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ALENTEJO

«Ser alentejano não é um dote, é dom.»

 

Palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo, o rio da portugalidade. O rio que divide e une Portugal e que, à semelhança do Homem Português, fugiu de Espanha à procura do mar.

 

O Alentejo molda o carácter de um homem. A solidão e a quietude da planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote, é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.

 

Portugal nasceu no Norte, mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães é o berço da Nacionalidade; Évora é o berço do Império Português. Não foi por acaso que D. João II se teve de refugiar em Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras, um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo, um homem consegue ver ao longe.

 

Mas foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao reino, depois de dobrar o Cabo das Tormentas, sem conseguir chegar à Índia, para D. João II perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar com o peso de um empreendimento daquele vulto. Aquilo que, para o homem comum, fica muito longe, para um alentejano, fica já ali. Para um alentejano, não há longe, nem distância, porque só um alentejano percebe intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.

 

Foi, por esta razão, que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no mar... E, quando regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, Vasco da Gama respondeu: «Não, é já ali.». O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da esquina.

 

Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado. O problema de Portugal é precisamente este: muitos Bartolomeu Dias e poucos Vasco da Gama. Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos.

 

D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Caso contrário, não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem que uma batalha não se decide pela quantidade mas pela qualidade dos combatentes. É certo que o rei de Castela contava com um poderoso exército composto por espanhóis e portugueses, mas o Mestre de Avis tinha a vantagem de contar com meia-dúzia de alentejanos. Não se estranha, assim, a resposta de D. Nuno aos seus irmãos, quando o tentaram convencer a mudar de campo com o argumento da desproporção numérica: «Vocês são muitos? O que é que isso interessa se os alentejanos estão do nosso lado?»

 

Mas os alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para as grandes guerras. Não há como um alentejano para desfrutar plenamente dos mais simples prazeres da vida. Por isso, se diz que Deus fez a mulher para ser a companheira do homem. Mas, depois, teve de fazer os alentejanos para que as mulheres também tivessem algum prazer. Na cama e na mesa, um alentejano nunca tem pressa. Daí a resposta de Eva a Adão quando este, intrigado, lhe perguntou o que é que o alentejano tinha que ele não tinha: «Tem tempo e tu tens pressa.» Quem anda sempre a correr, não chega a lado nenhum. E muito menos ao coração de uma mulher. Andar a correr é um problema que os alentejanos, graças a Deus, não têm. Até porque os alentejanos e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia, precisamente o dia que Deus tirou para descansar.

 

E até nas anedotas, os alentejanos revelam a sua superioridade humana e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos, os brasileiros dos portugueses, os franceses dos argelinos... só os alentejanos contam e inventam anedotas sobre si próprios. E divertem-se imenso, ao mesmo tempo que servem de espelho a quem as ouve.

 

Mas, para que uma pessoa se ria de si própria, não basta ser ridícula, porque ridículos todos somos. É necessário ter sentido de humor. Só que isso é um extra só disponível nos seres humanos topo de gama.

 

Não se confunda, no entanto, sentido de humor com alarvice. O sentido de humor é um dom da inteligência; a alarvice é o tique da gente bronca e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem tem sentido de humor ri-se de si próprio. Não há maior honra do que ser objecto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas, enquanto a alarvice diminui-as. Se Hitler e Estaline se rissem de si próprios, nunca teriam sido as bestas que foram.

 

E as anedotas alentejanas são autênticas pérolas de humor: curtas, incisivas, inteligentes e desconcertantes, revelando um sentido de observação, um sentido crítico e um poder de síntese notáveis.

 

Não resisto a contar a minha anedota preferida. Num dia em que chovia muito, o revisor do comboio entrou numa carruagem onde só havia um passageiro. Por sinal, um alentejano que estava todo molhado, em virtude de estar sentado num lugar junto a uma janela aberta. «Ó amigo, por que é que não fecha a janela?», perguntou-lhe o revisor. «Isso queria eu, mas a janela está estragada.», respondeu o alentejano. «Então por que é que não troca de lugar?» «Eu trocar, trocava... mas com quem?»

 

Como bom alentejano que me prezo de ser, deixei o melhor para o fim. O Alentejo, como todos sabemos, é o único sítio do mundo onde não é castigo uma pessoa ficar a pão e água. Água é aquilo por que qualquer alentejano anseia. E o pão... Mas há melhor iguaria do que o pão alentejano? O pão alentejano come-se com tudo e com nada. É aperitivo, refeição e sobremesa. E é o único pão do mundo que não tem pressa de ser comido. É tão bom no primeiro dia como no dia seguinte ou no fim da semana. Só quem come o pão alentejano está habilitado para entender o mistério da fé. Comê-lo faz-nos subir ao Céu!

 

É por tudo isto que, sempre que passeio pela charneca numa noite quente de verão ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de Inverno, dou graças a Deus por ser alentejano. Que maior bênção poderia um homem almejar? 

Posted: Sunday, December 23, 2007 5:15 AM por contracorrente
Arquivado em:

Comentários

contracorrente said:

Deixo-vos com este post até ao próximo dia 3 de Janeiro. Como devem compreender, um texto sobre o Alentejo não é para ser lido a correr... Entretanto vou apanhar sol por uns dias e já volto.

Um Feliz Natal e um Bom Ano Novo são os votos deste vosso amigo

Santana-Maia Leonardo

# December 23, 2007 5:33 AM

Tozzola said:

Tudo bem. Eu volto cá com mais calma e pasmaceira.

O sol de inverno é o companheiro de jornada de um bom alentejano.

Bom Natal e até para o Excelente Ano de 2008

António Roças

# December 23, 2007 12:31 PM

PSCGF said:

Santana-maia,

Só passei por aqui de mansinho sem tempo para ler (mas voltarei depois da loucura), so para lhe desejar um Bom Natal cheio de saude, felicidade e muitos sorrisos.

Paula

# December 23, 2007 2:51 PM

AJSM said:

Boas Festas.

Feliz Natal e próspero Ano Novo.

# December 23, 2007 5:52 PM

ElanaJanela said:

Pois eu que sou alentejana e gosto de açorda...adorei este seu texto e desejo-lhe um doce Natal.

Até mais ver!

# December 23, 2007 7:00 PM

Oidotsuc said:

Bom Natal Contracorrente!

E um Cante Alentejano!

Um abraço

# December 23, 2007 7:09 PM

Partebilhas said:

Caro Dr.Santana-Maia Leonardo

Concordo com o seu post, que só tem uma falta: a referência que as alentejanas são as mulheres mais bonitas da Peninsula Ibérica.

E depois disto, só uma boa açorda!

Um abraço e Boas Festas,

Manuel Peralta

# December 23, 2007 7:57 PM

Anahory said:

Olá Santana-Maia

Gostei imenso do seu post.

Também eu adoro o Alentejo, adoro as suas paisagens áridas, as noites frescas e cintilantes, as casa brancas com a tradicional risca, as suas gentes, etc.... não fosse eu tb meia alentejana!!!!

Para si e toda a sua família um NATAL MUITO FELIZ e que o ANO de 2008 lhe traga tudo o que deseja.

Um Grande Beijo

Kiki

# December 23, 2007 9:58 PM

MarAzul2007 said:

Caro Santana-Maia,

Um hino ao Alentejo, é na realidade notável...na paisagem , nas gentes, no céu estrelado, no entardecer, na comida, no pão...mas ainda um dia há-de comer um pão de centeio caseiro daqueles que se fazem nas aldeias em Trás-Os-Montes, pode ser com um presunto de Chaves ou de Barrancos.

Ah...só mais uma coisa , não sou Alentejano, mas tenho muita paciência...e nunca tenho pressa.

Um Feliz Natal para si e toda a sua família e que 2008 lhe traga tudo o que deseja.

Um abraço para todo o Alentejo

# December 23, 2007 10:14 PM

joaocrm said:

Uma das melhores homenagens ao Alentejo que eu já vi.

Parabéns.

De um Barranquenho.

Feliz Natal

# December 24, 2007 9:37 AM

camionista said:

Por.ra, compadri, assim é qu'é falari.

Alguém mais acima disse que este seu texto é um Hino ao Alentejo. É um Hino, com 'H' maiúsculo, à alma alentejana.

Além de empolgante, é a mais coerente amostra desse mesmo espírito.

Parabéns.

Feliz Natal e  Bom Ano Novo

# December 24, 2007 9:38 AM

zerozero said:

Olá Contra

  Cheguei aqui reenviado pelo Camionista.

  Revi-me neste texto porque tenho raízes familiares no Alentejo e passei lá parte da infância.

  A "solidão e a quietude da planície", e a paz que transmite, é a imagem de marca do Alentejo na minha cabeça.

  Mas a planície não afectará o espiríto mais inquieto? Faltou referir, por exemplo, a enorme taxa de suicídio. Ou o assunto é tabu?

  Apesar de tudo, registando a nota de humor, não acredito que o Vasco da Gama tenha dito que a Índia "é já ali.»! :)

  Um abraço.

Zero

# December 24, 2007 11:06 AM

meninosdocoro said:

Àmen*

# December 24, 2007 3:55 PM

meiadeleite said:

Santana-Maia, venho desejar-lhe um óptimo Natal.

Beijo, meiadeleite

# December 24, 2007 10:39 PM

3vita said:

SML,poucas vezes alguém me deixou sem palavras...PARABÉNS!!!!Como é LÓGICO, ADOREI!!!Ou não fosse eu uma ALENTEJANA de alma e coração, defensora do "mê monti", eheh. Beijinhos e Festas Felizes

# December 24, 2007 11:51 PM

manuelapinheiro said:

Ó Alentejo Alentejo........... Adoro o Alentejo......... Festas Felizes Estimado e Gentil Amigo Santana Maia* Um Santo Natal e Um Próspero e Feliz Ano Novo* um Abraço* Saúde Dinheiro e Amor* Xim... Ximmm.. À VIDA!!! Viva a Vida!1

# December 25, 2007 4:10 AM

Olivencaesquecida said:

Fiquei sem palavras, que MARAVILHOSA  definição do Alentejano.

http://roquealentejano.no.sapo.pt/

Obrigado pelo convite a visitar este seu artigo, porque o blogue eu já conhecia.

# December 25, 2007 1:07 PM

recardenense said:

Ó Partebilhas(Manuel).

Porque é tu pensas que eu casei com uma mulher, nascida e criada em Elvas?

# December 25, 2007 4:12 PM

ahbruto said:

Caro SML

Já copiei o post.Vou lê-lo, como diz com muita calma e depois comento.

Entretanto, umas boas férias!

Um abraço

ahbruto

# December 25, 2007 5:30 PM

Brutus said:

Caro Santana-Maia Leonardo:

É de mestre este seu texto e verdadeiramente  empolgante, de tal forma que vou relê-lo.

Só tenho algumas reservas sobre o que teria dito Vasco da Gama ao Rei, mas isso é mais uma forma de caracterizar o espírito de um grande alentejano.

Trabalhei mais de duas dezenas de anos numa empresa onde existia um "compadre" alentejano, a quem todos provocávamos, contando-lhe mil anedotas denegrindo os alentejanos, pois bem, o mesmo nunca se zangou, ria-se e mostrava-nos a todos uma superior tolerância, só possível... num verdadeiro alentejano!

Até ao seu regresso e boas férias,

Brutus.

# December 25, 2007 6:48 PM

JorgePaz said:

Prezado "Contracorrente":

Parabens pelo estilo, pelos variados temas e pelo substância deste seu post.

Não sou alentejano, descendo de beirões, mas creio que, como alguém atrás já disse, escreveu um Hino ao Alentejo.

Já que quis enriquecer o seu artigo com notas históricas, aproveito o ensejo para lhe lembrar que o Alentejo e Portugal estão desapossados de uma das suas mais nobres cidades: Olivença! É bom não esquecer e por Olivença e não só também sou Alentejano.

Entretanto, desejo-lhe umas boas férias e umas Boas Festas.

Um abraço,

Jorge da Paz.

# December 25, 2007 6:59 PM

romanovprimeiro said:

Contracorrente, boa noite, embora saiba que não está.

Desejo que esteja a saborear o tal sol equatorial. É de invejar!...

Quanto ao seu post, que posso dizer, que posso dizer?

É das páginas mais belas, mais humanas, mais bem escritas que tenho lido sobre o Alentejo. As relações históricas que faz, são soberbas. Alentejo não tem sombra se não a que vem do céu... Mas tem os alentejanos que o cobrem de orgulho. E muitos não alentejanos, também.

Parabéns pelo post.

Um bom regresso.

Saudações natalícias.

roman

# December 25, 2007 7:06 PM

naturalmente said:

Santana Maia,

bairrismo acima de tudo..., sou t.b. beirão de pedra e cal e não gostaria de ter nascido noutra região do país.

Viriato, Aquilino Ribeiro, Aristides Sousa Mendes, Vasco Fernandes, entre outros... t.b. fazem parte do património português.

Amigo (alentejano) que nunca se esquece..., desejo-lhe umas Boas Festas e umas óptimas mini-férias.

Um grande abraço de

naturalmente

# December 25, 2007 7:36 PM

Tozzola said:

Os alentejanos e os comboios....

Outra: um alentejano a dormitar num comboio, com o bilhete enrolado atrás da orelha. Vem o revisor e pede-lhe o bilhete. O homem procura em todos os bolsos e nada. O revisor diz que volta depois. Duas voltas depois e nada de bilhete. Chegado á estação de destino o revisor deixa-o sair e diz com ar de gozo, "Compadre, tem o bilhete atrás da orelha!" E o alentejano com uma grande calma, "Pois é compadre, mas este é de ontem!"

# December 25, 2007 10:34 PM

Talina said:

Olá caro amigo Santana Maia

Os meus sinceros votos para que esteja a saborear o tal sol equatorial. É de invejar Aqui está um frio de rachar.

Parabéns pelo post, adoro o Alentejo, As suas gentes , usos e costumes, a sua paisagem, os saberes e os sabores alentejanos…Então das anedotas dos alentejanos contadas pelos próprios, são o máximo…

Dizia um caçador lisboeta numa taberna do Alentejo:

- Hoje cacei 100 coelhos, 200 perdizes e 300 tordos.

Diz um alentejano:

- Atão vomecêa é tal e cal coma mim!

- Ah! Então o senhor também é caçador?

-Nã senhori, sou munta mentiroso...

Continuação de boas férias e de Festas Felises

Abraços Talina

# December 25, 2007 11:16 PM

ladoposto said:

Gostei de ler.Gostei dos comentários,especialmente do cante.Parabéns e boas férias!De um algarvio que,possívelmente;tem uma costelazita da Mina de S.Domingos,segundo a minha Avó?

 Cumprimentos!!

# December 26, 2007 12:02 AM

PedroPenedo said:

Caro Santana-Maia

Gostei imenso deste post, embora não tenha nascido no Alentejo, não posso deixar de ser Alentejano.

Se é nas planícies que o homem pode ver mais longe, também o é da beira da rocha aonde tudo é mar.

Quando visitei o Alentejo pela primeira vez, encontrei a mesma calmaria nas gentes que tinha encontrado na ilha onde nasci, fiquei pasmado.

Outra das grandes coisas que encontrei no Alentejo e Minho foi uma hospitalidade inigualável.

Bem não lhe falo da açorda porque comi muita e sempre saborosa.

Não lhe desejo Boas Festas, simplesmente desejo-lhe que a sua vida bem como a dos outros todos seja uma Festa.

Um abraço

# December 26, 2007 5:54 AM

Annnna said:

Excelente Post meu querido.

Não tenho raizes alentejanas, mas durante 15 anos da minha vida passei muitas férias e fins de semana no Alentejo mais precisamente Alto Alentejo Marvão (onde tinha casa) e o Alentejo ficou-me no coração e na alma é com saudade que recordo o voo dos pássaros pelas costas (Marvão , Vila altaneira onde vemos os pá ssaros pelas costas)

Espero que tenha recarregado baterias ao Solinho.

Um beijo enorme

Annnna

# December 26, 2007 10:06 AM

aroza said:

Caro amigo Santana Maia

Que o sol te aqueça a alma e  ilumune devagarinho.

Brilhante texto este sobre o "mágico Alentejo".

como sabes vivi 2 anos na querida Ponte de Sor nos idos anos da pós-revolução e de facto as gentes e a terra marcam definitivamente a alma com uma energia díficil de verbalizar mas que se sente como se fosse uma aura. E os alentejanos são de facto fantásticos e mágicos do tempo.

Um abraço

F.Antunes Rosa

# December 26, 2007 11:01 AM

avomilu said:

Santana-Maia

Tens razão amigo ser alentejano não é para qualquer, é um dom, tu és 100%, e escreves maravilhosamente e com uma alegria sobre o teu Alentejo, parabéns, obrigada pelas BOAS FESTAS e desejo que tu e a tua LINDA MULHER passem UM ANO NOVO CHEIO DE PAZ E AMOR.

Da amiga milu

# December 26, 2007 11:12 AM

Broca said:

Caro Santana-Maia:

Depois de ler e reler este seu excelente post, pelo qual o felicito, só tenho uma coisa a dizer: também gostava de ser alentejano!

Asseguro-lhe que vou tentar e de uma coisa estou certo: vou melhorar a minha qualidade de vida!

Boas férias e um 2008 próspero, com saúde, paz e tolerância alentejana!

Muito cordialmente,

Broca.

# December 26, 2007 2:46 PM

tendergirl said:

Contracorrente,

Este seu post deixou-me emocionada e… absolutamente KO!

Passo a explicar… Penso que saberá que sou alentejana, do Alto Alentejo e mais concretamente, de Arraiolos, uma terra célebre pelos seus não menos célebres tapetes e de gente pura, boa e simples como são as gentes que povoam todo o nosso mágico, místico e profundo Alentejo. Por isso, o que escreveu diz-me tanto e vai de tal modo ao encontro do que penso e fundamentalmente do que sinto que nem sei bem por onde comece. As palavras que tantas vezes flúem com facilidade, ficam-me, hoje, presas e emaranhadas num nó de profunda emoção. Falar do Alentejo é também falar de mim, da minha alma imensa e sofrida como imensa e sofrida é aquela belíssima planície, qualquer que seja a estação do ano em que os nossos olhos tenham o raro privilégio de se perderem nela.

Do seu post, profundo e sentido, destaco um parágrafo que, quanto a mim, diz tudo sobre a alma alentejana, ou querendo, sobre o que é ser verdadeiramente alentejano: “ O Alentejo molda o carácter de um homem. A solidão e a quietude da planície dá-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote, é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.”

Tem razão e mais juma vez sinto necessidade de o repetir com as suas próprias palavras: “Não é alentejano quem quer(…) ser alentejano não é um dote, é um dom(…) Não se nasce alentejano, é-se alentejano“!

E finalmente, para que entenda até que ponto estou, de alma e coração, em sintonia consigo, deixo-lhe um poema que escrevi e publiquei no meu blogue no passado dia 13 de Maio, num desses dias de profunda unicidade com a alma do Alentejo, exactamente como o título “Alentejo“. Espero que o aprecie e sinta com sentimento similar ao meu, no momento em que o escrevi…  

Um beijo e BOAS FESTAS!

Tendergirl

ALENTEJO

Alentejo,

Terras d’Além-Tejo

Terras d’Aquém-Mim…

Mordo a palavra com os dentes alvos e feros da paixão!

Sinto na boca o rodopiante palpitar das letras

No aprimorado esboço de um poema…

Sangro de amor no rubro sangue da frágil papoila

Em absoluta sujeição à escaldante aridez da majestosa planície…

Do alto do castelo,

Nos pináculos da morena vila,

Na placidez morna e comovente da tarde,

Onde o tom verde do olhar

Se perde e encontra

Nos amarelecidos tons do meu assombro,

Onde a Alma em imutável vigília

Se espraia e aquieta

Enlevada de seculares vislumbres,

Entrego-me enfeitiçada…

Corpo e alma ausentes

No sacrossanto transe do vero instante!

Estou inteira, aqui, neste lugar…

Inteira e una nesta paisagem!

Aqui, respiro a vida de todos os tempos

Aqui, me deixo ficar quedada em silenciosa prece,

Emudecida,

Complacente,

Adormentada,

Na eterna contemplação de mim mesma!

Ouço-me respirar na aragem quente

Que me afaga o rosto e doura a pele,

Na lenta agonia dos campos à divina hora crepuscular,

No sereno balido das ovelhas que pastam indiferentes à orbe,

Na toada dolente da terra vilipendiada,

Abandonada, em sorte, ao rigor do estio!

Sou o eco distante e ancestral das gentes que por aqui andaram,

Dos que por aqui viveram,

Amaram,

Sofreram,

Morreram…

Deixando para todo o sempre o legado,

A semente viva e trigueira da sua bendita estirpe!

Sou o breve queixume da bela moura encantada

Que atraiu e deslumbrou legiões de exércitos,

O sussurro perene e triste da excelsa poetisa

Que na vanguarda do tempo

Desafiou o mundo da intransigência humana

Ousando sonhar,

Querer,

Amar demais…

Sou o gosto amargo ao fel da sua total insubmissão

Na fatídica noite que a viu perder…

Ela, eu…

A martirizada e imaculada paisagem alentejana

Em timbres e cores de rasgos pungentes,

Seara de vento em ardentes delírios

Ás inexoráveis inclemências do Astro-Rei

No trigo medrado

Da abundante loucura de Musas e Deuses intemporais!

Além-Tejo,

Planície idílica dos meus recônditos desejos…

Terras da minha saudade,

Terras d’Aquém Coração!

Tendergirl

# December 26, 2007 2:55 PM

Anahory said:

Olá Santana-Maia

Voltei e reli o seu post com muita calma e atenção e repito o que já disse: ADOREI!!!!!

Mas comentar todos os aspectos que foca seria um novo post, por isso vou apenas referir alguns:

As anedotas que os alentejanos fazem sobre eles próprios, mas que não são os únicos já que os Judeus fazem exactamente o mesmo. Em ambos os casos isso demonstra uma enorme capacidade de auto-critica e de intelgência pois só pessoas inteligentes são capazes de "gozar" com eles próprios.

A calma típica dos alentejanos, que terá algumas vantagens (como no caso das mulheres!!) GOSTEI DESSA!!!

E volto a dizer que tb eu sou alentejana, tb eu me identifico com as paisagens, com a calma e beleza do Alentejo.

UM Beijo

Kiki

# December 26, 2007 3:26 PM

marylyz said:

Boa tarde amigo Santana Maia

Não sou alentejana,mas tenho primas(os) nascidos em Evora,onde vou com frequencia.Sou serrana,Serra da Estrela,Nasci numa linda terrinha que se chama S.Romão,a 3km de Seia. Tb fiz um interregno e encontro-me em Aveiro com familiares,porém,como tb o PC faz parte da mobilia...rsrsr...não resisti a espreitar e desejar um bom ano e "MUITA ESPERANÇA"

Um abraço serrano.

marylyz

# December 26, 2007 3:45 PM

Anticiclone said:

Viva. Boas festas.

Permita que cite uma sequência do seu texto...

"Portugal nasceu no Norte, mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães é o berço da Nacionalidade; Évora é o berço do Império Português. (...)"

...para fazer um acrescento:

Portugal já só foi os Açores.

Acredite que este Post foi um bom presente de Natal para mim.

João Paz

# December 26, 2007 4:00 PM

Tambuladeira said:

Amigo Santana Maia Leonardo,

Obrigado pela visita e suas palavras de força.

Voltarei para comentar o seu poste.

Um abraço

# December 26, 2007 4:50 PM

PapoilaAmarela said:

Parabéns!!!!

Lindo lindo lindo!

Como eu entendo cada palavra, cada entrelinha!

Nasci no coração do Alentejo e sou alentejana e mais....sou daquelas que não pode perder o castelo (de Beja) de vista.

Para mim o Alentejo é simplesmente uma Paixão! e "más" nada.

BOAS FESTAS E BOAS FÉRIAS.

Beijinho

# December 26, 2007 5:21 PM

jmsmp said:

Meu Caro Dr.Santana Maia:

Segui o seu conselho e vim espreitar - e ler - com um

bem vincado vagar, o seu Post sobre  O ALENTEJO de que

me deu conta na hora da partida para as tais Férias em

local mais quente que este nosso cantinho,nestes dias

de Dezembro... e de Natal!

Lembro-me a propósito, dos vários Natais que passei em

Angola,entre 63 e 73,com "toda a gente" a correr para a praia,quando eu sentia mil saudades da lareira, com

as chamas a crepitar nas achas de azinho a arder com

vagar, porque ao lado, o azeite fervia na frigideira, chamando pela massa já tendida de umas filhoses que momentos volvidos,seriam retiradas do lume e polvilha-das com açúcar pilé, mesclado de canela.

Eram(e são)assim, alguns momentos das noites de Natal deste nosso Alentejo!

Em Luanda, com os dias a esticarem-se até depois das 22 horas, o Natal era... de Praia! Pois!...

Mas voltando ao seu Post, meu Caro Amigo, deixou ali tudo o que um alentejano,ou não alentejano,deve saber

sobre o Alentejo e os Alentejanos; da sua paciência,da

sua paz interior, da sua tranquilidade natural,do seu

"vagar", da sua história e da sua hospitalidade!

E falando do vagar, eu tive um tio, que gostava muito de mandar os sobrinhos (eu e os meus irmãos) fazerem-lhe recados. E acrescentava sempre:- Mas vai depressa!

Só que, se o meu Pai estava por perto, chamava-nos e à

sua maneira, emendava a ordem dizendo:- "Vai devagar

rapaz, porque eu tenho pressa!

Coisas da Vida. Sinais dos tempos.

Como as pessoas!

Nem sempre iguais!

nem sempre diferentes!

Caro Amigo e Dr. Santana Maia,

Umas tranquilas e excelentes Férias Tropicais.

Um FELIZ NATAL para Si e todos os seus mais Queridos!

Um Maravilhoso 2008, prenhe de venturas e de novos êxitos pessoais e profissionais.

Um Forte Abraço

J.Matos Silva

# December 26, 2007 8:50 PM

Tozzola said:

E trago aqui a parte final da extenssissima "Toada de Portalegre", de José Régio:

"E era então que sucedia

Que em Portalegre, cidade

Do Alto Alentejo, cercada

De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros

Aos pés lá da casa velha

Cheia dos maus e bons cheiros

Das casa que têm história,

Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória

De antigas gentes e traças,

Cheia de sol nas vidraças

E de escuro nos recantos,

Cheia de medo e sossego,

De silêncios e de espantos,

- A minha acácia crescia.

Vento suão!, obrigado...

Pela doce companhia

Que em teu hálito empestado

Sem eu sonhar, me chegara!

E a cada raminho novo

Que a tenra acácia deitava,

Será loucura!..., mas era

Uma alegria

Na longa e negra apatia

Daquela miséria extrema

Em que vivia,

E vivera,

Como se fizera um poema,

Ou se um filho me nascera.

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Toada_de_Portalegre"

# December 26, 2007 9:58 PM

unroyal said:

contracorrente,

Que elogio ao rico Alentejo.

«os alentejanos e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia, precisamente o dia que Deus tirou para descansar.»

Lindo.

# December 27, 2007 7:57 AM

Luana said:

Os teus textos são sempre excelentes peças de literatura e declarações incontornáveis de verdades bem ditas.

TAmbém concordo em tudo com o que dizes do Alentejo e dos alentejanos. Há quem queira comparar o Alentejo com as ilhas por causa dos horizontes de lonjura de uns e de outros mas suponho que oa açorianos são bem piores porque o mar, sendo um horizonte de esperança não tem a paz da seara alentejana. Pessoalmete rendo-me ao Alentejo e a alentejanos como tu: uns doces.

Beijinhos e uma Ano Novo muito feliz

Luana

# December 27, 2007 12:29 PM

ifabiao said:

"...muitos Bartolomeu Dias e poucos Vasco da Gama. Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos." Eis o meu excerto favorito.

Não há dúvida que o alentejano é um ser trabalhador, digam o que disserem.Fazem falta mais alentejanos!

Beijinhos

# December 27, 2007 1:32 PM

ahbruto said:

Caro SML

Por motivos profissionais, já muitas vezes passei temporadas por terras alentejanas, e sempre achei que o modo de ser do alentejano é acima de tudo equilibrado. Excepto, talvez, no que diz respeito á família e afectos, nesses casos é de extremos, quando gosta é sem limites, quando não gosta é melhor sair-lhe da frente.

Em tudo o resto, nada é tão bom que o faça gritar e saltar de alegria, nem nada é tão mau que o impeça de ver mais além. Encontra sempre um ponto de equilíbrio que o impede de entrar em euforia ou em desalento extremo.

“ Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar.”, e se houver um escolho no caminho ou se contorna ou se espera que ele se canse e depois prossegue-se.

Há mesmo, “Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito.”, usualmente, por estarem sempre com pressa e não perceberem que há sempre um tempo certo para fazer as coisas, se bem que das suas palavras possamos depreender que Vasco da Gama se limitou a prosseguir um trabalho, de Bartolomeu Dias, em que o mais difícil já estava feito(alfinetada).

Por outro lado não posso concordar com a sua frase,”No meio das montanhas e das serras, um homem tem as vistas curtas..”, veja-se que por exemplo Fernão Magalhães era de Sabrosa, o que o não impediu de ir onde foi!

Quanto á criação do alentejano para prazer da mulher, bom, aqui, como sempre neste assunto (cheira-me, desconfio.) que haverá algum exagero, nada demais, nós homens somos todos muita garganta e pouca acção!

Quanto ao pão e ao humor, não discuto. Embora o humor judaico……

“Não é alentejano quem quer.”, “Não se nasce alentejano, é-se alentejano.”, o que não é nada mau, pois deixa sempre a possibilidade de nos tornarmos alentejanos, embora isso não seja mesmo para todos!

Um abraço deste seu beirão, com costela minhota, genes judaicos, vivência duriense e alma alentejana (pelo que também dou graças a Deus)

ahbruto

# December 27, 2007 3:22 PM

oterrorista said:

caro santana-maia,

para mim o alentejo é já ali, entre santiago do escoural e évora. eu nunca o senti na pele que já nasci em setúbal, mas aquelas gentes sofreram e sofreram bem. sofreram devagarinho. apesar de haver sempre pão e água... e umas azeitonitas. e umas couves para fazer uma sopita.

(e nunca se queixavam!)

passe por aqui:

http://www.memoriamedia.net/index.html

está na coluna da direita do meu blogue (o em alemão) na secção "utilitários".

bom ano!

(a gente vai-se falando... devagarinho)

# December 27, 2007 9:38 PM

HelderFraguas said:

Que maravilhoso artigo!

É de antologia.

# December 27, 2007 10:55 PM

rosachamaria said:

Que bonito! Como fiquei babada de ser alentejana!

Mas um senão: as generalizações escondem realidades heterogéneas. Nem tudo é tão elevado, idílico como refere.

Há de tudo...

Boas Festas

Rosa

# December 28, 2007 11:30 AM

ramodebarro said:

Bonito este espraiar pelo alentejo...

Bom ano de 2008!

# December 28, 2007 6:22 PM

Blanco said:

santana-maia:

Li devagarinho, como aconselhaste, e gostei.

Além de gostar do Alentejo, e de lá ter vivido momentos inesquecíveis, toda a sabedoria das gentes alentejanas são um encanto.

Dizes: "E até nas anedotas, os alentejanos revelam a sua superioridade humana e intelectual." Acrescentarei que só com uma auto-estima muito alta, se consegue ter sentido de humor para se rir do que dizem de nós.

Beijinhos

# December 29, 2007 11:23 AM

portocego said:

Caro Santana Maia Leonardo,

Que entre e viva no 2008, com saúde e boa disposição e tenha um óptimo regresso.

Li com gosto e atenção este seu poste como de costume acontece com os demais que tem publicado.

Fala com prazer e emoção do seu Alentejo, como, tenho a certeza falaria do Minho ou da Beira, da Estremadura ou do Algarve se daí fossem as suas raízes.

Tenho uma ligação forte à minha Beira, às montanhas que, quando se escalam com coragem e determinação, também nos dão um largo horizonte.Também sinto uma nostalgia especial pelo Alentejo, acho até, que o Alentejo é região comum a todos nós.Penso que me vêm do berço essa ligação porque o meu pai nos falava muito do Alentejo, o celeiro de Portugal,como ele dizia cantano as cantigas alentejanas, com uma emoção enorme.

Tenho bons amigos no Alentejo e quando viajo para o Algarve ainda hoje procuro fazer uma das viagens pelo interior das suas paisagens de sonho.

Um abraço

# December 30, 2007 7:06 PM

gigimelovalente said:

OLÁ LEONARDO

DIVIRTA-SE NOS TRÓPICOS. TEM TODO O DIREITO DE O FAZER, DEPOIS DO MAGNÍFICO TEXTO QUE NOS DEIXOU SOBRE O ALENTEJO. NUNCA LI NADA DE TÃO BELO, SOBRE A "NOSSA" TERRA... QUE SUBTILEZA, QUE HUMOR... SÓ DIGNOS DE UM ALENTEJANO DE CORPO E ALMA. O NOSSO PANITO É, NA VERDADE, DOS MELHORES MANJARES.

DIVINA A SUA AFIRMAÇÃO:"O pão alentejano come-se com tudo e com nada. É aperitivo, refeição e sobremesa"!!!!

EU COSTUMO DIZER QUE PREFIRO PÃO ALENTEJANO DE 8 DIAS QUE UMA CARCAÇA MOLE! ACREDITEM OU NÃO OS NOSSOS AMIGOS BEIRÕES E TRANSMONTANOS QUE DEBICARAM NO SEU POST, ISTO É MÊMO VERDADINHA. PARA SI E TODOS OS QUE GOSTAM - ou não - DO ALENTEJO E DOS ALENTEJANOS CÁ VAI UM ABRAÇÃO DOS GRANDES, COM OS VOTOS DE UM BOM ANO 2008, COM MUITA MOLENGA!!! GIGI

# December 31, 2007 12:12 AM

luardeagosto said:

Um excelente texto sobre o seu 'amado' Alentejo! Pleno de sabedoria e muita riqueza imagética! Não esquecendo o lado da ironia inteligente, a melhor!

Um Novo Ano pleno de serenidade e muita esperança! E continuação de excelente boa-disposição e escrita constante!

**Bom Ano 2008**

Um abraço,

Luar

# December 31, 2007 1:16 AM

Vietkong said:

Olá Santana-Maia:

Depois de ler (muito devagar) o seu texto, cheguei à conclusão que, também eu, um tipo do Norte, casualmente nascido em Lisboa, e residente em Sintra, SOU ALENTEJANO!

Infelizmente, para mim, conheço "mal" o Alentejo. Mas conheço muitas Alentejanas e muitos Alentejanos. Por estes que conheço, teria muita honra em ser aceite como Alentejano... Honoris Causa, ou outra causa qualquer...

Muito mais teria a dizer sobre o Alentejo e os Alentejanos, desde a política partidária até aos vinhos...

Gostei das suas "Novas Crónicas de Portugal".

Obrigado pela sua participação no meu blog.

O melhor 2008 possível, para si, para os seus, e para todos os Alentejanos (todos os Portugueses incluidos).

Grande abraço,

Vietkong

# December 31, 2007 5:06 AM

Melita said:

Contracorrente...

Acho que de "Alentejana" ás vezes tenho uma costela tb ;)

Votos de boas férias e FELIZ ANO NOVO

um beijo

# December 31, 2007 9:52 AM

meninosdocoro said:

Contracorrente

enquanto levas com o sol dos trópicos, que não invejamos,vamos pensar em dizer alguma coisa (difícil, difícil. Não deixaste nada para nós), porque acordar logo com um calor de rachar não fica bem a um alentejano. A modos que nos ofende. O nosso sol nasce com calma. E mesmo em dias de brasa, cumprimenta com alguma graça. Nasce. Nos trópicos não. Arrasa logo do princípio. E desaparece também sem anúncio. Ora, como dizem os gato fedorento, o lusco fusco faz-nos falta. Tem de haver. Os alentejanos, como reconheces, gostam de coisas com princípio meio e fim. A vida tropical não corresponde. Também diria que o verdadeiro alentejano não ama aquela subserviência com que nos brindam os países tropicais. Mas, à parte o que está mal, é tudo bom.

Sobre o teu post - Primeiro: tem razão o Vietkong, sente-se alentejano, já viste? O que só te dá razão. Não se é alentejano por se nascer no Alentejo. - É-se Alentejano. Pertence ao ser e não ao estar. ALENTEJANOS=HOMENS. E depois há as referências ao lugar de onde melhor se vê: o Alentejo; e à lendária capacidade de resistência alentejana. E das grandes causas como Aljubarrota, partes para as pequenas coisas, talvez as mais importantes: o prazer de viver. Com vagar.

"Deus fez a mulher para ser a companheira do homem"???! Coitadinho dele, homem. A quem Eva enfeitou a pressa do tempo. E mal da Eva que pensar ter nascido para isso.

Ser alentejano é compreender, como o papalagui, que fluímos no Tempo, que Ele vem ao nosso encontro sem se deixar aprisionar. O alentejano saltita livremente em volta desse tempo inventado para atar os homens. Nem todas as anedotas sobre alentejanos nasceram deles. Mas há nelas uma ingenuidade tocante de tão genuína. Sem se darem conta, mostram o homem bom e sem malícia que habita a raíz de cada alentejano. Também é verdade que não ri da desgraça dos outros. Não cultiva o tipo de graçola pesada e baixa que grassa em seres menores e não se chama humor. Não porque a não saiba. Desinteressa-lhe. Abomina o riso barato e malcheiroso, de quem não distingue essência de acidente.

Ser assim e ter olhos e alma de poeta, é Obra!

E, já agora, ainda que o lugar não seja uma condição necessária, não pensas que está mais perto de si mesmo, quem vive na planície alentejana? quem respira aquele ar e come daquele pão? Quem sabe todos os sinais da terra por a amar como se fosse família?

Bom ano contracorrente!  

# December 31, 2007 12:17 PM

PSCGF said:

Bem... voltei com calma e li.

Fartei-me de rir . Esta é uma outra caracteristica dos Alentejanos ...Fazer sorrir e rir.

Nunca vi os Alentejanos , nem a vida alentejana por esse prisma , mas adorei .

Ficou esta frase :

"Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos"

Assim teremos que começar a criar muitos , mesmo muitos alentejanos . Estamos a necessitar urgentemente.

Um excelente 2008

Paula

# January 2, 2008 10:59 AM

chabeli said:

Bom ano amigo !

Gostei do desafio. Ser alentejano é um dote !!! Hum! Que tertúlia que este tema daria?!

Amigo, adoro o Alentejo e os alentejanos. Aprecio a sua coragem e tenacidade para enfrentar os "frios" e "calores" da vida. Povo com história na História...

Mas calma...muitos portugueses e poucos alentejanos! Alto lá!!!! O país está mal porque, ao contrário do Vasco da Gama que só tinha as ninfas para o seduzir ,aqui, os nossos disfarçados de Vascos têm muito mais coisas com que se "lamber"... o que torna mais difícil resistir ao pecado; e já agora não foi(só) proeza sua, a de chegar à India, o piloto árabe cedeu-lhe as cábulas...

Todavia, tenho que concordar que o pão...acrescento, vinho e queijo alentejanos, são produtos impares! Já os alentejanos...prefiro os algarvios. Povo que pega toiros! Não sei...serão mesmos bravos como mostram ou é só para o espectáculo ? :)

Amigo gostei da sua garra e dou seu "alentejanismo" prova que se sente bem e que recomenda.

Que tal as férias ?

Abraço

Chábeli

# January 2, 2008 3:02 PM

manuelapinheiro said:

Portugal nasceu no Norte, mas foi no Alentejo que se fez Homem........ nada a acrescentar amigo contracorrente.Nada Mesmo! Passo apenas para lhe desejar MARAVILHAS neste ano que inicia . Feliz Ano Novo para si amigo Santana Maia. Xim... Ximm... Viva a Vida Viva O Ano Novo. Felicidades. Saúde Dinheiro Paz e Alegrias lhe desejo. Cumprimentos e Saudáveis Saudações desde Aqui do Norte, para o Alentejo que muito aprecio. BOM ANO!

ManuelaPinheiro

# January 2, 2008 10:16 PM

Tambuladeira said:

Caro Santana Maia

Que regresse bem das suas férias tropicais para um Portugal bem fresquinho onde, mesmo no seu Alentejo, tem que esperar mais uns meses para ter esse quentinho de novo.

Apreciei o seu gostar do Alentejo que nos deixou para apreciação.

Tem os seus fundamentos, num povo calmo, observador, duas boas qualidades para se ter bom senso e usá-lo, e eles sabem fazê-lo.

Como alfacinha acabo por ser também um pouco de cada região pois gosto da vida calma que se vive fora do bulício da cidade.

Tenha um 2008 com muita saúde e continuação de bons postes.

# January 2, 2008 11:23 PM

gigimelovalente said:

TAL NÃ TÁ A MOLENGA, HEIN COMPADRI?

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# January 3, 2008 1:53 AM

kruzeskanhoto said:

Os alentejanos estão à beira da extinção. Parece sina deste país, tudo o que é bom acaba....http://kruzeskanhoto.blogspot.com/

# January 3, 2008 5:41 PM

Tugazzar said:

      Foi com um grande deslumbramento, meditação e vagar, na companhia de umas azevias (e mais tarde, a “seco”), que li e reli o seu post.

      Acredito que este é um grande post de amor e paixão e não creio que seja justo, da minha parte, escalpelizar, em qualquer sentido figurado (ou não), um tão grande amor e tão grande paixão. Sobre o post, em si, seria suficiente, e ao mesmo tempo injusto (porque o senti muito além de tudo isso), dizer: Delicioso! Sublime! Soberbo! Fantástico!

      Não nasci no Alentejo, nem sequer em Portugal, embora, como costumo dizer, isso seja um acidente… Cresci numa pequeníssima aldeia da Beira Litoral, com os meus avôs maternos, onde me tornei português. Ali, adoptei este país como pátria, embora isso me tenha custado um enxerto no nome, sem rectificação da ordem dos apelidos. Ali, a nacional nostalgia, saudade e fado entranharam-se na minha maneira de ser.

      Aprendi, muito cedo, que os horizontes e distâncias teriam de ser definidos por mim, embora permanecesse sob «rédea curta»...

      Nunca fui além do Alentejo. Calcorreei, já bem crescido (Com mais de trinta anos!), mas amiúde, a costa alentejana, de Sines a Vila Nova de Mil Fontes, tomando contacto, como gosto, com as gentes simples, como eu, e que tanto fiquei a admirar e admiro.

      Vou, com alguma frequência, a Portalegre, visitar a família que “ganhei”, e gosto de me perder pelas “redondezas”, entre Nisa, Marvão, Castelo de Vide e Fronteira, Avis, Arronches, Estremoz, Vila Viçosa…

      Confesso que a primeira vez que fui ao Alentejo, num “passeio” do colégio à coudelaria de Alter do Chão (na década de oitenta), senti um misto de decepção e admiração, devoção. Não era exactamente aquilo que idealizara, era admirável, imenso. Desde então, ficou-me o bichinho do Alentejo cravado na alma. Mal desconfiava que o destino, depois de muitas voltas e partidas, me ligaria, de forma tão especial, a essa região.

      Sempre que me aproximo da barragem do Fratel e atravesso Tejo, através do seu tabuleiro rodoviário, sinto, muito honestamente, algo que associo e defino como um arrepio de felicidade.

      Embora haja quem não se sinta à-vontade com este “galego”, e se não existissem os motivos de força maior, hoje poderia viver em Portalegre, sem qualquer constrangimento e com muita gana.

      Serve tudo isto para elogiar e homenagear, de forma humilde, mas com algo real e pessoal, o seu post e para dizer que, mesmo sem o ser ou merecer, se não fosse tão comedido, considerava-me um Alentejano. Considero-me, contudo, um alentejano de alma e um alentejano por opção.

      Um bom ano e um grande abraço!

Tugazzar

# January 4, 2008 5:01 PM

pessoalissimo said:

Caro Santana-Maia

Mas que belo hino ao seu Alentejo e aos alentejanos!

Não sou alentejano, sou alfacinha de gema, mas acho que devia imprimir este post em papel de cebola e distribui-lo aos novos e velhos residentes no Alentejo, incluindo aos inúmeros estrangeiros que por lá moram agora e verá a sua cotação aumentar da noite para o dia. E se um dia voltar a candidatar-se à Câmara Municipal da sua terra ou à Junta de Freguesia verá que ganha, desta vez, as eleições.

Eu concordo consigo quando refere a importância histórica que o Alentejo e os alentejanos tiveram no passado, mas duvido que tenham conseguido conservar esse peso estratégico até aos dias de hoje. A dureza do clima, a pobreza ancestral, a fuga para as cidades e o estrangeiro, a globalização do espaço rural a ser agora ocupado por grandes lagos, hotéis, campos de golfe, auto-estradas e grandes empresas agro-horticulas estão a descaracterizar o Alentejo que o via nascer.

Será que o Alentejo vai continuar a ser aquele mágico lugar onde o longe é já ali?

Um abraço e que 2008 lhe renove as esperanças e os projectos para si e para o seu Alentejo.

Fernando

# January 4, 2008 9:56 PM

pessoalissimo said:

Caro Santana-Maia

Mas que belo hino ao seu Alentejo e aos alentejanos!

Não sou alentejano, sou alfacinha de gema, mas acho que devia imprimir este post em papel de cebola e distribui-lo aos novos e velhos residentes no Alentejo, incluindo aos inúmeros estrangeiros que por lá moram agora e verá a sua cotação aumentar da noite para o dia. E se um dia voltar a candidatar-se à Câmara Municipal da sua terra ou à Junta de Freguesia verá que ganha, desta vez, as eleições.

Eu concordo consigo quando refere a importância histórica que o Alentejo e os alentejanos tiveram no passado, mas duvido que tenham conseguido conservar esse peso estratégico até aos dias de hoje. A dureza do clima, a pobreza ancestral, a fuga para as cidades e o estrangeiro, a globalização do espaço rural a ser agora ocupado por grandes lagos, hotéis, campos de golfe, auto-estradas e grandes empresas agro-horticulas estão a descaracterizar o Alentejo que o via nascer.

Será que o Alentejo vai continuar a ser aquele mágico lugar onde o longe é já ali?

Um abraço e que 2008 lhe renove as esperanças e os projectos para si e para o seu Alentejo.

Fernando

# January 4, 2008 9:56 PM

dissidencias said:

Olá amigo Santana-Maia,

Mas quer maior luxo do que uma alimentação a pão e água? Já viu o preço a que estão estes dois bens essenciais?

Também acho que o sentido de humor humaniza as pessoas. Pobre e mesquinha é a sociedade que não se ri de si própria.

Bem, mas vou ficar por aqui no comentário, porque neste momento tenho alguns PIDEs nomeados pela minha instituição para me vigiarem na net, porque neste momento tenho uma ordem da minha instituição para acabar com tudo o que tenha a ver com o projecto dissidencias, e eu recuso-me a fazê-lo. O órgão que me exigiu isso, alegou que eu prejudico a imagem do meu Departamento e da Universidade, e que é incorrecto falar mal do Sr. Primeiro-Ministro e da Ministra da Educação, e também da Igreja, além de outros governantes. Proibiram-me ainda de participar em todos os fóruns e programas na rádio e televisão, sobre o humor.

Mas apenas suspendi a "dissidenciastv" e recuso-me determinantemente a encerrar o meu blogue. Quem me conhece, inclusive a minha familia, sabe que prefiro morrer a ser amordaçado. Eu, que encabecei o movimento aqui no Sol, a favor da liberdade de expressão e contra a censura (a propósito da suspensão do Hélder Fráguas pelo Conselho Superior da Magistratura), jamais me calarei.

Desculpe o desabafo amigo. As coisas hão-de compor-se. Mas quase todos têm medo das represálias de quem exerce o poder de forma autoritária, tornando-se subservientes e abstendo-se de criticar seja o que for, no campo político e social. Isto dá-me cá ums nervos que nem imagina...

Um grande abraço e como é a primeira vez que o visito este ano, desejo-lhe um ano de 2008 cheio de coisas boas, mesmo à medida dos seus desejos.

dissidencias

# January 5, 2008 2:16 AM

contracorrente said:

Meus queridos amigos

Li com muita atenção os vossos comentários mas vai-me ser impossível responder um a um.

Como sublinha e bem os meninosdocoro, o alentejano pertence ao ser e não ao estar. O que há mais por aí é gente que nasceu no Alentejo que não é alentejana. E conheço alguns que, nunca tendo vindo ao Alentejo, são alentejanos dos quatro costados.

Aliás, como se pode ler pelos comentários, muitos reconheceram que, apesar de aqui não terem nascido, também eles têm a sorte de pertencer a esta casta envelhecida em casca de chaparro.

É certo que os judeus são o povo eleito de Deus. Mas os alentejanos têm uma enorme vantagem sobre os judeus: nunca foram eleitos por ninguém, o que é o melhor atestado da sua qualidade. Já conheceram alguém que tivesse sido eleito para o que quer que seja que prestasse para alguma coisa?

*

Um abraço

Santana-Maia Leonardo

# January 6, 2008 6:49 PM

Olivencaesquecida said:

Depois de tanto comentário, eu que respiro alentejo apenas e que sofro silenciosamente de saudade daquela vidinha simples que tive durante mais de 30 anos, faltam-me palavras para exprimir o que senti ao ler suas palavras.

Vivo em Quarteira desde Agosto de 1991, o Alentejo é logo ali, mas a saudade é forte mesmo assim...

Muito me emocionou seu artigo... Numa palavra só posso dizer você perante a minha pessoa conquistou a insignia de "AMIGO".

E foi nessa qualidade que me atrevi a colocar um link do seu blogue na minha área de amigos.

# January 17, 2008 9:06 PM
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