SOL

O "PREÇO" DO PALADINO DA LIBERDADE…

Terá a coligação negativa, atacado de novo!?


Os avatares do Ministério Público que habitualmente alimentam alguns “jornalistas” com informações sobre as matérias que constam de processos judiciais, estavam quietos há algum tempo. Até parecia que o “Freeport” e o “Face Oculta”, iam seguir o mesmo caminho agonizante do “Furacão” mais suave do mundo…

 

Repentinamente, surgiram de novo indícios da sua actividade: na última edição do semanário Sol, eis que algumas escutas alegadamente incluídas nas investigações do “Face Oculta”, são dadas à estampa! Onde haveria de ser?

 

Não vou “malhar” novamente neste tipo peculiar de “jornalistas” com agenda política (já o fiz bastas vezes) nem sequer vou abordar o teor das escutas e da alegadamente intuída perseguição aos paladinos da liberdade, a mando de José Sócrates. Depois dos DVD e dos livros com que o Sol tenta aumentar as suas (parcas) vendas, o semanário repesca agora hábitos que há 50 anos eram costumeiros em alguma imprensa da época: a de presentear os seus leitores com romances de cordel que iam saindo “aos soluços” número após número, tendo fidelizar leitores… E sobre folhetins nunca é bom emitir opinião logo após o 1º episódio, sem sabermos o que nos reservam os argumentistas, para os capítulos seguintes!

 

Limito-me pois, por agora a deixar, como sugestão para reflexão, duas perguntas e um comentário.

 

Primeiro as perguntas:

 

1. Sabendo-se que um dos envolvidos nas alegadas escutas ora divulgadas (Paulo Penedos) já autorizou a divulgação integral das escutas em que esteja envolvido - «em função da divulgação parcial das escutas, entende que está posta em causa a forma como atuou neste processo e entende que, para a defesa da sua honra, o melhor que tem a fazer é autorizar que as escutas sejam divulgadas na íntegra.» (em Expresso) -, interrogo-me se irá o Tribunal anuir a esta pretensão, ou se a irá negar tal como o fez a pretensão idêntica de Armando Vara? Presumo que o requerimento será indeferido! Bom, bom, é que os gargantas fundas possam continuar a truncar, manipulando o que divulgam e a omitir factos que não interessem vir a público. Bom, bom, é que o semanário detido por um alto responsável do P”SD” (e recentemente salvo da falência por capitais angolanos, é bom não esquecer!) possa continuar a publicar o seu folhetim, a que chama “investigação jornalística”…

 

2. A propósito dos gargantas fundas, quem serão e o que os faz mover, neste lodo onde chafurdam pasquins ao serviço de interesses partidários e ao completo arrepio da deontologia profissional? Serão adeptos da direita ressabiada, que não consegue apresentar um projecto credível para a sua própria liderança? Ou serão acólitos da esquerda conservadora que apenas parece existir para ajudar a “queimar” o que resta do país, procurando assim a legitimação da sua razão de ser? Ou será apenas a extensão da coligação negativa par(a)lamentar, a chegar aonde seria inimaginável!?

 

 

 

E por fim, o comentário: de tanto chafurdarem, os gargantas fundas e os “jornalistas investigadores”, cometeram um pequeno erro: então não é que transformaram o paladino da liberdade, Moniz, em alguém que afinal tinha um preço!? É o que se conclui das alegadas palavras de Paulo Penedos: «Custe o que custar em termos de dinheiro, por muito que um gajo possa pensar que o crime compensa ou vamos beneficiar o gajo, o Moniz devia sair confortável para estar calado» (em Sol). O que, convenhamos seria pouco edificante para José Eduardo Moniz. Caso se desse crédito a este tipo de jornalismo! Claro que Moniz, irá por certo, devolver a pipa de massa que recebeu como indemnização da Media Capital e – quem sabe – renunciar à “cadeira dourada” em que se passou a sentar na Administração da Ongoing!!!


O FIM DA LINHA (2)

O melhor que encontrei na blogosfera, sobre o assunto


Não gosto de precipitar-me a comentar os assuntos da actualidade política logo no primeiro momento em que os mesmos são conhecidos. Sucede habitualmente, que nas horas/dias seguintes, sabe-se muito mais do que logo “na hora” da primeira divulgação.

 

Ontem, quebrei esta “regra” a propósito do faits divers do artigo de Mário Crespo, a relatar o almoço Socrático onde teriam sido feitas referências ao seu nome. E fiz mal! Hoje já se souberam muito mais coisas interessantes... afinal o artigo não foi recusado pelo Director do JN, José Leite Pereira. Foi o próprio Crespo, que o retirou, quando foi confrontado com a necessidade de comprovar os factos e de contraditar os visados, antes de o ver publicado! Também se soube que a decisão de publicar um livro foi tomada já depois da conversa entre Crespo e José Pereira. E que o mesmo estará nas bancas já amanhã!!! Com prefácio de Medina Carreira e tudo! Ainda há quem diga que a produtividade em Portugal é baixa!!! Falem com Mário Crespo, com Zita Seabra (a “camarada” editora) e com o “tremendista” prefaciador e veremos os Chineses e os Japoneses a tremerem perante a produtividade nacional!

 

Delicioso, quase ternurento, os mimos de solidariedade trocados entre os Monizes (o tal “casal maravilha”) e Crespo! Antevejo a formação de uma Liga das vítimas Socráticas! Aliás, nos posts e comentários de alguns blogues “anti-Sócrates”, repetiram-se à exaustão as referências às “vítimas” que atrás refiro, acrescentando-se-lhes o próximo membro da “Liga”, o inevitável Marcelo e José Manuel Fernandes...

 

E a velocidade assombrosa com que Crespo se desdobrou em entrevistas a tudo o que é jornal. A prova de que o corporativismo está bem vivo na (que se quer intocável e inatacável) classe jornalística.

 

De tudo isto poderia falar, bem como do facto não menos significativo de se saber agora quem é a face oculta do “executivo de TV” (Nuno Santos, da SIC) que estaria presente no almoço mas que afinal estava noutra mesa e que também já veio de viva voz, dar hoje uma versão diferente da de Crespo, apesar de esta estar “registada”, recordo, pelas suas fontes!!!

 

Poderia, mas não falo! Por dois motivos: primeiro, porque acho que ainda se vão saber mais coisas num futuro breve. Depois, porque prefiro deixar o leitor com o que considero ser o melhor post que encontrei sobre o assunto (e li muitos, em defesa e em desfavor de Mário Crespo...)! é da autoria de Rui Herbon, que o publicou no seu Escada de Penrose. Delicie-se pois o leitor:

 

Naked Lunch  (*)

 

«Recebi um e-mail de um amigo que tinha sabido, numa conversa de café com um conhecido que ouvira um estranho no metro, que um dia da semana passada Mário Crespo, o casal Moniz e Zita Seabra (editora da Alêtheia, que publicará em breve o livro com as crónicas do jornalista) almoçaram juntos num restaurante com sala para fumadores. Terá ainda sido convidado o fantasma do (general fascista) grande democrata e inimigo da censura Kaúlza de Arriaga que, por afazeres diversos, só apareceria para a sobremesa. Havendo muitas mesas vazias, consta que escolheram uma rodeada de gente para entabularem a sua conversa confidencial.

 

Durante o almoço referiram, em tom mais elevado que o resto da conversa, os nomes de três ministros, sendo um deles o primeiro, adjectivado com palavras menos doces. Parece que se fartaram de garatujar a toalha de papel e que, no fim do repasto, rasgaram e levaram consigo o escrito. No entanto, por manifesta falta de jeito, uma frase ficou no papel sobrante, sujo de migalhas e manchado de vinho: O fim da linha. A gravação vídeo com as imagens das câmaras de vigilância do estabelecimento não é esclarecedora quanto a quem pagou (já se sabe que não há almoços grátis), mas sabe-se que um dos convivas se abarbatou com a gorjeta: a crise toca a todos.

 

PS 1: O fantasma do general Kaúlza apresentou-se efectivamente mais tarde, mas foi prontamente sugado pela extracção de fumos.

 

PS 2: Se este texto ou este blogue forem censurados, o primeiro será publicado na página da Fundação Mário Soares, mas juro desde já pelas alminhas que não sei como o mesmo lá terá ido parar.

 

PS 3: O meu livro de crónicas, que ainda estou a escrever, estará nas livrarias dentro de cinco dias.

 

(*) Título inspirado no livro homónimo de William Burroughs, onde são descritas uma série de alucinações provocadas pelo consumo de estupefacientes diversos.» (por Rui Herbon, em Blogue Escada de Penrose)

 

Já enquanto escrevia este texto, Rui Herbon deu seguimento à sátira... não tão bom como o primeiro, mas merecedor de referência, deixo-vos também este segundo:

 

 

Naked Lunch II: o desmentido

 

« Relativamente à estória de ontem, chegou-me via papagaio da ex-mulher de um primo meu em quarto grau o seguinte desmentido: É veraz que Mário Crespo, o casal Moniz e Zita Seabra almoçaram um dia da semana passada num restaurante com sala para fumadores. Contudo, o fantasma do (general fascista) defensor dos oprimidos Kaúlza de Arriaga não foi sugado pela extracção de fumos; o que ocorreu foi que, para esconder-se de um inspector da ASAE (sempre à cata de insalubridades, os bandidos), terá entrado inadvertidamente no forno ao mesmo tempo que uma posta de bacalhau e algumas batatas. Surpreendido ficou o chef, que em lugar de bacalhau à lagareiro encontrou bacalhau espiritual.» (idem)

 

Chapeau, Rui Herbon! Lá bem no topo da sua... escada!

O FIM DA LINHA

Censura? Ou incongruências de um não-caso?


A política nacional continua a ser pródiga em faits divers que vão ocupando os espaços de informação e de comentário dos media, com regularidade.

 

Num país onde o critério jornalístico ameaça transformar-se num eufemismo, tão larga é a malha da sua peneira, qualquer não-notícia se transforma facilmente num “caso” de dimensão nacional. A meu ver, foi o que sucedeu desde ontem com a situação gerada (ou será, gerida?...) a partir da não publicação pelo Jornal de Notícias, de um artigo de opinião do seu habitual colunista, Mário Crespo. Que logo apareceu nas pantalhas televisivas, nas ondas hertzianas e nas páginas de todos os jornais, como… uma vítima! O alegado algoz? O do costume: José Sócrates, que se fosse outro, a repercussão  mediática não seria a mesma…

 

Como ponto prévio, pretendo deixar bem claro que gosto do estilo televisivo de Mário Crespo: não se limita a metralhar vocábulos com a cadência apressada do que parece ser a nova “escola” do jornalismo televisivo (e radiofónico) actual; prefere manter um tom pausado, quase coloquial, que convida o ouvinte a reflectir sobre o que se diz. Já quanto à sua imparcialidade jornalística, sem ser uma Manuela Moura Guedes (de quem aliás é admirador confesso, o que não teria mal nenhum, não fosse ele jornalista) Mário Crespo não consegue, quando a temática envolve o actual Governo (e, em particular o primeiro ministro…) evitar a derrapagem frequente. Acompanho habitualmente os seus artigos de opinião, reconhecendo neles o mesmo “vício” anti-governo que se nota nas suas performances televisivas (o “Plano Inclinado” na SIC-Notícias, chega a ser confrangedor...). Com a diferença substancial, que no caso de um artigo de opinião tal facto não tem mal absolutamente nenhum! Fazer opinião é isso mesmo: opinar, o que implica tomar partido, ser parcial, bem ao contrário de quando se veste a pele de jornalista... diferença que Mário Crespo aparenta desconhecer muitas vezes.

 

Mas passemos aos factos que o intróito vai longo: indo por partes, analisemos a alegada situação que é objecto do artigo “No fim da linha” - que esteve na origem de toda a celeuma - e a explicação do JN, para a sua não publicação (ambos podem ser lidas aqui e estão reproduzidos no final deste texto).

 

Comecemos por admitir que seja verdade a ocorrência que a peça da nóvel vítima de José Sócrates relata: não consigo perceber porque motivo um cidadão não pode, num acto do foro privado - como é um almoço com colegas -, expressar as suas opiniões acerca da forma como outro cidadão exerce em público a sua actividade profissional! Qual o motivo porque esta atitude merecerá recriminação? Será porque o primeiro cidadão é primeiro ministro e por isso se pretende que deixe de se poder expressar livremente em privado!? Ou será porque o segundo cidadão é jornalista, classe que, frequentemente, parece pretender-se acima de qualquer crítica!? A meu ver nem uma nem outra coisa terão qualquer razão de ser pelo que, na sua essência este pseudo-caso me parece muito estranho... Que não sobram motivos a Sócrates para não gostar da parcialidade que Crespo-jornalista, tantas vezes evidencia, parece-me óbvio. Como óbvio será que muitas das crónicas do Crespo-opinador não mereçam a concordância e o agrado do primeiro ministro. Assim sendo, acho muito normal que durante um almoço, Sócrates (acto privado, friso, ainda que decorra num local público) possa exprimir opiniões discordantes sobre a personagem. Fico mesmo feliz por esta possível ocorrência, a confirmar-se, comprovar que temos um primeiro ministro que (ao contrário de outro de má memória) lê jornais e que não tem sangue de galinha em dose suficiente, para se permitir ao cinismo de não comentar colunistas adversos, alegando que não os lê... por mais de cinco minutos! Mas percebo também que Mário Crespo não encare com a mesma naturalidade que eu, as opiniões negativas que sobre ele possam ter: bastou-me ter lido a recente mega-entrevista que concedeu à revista Tabu, do semanário Sol. Aí, Mário Crespo explicou como, no dealbar da sua carreira na África do Sul, nunca estranhou (nem levantou a voz contra) o regime do apartheid, uma vez que a coisa era tão... normal que lhe terá passado “ao lado”... isto apesar de, na altura, serem tantas as vozes que na imprensa do mundo inteiro, se levantavam contra aquela “normalidade”. O episódio é aqui evocado apenas para ilustrar que no melhor pano (mesmo que jornalístico) podemos encontrar a nódoa...

 

 

 

Voltando à história presente: tal como é relatada por Crespo, enferma de alguma “debilidade” ou, pelo menos, aspectos pouco credíveis: Imaginar o primeiro ministro, dois ministros e um «executivo de televisão» a almoçarem num selecto restaurante de um não menos selecto hotel, vociferando de numa conversa «colérica», de forma a que a mesma seja «claramente ouvida nas mesas em redor», é algo que já de si, exige algum esforço... mas pretenderem convencer-nos que, sendo a intenção arranjar uma «solução» para o «problema»  que Mário Crespo representaria (leia-se “pretendendo Sócrates, uma espécie de saneamento para Crespo”), ir discuti-lo aos berros e num local público... raia o inimaginável, mesmo para quem achasse normal o apartheid, tal como ele era vivido!

 

Mas sobra a questão da decisão do Director do JN, José Leite Pereira, de não publicar “mascarado” de crónica de opinião, o que era afinal um artigo que transmitia uma notícia, sem ver cumpridas as mais elementares regras da profissão: aplaudo de pé a coragem e a ética evidenciada pela decisão! Assim fizessem outros directores de jornais e teríamos hoje uma imprensa bem mais séria e credível! Por um lado, o director de um jornal, deve pugnar pela credibilidade do mesmo. E, em caso de alguém processar por difamação (como bem poderia suceder neste caso) um seu colunista, é responsavelmente solidário, ou seja: terá também ele de responder em Tribunal pelo mesmo crime! Pretender ver nesta decisão actos de censura (!) é pois de uma desonestidade intelectual a toda a prova! E pergunto porque motivo Crespo não se terá mostrado disposto a fazer o que se ensina como bê-à-bá nas escolas de jornalismo: exercer sempre o contraditório relativamente aos visados!? Mário Crespo apela – e bem – ao contraditório... em seu favor, mas nega-o no papel de jornalista!? Veja-se: na peça em causa, critica Sócrates por este ter «uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre», ilustrando esta acusação com frases como «Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. (...) Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência.»!!! É caso para perguntar se quando o contraditório não é exercido pelo jornalista, este não poderá ser considerado, igual forma, “insalubre e decadente”!?

 

 

Não posso ainda deixar de manifestar algum incómodo por se ter chegado ao ponto de tudo isto assentar em atitudes mesquinhas (mas que são perigosos sintomas!) de alguém se prestar a escutar conversas de terceiros, em restaurantes e as transmitir a outrem... Mário Crespo diz mesmo que tem um «registo» da conversa!!! Já agora, seria bom informar a forma que assumiu esse «registo»: o “informador” gravou a conversa, ou limitou-se a passá-la a escrito? Em qualquer caso, não está configurada uma clara violação do direito à privacidade dos “ouvidos”?

 

Por último, acho muito estranho que Crespo, ao conhecer a tal conversa, reaja mascarando a notícia (em que é parte alegadamente visada), como se de um artigo de opinião se tratasse. Então não seria mais lógico processar por difamação os participantes da converseta!? Com tanta testemunha e “registos”, não seria a opção seguida por qualquer um que se sentisse ofendido em público e quisesse denunciar o facto e ser ressarcido pelo mesmo? A via escolhida, serve na perfeição o papel de “vítima” e talvez ajude a promover algum livro... mas não deixa de ser inusitado num jornalista que, apesar do que disse antes, continuarei a ouvir, a ler e a criticar sempre que seja caso disso.

 

“O fim da linha” por Mário Crespo:

 

«Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil ("um louco") a necessitar de ("ir para o manicómio"). Fui descrito como "um profissional impreparado". Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como "um problema" que teria que ter "solução". Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): "(...) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (...)". É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser "um problema" que exige "solução". Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos "problemas" nos media como tinha em 2009. O "problema" Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi "solucionado". O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser "um problema". Foi-se o "problema" que era o Director do Público. Agora, que o "problema" Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais "um problema que tem que ser solucionado". Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.»

 

Nota da Direcção do Jornal de Notícias: “Mário Crespo cessa colaboração no JN”

 

«O jornalista Mário Crespo foi até ontem colaborador de opinião do Jornal de Notícias. Essa colaboração cessou por sua vontade. Acontece que, no domingo à noite, o director do JN o contactou dando-lhe conta das dúvidas que lhe causava o texto que Mário Crespo enviara para publicação no dia seguinte. Basicamente, no entender do director do JN o texto de Mário Crespo não era um simples texto de Opinião mas fazia referências a factos que suscitavam duas ordens de problemas: por um lado necessitavam de confirmação, de que fosse exercido o direito ao contraditório relativamente às pessoas ali citadas; por outro lado, a informação chegara a Mário Crespo por um processo que o JN habitualmente rejeita como prática noticiosa; isto é: o texto era construído a partir de informações que lhe tinham sido fornecidas por alguém que escutara uma conversa num restaurante.

Da conversa entre o director e o colaborador do jornal resultou que este decidiu retirar o texto de publicação e informou que cessava de imediato a sua colaboração com o jornal, o que a Direcção do JN respeita.»


O SALVADOR DA PÁTRIA… QUE NUNCA TEREMOS

Belmiro fala, fala, fala, mas... pois!

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De tempos a tempos, é habitual o Engº Belmiro de Azevedo, fazer declarações públicas onde zurze na classe política.

 

Fê-lo mais uma vez na semana passada, desta vez na Visão. E levou tudo a eito, ou seja, da esquerda à direita, do Governo ao Presidente da República e ao pretendente anunciado à cadeira de Belém, ninguém escapa à catilinária Belimiriana!!!

 


 Belmiro disparou em todas as direcções. A começar pelo próprio sistema democrático que se limitou a caricaturar como «um sistema em que o povo vota pelas festas, frigoríficos e passeios», sem se arrogar dizer qual a alternativa que preconiza… e não deixa de ser curiosa a caricatura que Belmiro utiliza para depreciar a democracia, se pensarmos nas campanhas agressivas que sempre promoveu nas suas grandes superfícies, a começar no “pague 3 e leve 4”!

 

Os líderes políticos foram quase todos mimoseados pelo “Engº redentor”. Sócrates porque «telefona com muita frequência», ou «manda telefonar». Gostaria de ter ouvido Belmiro explicar a diferença entre a altura em que quanto mais frequentes fossem os telefonemas de Sócrates, mais feliz ficava o promotor e proprietário do mega empreendimento que o Governo autorizou para Tróia, e aquela em que os telefonemas passaram a provocar azia no homem que não se sentiu apoiado pelo Governo no momento da OPA sobre a PT…

 

A razão porque Cavaco se transformou num «ditador» para o impoluto Engº, é extraordinária: então o então primeiro ministro, não cometeu a desfaçatez de mandar «quatro amigos [do Engº Belmiro] ministros, para a rua»!? E isto, presumo, sem um só telefonema prévio para o pressuroso Engº! Que neste caso, tanto apreciaria que o telefone de S. Bento se tivesse lembrado de si…

 

A justiça social preconizada pelo putativo oráculo, deixa antever um corte radical com tudo o que os cânones conhecidos preconizam: «Os salários são baixos. O pessoal do meio é que ganha de mais. Têm de ser aumentados o último piso e o rés-do-chão». Isto é: julgávamos todos que as desigualdades entre ricos e pobres, se resolviam dando mais a quem tem menos!? Nada disso! Demos mais a quem tem menos, sim. Mas também a quem tem mais e retire-se à classe média! Baralhado, caro leitor? Também eu! Mas não conseguir compreender a lógica de tudo isto, explica porque razão não somos oráculos ao nível do Engº Belmiro!

 

Não menos extraordinária é a forma como o Engº vê o equilíbrio de forças entre empregados e empregadores, claramente em desfavor dos… empresários claro!!! «Os empresários têm muita força, mas quem tem mesmo força são os trabalhadores»Basta ver, como os empregados de Belmiro, conseguem auferir principescos salários e usufruir de leoninos contratos (todos a termo certo e nenhum a prazo…)! Imagino que muitas meninas das caixas do Continente terão arrancado cabelo ao ler esta parte da entrevista do patrão! Ou aquela outra onde dá todo o sentido ao provérbio popular que manda olhar ao que se diz e não ao que se faz: «Para se ter uma sociedade coesa, os trabalhadores têm de ser bem tratados, não se podem explorar». Imagino mesmo alguma loura platinada maldizente, a pensar que da Sonae, não se esperará um grande contributo para uma… “socioedade coesa”!

 

Mas os tiros de Belmiro não se ficam por aqui: Manuela Ferreira Leite é acusada de nunca ter tido a «responsabilidade de saber como pagar salários», isto é, o inverso de Belmiro, que nunca quis ter a responsabilidade de ter de governar um país ou de, pelo menos, se bater por isso. A Marcelo Rebelo de Sousa, o Engº acaba por chamar… “fala-barato”, ainda que o faça de forma mais rebuscada e com alguma “elegância”: «Tem dez respostas, todas boas, para a mesma pergunta. Não sofre de pensamento único»… E sobre o TGV, Belmiro traz-nos de novo a teoria com que Ferreira Leite surpreendeu o país no último debate eleitoral com José Sócrates: «está desenhado em função dos interesses espanhóis»! Eu penso que bom, mas mesmo bom, seria um TGV que ligasse os vários hipermercados da Sonae, por todo o país.

 

Triste país este que tem tal talento entre os seus, mas vê-o desperdiçado na limitação das acusações às insuficiências de terceiros, sem nunca dar o passo decisivo: avançar ele para a "arena" com todos os seus méritos e mostrar a diferença! O que seria sem dúvida mais árduo do que estas aparições periódicas do alto do seu pedestal…

 

O drama é que esse dia resplandecente, em que Belmiro (qual novo D. Sebastião da política nacional) descerá ao terreno da política pura e dura, começa a parecer cada vez mais o dia-de-são-nunca-à-tarde, para mal de todos nós, que ansiamos pela salvação que o oráculo deixa antever… é que, de acordo com os critérios etários do próprio guru-salvador, o tempo ser-lhe-à cada vez mais escasso para a nobre tarefa de “endireitar” a pátria! É que quando o Engº diz «O Alegre devia ter juízo (...) No final do mandato já terá 80 anos, não é muito sensato» não se esqueceu por certo de que a diferença de idade entre ambos é… inferior a 2 anos (Alegre faz 74 em 12 de Maio próximo e Belmiro ainda antes, a 17 de Fevereiro, completa 72 bonitas primaveras…). Ora, dono de tão grandes capacidades políticas, a única forma de as pôr ao serviço da política nacional, seria candidatar-se ao cargo de 1º ministro! E com todos os erros que aqueles que agora criticou fizeram, duas legislaturas seria o mínimo tempo necessário para concluir com êxito a tarefa ciclópica de corrigir as coisas a nosso favor. Mesmo que houvessem eleições neste momento, e Belmiro conseguisse liderar um partido a tempo de as ganhar (o P”SD”, com a crise que por lá vai para encontrar quem substitua Ferreira Leite, calhava mesmo, Engº!!!), no final do segundo mandato já Belmiro se transformara num “pouco sensato” octogenário! Hélas! É a nossa maldição! 

 

A minha esperança é que o Engº reconsidere e nos faça uma surpresa. Pois se no meio de tanta crítica, não avançou com uma só solução para o país... Belmiro só pode estar mesmo a guardá-las para as utilizar a curtissimo passo, quando decidir avançar e salvar-nos a todos! Há que ter fé...

 


S. JOÃO DA MADEIRA E VIDIGUEIRA: CÂMARAS DÃO O EXEMPLO

Para vergonha de alguns “empreendedores”


«Depois de S. João da Madeira, há outra autarquia, que decidiu acabar com o salário mínimo, entre os funcionários da câmara. Todos os trabalhadores que estejam nessa situação, vão subir de escalão. Os aumentos rondam os oitenta euros mensais. Ao mesmo tempo, o salário dos membros do executivo, presidente da Câmara incluído, vai ser reduzido em dez por cento.» (em RTP).

 

«A Câmara Municipal da Vidigueira vai aumentar em 82,08 euros o valor do ordenado dos trabalhadores que recebem o salário mínimo e reduzir em perto de 10 por cento os dos que ocupam cargos por nomeação. A decisão pretende ser um exemplo no combate à crise.» (em Público).

 

Castro Almeida (PSD)   e Manuel Narra (CDU) presidem às Câmaras Municipais de S. João da Madeira e Vidigueira, respectivamente.

 

Separam-nos desde logo a distância geográfica a que se encontram, as ideologias que perfilham e talvez, muitas outras coisas. Une-os o exemplo que deram no sentido de promoverem de forma efectiva alguma justiça social, junto de quem trabalha para os respectivos municípios, a troco de menores salários.

 

Fica feita a ressalva de que não conheço as realidades locais de um e outro dos referidos municípios. No entanto, e tomando por boas as intenções que motivaram as decisões agora conhecidas, aqui, onde tantas vezes critiquei iniciativas dos partidos a que ambos pertencem, registo, saúdo e aplaudo a medida exemplar que ambos adoptaram! Que não deixa de ser uma lição dada por dois representantes da classe política (tantas vezes aviltada e insultada de forma generalizada) a alguns lídimos representantes do “empreendedorismo” nacional. Algumas orelhas terão ficado a arder, com estas notícias? Talvez não que a vergonha é cada vez mais luxo de pobre!


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OS "GARGANTAS FUNDAS" DESCOBREM O YOUTUBE

Ignóbil, seja quem for a vítima


Não nutro qualquer simpatia por Pinto da Costa, como já por várias vezes aqui deixei claro. Não será no entanto por isso que deixarei de repudiar a publicação no Youtube, de escutas telefónicas que só deviam ser conhecidas por quem legítima e legalmente teve conhecimento dos processos judiciais, na reserva dos quais as mesmas deveriam permanecer.

 

Não é a primeira vez – e duvido que seja a última – que aqui expresso este tipo de repúdio (repugnância, será o termo mais adequado, face à ignóbil prática!) pela existência de uns "toupeiras" armados em “gargantas fundas” que permitem que estas “fugas” se vão repetindo. Desta vez, parece que evoluiram e "descobriram" o Youtube (ou alguém o "descobriu" por eles...).

 

 

 

 

 

 

Destaco uma certeira avaliação feita sobre esta gente, que sendo paga para servir a Justiça e o país, se permite afinal servir outros interesses, sejam eles políticos, desportivos, económicos ou de mera vingança face a alguém que não merece as suas preferências: « (…) Ah, se os nossos investigadores judiciais se limitassem a investigar judicialmente! Não é por nada, mas se fossem o que são - sendo aquilo por que lhes pagamos, e só -, seriam muito. Por exemplo, bastava investigarem judicialmente Pinto da Costa (…) ou a investigação a Pinto da Costa levava-o a ser legalmente punido, ou a investigação a Pinto da Costa reconhecia que não havia ponta legal por onde lhe pegar. (…) Não havendo ponta legal por onde pegar o investigado (porque não há ou por o investigador não ter unhas), trama-se uma fuga. Escutas telefónicas no YouTube, por exemplo. Mas sendo esta crónica sobre investigadores judiciais, fujo ao assunto. Já estou no domínio dos profissionais falhados. E sobre estes só há isto para dizer: não há pior do que impotentes com poder.» (por Ferreira Fernandes, no Diário de Notícias).

 

Diria um pouco mais do que disse Ferreira Fernandes: se estes “profissionais falhados”, se sentem mais vocacionados para fazer leis do que para cumprir as que existem, mudem de profissão! Enveredem por uma carreira política, tentem ser eleitos deputados e… façam leis melhores do que as actuais!

 

A todos os que assistem a estas situações numa atitude passiva (no mínimo indiferente, quando não mesmo de conluio ou aplauso), apenas há que lembrar que isto sucedeu no dia (ontem) em que passaram 60 anos sobre a morte de Eric Arthur Blair, que ficou conhecido para a posteridade por… George Orwell… e mais não digo. Entenderá esta alusão, quem estiver disposto a tal, antes que os porcos triunfem de vez, outra vez!

 

Nota final: Tenho uma opinião formada, sobre a matéria em causa nas tais escutas – cujo conteúdo até já era conhecido -, que não é abonatória para Pinto da Costa. Mas não é isso que está aqui em causa, mas apenas os direitos individuais de um cidadão que a lei (bem ou mal) considerou inocente.

UM ALLEGRO… MOLTO TROPPO!

Irá o PS repetir o erro!?

 

 


Como era natural e esperado, Manuel Alegre deu mais um passo no sentido da concretização de nova candidatura à Presidência da República, ao afirmar-se «disponível para esse combate». Devo informar o leitor que há 5 anos, o meu voto foi alegre e convictamente dado a Mário Soares (apesar de achar um erro estratégico a sua candidatura, nas circunstâncias em que sucedeu). Sinto-me pois com o à vontade necessário para escrever algumas das coisas que se seguem…

 

Com esta manifestação de disponibilidade - aguarda-se agora que Alegre anuncie formalmente a sua candidatura lá para o final deste mês – Alegre não repetiu as hesitações de há 5 anos e tomou a iniciativa de forma clara e assumida, na corrida presidencial, deixando a pressão sobre outros putativos candidatos (à cabeça dos quais claro, Cavaco Silva, o homem dos tabus eleitorais…).

 

É muito curioso ver as reacções que se seguiram.

 

Da direita, já se sabe o que se pode esperar: tentativas no sentido de desvalorizar a candidatura de Alegre, apresentando-o como… “candidato do Bloco de Esquerda”!!! Foi logo tentado o estratagema (chamar-lhe “estratégia, seria lisonjeiro, de tão fraco que é o argumento) a seguir à entrevista que Alegre concedeu ao Expresso em 9 de Janeiro último, onde a intenção de ir em frente era já clara.

 

Claro que os “guionistas” da direita, não ignoram que a eleição presidencial se faz com base em candidaturas individuais ás quais os partidos dão ounão o respectivo apoio. Como sabem que Alegre é um dos mais prestigiados militantes do PS (não é fundador, como já vi afirmado por escribas conceituados…). Há falta de melhor para atacarem o carácter o a acção política de Alegre, tentam desesperadamente vestir-lhe o fato de “radical-extremista”… ignorando que nos tempos de Guterres (por exemplo, para não recuar mais) dizia-se que Alegre representava… a ala direita do partido Socialista!!!

 

Quanto à esquerda, o Bloco nem esperou que Alegre formalizasse a disponibilidade agora manifestada. Louçã foi lesto a manifestar-lhe o seu apoio. Claro que era evidente que as “pontes” que Alegre construiu à esquerda tornam natural este apoio. Mas não sejamos ingénuos ao ponto de ignorar que esta colagem do Bloco à candidatura tem também por objectivo “entalar” o PS. Esquece-se Louçã de que, neste particular, só o PS se poderá “entalar”. Bastará para isso que faça uma de duas coisas: que demore a dar sinais claros de apoio ao seu militante, nesta candidatura ou – pior ainda – que apareça um outro candidato da área socialista a merecer o apoio do partido, repetindo o erro trágico da candidatura de Soares, que contribuiu para dividir a esquerda e permitir a vitória de Cavaco à primeira volta. Para esse papel, existe o PCP. E mesmo assim, estou crente que desta feita, algum bom senso imperará na Soeiro Pereira Gomes, podendo o PCP não seguir a habitual estratégia de levar até às urnas um candidato próprio, arriscando-se a ser de novo um aliado objectivo da direita.

 

 

Na área do Partido Socialista, durante 5 anos, apesar do péssimo e tantas vezes aviltante papel a que Cavaco Silva se prestou, ninguém para lá de Alegre fez o “trabalho de casa” necessário para poder ser nesta altura um sério candidato presidencial! Todos sabiam que Alegre o estava a fazer e que, chegada a altura, poderia avançar caso considerasse ter perspectivas ganhadoras.

 

Apetece pois gritar a todos os Vitorinos, Lelos, Canas, Ramalhos e quejandos, que se fizeram ouvir nos últimos dias, a partir das cercanias do Largo do Rato, que “se não ‘coiso’, pelo menos saiam de cima” e calem os argumentos que revelam apenas ressabiamento pelo passado recente! Acima dessas questiúnculas das facções internas, deverão colocar o tal “interesse Nacional”… querem melhor altura do que esta, para praticar o que tantas vezes apregoam!? A possibilidade de mais 5 anos com um líder da oposição a residir em Belém, não é suficiente para se acalmarem e reconhecerem que, desta vez – ao contrário do que sucedeu há 5 anos -, Alegre deu os passos certos e correctos!?

 

Seria até bonito que o próprio Mário Soares tivesse a humildade democrática de ser dos primeiros a dar um sinal inequívoco do seu apoio a Alegre, o que talvez trouxesse alguma lucidez a muitos socialistas que, intempestivamente, têm feito declarações que são autênticos balões de oxigénio para Cavaco!

 

Espero que este andamento que a candidatura de Alegre possa ser cada vez mais um Allegro molto tropo, e que não seja o partido que mais tem sentido na pele os efeitos da degradante actuação de Cavaco Silva, a transformá-lo num Adagio, ou mesmo num Adagissimo, o qual deveria ficar reservado para Cavaco, caso este se decida mesmo a recandidatar!

 

Tem a palavra, José Sócrates e a restante Direcção do PS, para que o concerto possa prosseguir… com bom ritmo e alegrar todos os que gostariam de ver posto fim ao intermezzo que Baptista-Bastos tão a propósito, assinalou:

 

«Soares sentou à mesa do Palácio de Belém o que de melhor havia na literatura portuguesa e europeia. Eanes, com a decência comum ao cavalheiro da aristocracia de província, nunca alardeou as suas amizades intelectuais, mas tinha-as, honrava-as e respeitava as plurais tendências de cada qual. Com discrição e decoro chegou a ajudar alguns e a tentar corrigir injustiças, como no caso de Natália Correia.

Também tivemos sorte, nesta matéria, com Jorge Sampaio. Acaso foi timorato em excesso, quando presidente. Porém, seria incapaz de confundir Thomas Mann com Thomas More. Não era adepto da superstição do consumo, não era frequentado pela ironia, mas emocionava-se com a condição humana.

Cavaco constitui um intermezzo por vezes doloroso, amiudadamente cómico, e sempre torturante: não é homem animado pelas apoquentações do espírito. E se nunca está à vontade num ajuntamento, quase entra em pânico num grupo de pessoas medianamente letradas. (…)

Um presidente de recursos culturais escassos, medíocres e insistentes, não só banaliza a função como causa a zombaria. (em Diário de Notícias sendo meus, os sublinhados).

 

AFLIÇÕES, DESORIENTAÇÕES E CONDECORAÇÕES…

...e novidades no Governo-sombra de Belém

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Enquanto Manuel Alegre continua o seu percurso a caminho da candidatura presidencial, cada vez mais irreversível (mas disso me ocuparei em próximo texto), dos lados do inquilino do Palácio de Belém a desorientação aflita que aparentemente o tolhe, deu sinais nos últimos dias de se agravar.

 

Cavaco exige o direito à cabala

 

Primeiro, foi o inesperado e incompreensível artigo de Fernando Lima – que assim faz jus ao “título” de personalidade do ano de 2009, que aqui lhe atribui - publicado no Expresso… Neste “A minha verdade”, Lima acaba por fazer o mesmo que Cavaco fez quando tarde e a más horas, resolveu falar sobre a inventona das “escutas a Belém”… apenas depois de o Diário de Notícias divulgar o célebre mail entre dois jornalistas (de Luciano Alvarez, para Tolentino de Nóbrega) do Público, onde a marosca presidencial, era posta a descoberto!

 

O artigo foi já amplamente esmiuçado por vários analistas, comentadores e pela blogosfera na sua generalidade, pelo que apenas vou deixar sobre o mesmo uma conclusão que retiro e duas questões, cujas respostas me parecem essenciais, mas julgo nunca as iremos ouvir nem da boca do alegado autor (Fernando Lima), nem do seu putativo mentor (Cavaco Silva):

 

 

 

A conclusão que me parece ressaltar do artigo é que esta é uma “verdade” que enche de dúvidas todos os leitores que tenham memória e sejam minimamente atentos. Vejamos: de acordo com a “verdade” que Lima tenta induzir no leitor, o caso não passou de uma cabala montada por alguém, que não nomeia (mas que só podem ser os protagonistas do Público e do D.N.), com vistas a criarem engulhos ao Presidente da República. Isto, sem no entanto nunca desmentir expressamente os cafezinhos que terá tomado com o jornalista do Público onde a intriga, ao que sabe, foi urdida e omitindo por completo alguns dos episódios conhecidos que contrariam em absoluto a credibilidade desta “versão Limiana” da história, como sejam o facto de no dia a seguir à capa do Público que segundo Lima desencadeou o caso, o mesmo jornal esclarecer que as dúvidas em Belém remontavam já a… Abril de 2008! Seria difícil a Lima comentar este facto e manter que tudo se devera a um mero desabafo em Agosto de… 2009! Como omitiu também o facto de num primeiro momento o público ter alegado a falsidade do mail divulgado pelo D.N., para depois, ter concluído pela veracidade do mesmo e dando a conhecer que em inquérito interno se apurara que o seu conteúdo teria sido fornecido a alguém do D.N., em “papel”, por alguém do interior do próprio Público. Fernando Lima, “esqueceu-se” ainda que o próprio José Manuel Fernandes – então Director do Público – escreveu e publicou, ter ele próprio obtido confirmação e autorização para divulgar, sobre as suspeitas das escutas, junto de alguém da Casa Civil do P.R.! Por último, Lima também não refere que o próprio Luciano Alvarez escreve no mail que dirigiu ao seu colega da Madeira, que o nome do P.R. fora referido expressamente pelo seu companheiro dos cafezinhos conspiratvos… São demasiadas omissões para se dar algum crédito à versão Limiana…

 

Quanto às questões que julgo essenciais, a primeira é – a que muitos colocaram desde sábado passado – porque esperou tanto tempo Fernando Lima, para vir falar sobre o assunto? Proponho ao leitor que esqueça por instantes a forma atabalhoada e as omissões que destroem por completo a possível veracidade desta “verdade Limiana”. Mesmo assim, teríamos alguém a ocupar um alto cargo na presidência que se teria visto enredado numa tenebrosa urdidura montada senão por, pelo menos com, a conivência de um “perigoso anti-cavaquista” (!!!) como é José Manuel Fernandes… e que se manteve calado durante meses. Apesar de ter tido pelo menos uma soberana ocasião para contar a sua versão verdadeira (já lá irei…). Ao contrário do que qualquer pessoa de bem faria, se acusada injustamente de algo, Lima não se defendeu durante meses e com esse silêncio permitiu que o caso se entranhasse na opinião pública, fazendo derrocar a popularidade do seu chefe e tendo provavelmente efeitos directos nos resultados eleitorais… Dificilmente se perceberá agora o silêncio de Lima, quando interrogado a propósito pelo Conselho Deontológico do Sindicato de Jornalistas (a tal ocasião soberana que referi atrás). Recordemos a pergunta do CDSJ:

 

Num primeiro momento: “— A acção que lhe é atribuída quer no caso da Madeira em 2008 quer no de Agosto passado não foi por si desmentida. Também não desmentiu Francisco Louçã, que lhe atribuiu essa autoria em 9 de Setembro passado. Depreende-se, pois, a sua autoria. Confirma-o?

 

— Foi movido por interesse pessoal e/ou partidário ou, pelo contrário, mantém que agiu em nome do Presidente da República?

 

— É evidente que não lhe compete velar pela qualidade e princípios do jornalismo. Todavia, não considera que todo este caso, o de forjar notícias a partir da Madeira, como a ele se referiu Alberto João Jardim, é, além do seu melindre e gravidade, um claro atentado à função social do jornalismo, incompatível com a função por si exercida e na qualidade em que se pronunciou?” (em Parecer do CDSJ)

 

No seu parecer, o CDSJ dá a conhecer a extraordinária resposta de Lima: “O Conselho Deontológico recebeu do assessor do Presidente da República uma resposta, na qual se limita a comunicar que tem a carteira profissional de jornalista suspensa desde 27 de Março de 2006. Junta fotocópia da declaração da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, a qual comprova o depósito da carteira, de que Fernando Lima é titular, «por se encontrar a exercer actividade incompatível com a profissão de jornalista»”. Continuando-se a ler o referido Parecer (cuja leitura integral dá aliás um historial completo de todo o tema): “Em 30 de Outubro de 2009, o Conselho Deontológico voltou a endereçar uma carta ao assessor do Presidente da República. A incompatibilidade de funções era pública e conhecida. Não se pretendia ouvi-lo como jornalista, mas sim enquanto fonte, procedimento que seguimos em outros casos. Mas não respondeu.”. Isto é, no âmbito desta averiguação, Lima teve duas hipóteses de contar a “sua verdade”. Na primeira, limitou-a ao facto de… já não ser jornalista! E na segunda… calou-se! Porquê? Mistério? Parece-me claro, que não!

 

A segunda pergunta, deveria ser respondida por Cavaco: sendo esta a verdade dos factos, porque raio deu a entender perante a opinião pública, que iria “punir” Lima, retirando-o de imediato das funções que ocupava (apesar de o país só o saber através da observação do seu “desaparecimento” da estrutura organizativa, publicada na página oficial da Presidência… Ah! Mas a isto, Cavaco já “respondeu” na sua não menos atabalhoada abordagem do assunto, dizendo na altura que “Mas o e-mail publicado deixava a dúvida na opinião pública sobre se teria sido violada uma regra básica que vigora na Presidência da República: ninguém está autorizado a falar em nome do Presidente da República, a não ser os seus chefes da Casa Civil e da Casa Militar. E embora me tenha sido garantido que tal não aconteceu, eu não podia deixar que a dúvida permanecesse. Foi por isso, e só por isso, que procedi a alterações na minha Casa Civil.” Reformulo pois esta segunda questão: então, não seria mais lógico ter sido esta “verdade” esclarecida de imediato ao país!?... Acho que ainda vamos ouvir que as mudanças nos serviços se deveram a uma mera… reestruturação!

 

A má moeda… condecorada

 

Outro dos sinais da aflita desorientação de Cavaco, é o facto de hoje mesmo, ser condecorado… Santana Lopes!!! Sim, o ex-primeiro ministro que Cavaco “ajudou” a ser demitido com o célebre e corrosivo artigo da “má moeda”, o homem que conseguiu ocupar a cadeira de S. Bento (por escassos 4 meses, mas verdadeiramente marcantes, pelos casos anedotários) em democracia, sem ter sido eleito, o homem que ia arruinando financeira e economicamente, Lisboa… o “menino-guerreiro” capaz do pior mau-gosto na utilização de metáforas como a do bebé sovado na incubadora e no ultraje da memória de Sá Carneiro, com constantes insinuações sobre a titularidade da sua herança política… transforma-se assim em medalhado pela República!

 

A preocupação de Cavaco em fazer o pleno do eleitorado da direita, que mais sapos o farão engolir? Aguardemos, com um “alegre fantasma” a pairar sobre as decisões que Cavaco tome no futuro próximo…

 

Há outras interpretações para as reais motivações que levam Cavaco a dar a medalhinha a Santana, como a que João Marcelino: «Com esta medalha, que já teve três anos para atribuir (se quisesse parecer antes tão isento, tão isento, que até consegue atribuir medalhas a pessoas que não aprecia em termos de acção política), o Presidente da República coloca--se no centro da polémica no PSD. Parece querer indicar um caminho, uma preferência, ou no mínimo condicionar as condições em que se fará a sucessão de Manuela Ferreira Leite.» (em Diário de Notícias). Não encontrei ainda uma que seja favorável nem ao que dá, nem ao que recebe a medalha!

 

O que parece irrefutável, é que quer no caso da “verdade Limiana”, quer no da “condecoração da má moeda”, um traço comum surge de forma evidente: Cavaco e os seus homens continuam a revelar-se tão maus a “gerir” o timing político como o são quando decidem botar faladura seja sobre o que for… agora que inquéritos de popularidade davam sinais de a memória colectiva ser tão curta que parecia já esbater-se o efeito das “escutas”, Lima trouxe-o de novo para a agenda. E quando Cavaco precisava como de pão para a boca, de aparentar (pelo menos) algum distanciamento do “seu” PSD, com esta condecoração atira-se de cabeça para o centro da luta de galos laranja… E o “alegre fantasma” lá continua, pelo vistos, disponível para tudo poder vir a “assombrar”!

 

O governo-sombra de Belém

 

Ainda a propósito da medalha de Santana, retomo aqui a ideia que expressei há dias sobre a possível constituição de um governo-sombra a partir de Belém

 

E confesso que cometi um erro que agora corrijo: escrevi então dando a entender que João Salgueiro poderia ser o PM-sombra desse governo. Não! Sendo tanta a vontade de Cavaco em governar a partir da sua cadeira presidencial, o PM-sombra será ele mesmo!

 

Até agora, podemos já adivinhar alguns dos seus ministros-sombra:

 

- Ministro (sombra) da Economia – João Salgueiro.

- Ministro (sombra) de … “qualquer-coisa-que-garanta-as-mordomias-do-poder-pois-o-homem-já-mostrou-que-é-pau-para-toda-a-obra”, mas ok, pode ser dos assuntos parlamentares – Santana Lopes.

- Ministro (sombra) da Administração Interna e da Comunicação Social (dado o seu pendor para tratar com a imprensa e para assuntos que envolvam as “secretas”)  - Fernando Lima. Nota: que diabo! 25 anos de serviço dedicado, não fazem o homem merecer a nomeação!? Ainda por cima, foram 25 anos a servir, na “sombra”… de Cavaco.

- Ministro (sombra) da Justiça – João Palma. Nota: esse mesmo, caro leitor: o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, que Cavaco se aprestou a receber em Belém, para apresentar as suas queixas, as quais em respeito pelas hierarquias institucionais, deveriam ter sido apresentadas ao Procurador-Geral da República…

 

Vou continuar a acompanhar a formação deste governo-sombra e dele aqui darei conta logo que existam novos “nomeados”.

 

UM ZEZÉ C(romo)ARINHA A ENSINAR INGLÊS!?

Estes publicitários devem estar loucos... 


Volta e meia, tenho aqui falado de “cromos”... para aliviar do stress dos temas da actualidade política.

 

O cromo de que falo hoje, já passara à história, pensava eu... Puro engano, que o marketing tem mistérios insondáveis!

 

Então não é que uma escola de Inglês com tradições, a Wall Street Institute, está a lançar uma campanha de promoção, com base na figura de... Zezé Camarinha!? [L]

 

 

E a coisa quer-se completa: outdoor’s, publicidade nas máquinas Multibanco, Twitter, Facebook, vídeo no Youtube, um site próprio (!!!) – onde se podem descarregar toques de telemóvel e wallpapers do cromo (!!!)  - e, claro, a página oficial da escola, com profusa difusão da campanha...

 

 

A campanha é algo semelhante a porem o dono da roullotte “bifanas & couratos sempre quentes”, a promover um restaurante de haute cuisine...

 

A última vez que ouvi falar do Zezé, foi recentemente (e agora percebo porquê, pois estava a ser preparado o lançamento da campanha...) e logo na companhia de outro cromo da nossa praça:

 

«'Conheci o Zezé há pouco tempo. Tinha uma péssima impressão dele, ou melhor, da imagem que passavam dele, do gigolô, do homem que se aproveita das mulheres, mas ele falou comigo e disse que era precisamente o contrário', revela à Vidas Lili Caneças. (...) 'é um gentleman. Até já trocamos SMS e falamos às cinco da manhã. (...) só posso dizer que é um senhor' (...) [e Zezé retribuía os elogios] 'Ela gosta muito e responde. Somos amigos. Além de linda e elegante, é uma mulher muito afável. É realmente uma pessoa com muita imaginação, supereducada, inteligente. Tem tudo o que é de bom.'» (em Vidas, revista do “social” do Correio da Manhã).

 

Deixo aqui a minha modesta ajuda à campanha da W.S.I., reproduzindo algumas das imagens com que seremos confrontados quando formos levantar dinheiro à máquina... e recordando algumas das frases numa coisa parecida à língua da velha Albion, que popularizaram o cromo agora promovido a vedeta. Na certeza porém de que quando quiser aperfeiçoar o meu British, vou procurar outras paragens!

 

Deixo ainda o vídeo do making off, que se encontra no Youtube. Ao vê-lo, penso se terá o Zezé utilizado a velha fórmula de infância que o revelou em 2000 à TVI: «Quando era miúdo a minha mãe que era cozinheira num restaurante aqui da Praia de Portimão, dava-me óleo de fritar o peixe, depois bronzeava-me com ele»...

 

 

Cada vez mais, olhando as fotos do cromo na campanha, percebo as razões que levaram o Ricardo Araújo Pereira a escrever a tal crónica que tanto ofendeu o Zezé, ao ponto de accionar um processo contra o “Fedorento” autor... e só me arrisco a escrever estas linhas, porque o Juiz que avaliou a intenção do cromo, mandou arquivar a intenção de processo, em defesa do direito à opinião do humorista...

 

Por isso, Zezé, não tenhas ideias aqui com o xadrezismo, ok? Camone man, take it in a good one and don't chateate yourself... peace and love! Salvo seja…

 

QUERELAS ESTRATÉGICAS

Salgueiro em Belém, uma visita insólita?


«O Presidente da República recebeu Dr. João Salgueiro»

 

Este é o título que na página oficial da Presidência da República, anuncia a insólita visita que João Salgueiro fez ao seu amigo Cavaco, no local de trabalho deste último. Mas o insólito aumenta, quando se lê o texto que se segue ao título... é que onde se poderia esperar encontrar o motivo da audiência, ou o habitual comunicado presidencial acerca da mesma, apenas consta... a mesma frase que serve de título, acrescentada de um lacónico “em audiência”: «O Presidente da República recebeu, em audiência, o Dr. João Salgueiro»!!! Ficamos pois a saber que Salgueiro não terá apenas passado por Belém para abraçar o velho amigo, nem sequer para tomar um chazinho, agora que cessou funções de “patrão” dos Banqueiros, tendo por isso mais tempo livre.

 

Também por lá estão duas fotos (uma das quais, reproduzo abaixo).

 

 

 

E o mistério instala-se: a que propósito recebeu Cavaco este cidadão? Será que qualquer economista que o pretenda, é recebido em audiência pelo Presidente da República? Mas a insólita situação perceber-se-ia rapidamente. À saída, o visitante prestou declarações à imprensa. E o único sentido das mesmas foi zurzir forte e feio no Governo e nas opções políticas e económicas do mesmo:

 

«“Eu não gostaria, se tivesse uma doença grave, que o meu médico me enganasse. A primeira coisa é que me diga exactamente o que eu tenho, e eu acho que ainda não se está a fazer isso (…) Quando [o Primeiro-ministro] diz que já estamos recuperar e vamos ter  um desempenho melhor que a Europa, isso não tem fundamento”, diz João Salgueiro.

 

O Primeiro-ministro considera que o país se deve centrar no crescimento económico, no entanto, o antigo responsável da APB considera que prioridade deve ser outra.

 

“Não vamos conseguir crescer sem corrigir alguns desequilíbrios”, afirma João Salgueiro, que defende a correcção do défice das contas públicas e “fazer tudo para reduzir a despesa”.»  (em Rádio Renascença)

 

E... desvanece-se o mistério: até agora Cavaco tentara liderar a oposição, através da líder do seu P”SD” e de manobras de bastidores como a da inventona das “notícias" acerca das escutas dos “espiões” do Governo, a Belém. Ambas as  estratégias, revelaram-se autênticos desastres, em grande medida pelo pouco jeito para a coisa, revelado pelos “peões” do Presidente: Ferreira Leite está pouco mais do que politicamente moribunda, depois da sova eleitoral que recebeu e Fernando Lima, recebeu a promoção pelos trabalhos prestados e encontra-se numa espécie de banho-maria, a ver se a populaça se esquece do que fez... uma e outro, são pois cartas fora do baralho de Cavaco, que resolveu inovar: poucos dias depois de exprimir ao país as suas preocupações com a crise e os seus efeitos e de apelar ao fim das “querelas partidárias” (tentando recolher para si os louros de um acordo entre PS e P”SD” que já se sabe nesta altura, que já ia adiantado na altura da sua mensagem de Ano Novo...), Cavaco apresenta novo “peão" em Belém para papaguear por si as “querelas estratégicas” que se sucederam à anterior cooperação que propalava!

 

A não ser que o grau de inovação a que Cavaco se propôs, seja ainda maior e o presidente tenha dado hoje posse ao chefe de um Governo-sombra, lançado a partir de Belém...

 

Em qualquer dos casos, Manuel alegre deverá estar agradecido por mais esta preciosa “ajuda” que Cavaco deu, à sua cada vez mais urgente candidatura...

 

As críticas de Salgueiro, ao  “discurso cor de rosa”,  podem ser ouvidas aqui.

 

O QUE FEZ PINTO DA COSTA MUDAR A AGULHA?

Erro de avaliação anterior ou puro desespero?


" (...) ao contrário do que alguns dão a entender, o grande adversário do FC Porto no campeonato é o Braga e não o Benfica. É o Braga que está na frente, e não se pode subestimar um líder que conta sete vitórias em sete jogos realizados." (Pinto da Costa, em declarações a O Jogo, em Outubro de 2009).

 

As declarações que reproduzo acima de Pinto da Costa, foram proferidas em princípios de Outubro passado, foram proferidas após as 7 primeiras jornadas do actual campeonato.

 

O F.C.Porto, seguia a 5 pontos do líder, o Sporting de Braga (com quem já perdera) e a 3 do Benfica.

 

Decorridas mais 7 jornadas, o F.C. Porto, recuperou um ponto ao Sporting de Braga (que continua líder) e perdeu outro para o Benfica (que continua a ser 2º, agora com os mesmos pontos do líder, depois de ter igualmente derrotado o Porto). Não se percebe pois, à primeira vista, o que terá feito Pinto da Costa, mudar de opinião. Mas parece que mudou mesmo! Caso contrário, como explicar o violentíssimo ataque que o Presidente portista fez ao S.L.Benfica, por ocasião do aniversário da morte de José Maria Pedroto?

 

 

 

Vir falar em “roubos de catedral”, mantém o nível do presidente do Porto no baixo nível que sempre o caracterizou. E não branqueia o passado recente (das últimas duas décadas e meia, pelo menos) de suspeição, que rodeia alguns dos êxitos do F.C.Porto e do seu Presidente...

 

Mas reconheço que terá sido a forma (que Pinto da Costa achou) mais adequada, para recordar a memória daquele que foi o seu principal ajudante na estúpida (mas eficaz) estratégia de afirmação do F.C.Porto, que se traduziu numa guerra Norte/Sul totalmente despropositada.Tivessem os méritos de Pedroto como treinador, ido mais além do que este simples papel de "peão de brega" do arrivismo, e poder-se-ia achar que a evocação da sua memória merecesse mais do que aquilo que Pinto da Costa lhe deu. Infelizmente, não me parece que merecesse.

 

O facto de o Presidente portista se ter pura e simplesmente enganado, quando fez a sua avaliação de Outubro, ou de a actual alteração das suas preocupações residir apenas num qualquer desespero que dele se tenha apoderado, com o 3º lugar que não consegue abandonar, é um pouco irrelevante, para mim.

 

Continuarei a assistir às provocações do Presidente portista, com alguma indiferença, tendo a certeza porém de que as mesmas significam apenas que a esperança dos Benfiquistas terá maior razão de ser, de cada vez que Pinto da Costa regurgita uma delas. Aguardo pois pelo próxima “apreciação” de Pinto da Costa, talvez lá para a jornada 21, (altura em que curiosamente o F.C.Porto se desloca a Alvalade...)? Até lá, o Benfica sim, tem cada vez mais razões para se preocupar com... o Sporting de Braga e só depois, olhar para trás e verificar se ainda lá está o F.C.Porto...

 

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UM GURONSAN COM TELHADOS DE VIDRO

Ainda a propósito da mensagem de Ano novo presidencial


Cavaco, como é tradição, dirigiu aos portugueses a habitual mensagem de Ano novo.

 

Como é também tradicional sempre que fala um Presidente da República, nos dias seguintes multiplicam-se as análises, críticas e opiniões mais diversas sobre as palavras presidenciais.

 

Trago aqui aquela que considero ser a crónica mais feliz sobre esta mensagem que Cavaco deixou para 2010. Ricardo Araújo Pereira não necessitou de ir pegar na “corda” da “situação explosiva” que tanta tinta fez gastar à maioria dos nossos cronistas. Bastou-lhe lembrar o papel de «Guronsan de Portugal» que Cavaco normalmente acaba por assumir (terá que ler a crónica do RAP para entender o sentido, caro leitor), para rematar com uma desmontagem simples das “preocupações” presidenciais, recorrendo à ”personalidade” de 2009 “eleita” por mim há uns dias. Simples e brilhante, RAP...

 

A propósito de uma das afirmações de Cavaco, na sua mensagem, acerca da compreensão dos portugueses para com “os líderes políticos”: «os portugueses compreenderiam mal que os diversos líderes políticos não se concentrassem na resolução dos problemas das pessoas», diz então o RAP:

 

«Imagine o leitor que determinado político, em lugar de se concentrar na resolução dos problemas das pessoas, se entretinha a promover uma intriga de espionagem, com a colocação de notícias nos jornais, entradas e saídas de assessores em cargos da Casa Civil e perturbação do resultado das eleições. Que diriam desse político os portugueses? Não sei bem. Mas não é muito provável que quisessem dar-lhe ouvidos no dia de ano novo.» (por Ricardo Araújo Pereira, em crónica intitulada Feliz 'annus horribilis', Portugal, publicada na Visão)


NUDISMO NO QUINTAL DO PRIMEIRO MINISTRO!!! (actualizado)

E se fosse hoje?


“Nasceu” ontem um novo blogue colectivo, que promete.

 

Trata-se do Albergue Espanhol. Conotado como sendo de direita, dados alguns dos nomes que integra neste seu arranque, antevê-se qualidade e seriedade nos escritos.

 

Seguí-lo-ei com alguma atenção, pois escreverá ali gente a que reputo uma honestidade intelectual a toda a prova, independentemente das preferências ideológicas estarem longe das minhas na maioria dos casos.

 

Pedro Múrias, estreou-se no Albergue, com uma espécie de declaração de interesses muito sui generis. Desde logo, pela evocação da memória de seu pai, Manuel Beça Múrias, um dos Jornalistas que ficará para sempre na história da comunicação social em Portugal. Depois porque evoca um episódio real desconhecido, penso, até hoje da maioria do grande público. E fá-lo projectando no momento presente a repetição do mesmo e os efeitos que causaria, com ironia e imaginação. Pelo meio, com subtil mordacidade, uma crítica a alguns comportamentos da sua classe profissional...

 

Reproduzo na íntegra este “Processo nádega oculta” de Pedro Múrias e permitir-me-ei a uma ousadia posterior, pela qual desde já apresento ao autor o meu pedido de desculpas...

 

Processo nádega oculta

(a apresentação de Pedro Múrias, no Albergue Espanhol)

 

 

«A maior parte dos meus colegas de "Blog" não me conhece.

 

Assim sendo, passo a descrever-me, na esperança de que corram comigo do "Albergue" à paulada, e me poupem à trabalheira de escrever aqui todos os dias. É que estou de "baixa", e adoro estar de "baixa". E daqui vou transitar para o "subsídio de desemprego", o que ainda me vai dar mais um bons cem euros por mês.

 

Bem, por isso, para que a boa vida continue, aqui vai uma pista sobre o meu passado:

 

Sou o único jornalista português - vivo - que já esteve todo nu no quintal de um Primeiro-Ministro (o outro jornalista que poderia reclamar o mesmo feito, era o meu pai, Manuel Beça Múrias, falecido em 1987).

 

Refiro-me ao então chefe do governo, e mais tarde Presidente da República, Dr. Mário Soares.

 

Nunca fiz reportagens no Iraque, usando coletes do Coronel Tapioca. Nunca fui convidado da SIC Notícias, TVI24 ou RTP N para fazer os comentários às primeiras páginas dos jornais. Nunca fui ao programa Clube de Jornalistas falar da profissão. Não sou comentador político e de futebol ao mesmo tempo. Não pertenço a nenhuma tertúlia de má língua produzida pelas Produções Fictícias ou outras empresa de conteúdos (mas tenho pena porque devem pagar bem!), e já não vou ao bar SNOB cheirar aquela carpete perfumada por anos de angústia, má língua, tabaco e Jameson, desde o dia do primeiro concerto dos Rolling Stones, em Alvalade.

 

Mas já estive todo nu na casa da Praia do Vau e as minhas cuecas estiveram por segundos em cima tejadilho do mítico Renault 16 vermelho de Mário Soares. As cuecas do meu pai, que por acaso eram minhas, pois ele tinha esse péssimo hábito de me gamar roupa interior do cesto de roupa para engomar, decoraram por igual espaço de tempo, o igualmente mítico Citroen CX Prestige, estacionado ao lado.

 

Vínhamos da Praia, onde demos um longo passeio quase até à Meia-Praia com Mário Soares (atenção General Ramalho Eanes, o seu nome foi falado algumas vezes!), e trocámos de roupa à pressa para continuarmos o nosso trabalho já em casa do ex-PM e ex-PR.

 

Outros tempos, dizem bem, os meus amigos e outros ressabiados e saudosistas como eu.

 

Bem, mas imagino o que seria hoje estar nu no quintal de José Sócrates. No mínimo mais um processo, o processo Nádega Oculta, nascido depois de uma escuta ao actual PM, gravada por um magistrado de Aveiro, onde Sócrates, alegadamente (importante não esquecer de escrever alegadamente) diria a Armando Vara:

 

 - Vê lá tu que tenho dois jornalistas nus na garagem cá de casa!»

 

E lá vai o meu atrevimento: acredito que Pedro Múrias não terá terminado o seu texto, talvez de forma propositada, para estimular a imaginação de cada leitor relativamente a este eventual “processo nádega oculta”. Se não foi esta a intenção do autor, a mim estimulou-me a pouca imaginação que tenho! Ao ponto de antever mais efeitos da ocorrência descrita:

 

Imagino:

 

- A 1ª página do Sol, com um título a toda a largura com fonte tamanho XXL: “NÁDEGA OCULTA: DESCOBERTOS DOCUMENTOS QUE COMPROMETEM JOSÉ SÓCRATES”. Mais abaixo, em fonte menor (XL): “ENCONTRADOS EM MOITAS DOS JARDINS DE S. BENTO

 

- O regresso de Manuela Moura Guedes às pantalhas televisivas, com a abertura de um serviço noticioso a ser dedicada ao assunto: “A TVI sabe que José Sócrates tem o hábito de promover reuniões com jornalistas nus. Uma fonte próxima do primeiro ministro garantiu-nos que o método faz parte da estratégia de Sócrates de intimidação dos jornalistas. Temos um DVD que comprova várias destas reuniões secretas, com imagens verdadeiramente chocantes que passaremos mais à frente neste serviço noticioso. Tivemos acesso ao processo e sabemos que vários Ministros deste Governo constam do mesmo como alegados cúmplices desta estratégia. Revelaremos também hoje, novos dados: temos uma escuta de um telefonema onde um assessor de um ex-subsecretário de Estado, incita um jornalista a cometer o crime da prática de nudismo fora de uma das praias onde o mesmo é permitido! De imediato, vamos ouvir o depoimento de um sobrinho, por afinidade, do primeiro ministro, ex-aluno da Casa Pia, que estudou Direito ambiental na Universidade Independente e que é empregado de mesa num dos restaurantes do Freeport, onde Armando Vara já foi visto várias vezes a almoçar... robalo assado, que nos faz revelações bombásticas acerca desta tendência que o tio tem, para condicionar as pessoas com quem se reúne, levando-as a despirem-se...

 

- os partidos da oposição parlamentar, a exigirem de imediato, a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, tendente a apurar o que faziam dois jornalistas nus nos jardins de José Sócrates. Os deputados proponentes pretenderiam ouvir, entre outros, os próprios fabricantes das cuecas dos jornalistas.

 

- Cavaco Silva, instado a pronunciar-se sobre o caso, a declarar que “como sabem, o presidente da república não deve emitir opiniões sobre essa matéria, que é da exclusiva competência da Justiça” para prosseguir de imediato “a minha atenção está nas preocupações com a possibilidade de o crescimento económico ser prejudicado, de o endividamento externo ser agravado, de o desemprego aumentar, se as pessoas começarem a habituar-se a não usar roupa nas reuniões com o governo! E essas são as verdadeiras preocupações dos portugueses e tudo farei para evitar que hajam consequências para o país, resultantes de alguma conduta menos própria de qualquer entidade pública! Mas como disse, do caso não devo falar, pelo que jamais ouvirão algum comentário meu sobre o assunto!”.

 

- Enquanto isso, Fernando Lima,  o conselheiro-que-Cavaco-deixou-pensar-se-que-teria-sido-demitido-enquanto-lhe-preparava-a-promoção, esgotava o stock de café de uma conhecida pastelaria da Av. de Roma, desmultiplicando-se em encontros conspirativos com jornalistas "amigos", a quem tentava convencer de que o caso nádega oculta era uma forma de Sócrates conseguir que enquanto os jornalistas se encontravam despojados das suas roupas intímas,alguns assessores do PM dissimulassem nas suas cuecas, potentes microfones, permitirindo assim que o PM escutasse as conversas em off, que Cavaco tivesse quando esses mesmos  jornalistas o fossem entrevistar...

 

- Manuela Ferreira Leite, a garantir aos portugueses que, “fosse eu primeira ministra, este episódio seria impossível de acontecer!” explicando de um fôlego com um ar algo contristado: ”Alguém imaginará um jornalista com vontade de se despir à minha frente!?

 

- Jerónimo Sousa, a dizer que “as políticas de direita deste governo, conduzem a estas situações. E é contra as políticas de direita deste governo e do PS, que o PCP se bate e continuará a bater.”.

 

- Francisco Louçã, a afirmar com veemência “a frontal e total abertura do Bloco, face à evolução dos hábitos e costumes dos portugueses, sem deixarmos de estar atentos a todas as envolventes que possam rodear o assunto e que a investigação judicial em curso deverá apurar.”.

 

- Paulo Portas, a pronunciar-se em defesa dos “valores das famílias dos jornalistas envolvidos no caso” para de imediato lembrar que “se a reunião fosse com representantes da lavoura, esta situação não aconteceria! Os agricultores, estão habituados a proteger os seus tomates e restantes produtos hortícolas das agruras atmosféricas, pelo que nunca despiriam as cuecas em qualquer espaço exterior, ‘tá a ver?”.

 

- Os comentários de Santana Lopes e os textos que publicaria na imprensa e no seu blogue, lembrando qiue "mais uma vez tive razão antes de tempo, mas ninguém me quis ouvir... quando há mais ou menos 5 anos, na campanha eleitoral, levantei dúvidas sobre as orientações sexuais do meu opositor! Homens nus a conviverem no jardim!? Mas está tudo doido? Quer dizer, no meu tempo, não me lembro de lá ter andado alguém nu... a não ser... duas amigas minhas de Cascais... já com algumas rugas... mas isso agora não vem ao caso! E é completamente diferente! Foi até um gesto de caridade da minha parte!"

 

- Medina Carreira, virando-se para Mário Crespo, a dizer que "isto é uma palhaçada! Então os tipos vão ao PM com uns boxer's feitos na China!? Assim o país vai para o abismo!!!",  ou então: "o que é que interessa as cuecas serem feita em Vila do Conde? Então toda a gente não sabe já que a industria têxtil está falida e que o país caminha para o abismo!? Isto é uma palhaçada!", conforme a origem das cuecas dos jornalistas...

 

- O Arquitecto Saraiva, director do Sol, a denunciar que "alguém próximo de Sócrates o ameaçara uma vez de não lhe devolver as cuecas caso não prometesse que punha a Felícia Cabrita a investigar os mistérios da migração das andorinhas, em vez de passar o tempo em conversas com procuradores do MP e investigadores da PJ para obter mais fugas de informação de outros processos incómodos para o PM" Saraiva concluiria de seguida que "na altura até me pareceu agradável a proposta, pois só em despesas de representação, em jantares nos melhores restaurantes de Lisboa, a coisa saía-me cara. Especialmente depois de o desastrado Lima ter "queimado"  aquela pastelaria da Av. de Roma, que nos ficava tão em conta, para estes contactos!".

 

- José Castelo Branco, a prestar declarações à Lux: “Quero lá saber disso! Que horror! Ainda por cima, as pirosas vestiam boxer’s Chiavano! Eu é que lá hei-de ir a S. Bento e com umas cuequinhas Versace de renda, fio dental, que a minha Lady me ofereceu! E verão o sucesso... mesmo sem as despir! Huuuu!!!!”.

 

- E por fim, passadas 3 ou 4 semanas de o caso vir a público, saber-se que afinal não fora nos jardins de S. Bento que acontecera o caso, mas sim num jardim público ao lado do muro do Palácio. E que Sócrates não estivera lá, nem sequer qualquer jornalista... tratara-se apenas de dois rapazolas embriagados que decidiram aliviar as bexigas de encontro a duas árvores!

 

Após esta divagação, deixo os votos de longa vida a este novo Blogue! Que, acredito, citarei aqui com alguma frequência.   

PORTUGAL JÁ É O Nº 2 MUNDIAL NA ENERGIA EÓLICA

Meta prevista para final de 2010 já quase atingida


 

As energias renováveis já por mim foram destacadas aqui e aqui. E hoje faço-o de novo, pois conhecem-se agora os números de 2009, que nos levam do 3º para o 2º lugar mundial, na taxa de cobertura de energias renováveis consumidas!

 

A Espanha foi já ultrapassada e apenas a Dinamarca conseguiu em 2009 melhores resultados que Portugal.

 

«Por cada 100 Watt de electricidade consumidos no ano passado nos lares portugueses, 15,03 Watt vieram do vento, um valor que eleva o país do terceiro para o segundo lugar mundial no contributo de energia eólica, atrás da Dinamarca e agora à frente da Espanha. (…) Em Espanha, segundo os dados da Red Electrica, a energia eólica cobriu 14,3 por cento da procura. Passou de segundo para terceiro lugar, em termos mundiais (…) Na Dinamarca, a eólica pesa mais de 20 por cento.» (em Público)

 

Boa notícia com reflexos directos nas nossas contas externas, dada a redução das importações de combustíveis que daqui poderão decorrer. Sabendo-se o peso assinalável dos mesmos, no total das nossas importações (recordo que num texto recente, aqui referi o estudo que o Professor Carlos Santos trouxe a público), a aposta neste sector continua a revelar-se absolutamente certa e ganhadora. Veremos quem a louva e quem a vai tentar desvalorizar…


“JUIZ DE AVEIRO” DÁ O DITO POR NÃO DITO

Prometia tudo esclarecer, mas afinal… não pode!!!


Já há muito me habituei a colocar todas as reservas às parangonas que o Sol escolhe para manchetes de 1ª página… Mas reconheço que desta vez, pelo menos na aparência, o flop não será responsabilidade do jornal. A não ser na credibilidade que foi dada ao protagonista em causa, que talvez não a mereça.

 

Vejamos: na sua última edição, o destaque ia por inteiro para o juiz que a imprensa convencionou designar por “juiz de Aveiro”, como se o homem não tivesse nome (António Gomes, para que conste) a quem está cometida a instrução do chamado ”caso face oculta”.

 

Lia-se no corpo da notícia, o conteúdo parcial de um mail onde o Juiz respondia a uma pergunta do Sol, que estava «disponível para fornecer ao Conselho [Superior de Magistratura] todas as informações necessárias ao esclarecimento completo e rigoroso da opinião pública». Isto a propósito da pergunta do Sol, sobre se as gravações das escutas que envolviam José Sócrates, já foram ou não destruídas.

 

Mas afinal, a disponibilidade do Juiz, redundou em nada… segundo as notícias que ontem e hoje foram conhecidas:

 

«"As questões que existem quanto ao cumprimento da decisão do exmº presidente do Supremo Tribunal de Justiça relativas à 'destruição de escutas' são de ordem meramente processual, as quais não podem ser enunciadas publicamente, neste momento, por estarem a coberto do segredo de justiça." Foi esta a declaração que o magistrado deu ao Conselho.» É caso para dizer, parafraseando uma frase publicitária que ficou célebre: "há coisas fantásticas, não há!?"

 

O que sucedeu entre os 3 ou 4 dias que medeiam as “entradas de leão” e as “saídas de Sendeiro” do Juiz António Gomes (de Aveiro)? É pouco crível que o Sr. Juiz estivesse tão distraído quando escreveu a resposta enviada ao Sol, ao ponto de se ter esquecido daquele “pequeno pormenor” do segredo de justiça! Curioso é também o facto de o Juiz, ao que parece e de acordo com a decisão do Presidente do STJ e do PGR, ter ignorado as regras legais a que se devia sujeitar para “escutar” alguém, mas revelar-se agora um exemplar cumpridor das mesmas, quando se trata de explicar os seus actos! Mais vale tarde, do que nunca, é certo.

 

 

Um Juiz com muitas... contradições

 

Interrogo-me ainda sobre uma questão que, não sendo eu jurista, considero preponderante em toda esta história: um Juiz exorbita das suas funções e por dolo ou mera negligência (incompetência?) viola de forma grosseira as tais regras que devia respeitar no exercício das suas funções. E não há nenhuma punição que o responsabilize por essa actuação!? De que vale então a existência dessas mesmas regras, se assim for? Não passou já demasiado tempo para que a este Juiz tivesse já sido aplicada a respectiva sanção, ou pelo menos, estar já em curso algum tipo de processo tendente a apurar o que levou o magistrado a não cumprir o preceituado legal? Presumo pelo andar da carruagem que ninguém da hierarquia vá agora questionar o Juiz por ter insinuado (através de um jornal) para a opinião pública uma coisa para dias depois fazer o seu contrário.

 

Gostava também de ouvir pronunciar-se sobre estas minhas dúvidas e sobre as contradições deste Juiz, aquele sr. Sindicalista, que em tempos foi a correr “tomar chá” a Belém, a propósito de um certo almoço entre magistrados amigos. Mas acho que desta vez não vou ter sorte nenhuma, pois o tal sr Palma, também deve estar ocupado com outras coisas…

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