SOL

fernandomoraisgomes

Coisas da Terra dos Homens e dos espantos que provocam neste Anno Domini MMVI à distância dum dedo,duma URL e duma cabeça.Carpe Diem1
O reino da Dinamarca
Os anarquistas do período do PREC,adversários de estimação das eleições ,consideradas excrecência burguesa,diziam,com algum humor"se o voto é a arma do povo,não votes que ficas desarmado".
Por esse motivo ou talvez não,são cada vez mais aqueles que parece terem medo de ficar desarmados.A democracia não é perfeita,mas,como dizia Churchill,é o menor dos males.
É certo que há uma tendência desmobilizadora e um triunfo do individualismo hedonista nas sociedades ditas da abundância,onde as causas comuns só pegam se forem mediáticas ou estiverem "in",e o fenómeno do abstencionismo é geral e nalguns países mesmo crónico.Mas não deixa de minorar a vivência colectiva esta apatia pelas causas de todos,quando podendo ser "nós" afinal preferimos deixar tudo para "eles".Três referendos com chuva ou com sol,dizem da apetência popular por esta ou outras causas.Portugal,apesar de alguma mobilização "de nicho" na sociedade,parece cada vez mais o velho rincão do dr Salazar,pai providencial,que pensava por nós para não termos a maçada de pensar.Daí talvez o sucesso do personagem na única eleição a que se submeteu verdadeiramente democrática,a do televoto,e mesmo assim ajudado por SMS malandrecos(se não houvesse uma qualquer fraude nem teria piada,para um salazarista que se preze...).
Esquerda ou Direita,pelo aborto liberalizado ou contra ele,todas as posições são legítimas,ancoradas em valores e perspectivas que todas elas concorrem para a democracia.e para o pulsar da sociedade.Faltar aos combates,abdicar de pensar é doença desta democracia que a médio prazo pode fazer dela uma realidade semântica,amorfa,sem tino nem destino.
Lembrem-se os que abdicam de participar por questões frívolas,que no corredor da História antes deles muitos derramaram sangue e sacrificaram vidas para eles poderem hoje ter ido calmamente passear para o seu centro comercial ou comer a sua febra com um tintol do lavrador sabendo que amanhã pobres ou ricos acordarão em Liberdade.Incluindo com o direito de não fazer uso dela.
O novo filme de Manoel de Oliveira
Enviou-nos o nosso amigo Dr Manuel Luciano Silva dos EUA um mail informando que Manoel de Oliveira vai aos Estados Unidos para rodar cenas do filme ‘Cristóvão Colombo - o Enigma, que está a preparar com a produtora cinematográfica portuguesa “Filmes do Tejo”.
O realizador e a sua equipa técnica e de actores trabalharão nos estados de Nova Iorque, Rhode Island e Massachusetts entre 9 e 24 de Março, seguindo um guião inspirado no livro “Cristóvão Colon (Colombo) era Português” publicado pelo próprio Manuel Luciano da Silva ,médico e historiador.e sua esposa Sílvia Jorge de Silva,autores com quem a ALAGAMARES promoveu o ano passado uma apresentação da dita obra,em assinalável sessão ocorrida na Quinta da Regaleira,em Sintra- ver notícia em http://www.alagamares.net/artigo177.html
O livro defende a tese da origem portuguesa do descobridor da América.
A vida do médico e a sua paixão pelos descobrimentos e pela sua história são espaços centrais do filme, em que Ricardo Trepa interpreta o papel do jovem Dr. Luciano da Silva e Leonor Baldaque o de Sílvia Jorge da Silva.Manoel de Oliveira fará do próprio Dr.Manuel Luciano na actualidade.
“Não se trata nem de um filme científico ou histórico, nem de carácter propriamente biográfico, mas sim de uma ficção de teor romanesco, evocativa da grandiosa gesta dos Descobrimentos Marítimos, onde se apresenta a novidade de que Cristóvão Colon era, afinal, de origem portuguesa, nascido na vila alentejana de Cuba, e ter por isso dado á maior ilha por ele descoberta no mar das Antilhas, o nome da sua terra natal, Cuba” - explicou Manoel de Oliveira num comunicado sobre a obra que tem agora entre mãos.
Segundo o guião, Manuel Luciano emigra para os Estados Unidos com seu irmão Hermínio, onde já se encontrava o seu pai, deixando a mãe que irá mais tarde.
O jovem Manuel Luciano, contudo, volta a Portugal para se formar em Medicina pela Universidade de Coimbra e, já médico, regressa aos EUA onde exerce clínica e faz em simultâneo investigações sobre os descobrimentos marítimos. Retorna a Portugal para se casar com a professora Sílvia Jorge; gozam a lua de mel numa longa viagem pelo sul, atravessando o Alentejo até ao Algarve e daí ao promontório de Sagres, base dos Descobrimentos Marítimos que a ambos muito interessa.
Voltam para os EUA, e ele revê, agora na companhia de Sílvia, a Estátua da Liberdade; depois a estátua erguida a Cristóvão Colombo em Nova Iorque, visitam o Dighton Rock Museum, na Vila de Berkley, onde Manuel Luciano mostra à sua companheira as miniaturas da Nau de S. Gabriel, modelo oferecido pelo nosso Primeiro Ministro, Pinheiro de Azevedo, igual à que Vasco da Gama chegou à Índia, e a da Caravela Victória réplica daquela em que Fernão de Magalhães dera a volta ao mundo por via marítima sob a égide dos Reis Católicos. Por igual, neste mesmo Museu, tem a Pedra de Dighton, do século XVI - 1511, transposta para este Museu, ali construído de propósito, em 1963, onde fora colocada com a mesma orientação em que a encontraram. Manuel Luciano mostra a Sílvia as importantes referências gravadas na referida Pedra, gravações relacionadas com navegadores portugueses, onde se vê o nome do navegador Corte Real e vários símbolos portuguesas entre eles, o do escudo da Ordem de Cristo.
Depois viajam a Newport City , e sobem ao alto onde, junto ao Parque, se situa a torre de Newport, suposta ter sido levantada por portugueses no século XVI, dada a rude semelhança da estrutura, que é comum à da Charola do Convento de Tomar. Daquele lugar se vê, em baixo, a um lado as entradas do Delta na Baía de Narragansett e, do outro, o mar em toda a sua extensão imensa.
Ambos, para além da sua formação académica, por vocação se dedicaram ao estudo dos descobrimentos e por aí chegaram à conclusão de que a verdadeira nacionalidade de Cristóvão Colon, era portuguesa.
O filme termina na ilha de Porto Santo, onde Manuel Luciano identifica as suas últimas conclusões no lugar onde, na realidade, Colombo viveu com sua mulher, D. Filipa de Perestrelo. Este foi o primeiro lugar onde o navegador João Gonçalves Zarco chegou - Porto Santo. E, assim, o filme termina onde os Descobrimentos Marítimos começaram.
Uma espécie em risco no Cabo da Roca

Escassos metros quadrados,eis o que resta de uma espécie em vias de extinção no Cabo da Roca: a OMPHALODES KUZINSKYANAE

Trata-se de uma espécie de vida curta-1 ano-herbácea,e que poucas vezes ultrapassa 1m de altura.Omphalodes,deriva da palavra latina para umbigo e Kuzinskyanae é uma derivação de Kuzinsky,apelido do botânico polaco que em 1889,de visita ao nosso país,a descobriu,em companhia do naturalista alemão Willkomm.
Esta planta além de Cabo da Roca,só floresce na Galiza,e em Portugal,apenas numa faixa que vai da Praia do Abano ao Cabo da Roca,pensando-se que num passado de climas mais frios terá ocupado toda a faixa litoral portuguesa e galega.Habita em cascalhos e areias onde haja acumulação de detritos ricos em nitratos,o que é comum à familia das boragináceas,de que faz parte.
Como já alguém disse,estando em extinção,tem a beleza trágica de uma despedida
Se vir os poucos metros que ainda dela restam no ponto mais ocidental da Europa,não lhe toque,não a colha.Qual Santo Graal da Natureza deixe-a ficar na esperança do milagre da multiplicação.

Ver espécie em

http://www.milcores.pt/livros/cr_foto_6386.htm

Pelo restauro do Chalet da Condessa,em Sintra!
Rumando pela direita ,bem oposto ao tritão sentinela da Pena de Eschwege,curvada a Fonte dos Passarinhos,por entre o cheiro a humús e a placidez da selva/jardim mais que centenária,chegamos pouco a pouco á casa ou o que dela resta qual produto duma noite de walpurgis dum halloween purificador de fantasmas cantantes ululando Donizzetti ou Wagner. Por entre o emaranhado de vegetação enfim senhora do espaço outrora dos Homens,qual templo sagrado há longo tempo adormecido,descortinam-se as paredes beije com heras desenhadas,os varandins ao estilo alpino,entulhos de pedras e sonhos e memórias que se quiseram espezinhar para que deles mais lembrança não houvesse.E fumegantes vemos passar D.Fernando e o seu burro de estimação,o secretário Kessler,Elise,outrora diva e hoje dama na sombra do mecenas germânico que um dia aportou neste canto saído duma guerra, e que,casando com a jovem rainha, aos poucos se fez Rei. As matas do Eden continuam,invasores em seu torno,humanos e outros, novas lutas travam pelo regresso desse Camelot á beira do lago.Esconjurem-se pois as gárgulas,tritões e klingsor e com a força das camélias e buganvílias, sob esta Cyntia esventrada, restauremos o orgulho da mata verdejante e fértil,e demos o descanso definitivo aos fantasmas ululantes dessa Casa do Regalo hoje mais de Dickens e Poe que de Dumas ou Twain. O chalet de Elise e Fernando voltará a ouvir Donizetti e lá haveremos de comer scones contemplando os tectos estucados e as paredes em arte forradas. Da Pena ao chalet,vidas cruzadas e destinos cruéis culminarão numa catarse feliz para este karma digno de Kipling!
Mario Cesariny

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

 


Língua Portuguesa

O universo dos blogues suscita adaptações á lingua portuguesa,hoje confrontada com todo o tipo de neologismos vindos sobretudo da área da informática ou economia.

No caso vertente,qual será a expressão mais correcta-blog ou blogue?blogsfera ou blogosfera?blogueiro,bloguista ou bloguer?

E que tradução mais correcta dar á expressão post?

 Muitos entendem que a universalização está em manter o termo original,como usamos com fax,abat-jour,chauffeur,post-it ou voucher.Mas não será nas globalizações que as línguas se vão perdendo?

 Isto para já não falar nos códigos da linguagem SMS....

 Dizem certos linguistas que o essencial é a comunicação,esse reconhecimento de significantes mais forte que os significados.Deixo contudo a pergunta:quais os termos portugueses mais correctos associados a este universo?

 

Bloguers anónimos

Uma das coisas que não se compreendem no mundo da blogosfera é a necessidade quase epidérmica que muitos autores e comentadores de blogues têm de escolher  pseudónimos ou nick names para se mostrarem neste universo.

Em liberdade e sendo as opiniões livres,e não havendo medo de dar a cara-ou o monitor-por ideias válidas e próprias,porquê a proliferação de personagens fantasmas em endereços dissimulados?É um mundo de trevas e medos usando um meio fabuloso de troca de ideias,opiniões e até amizades.

Daí que não voltarei a comentar posts ou comentários de anónimos.A net é para comunicar,não para brincar ao Carnaval. 

Público e Privado-o caso José Veiga

O recente episódio José Veiga vem trazer a lume a autêntica promiscuidade que existe entre público e privado neste país.

Um cidadão a contas com a Justiça-com razão ou sem ela-vê a parte que se lhe opõe reagir com os meios processuais do Estado de Direito para fazer valer os direitos que tem ou diz ter.

O visado,culpado ou inocente,pelo simples facto de ser uma figura pública ou semi-pública reage com meios anormais que a nenhum outro cidadão mediano sem acesso aos media estão acessíveis,e invoca a teoria da conspiração.E a comunicação social ansiosa por "casos" para vender papel e ganhar share inícia mais um processo na praça pública.

Com comunicação social assim e cidadãos deste calibre nunca iremos a lado nenhum.Se eu ou qualquer outro português anónimo não pagarmos ao fisco ou ao banco não nos é concedido o direito de invocar ser do clube A ou do partido B ou sócio da Protectora dos Animais para nos defendermos na praça pública-rejeitando depois quando os outros o fazem em relação a nós. Ou o dito senhor deve e tem de pagar como todos,sendo do Benfica,Sporting ou Andorinha,ou não deve e com um advogado e a razão resolve os seus assuntos.Agora esconder-se atrás dum clube(ao mesmo tempo que vai dizendo não o querer prejudicar)não parece razoável.

Da parte dele,fará o juízo que entender da situação.Mas á Comunicação Social  exige-se mais profissionalismo e menos cumplicidade e incitamento á chicana e atoleiro.Ou será um salve-se quem puder de que os próprios ateadores destes fogos podem sair bastante queimados.

Cada macaco no seu galho.O Benfica que jogue,o sr Veiga que trate da sua vida particular e os media que tenham comedimento se não querem perder a credibilidade de vez,tornando-se lixo publicado.

Haja comedimento! 

Pena de Morte-Questão Civilizacional

A propósito da (previsível) condenação de Saddam Hussein à morte,e independentemente de entender estarmos perante um ditador sanguinário merecedor de castigo,não pode a corrente civilizacional defensora da abolição da pena de morte deixar de refutar tal solução,de que Portugal se afastou há mais de 150 anos.

A Amnistia Internacional revelou já  que existem mais de 20.000 pessoas no corredor da morte, a aguardar execução pelos seus próprios governos. Pelo menos 2148 pessoas foram executadas, em 22 países, em 2005 – 94% dos quais na China, Irão, Arábia Saudita e EUA – e 5186 foram condenados à morte em 53 países.

 A pena de morte é a negação dos direitos humanos, na sua forma mais irreversível. É normalmente aplicada de uma forma discriminatória, no seguimento de julgamentos injustos ou é aplicada por motivos políticos. Pode ser um erro irreversível quando há uma falha na justiça."

A pena de morte não é instrumento dissuasor de crime. Os governos têm de se concentrar em desenvolver medidas efectivas contra a criminalidade, em vez de se basearem na ilusão de controlo dado pela pena de morte,que apenas ressalta a ideia de vingança e do tradicional "olho por olho"

Felizmente  a tendência para a abolição continua a aumentar: o número de países que levam a cabo execuções, diminuiu para metade nos últimos vinte anos e tem-se  mantido esta tendência nos últimos quatro anos. O México e a Libéria são os dois exemplos mais recentes de países que aboliram a pena de morte.

Na China – o país que leva a cabo cerca de 80% das execuções mundiais – uma pessoa pode ser sentenciada e executada por mais de 68 ofensas criminais, incluindo crimes não violentos como a fraude fiscal, peculato ou crimes relacionados com droga.

Na Arábia Saudita, as pessoas são retiradas das suas celas e executadas sem terem conhecimento de que foram sentenciadas à morte. Outros são julgados e sentenciados à morte numa língua estrangeira, que não sabem ler ou escrever.

O Irão foi o único país que executou menores em 2005. O Irão executou pelo menos oito pessoas por crimes que tinham cometido quando eram menores, incluindo dois jovens que tinham menos de 18 anos na altura da sua execução. Em Março de 2005, os EUA aboliram a pena de morte para jovens que tivessem cometido crimes enquanto menores, tendo sido até então um dos "líderes mundiais" desta prática.

 Na China, muitos temem que os elevados lucros por detrás do transplante de órgãos dos executados, pode funcionar como um incentivo à manutenção da pena de morte.

Em muitos países a crueldade inerente a estar no corredor da morte é exacerbada por procedimentos desumanos. Na Bielorússia e Uzbequistão, nem os sentenciados nem as famílias são avisados da data de execução, impedindo-os de terem uma última oportunidade de se despedirem. O corpo do prisioneiro não é entregue aos familiares, nem são informados do local de enterro.

A Amnistia Internacional também sublinha as consequências mortíferas dos julgamentos injustos.

No Japão, várias pessoas foram condenadas à morte após tortura e "confissões forçadas" por crimes que não cometeram. As falhas do sistema judicial no Uzbequistão e na Bielorússia permitem vários erros judiciais. As execuções no Uzbequistão seguem-se a alegações credíveis de julgamentos injustos, tortura e maus tratos frequentemente para obter "confissões".

Mas o movimento contra a pena de morte está imparável. Em 1977, só 16 países tinham abolido a pena de morte para todos os crimes. Em 2005, esse número cresceu para 86.

A Amnistia Internacional continuará na sua campanha contra a pena de morte até que todas as condenações à morte sejam comutadas e a pena de morte seja abolida. Os direitos humanos são para todos, inocentes ou culpados. É por isso que a pena de morte tem de ser abolida globalmente.

Entre  Janeiro a Dezembro de 2005,só na China as estatísticas apontam para 1770 executados. Um perito chinês em legislação foi citado recentemente como tendo afirmado que os números verdadeiros relativos às execuções na China se aproximam dos 8000. O Irão executou pelo menos 94 pessoas e a Arábia Saudita executou 86. Os EUA executaram 60 pessoas.

A eventual execução de Saddam,pela visibilidade que terá,será um mau momento para os activistas contra a pena de morte.Porque se para muitos,familiares de vítimas assassinadas,violadas,etc,só com uma justiça retributiva se aplacarão os desejos de vingança,algo tem de fazer a diferença entre a Justiça como valor e a Barbárie.

Deformação profissional de jurista....

 Fontes estatísticas:Amnistia Internacional
 

 

Salazar está na moda?
Por estes dias parece ter havido um ataque de salazaromania que merece um tratamento sociológico do porquê,e sobretudo porquê nesta altura da vida do país em que todos falam da dita depressão(se é que os povos têm depressões,o problema é mais falta de dinheiro...) É a polémica dos Grandes Portugueses.É um album de BD lançado no recente festival da Amadora.É o livro de Felicia Cabrita sobre os amores de Salazar.Tudo aponta pois para abordagens que ao matarem o Salazar das paixões e ódios e o centrarem como personagem histórico sem complexos,por paradoxal que pareça,fazem ressaltar um personagem simpático,nada misógino como se pintava,e até veladamente visto com saudade por aqueles que não viveram o tempo histórico em questão,e portanto têm desse período uma imagem de ouvir dizer que pelos vistos sublima mais os aspectos "positivos"(autoridade,relativo bem estar da classe média,colónias,Império),em contraste com a apagada e vil tristeza dos dias que passam(segundo outros).Se tal acontece,será por demérito da democracia que temos e não por mérito de Salazar.Esse,com o tempo lá voltará para o rol de Grandes Portugueses,com ponte de volta e tudo.Os líderes carismáticos foram sempre os ligados ao exercício da Autoridade.Veja-se D.João II,o Marquês de Pombal,Sidónio Pais.Como dizia Karl Marx,"a história repete-se sempre duas vezes,a primeira como tragédia, a segunda como farsa".Nada do que foi será como era,essa a grande realidade.
Eleição do mais velhaco português de todos os tempos

Ao invés de Grandes Portugueses,o mais importante seria eleger os piores de todos em todos os tempos.Eis as minhas sugestões

1.D.Afonso Henriques-bateu na mãe,subornou o Papa e pôs uma corda no pescoço de Egas Moniz.Mau elemento!

2.Pedro Álvares Cabral-fez-nos gastar um balúrdio prometendo ir á India para afinal ir a banhos para um resort em Porto Seguro

3.Marquês de Pombal-provocou um terramoto só para se mostrar

4.Joao XXI-a gente anos á espera dum Papa português e o tipo deixa-se morrer com uma telha na cabeça

5.Infante D.Henrique-aquilo em Sagres era para ser um negócio com o Sousa Cintra e não a Casa Pia da Ordem de Cristo.Não fosse ele “infante”...

6.Irmã Lúcia-pela pior tradução português-latim de todos os tempos

7.Jorge Nuno Pinto da Costa-por em 30 anos não ter descoberto que dragões,fadas e o Pai Natal não existem

8.Jerónimo de Sousa-por ainda não ter aprendido a dançar “O Bicho”

9.Fernando Pessoa-por ter morrido sem pagar os calotes em vinho no Abel Pereira da Fonseca

10.Salazar,porque lista de portugueses onde não conste,bons maus péssimos ou terríveis é políticamente incorrecto,e,portanto,porque sim.É por causa do “share!”

E ainda os seis milhões de “lampiões”,Bocage,o sr.Oliveira da Figueira,o cardeal D.Henrique,Eládio Clímaco,as meninas da Vodafone e o Fernando Mendes. É permitido votar por sinais de fumo,pombo-correio,código Morse ou telex,apenas

Grandes Portugueses

O aparentemente inofensivo programa da RTP para votar naquela que se considera um Grande Português afigura-se simbólico para o estado precário que a democracia e a ideia que os portugueses têm dela(desta)denota 30 anos depois da instauração da mesma. Para mim,interessa valorizar dois aspectos:o ser GRANDE.Grande numa área concreta,como profissional ou exemplo.E ser PORTUGUÊS,isto é,ter cotribuído para que a ideia de Portugal e o seu povo tenham evoluído ao longo do tempo,próximo ou remoto.

Daí que grandes músicos,cientistas,pintores,escritores ou políticos não sejam só por si grandes portugueses,pois não foi a pensar em Portugal ou na portugalidade que se moveram,antes pelo contrário,foi fugindo a um país padastro que muitas vezes se destacaram,porque eram bons naquilo que faziam,e não por serem portugueses(Vieira da Silva,Saramago,Pedro Nunes,Carlos Seixas)

 Também não me parece relevante,dum ponto de vista global ou estruturante da ideia de Grande Português que tivesse de ser um democrata,sendo que tal valor só foi valorizado depois da Revolução Francesa,e pode-se ser um grande patriota sem ser um democrata(Paiva Couceiro,Padeira de Aljubarrota,Nuno Álvares Pereira,Marquês de Pombal,Sidónio Pais)).

Daí que se tivesse de escolher um grande português,que se norteou pela consolidação de Portugal como Estado-Nação e lançou as raízes que permitiram a todos os outros destacarem-se até pelo menos 1580,só um pode ser escolhido.Não D.Afonso Henriques que ganhou territórios para si e não para Portugal,e os ia deitando a perder depois do desastre de Badajoz;não Camões,figura vaga que não se sabe sequer se existiu;não todos os que fizeram do seu desprezo/despeito a Portugal uma bandeira política e literáriamente correcta(Eça de Queirós,Fernando Pessoa,Lobo Antunes),mas sim o único estadista que consolidou o Estado,expandiu o nome de Portugal(e sem Império não haveria a dita "língua que nos une,nem colónias,nem ouro do Brasil,nem India,)e se impôs a Papas e Reis como pai da primeira globalização da História Moderna:D.João II,que planeou Tordesilhas,e Cabral,e o Gama,e reforçou o Estado e apunhalou adversários,chamado com respeito de "El Hombre" por Isabel,a Católica.

Também ele hoje estaria na categoria de tiranos,mas qual o rei que o não foi?E depois,a História de hoje não é igual á de ontem.Afinal,um dos maiores tiranos que houve em Portugal não tem hoje uma estátua ao cimo da avenida dita da Liberdade?E não matou os Távoras,e criou os monopólios e enriqueceu com a desgraça do terramoto?

Fazer História não é julgar,é compreender e relacionar.E a mim,como a Spinoza,"interessam-me os factos humanos não para aplaudi-los ou censurá-los,mas tão só para compreendê-los"

PS-Este post veícula apenas a opinião pessoal do seu autor
 

 

 

O Blogocídio

A Internet generalizou efectivamente a Sociedade da Informação,mas como sempre,associado a esta sempre esteve a calúnia,o boato,o plágio,a mentira,coisas em que o novo meio apenas diverge por ser virtual e,ao contrário da lesma,não deixar rasto. O uso deturpado,intencional ou leviano,do blogue,do mail,do comentário cria uma nova realidade de situações a que chamaria de blogocídios,sempre que o comportamento dos seus cyberautores raie a criminalidade,seja pela injúria,ofensa,plágio ou falsificação.Nesse campo,a Sociedade do Conhecimento tem ainda muito poucas protecções,pois,sem recorrer aos filtros censórios que certas empresas usam a pedido de regimes totalitários(o caso chinês da Microsoft) o usuário e autor de textos ou blogues está desprotegido,e nisso reduzidos ficam os seus direitos,nomeadamente a Liberdade. Quer a mim parecer que os abusos que ora se verificam por parte de mentes perversas,apatetadas ou a soldo de terceiros para envenenar e distorcer este novo meio ao serviço da democracia,pela livre opinião que sugere e permite,vão infelizmente descambar na filtragem,na censura ou no seu abandono.Nesta fase tudo depende da responsabilidade de cada um. A propósito destaco um poema que li na net e se aplica com alguma subtileza a estas situações:

First they came for the hackers. But I never did anything illegal with my computer, so I didn't speak up. Then they came for the pornographers. But I thought there was too much *** on the internet anyway, so I didn't speak up. Then they came for the anonymous remailers. But a lot of nasty stuff gets sent from anon.penet.fi, so I didn't speak up. Then they came for the encryption users. But I could never figure out how to work PGP anyway, so I didn't speak up. Finally they came for me. And by that time there was no one left to speak up."

Bloguers-Narcisistas ou Voyeurs?
O admirável Mundo Novo da blogosfera criou uma nova rede de comunicadores invisíveis: os bloguers.Solitários inspirados,uns,pedagógicos e interventivos,outros,lembram os antigos locutores da rádio,que por não se saber quem são,em pessoa,se ficava a advinhar pela voz timbrada e forte como seriam ao vivo,alimentando o mistério em torno desses fantasmas do computador(lembram-se do Radio Days de Woody Allen?).Neste caso,são os do outro lado,com post ou comentário presto,a rede silenciosa que ás vezes mostra que em silêncio também se pode gritar. Isto a propósito da constatação dum já vasto grupo de blogs(ou blogues)com interesse ,que nas suas várias vertentes,intimistas,didáticas,promocionais ou de mera reportagem substituem já em grande parte a imprensa escrita local,com a vantagem de estar sempre up to date. Para mim,bloguer recente,e nóvel cultor do zapping bloguista,gostaria de enaltecer as intervenções de grande qualidade que vários desses blogues encerram,entre a denúncia de injustiças,manifestação de estados de alma e voyeurismo(saudável) da realidade,social ou telúrica envolvente.Pelos blogues se pode hoje aferir o sentimento das pessoas acerca dos eventos dos tempos que passam,em que todos podem ser actores ou observadores,e nisso se pode dizer que igualmente se materializa a Sociedade do Conhecimento.Até que o dedo nos doa....Saudações.blogspot.paratodos!
Estamos com o Rivoli!

Triste país este onde a cultura para se afirmar como identitária e de todos requer barricadas e protestos ao nível do que se assiste por estes dias com o Teatro Rivoli,do Porto.

Portugal vive uma praga economicista onde a Verba se tornou inimiga do Verbo ,a cultura está no deve e haver como um saco de batatas,e a lógica da rentabilidade rende inexoravelmente a busca da qualidade.

Seria de esperar serem os gestores da Cultura a pugnar pela missão e espirito de serviço público que aos teatros nacionais e municipais,pelo menos,está destinada .Contudo,30 anos depois do 25 de Abril,a lógica consumista,que faz dos Malucos do Riso maior exito de bilheteira que Tchekov ou Garrett,tudo varreu,as nóveis empresas municipais que pululam por essas autarquias para gerirem os teatros e auditórios construídos com lógica eleitoral não foram pensadas para uma acção cultural consistente e continuada,e estão de costas para os agentes da inovação e criatividade.O Rivoli da canção de Rui Veloso cairá como tem caído o teatro independente,a Seiva Trupe,e outros.

Se noutros países por vezes menos avançados(dizemos nós) os artistas e teatros são acarinhados e estimados,este país de 900 anos agora não tem mais que vontade de ser espanhol e estes vontade que o sejamos?Não podemos deixar caír os braços na lógica fadista do Finis Patriae!.Bem hajam os barricados do Rivoli pois podem perder um teatro,mas ganharam um título:o de Cidadãos de Corpo Inteiro.Estes,sim,são os Grandes Portugueses! 

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