de afrontamento de Cavaco, foi-se agudizando veto a veto e o país assistiu às boleias que sucessivamente foram sendo dadas a Manuela Ferreira Leite que ora repetia o mote que Cavaco dava um dia antes, ora antecipava o que Cavaco declararia um dia depois…

 

O desplante de Cavaco atingiu o pico com o seu prolongado silêncio estival, deixando que se instalasse no país o sentimento de que o Presidente dava assim cobertura às suspeitas anunciadas por fontes anónimas ao jornal Público de que poderia estar a ser “escutado” e “vigiado”, a partir de S. Bento!!! Até que, a divulgação pelo D.N., de um e-mail entre dois jornalistas do Público onde se tornava evidente que afinal a notícia sobre essas suspeitas não passaria de uma encomenda que o mais fiel e antigo dos assessores de Cavaco fizera a um jornalista, colocou Cavaco em maus lençóis perante a opinião pública! Tão maus - e mal cheirosos - eram os lençóis presidenciais, que Cavaco se viu forçado a quebrar o silêncio conveniente (e conivente) a que se remetera. Mas ao fazê-lo, com um discurso que pouco esclarecia e mais dúvidas levantava na opinião pública, a posição de Cavaco piorou como jamais se vira noutro Presidente eleito.

 

Em paralelo, o país ia sabendo dos pormenores em que se enredavam várias figuras de proa do “cavaquismo”, no caso BPN, do qual o mais incómodo era sem dúvida Dias Loureiro que comprometia o P.R. ao adiar até ao impossível a sua saída do Conselho de Estado. E sabia-se que Cavaco – antes de ser P.R. - e familiares directos, haviam obtido lucros especulativos em pouco tempo, com acções não cotadas em bolsa (ou seja, com o preço de venda e de compra a ser determinado provavelmente por… Oliveira Costa).

 

A classificação agora negativa é apenas o corolário de tudo isto e Cavaco deverá estar verdadeiramente preocupado com a reeleição… Há sinais de que o presidente estará apostado em reverter esta imagem negativa. E a adivinhada campanha presidencial, parece estar aí… Ontem mesmo, fez um inusitado “balanço” cobrindo os diplomas apreciados e dividindo-os entre os “promulgados” e os “vetados”, para concluir que não vetara nenhum diploma do Governo (para ser sério deveria ter elencado os de iniciativa PS…) e tentando reduzir a expressão dos 12 vetos que produziu, a uma ridícula e insignificante percentagem face ao volume total de apreciações.

 

Cavaco sabe que o veto deve ser uma excepção, pois o Presidente não detém o poder executivo e os mecanismos de fiscalização são os únicos que lhe competem. Tentou pois iludir com este “balanço” outro dos recordes que já pode reclamar para o seu consulado: o de ser o Presidente que mais vetos aplicou até hoje! Decorridos apenas 3 anos de mandato! Triste recorde, para quem há uns anos foi o Primeiro Ministro que acusou o então Presidente da República de ser uma… “força do bloqueio”!

 

Antes de encerrar chamo a atenção para outros dados curiosos do referido Barómetro de popularidade: para além de Cavaco, apenas outro líder político regista nota negativa, de acordo com a notícia supracitada do Jornal de Negócios: « Entre os restantes líderes, Paulo Portas é o que recebe a melhor avaliação dos portugueses, com um 12,3. José Sócrates recebeu 12,1 e Jerónimo de Sousa e Francisco Louça aparecem separados por uma décima (11,5 e 11,4, respectivamente). No mesmo mês, apenas Manuela Ferreira Leite surge com avaliação negativa. Os portugueses dão-lhe um 6!». A acreditar neste estudo de opinião (que não tem mais valor do que isso, note-se) ao contrário de Cavaco que ainda consegue uma nota que lhe permite aceder ao “exame oral”, Manuela Ferreira Leite aparece “chumbada”, com nota que não lhe permite almejar a nenhum tipo de repescagem…

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