Vida Vivida Vivamente
[Edição]
Quando se fala em viver a vida vivamente, importa lembrar que existem pessoas que a querem viver assim mas não o podem fazer, muitas vezes por falta de meios. Este texto, é uma edição ao texto inicial deste post.
Nuno Cabruja, quer ter maior mobilidade mas falta dinheiro para adquirir uma cadeira de rodas.
Assim, peço que leia o post de Poemas sobre este assunto e que leia o blogue do próprio Nuno Cabruja.
Eu irei contribuir.
[Fim de Edição]
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Ontem no blogue A aventura de maris, o seu autor dizia num post que um primo tinha falecido no ano passado, sem nunca aproveitar a vida. Nesse contexto, o autor dizia «…E sempre me disse para eu aproveitar. E acho que ficaria satisfeito por eu ir arriscar algo na minha vida. Deixar o comodismo...». No meu comentário, eu disse que «…E quanto à vida, sem dúvida que a devemos viver ao máximo. Sobretudo, tentar aproveitar todas as pequenas coisas que nos dão prazer na vida. Não é preciso subir montanhas para se aproveitar a vida…». Estive a pensar nisto durante bastante tempo e senti a necessidade de escrever este post.
É costume ouvir a frase: “aproveita a vida ao máximo”. A minha dúvida é o que isso significa em concreto. Existe um máximo ou um mínimo no que respeita ao acto de viver a vida?
“Vive o momento, NOW!”
Num dos bons anúncios da Vodafone, ficámos a saber que a efémera apenas tem um dia de vida. Assim, nesse dia, ela tem que o viver ao máximo e fazer tudo aquilo que nós fazemos durante uma vida. No entanto, com um único dia de vida o que restava à efémera fazer senão aproveitar a sua curta existência e ser feliz?
Nós, com uma esperança média de vida entre 70 a 80 anos poderemos dizer que sempre temos mais tempo para reflectir sobre os nossos actos e sobre a forma como pretendemos viver a vida. Não estamos tão desesperados como a efémera. Por outro lado, a Tartaruga Gigante das ilhas Galápagos vive cerca de 150 anos. Apesar de só comer folhinhas, ainda terá mais tempo sobre o que pretenderá fazer da sua lenta vida.
Quando eu menciono estes tempos de vida quero chegar ao ponto em que todos nós, a certa altura da vida, olhamos para trás e dizemos: “mas o que é que eu fiz em concreto até agora? Não podia ter feito melhor? Será que desperdicei a vida até agora?”. Estes tipos de questões não podem ser respondidas da mesma forma por todos nós. Será sempre uma questão subjectiva. Os meus critérios de objectivos cumpridos, de fracasso ou insatisfação serão sempre diferentes de todas as outras pessoas.
Então, em que é que eu me posso basear para dizer que estou a viver a vida na sua plenitude?
Vamos tentar encontrar um mínimo. Uma pessoa que passa todos os dias em casa sem fazer nada. Será que está a desperdiçar a vida? Se saísse e fosse ao cinema, ao teatro, ter com amigos, passear, andar, navegar, voar, brincar, nadar, não passar tantas horas nos blogues do SOL, gritar “I’m the king of the world!”, estaria assim a viver mais?
Então, qual é o máximo?
Alguém que procura chegar ao topo das 14 montanhas com mais de 8.000m?
Alguém que passa o tempo em inúmeras festas do jet-set?
Alguém que de manhã entra no jacto para ir comer um croissant a Paris. Que aproveita para comprar uns fatinhos Hugo Boss (porque sim). Que dá um pulinho à Suiça para comprar uns chocolates e um Patek Phillipe. Que no regresso é obrigado a saltar de pára-quedas sobre os Alpes Suíços porque se lembrou de ter visto uma vez o Arnold Schwarzenegger a fazer isso. Que para se alimentar - pois estava na hora de almoço – é obrigado a pescar uma truta num rio próximo, através de uma lança construída com um canivete suíço com 72 ferramentas. Que após detectar que o canivete não tem isqueiro, decide comer o peixe cru – afinal, sushi é o seu prato favorito. Que após arrotar à truta, lembra-se do seu telemóvel com ligação satélite e pode assim chamar um helicóptero táxi. Que decide parar no Mónaco para dar um abraço ao Flavio Briatore. Que juntos, seguem para o circuito de San Marino, onde tem a possibilidade de dar umas voltinhas a 300Km/h, já que em Portugal não pode ‘esticar’ o seu BMW McLaren F1 GTR. Que já com a barriga a dar horas, decide voltar para Lisboa, a fim de comer um prego no Galeto, – faz 40 anos de existência - para tirar o sabor da truta. Que se refastela no seu sofá a tentar ler todos os livros sugeridos por Marcelo Rebelo de Sousa. Por fim, dorme as quatro horas da praxe e sonha como irá preencher o seu dia seguinte. É que se ficar em casa pode dar-lhe uma coisinha má.
O que será mais recompensador? Atingir enormes objectivos em poucas vezes – como aquele que sobe aos cumes mais altos – ou atingir pequenos objectivos de forma constante?
Se calhar o máximo seria atingir enormes objectivos de forma contínua. Existe alguém que faça isso?
E o dinheiro? Poderá ser um factor limitativo para se viver a vida? É que para se realizarem ou concretizarem muitos sonhos, é preciso bastante dinheiro. Mas também é uma questão subjectiva. Se o último prémio do Euromilhões fosse repartido por duas pessoas totalmente diferentes, de certeza que o seu destino também seria completamente distinto. Possivelmente, uma das pessoas iria fazer tudo aquilo com que sempre sonhámos e nunca iremos conseguir fazer. A outra, poderia colocar toda no banco a render e até poderia continuar a trabalhar como se nada tivesse acontecido. Esta segunda pessoa, apesar de passar a ter recursos financeiros quase ilimitados seria mais infeliz no gozo da vida em relação à primeira pessoa?
Curiosamente, tenho uma imagem completamente distorcida em relação ao senhor mais rico do mundo. Ele, com meios financeiros para fazer loucuras em todos os minutos da sua vida, transmite-me uma imagem onde eu penso que passa os dias enfiado na sua casa completamente automatizada, a jogar ao Flight Simulator com os seus filhos.
Penso que todos ouviram falar da tragédia que aconteceu este fim-de-semana no Chile, onde morreram seis pessoas por causa da queda de um avião. Quatro dessas vítimas eram portugueses ligados ao jornalismo. Encontravam-se numa viagem com duração prevista de um mês para percorrerem a chamada ‘carretera austral’. Seria uma viagem de sonho ou a viagem das suas vidas. Tratando-se de uma viagem onde é necessário um capital elevado para ser realizada, será que nos meses ou anos anteriores, estes portugueses passaram privações apenas para conseguir realizar uma viagem de sonho? (nota: os pêsames para todos os familiares e amigos destes portugueses que morreram nesse trágico acidente).
A questão é que a vida é imprevisível e ninguém pode prever o amanhã. Será que se vive, quando se passa uma vida de sacrifícios, apenas com o objectivo de realizar um grande sonho? Não seria mais compensador, ir realizando pequenos sonhos de forma regular?
Fará sentido passar uma vida a trabalhar, apenas a pensar no dia da reforma para aí finalmente se gozar a vida? Nem queiram saber a quantidade de roulotes que se vêm no Algarve, com casais na idade pós-reforma. Não sei se antes gozaram a vida, mas que agora a estão a gozar a vida, ai lá isso estão.
Na revista ‘Tabú’ (nº 11, 25/11/2006), li que há vida depois dos 65. Cito «Com 85 anos, Maria Amélia Bravo dançou até às seis da manhã na festa dos 90 anos de uma amiga.». No casamento da neta, estava à volta da tábua dos queijos, eram oito e meia da manhã. GRANDE MULHER! Leiam o artigo que vale a pena.
Se leu na diagonal até aqui, faz favor de voltar atrás e ler melhor. Estou quase a acabar.
A vida tem um poder inebriante que nos faz ser gulosos. Quanto mais a vivemos, mais queremos dela. A questão é: sabemos impor um limite ou sabemos parar em objectivos que conseguimos realizar?
Se não soubermos impor esses limites, arriscamo-nos a passar a vida a sonhar e a invejar todos aqueles que cumprem objectivos superiores aos nossos. A possível consequência directa dessa situação será uma vida amargurada e infeliz.
Aproveito para lançar um lema: “A intensidade com que vives a tua vida é tão boa como outra qualquer.” – pensa assim e sentir-te-ás melhor. Experimenta.
E vocês? Já fizeram essa paragem para olhar para trás e disseram: “Será que desperdicei a vida até agora? Poderia ter feito muito mais?” – é que se comparem com outras vidas, vão sempre achar que podiam ter feito muito mais.
Eu, tento aproveitar todas as pequenas coisas da vida e tento tirar o maior prazer desses actos. Mas já invejei outras vidas.
Deixe aqui o seu testemunho real.
‘Carpe diem’ – Seize The Day
Notas:
1) Quando faltam alguns dias para entrar em 2007, deixo aqui um conselho: Tentem reduzir a vossa lista de promessas a um ou dois itens. Sobretudo, não insistam no item ‘Inscrever-me num ginásio’ e no item ‘Saltar de pára-quedas’.
2) Texto escrito por quem nunca gostou de filosofia, não é um pensador da vida e nunca escreveu livros sobre essa matéria para não ter que vir a público desmentir qualquer acusação de plágio.