SOL

Os engenheiros técnicos

Publicação: 28 April 07 10:00 AM

No tempo em que eu fiz a escola primária, os miúdos dividiam-se em duas categorias: os que, uma vez concluída a 4.ª classe, deixavam de estudar para irem trabalhar e ajudar os pais nas despesas da casa, e os que continuavam os estudos.
Estes, por sua vez, ainda se dividiam em dois grupos: os que iam para o liceu e os que iam para a escola técnica.
Os que iam para o liceu eram os filhos dos ‘ricos’, os da escola técnica eram os ‘remediados’. Claro que os ‘ricos’ quase nunca eram ricos, pertenciam à classe média ou mesmo à pequena burguesia, e os ‘remediados’ muitas vezes eram pobres cujas famílias faziam das tripas coração para os filhos poderem estudar.
Os que seguiam o liceu cumpriam sete anos – e depois tinham pela frente a faculdade. Os que iam para as escolas técnicas cumpriam cinco – e daí transitavam para os institutos industriais ou comerciais.
E é aqui que começa verdadeiramente a nossa história.

Ao terminarem os cursos nos institutos industriais ou comerciais, os formandos ficavam com o título de ‘agentes técnicos’, ‘regentes agrícolas’ ou ‘contabilistas’.
Devo dizer que, com honrosas excepções, estas pessoas viviam cheias de complexos. Porque eram tratadas por ‘senhores engenheiros’ (os agentes técnicos e os regentes agrícolas) ou por ‘senhores doutores’ (os contabilistas), mas sabiam que não eram nem engenheiros nem doutores. No máximo, eram ‘engenheiros de segunda’ ou ‘doutores de segunda’. Mas também, convenhamos, não dava jeito nenhum tratá-los por «senhor agente técnico» ou «senhor regente agrícola».
Além de que, nestas designações académicas, estava presente um estigma de classe. De casta. Os agentes técnicos, os regentes agrícolas e os contabilistas eram em geral oriundos de famílias cujos pais, como vimos, não tinham posses para mandarem os filhos para o liceu. Eram os ‘filhos dos remediados’. E essa ideia de casta magoava, representava um ferrete para toda a vida.

Assim, a partir de certa altura – no tempo de Marcello Caetano –, quando um sopro de democratização atravessou o país, os agentes técnicos e os regentes agrícolas passaram a ser oficialmente designados por ‘engenheiros técnicos’. E, deste modo, a divisão entre verdadeiros e falsos engenheiros atenuou-se. Eram todos engenheiros – embora uns tivessem no título um pequeno acrescento, na maior parte das vezes omitido, que era a palavra ‘técnico’.

Conheci relativamente bem esta realidade, porque a minha mãe foi durante muitos anos professora de um desses estabelecimentos onde se tiravam cursos médios – o Instituto Comercial de Lisboa, à Rua das Chagas –, onde foi professora de alguns jovens que viriam a tornar-se célebres e a ter um importante papel no futuro do país: Cavaco Silva, Ernâni Lopes, Eduardo Catroga, Mário Castrim (aliás, Manuel Nunes da Fonseca).

Esse mal-estar que atingia os engenheiros ou os economistas ‘de segunda’, mesmo depois da emenda legal que lhes alterou o nome, levava muitos deles a inscreverem-se posteriormente na universidade para se tornarem ‘verdadeiros engenheiros’ ou ‘verdadeiros economistas’.
Foram os casos, por exemplo, de Cavaco, Ernâni e Catroga – que, depois de serem alunos da minha mãe, pediram a equivalência a Económicas e fizeram no Quelhas as cadeiras que lhes faltavam para serem mesmo ‘senhores doutores’.

Foi mais ou menos esta a história de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, que tanta tinta tem feito correr e afinal se resume a muito pouco.
Fez o liceu na Covilhã, como os meninos ‘ricos’. Mas o encerramento, a seguir ao 25 de Abril, da Faculdade de Engenharia do Porto, onde o pai o tinha matriculado, levou-o a inscrever-se num curso médio que lhe dava apenas direito ao título de ‘engenheiro técnico’. 
Assim, mais tarde, como milhares de outros engenheiros técnicos, Sócrates sentiu necessidade de ter um curso superior, de usar o título de engenheiro sem complexos por não o ser verdadeiramente – e matriculou-se numa universidade que, por não ter grande exigência, não o obrigava a muito trabalho: a Universidade Independente.
Deram-lhe as equivalências que entenderam dar (justas ou injustas), fizeram-lhe os exames que entenderam fazer (concedendo-lhe mais ou menos facilidades) – e Sócrates lá ficou engenheiro sem a palavra ‘técnico’ à frente.

À semelhança de muitos outros agentes técnicos, regentes agrícolas e contabilistas por esse país fora, José Sócrates quis limpar essa ‘nódoa’ do seu passado, esse ferrete que significava para quase todos uma marca de classe.
Isso constituirá um crime?
E que necessidade há de remexer na ferida, de lhe atirar à cara que antes não era bem engenheiro e hoje o é por favor?
No fundo, aqueles que atacam Sócrates fazem-no ou por uma mal disfarçada ‘superioridade de classe’ – como quem diz: tu não és um dos nossos – ou por um certo sentimento de inveja – por não se terem formado e não quererem que Sócrates passe por ser mais do que eles.

A mim, a licenciatura do primeiro-ministro não faz nenhuma confusão. Admito que tenha havido aqui ou ali uma certa facilidade. Mas isso terá importância para encher páginas e páginas de jornais ditos ‘sérios’? E quantos alunos se formaram em universidades privadas e públicas sem terem o mínimo de capacidades para serem doutores ou engenheiros?
Compreende-se, por todo o envolvimento social, que Sócrates tenha querido ter um canudo. Mas isso não o faz melhor nem pior primeiro-ministro. E quantos têm um canudo que ninguém contesta e não serviriam sequer para dactilógrafos da presidência do Conselho de Ministros?

por JAS

Comentários

# Tpestana said on April 30, 2007 1:12 PM:

Caro director,

Sinceramente não o compreendo...

Tenho-o por uma pessoa extremamente honesta e que gosta de passar a sua honestidade para o papel... Mas nesta "Estória" do nosso primeiro-ministro tem tido uma atitude bastante dúbia.

Já toda a gente disse e redisse que o problema não é o homem ter ou não ter o canudo. Com toda a certeza o sr. director também já percebeu que não é esse o problema... Por é que insiste nisso?

Porque é que não percebe (ou não quer perceber) que o problema é a forma como o diploma foi obtido (ou não), é as equivalências que lhe foram dadas (ou não), é a contra-informação de todo o processo e é, PRINCIPALMENTE, a cara de pau do primeiro ministro a negar qualquer responsabilidade neste assunto em plena RTP1...

É a forma como ele negou conhecer o professor que lhe deu as 4 cadeiras, é a forma como ele enrolou todas as (poucas) questões que lhe foram levantadas pelos jornalistas, como atribuiu a responsabilidade a (inúmeros) erros de secretaria numa universidade que, curiosamente, apenas agora começa a revelar problemas administrativos...

Niguém quer saber se o homem é ou não engenheiro (até porque de pontes e prédios deve saber muito pouco), ou que interessa é saber o que é que ele fez para ter esse curso...

Sinceramente, se não tivesse lido tantas vezes o Expresso, e agora o Sol, diria mesmo que o sr. director está a fazer um frete a alguém...?

# mulher said on April 30, 2007 4:32 PM:

Caro director,

Faço minhas as palavras do orador precedente...

Quando Mariano Gago disser se paga ou não a factura da UNI, voltamos a conversar.

Cumprimentos

Fernanda

# mjdstcosta said on April 30, 2007 6:04 PM:

Concordo plenamente com as palavras de JAS. Quem folhear aa paginas dos jornais em Portugal fica a pensar que a nossa unica preocupacao e se o primeiro-ministro e ou nao licenciado e como obteve essa licenciatura. Ou como esta a lidar com a situacao. Ainda nao ouvi ninguem questionar a qualidade do ensino nas universidades privadas, a verdadeira questao nesta historia.

Mas enfim, se calhar dever-se-ia mesmo instaurar mais um inquerito, ou estabelecer uma comissao independente como alguem sugeriu...

# totasantos said on April 30, 2007 8:28 PM:

Com todo o respeito, por quem escreve e lê.

Sem dúvida, é importantissimo que se analize como foi adquirido o diploma de José Socrates, não para que se torne mais eficiente como primeiro ministro, mas para que o próprio seja um ministro como deve.Sem mácula.

Mas não paralizemos o País por isso, não gastemos tanto tempo na imprensa pois só desviará as atenções de coisas mais sumarentas.De qualquer forma é dificil entre 10 milhões de Portugueses, dar razão a todos e todos a merecem pelo livre direito de opinião.Perdoem-me a intromissão.Totasantos.

# lpasr said on April 30, 2007 11:07 PM:

O meu Caro JAS, ou é b+u+2xr+o (e parolo), ou faz-se. A primeira questão tem directamente a ver com a sua suspeita defesa, diria cega (pelo menos), de um senhor que por acaso é o nosso primeiro ministro (estou-me nas tintas para o partido)numa aldrabice nojenta e parola. Como os outros comentadores já induziram, o sujeito da questão exibe o tradicional xico-espertismo de se pretender licenciado "à la minute" (o mentecapto nem sabia que só a Ordem lhe pode conferir o título de Engenheiro) com mais um tal mestrado, e/ou pós-graduação, existindo um receio, o meu e muito legítimo, de que este não seja um caso isolado, ou seja, que a corja que nos governa já o tenha utilizado noutras vezes.....é que são os portugueses que pagam.

O caro director deveria falar do que sabe não do que inventa, assim o devia obrigar o código deontológico dos jornalistas (muitos meros escribas). Ponto primeiro; as escolas técnicas (industriais e comerciais) foram "abatidas" pelo PS (por uma figura entretanto falecida) (eu sei o que era ter Oficinas três tardes por semana, quando os meus amigos no liceu "iam a banhos" ou jogavam uma bela futebolada, nos dias em que "pegava" às 08:00 e saía às 18:00 com 45 minutos para almoço), até chegármos ao ponto em existem cursos do secundário que não têm matemática. O facto das figuras mencionadas terem passados pela "meia-luz", tenho dúvidas que seja abonatório para a vertente do ensino numa perspectiva menos teórica e mais prática...mas enfim. Ponto segundo; Engenheiros Técnicos versus Engenheiros. Sabia o senhor director que o engenheiro técnico no terceiro ano já possuia um grau académico que lhe permitia arranjar emprego, enquanto o "parolo" do engenheiro seria apenas um "12º ano" até concluir a licenciatura colocando-o logo em desvantagem no mercado de trabalho. Ponto três; como percebeu (?) passei por uma escola industrial, sou ENGENHEIRO, tenho um MESTRADO em Gestão (não um MBA comprado) e nunca achei piada aos "parolos" que assinam Eng. ou Dr. junto com o nome, e passei por cargos de direcção de multinacionais estrangeiras (também sou um director, ou fui, 60% dos meus subordinados ganhavam mais do que eu e sempre "obriguei" toda a gente a tratar-me pelo meu nome, até os meus alunos).Se vexcia não for um equídio (sem desmerecer do pobre animal) há-de compreender que me é difícil entender um tipo de gente que viveu, e vive, à sombra da política numa manta de trafulho-aldrabices. Ponto quarto; não conheço nínguem que tenha concluido, sejam os estudos que forem, que não tenha pedido o respectivo certificado, diploma, carta de curso, etc. E saiba o senhor que os tenho todos imaculadamente guardados, sem uma razura, não vá dar-se o caso de ser eleito primeiro-ministro "à la minute"....mas dos que trabalharam para as habilitações que têm. Ponto cinco; os cargos exercidos devem estar directamente relacionados com a competência, honestidade, dignidade, e nunca (ou pelo menos cada vez menos) com uma competência criada pelo Sr.PM, a confiança política - vá-se lá saber porquê. Ponto último; o meu percurso académico começou na Faculdade de Ciências (a seguir ao incêndio) nos dois primeiros anos, quando passei para o Técnico fui chamado para a tropa, para o Porto, fui o segundo classificado no CGM com direito a vir para Lisboa continuar os estudos mas passáram à minha frente 2 Sócrates (resultado; 17 meses no Porto), demorei a "ganhar o ritmo" (perda de contacto com colegas, reformas curriculares , etc.) e levei 9 anos no total para acabar a licenciatura de 5 quando a média no técnico (sem a tropa) eram 7 anos...nada mal.

Portanto meu caro JAS....vá a 63732!      

# Analou said on May 1, 2007 12:11 PM:

Como é possivel que o Snr AJS, que é uma pessoa  inteligente, culta e que tenho como honrada, não esteja a querer ver a verdade?

Ninguém em Portugal faz questão de ter um PM que seja Dr ou Eng mas qualquer pessoa tem de ficar indignada quando vê o 1º Ministro  mentir descaradamente sobre o percurso académico.

O problema está com JS não com o povo que o critica.

Se JS tinha complexos por não ter uma licenciatura a sério devia ter estudado para a obter como muito boa gente faz, já na idade adulta, em horário post laboral  com muito esforço e trabalho.

Se a UI foi gerida por um bando de  vigaristas, quem usufruiu das trapalhadas perpetadas por essa gente, para obter uma licenciatura  falsificada ,é igualmente culpado.

Qualquer comun dos mortais seria vexado e despedido, se não se despedisse antes, e punido  com um processo disciplinar  se tivesse um percurso académico tão irregular e aldrabado como JS, não é verdade?

Pq motivo o 1º Ministro de Portugal está acima da lei e tudo lhe é desculpado? Não será o 1º Ministro de qualquer país civilizado o 1º a ter de dar o exemplo de correcção e honestidade?

-A partir do escândalo da licenciatura de Socrates, a honestidade terá ainda algum valor?

# mjdstcosta said on May 1, 2007 12:42 PM:

Este assunto ja cansa... Pelo amor de Deus! Vamos ultrapassar esta questao e pensar no que e realmente importante: as 'UI' do nosso pais!

# Melita said on May 1, 2007 2:18 PM:

Olá,

Sem entender Politica pergunto se a questão de fundo não era apenas a mentira, favorecimento (pq conheço gente que não entra em cursos do estado por décimas abaixo da media que por si já é altissima) e documentos duplicados do mesmo assunto que estava em causa?

Será que por se estar de acordo com o alguém tudo lhe é permitido?  será que se fosse alguém da oposição teriam a mesma forma de pensar?

Penso que o mal de qualquer pessoa é viver com dois pesos e duas medidas na vida e nem sequer me atrevo a falar de politica, porque aí...achava q a exigência de caracter deveria ser superior a tudo, cursos, dinheiro etc.

Na politica deveriam pesar-se competencia e caracter, para mim bastaria para eleger alguém com ou sem curso...

Bom feriado

# surpreso said on May 1, 2007 4:11 PM:

Mais um artigo cheio de ligeireza.A passagem de agente a engnheiro técnico foi uma "conquista de Abril",uma "proletarização por up-grade".Como bem diz Ipsar ,a passagem pelo Técnico era dificil e com a diferença de que os AT sabiam fazer coisas enquanto os do Técnico(onde me incluo) só tinham leituras...O caso do sr Pinto de Sousa fo umtru

# surpreso said on May 1, 2007 4:11 PM:

Mais um artigo cheio de ligeireza.A passagem de agente a engnheiro técnico foi uma "conquista de Abril",uma "proletarização por up-grade".Como bem diz Ipsar ,a passagem pelo Técnico era dificil e com a diferença de que os AT sabiam fazer coisas enquanto os do Técnico(onde me incluo) só tinham leituras...O caso do sr Pinto de Sousa fo umtru

# surpreso said on May 1, 2007 4:11 PM:

Mais um artigo cheio de ligeireza.A passagem de agente a engnheiro técnico foi uma "conquista de Abril",uma "proletarização por up-grade".Como bem diz Ipsar ,a passagem pelo Técnico era dificil e com a diferença de que os AT sabiam fazer coisas enquanto os do Técnico(onde me incluo) só tinham leituras...O caso do sr Pinto de Sousa fo umtru

# surpreso said on May 1, 2007 4:11 PM:

Mais um artigo cheio de ligeireza.A passagem de agente a engnheiro técnico foi uma "conquista de Abril",uma "proletarização por up-grade".Como bem diz Ipsar ,a passagem pelo Técnico era dificil e com a diferença de que os AT sabiam fazer coisas enquanto os do Técnico(onde me incluo) só tinham leituras...O caso do sr Pinto de Sousa fo umtru

# surpreso said on May 1, 2007 4:18 PM:

Continuando:o caso do sr Pinto de Sousa foi uma aldrabice para passar à carreira de técnico superior na Câmara,já que na FP só quem

é licenciado ou "equivalente" (e há muitos equivalentes,como por exemplo os professores...)é que tem remuneraçaõ interessante.Depois sr.Saraiva,aquela "licenciatura" com 5 cadeiras,sendo 4 dadas por um amigo da família e  a outra inglês "quê?"é uma farsa.O sr Sousa é um pantomineiro e por muito menos andaram vocês todos -4ºpoder- a descacascar no Santana Lopes.Tenham vergonha...

# surpreso said on May 1, 2007 4:25 PM:

Peço desculpa pelas 4 repetições.Mas, este tema agita-me o indicador...

# Arrebenta said on May 1, 2007 5:11 PM:

Manifesto do Primeiro de Maio - A favor da necessidade de interditação dos direitos políticos do cidadão José Sócrates

Nós, cidadãos de pleno direito do Estado Português, em plena posse dos nossos direitos cívicos e sociais, cumpridores de todos os deveres, perante a Constituição e as leis nacionais vigentes, protegidos, desde 1985, pelos sucessivos tratados de integração do Espaço Europeu, vimos, por este meio, tomar uma posição cívica sobre um assunto que tem gangrenado e lançado um clima de suspeita generalizada sobre a Dignidade do Estado e o normal funcionamento das instituições democráticas.

Não sendo Portugal um estado pária, fazendo, pela sua história e postura de modernidade, perante o Século, parte do Hemisfério Civilizado, pretende este grupo de cidadãos não ver a sua dignidade, por arrasto, alvo de quaisquer comentários duvidosos, expressões dúbias, ou inferências, nem ver-se envolvida, por parte das imprensas nacionais dos estados, nossos pares comunitários, em qualquer tipo de escândalo, atentatório da nossa honra, paridade e presunção de verticalidade, por motivos de inoperância política, aos quais somos totalmente alheios.

Dada a urgência da situação, e não podendo a dignidade nacional, e a nossa própria, estar dependente de processos de investigação judicial, pela sua própria natureza, imprevisivelmente longos, e sendo a vulnerabilidade política um processo autónomo destas, vem este grupo de cidadãos reclamar a imediata tomada de posição dos Órgãos Eleitos da Nação.

Com vista a tornar mais visível a nossa inquietação, vimos, neste dia 1º de Maio de 2007, desencadear uma cadeia de Opinião Pública, cujo objectivo primordial é o de, em vésperas da Presidência Rotativa Europeia, impedir que a mesma seja assumida pelo Senhor José Sócrates Pinto de Sousa, que já não se encontra na plena posse das qualidades éticas, políticas e de salvaguarda da dignidade nacional necessárias para o exercício de tais funções cruciais.

Desta iniciativa, agradecemos a mais rápida e ampla divulgação.

Muito obrigado.

http://braganza-mothers.blogspot.com/

# PlenaCidadania said on May 1, 2007 11:47 PM:

Sr. Director

Tenho a impressão que passou ao lado do essencial, o que, dada a sua inteligência, me causa alguma perplexidade.Para mim, como para muita gente que oiço, o essencial neste caso é saber se o primeiro -ministro do meu País tirou partido da balbúrdia que está instalada, beneficiando das facilidades que o sistema proporciona a alguns. Se assim foi, a entrevista que deu, negando essa circunstância, mostra ao Povo uma pessoa que não tem coragem de dizer a verdade, por muito que lhe custe.

A transparência é um valor da democracia e, por isso, o Povo espera ser completamente esclarecido o que até hoje não tem acontecido. E enquanto não for, é natural que se interesse por este assunto

Eugénia Moura

# PlenaCidadania said on May 1, 2007 11:49 PM:

Sr. Director

Tenho a impressão que passou ao lado do essencial, o que, dada a sua inteligência, me causa alguma perplexidade.Para mim, como para muita gente que oiço, o essencial neste caso é saber se o primeiro -ministro do meu País tirou partido da balbúrdia que está instalada, beneficiando das facilidades que o sistema proporciona a alguns. Se assim foi, a entrevista que deu, negando essa circunstância, mostra ao Povo uma pessoa que não tem coragem de dizer a verdade, por muito que lhe custe.

A transparência é um valor da democracia e, por isso, o Povo espera ser completamente esclarecido o que até hoje não tem acontecido. E enquanto não for, é natural que se interesse por este assunto

Eugénia Moura

# JMFC said on May 2, 2007 5:34 PM:

JAS está a afirmar o que ninguém ouviu dizer a José Sócrates.Poderá supor que assim terá sido.O tal estigma.Poderia ter dito que este pretenderia uma maior e melhor qualificação profissional.Talvez não fosse tão aceitavel por logo-logo ter optado pela UNI.Muitas outras considerações poderiam ser feitas e foram-no concerteza noutros orgãos de comunicação social.Algumas malévolas.É a factura que paga quem tem visibildade.

O que eu pretendo chamar à colação é o facto do ensino ministrado no meu tempo de estudante, poucos anos antes do 25 de Abril,nos chamados Institutos Industriais,ser de elevada qualidade.Tirei a minha licenciatura na FEUP.Tive colegas e amigos que estudaram no IIP. Alguns vieram posteriormente para a FEUP.Posso afirmar que sob o ponto de vista prático tinham uma formação superior.A formação teórica também era apreciável e era um bom suporte da sua formação prática.

O que é importante realçar é que este ensino de qualidade foi deitado às malvas pelo 25 de Abril.A igualização de tudo,os tais estigmas que se pretendeu tirar,levou a haver apenas um ensino superior degradado e ter-se acabado com o ensino médio e o profissional.Hoje,passados 33 anos sobre a Revolução dos Cravos,ainda não nos recompusemos de tais dislates...

# mulher said on May 3, 2007 9:10 AM:

Caro Director

Perdoe-me se venho aqui de novo, mas só quero deixar uma sugestão a quem estiver interessado neste assunto, aconselho uma leitura da Visão on-line.

«A SIDES, empresa proprietária da Universidade Independente, apresentou uma queixa-crime contra sete professores da Universidade Independente, acusando-os de falsificação de títulos académicos, que venderiam no Brasil, com o apoio de um intermediário português, residente naquele país...»

Os meus cumprimentos

Fernanda

# onlyghost said on May 4, 2007 5:10 PM:

Meu caro José António Saraiva,

Este artigo aqui publicado, com uma carga política exagerada, na minha óptica, para quem como você, dirige um jornal cuja linha editorial visa uma convivência pluralista.

Nunca coloco em causa quem ousa expressar as suas opiniões políticas visto ser essa uma das funções de cidadania às quais estamos todos obrigados, como actores da vivência nesta sociedade, sob a batuta da Constituição da República, aprovada em 2 de Abril de 1976.

Mas este artigo, meu caro José António, coloca-o na posição de advogado do diabo, que não deveria ser premissa autorizada à figura do director do «SOL».

Embora perceba a sua tendência política favorita, tal não deveria significar tamanha exposição por uma causa perdida, moribunda, praticamente cadáver.

Já todos perceberam das condições altamente favoráveis utilizadas pelo Sr. Sócrates enquanto eleito político, para concluir a malfadada licenciatura.

Portanto, torna-se contraproducente o repassar do episódio. Penso até que, no interesse do próprio, tal já deveria ter sido esquecido.

Agora se a acutilância do seu artigo pretendeu apenas envolver, mesmo que de forma lateral, nomes de pessoas conceituadas como Aníbal Cavaco Silva ou Eduardo Catroga, cujas cores alaranjadas contrastam com a sua rosa, naquilo que se designa de contra-informação ou baixa política, numa tentativa de colar a atitude de Sócrates, alguém que se permitiu ser tratado por um titulo académico que não possui, com pessoas de elevada craveira moral e sem máculas de carácter, é na minha opinião, algo que não colhe.

Valeu a tentativa, caro José António Saraiva.

Saudações a todos.

# eccehomo said on May 6, 2007 5:03 PM:

JAS é um excelente jornalista mas, ainda assim, é mais um mortal.

O seu orgulho em n reconhecer que terá errado, e sobretudo, em teimar no mesmo assunto, como q não aceitando a falha, torna-o ainda mais mortal e comum.

E esse foi o problema com o diploma do P.M.

O episódio deu-nos a entender q J. Sócrates é tão vulgar como um mortal qualquer, fazendo-se valer de expedientes iguaizinhos aos do zé povinho.

Claro que ele pode ser o melhor 1ro ministro do mundo, mas dificilmente se aceitarão sentenças morais vindas de alguem que não tem muito mais elevação que nós.

E se um 1ro ministro perde a capacidade de moralizar a sociedade, parece-me que isto constitui um problema gravíssimo.

Pelo que ja li de JAS, estou convencido que entende perfeitamente o cerne da questão, só que, entre centenas de artigos correctíssimos, coube-lhe agora a vez ir contra a corrente.

Afinal é humano, e tem o direito de se equivocar. Ai de nós se isto nunca lhe acontecesse...

# NORTHWIND said on May 7, 2007 11:17 AM:

Se um primeiro ministro tem um "CANUDO" ou nao, nao me aquece nem me arrefece...... O que me preocupa, e de que maneira, e que a Nacao Portuguesa, salvo rarissimas e honrosas excepcoes, seja controlada pelo "LEGALIZED CRIME" em quase, se nao em todas, as suas vertentes!!!!! Isso sim preocupa-me e de que maneira. Que os politicos mintam com todos os dentes que tem na boca e nada lhes aconteca isso preocupa-me e de maneira... Que ministros, primeiro ministros exercam o cargo sem que tenham sido ileitos democraticamente para o cargo !!!!!( por que circulo ileitoral foram ileitos ???????) isso sim preocupa-me e de que maneira. Que escondam de quem neles vota as suas "ASSOCIACOES SECRETAS" isso sim preocupa-me e de maneira!!!!!!!!! Que abram as frontiras ao terrorismo, imigracao ilegal, mafias, entra tudo minha gente, etc. isso sim preocupa-me e de que maneira! Que esclavizem em nome da "DEMOCRACIA" o POVO isso sim preocupa-me e de maneira. Que em vez de uma "DEMOCRACIA" tenhamos um "CARTEL" corrupto, incompetente, sinistro, satanico etc. isso sim preocupa-me e de maneira !!!!!!!  E por ai adiante..... E uma das coisa que me preocupa e de que maneira e que o Jornalismo Nacional seja pauperimo em se debrucar, investigar e expor os CRIMES CONTRA A NACAO PORTUGUESA QUE O LEGALIZED CRIME DIARIAMENTE COMETE !!!!!!!!

# Jaguar said on May 7, 2007 12:53 PM:

DIRECÇÃO DO SOL--A ET NÃO PUBLICA O MEU POST " O NOSSO PÃO" E NÃO MOSTRAM QUE ESTOU AQUI----QUE ATÉ PODERIA EU PROPRIO MOSTRAR O POST....

VOLTÁMOS AO ANTIGAMNET DONA EQUIPA TÉCNICA?

QUEREM-ME FORA DAQUI?

JAGUAR

Publicação: Monday, May 07, 2007 12:14 PM por Jaguar Editar  

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# lpasr said on May 22, 2007 12:32 AM:

Sr.DIRECTOR comente.....

Professor de Inglês suspenso de funções por ter comentado licenciatura de Sócrates

2007-05-19 10:09:00 Mariana Oliveira

Um professor de Inglês, que trabalhava há quase 20 anos na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), foi suspenso de funções por ter feito um comentário – que a directora regional, Margarida Moreira, apelida de insulto – à licenciatura do primeiro-ministro, José Sócrates.

A directora regional não precisa as circunstâncias do comentário, dizendo apenas que se tratou de um "insulto feito no interior da DREN, durante o horário de trabalho". Perante aquilo que considera uma situação "extremamente grave e inaceitável", Margarida Moreira instaurou um processo disciplinar ao professor Fernando Charrua e decretou a sua suspensão. "Os funcionários públicos, que prestam serviços públicos, têm de estar acima de muitas coisas. O sr. primeiro-ministro é o primeiro-ministro de Portugal", disse a directora regional, que evitou pormenores por o processo se encontrar em segredo disciplinar. Numa carta enviada a diversas escolas, Fernando Charrua agradece "a compreensão, simpatia e amizade" dos profissionais com quem lidou ao longo de 19 anos de serviço na DREN (interrompidos apenas por um mandato de deputado do PSD na Assembleia da República).

No texto, conta também o seu afastamento. "Transcreve-se um comentário jocoso feito por mim, dentro de um gabinete a um "colega" e retirado do anedotário nacional do caso Sócrates/Independente, pinta-se, maldosamente de insulto, leva-se à directora regional de Educação do Norte, bloqueia-se devidamente o computador pessoal do serviço e, em fogo vivo, e a seco, surge o resultado: "Suspendo-o preventivamente, instauro-lhe processo disciplinar, participo ao Ministério Público"", escreve.

A directora confirma o despacho, mas insiste no insulto. "Uma coisa é um comentário ou uma anedota outra coisa é um insulto", sustenta Margarida Moreira. Sobre a adequação da suspensão, a directora regional diz que se justificou por "poder haver perturbação do funcionamento do serviço". "Não tomei a decisão de ânimo leve, foi ponderada", sublinha. E garante: "O inquérito será justo, não aceitarei pressões de ninguém. Se o professor estiver inocente e tiver que ser ressarcido, será."

Neste momento, Fernando Charrua já não está suspenso. Depois da interposição de uma providência cautelar para anular a suspensão preventiva e antes da decisão do tribunal, o ministério decidiu pôr fim à sua requisição na DREN. Como o professor, que trabalhava actualmente nos recursos humanos, já não se encontrava na instituição, a suspensão foi interrompida. O professor voltou assim à Escola Secundária Carolina Michäelis, no Porto. O PÚBLICO tentou ontem contactá-lo, sem sucesso.

No entanto, na carta, o professor faz os seus comentários sobre a situação. "Se a moda pega, instigada que está a delação, poderemos ter, a breve trecho, uns milhares de docentes presos políticos e outros tantos de boca calada e de consciência aprisionada, a tentar ensinar aos nossos alunos os valores da democracia, da tolerância, do pluralismo, dos direitos, liberdade e garantias e de outras coisas que, de tão remotas, já nem sabemos o real significado, perante a prática que nos rodeia."

# euring said on February 24, 2009 9:13 PM:

Caro Director do Sol, ArqºJosé António Saraiva!

Li o seu artigo de opinião sobre os Engenheiros Técnicos e não resisti a me registar no seu blog sómente para fazer este meu comentário sobre o mesmo.

A sua "história" sobre os Engenheiros Técnicos até estaria bem contada se não sofresse de um erro de concepção. De facto, ela não é mais do que a velha lengalenga utilizada pelos "Velhos do Restelo" da Ordem dos Engenheiros (e agora também por alguns "Novos do Restelo") para prejudicar e minimizar a actividade e o prestígio profissional desta Classe de Engenheiros. E digo desta classe de ENGENHEIROS, porque de Engenheiros se tratam, possuidores de um Curso Superior COMPLETO de Engenharia de três (3) ou quatro (4) anos, conforme  tirado em Lisboa, em Coimbra ou no Porto depois do 25 de Abril, mas com mais unidades de crédito que muitas Licenciaturas em Engenharia na altura, inclusivé a do Instituto Superior Técnico. É evidente, que esta minha posição e análise se reporta a um Ciclo de Vida, pois é disso que a "História" trata e não de processos imutáveis e "non mutantis". Assim como a sua análise histórica estará correcta até ao 25 de Abril (não lhe estou a chamar "Velho do Restelo"), pois com a transformação dos antigos Institutos Industriais em Institutos Superiores de Engenharia, o seu "Estatuto" alterou-se de Escolas de Ensino Médio para Escolas Universitárias, ou se preferir, Superiores. Não por simples Decreto-Lei ou Regulamentar, mas por conteúdos programáticos e condições de acesso. É certo, que depois disso muita tinta já correu e essas mesmas Escolas já sofreram muitas alterações Curriculares. Com o ingresso no Ensino Superior Politécnico o nível do Bacharelato foi nos princípios dos anos 90 alterado para cerca de 35 Cadeiras Semestrais (veja-se a diferença e depois não me digam que não estamos numa República das Bananas, dado que se manteve o mesmo Grau Académico). No meu tempo de estudante, e pessoalmente, concluí um "dito" Bacharelato com 52 Cadeiras Semestrais (a Licenciatura do Técnico na altura tinha sómente 51 Cadeiras Semestrais). Daí, peço-lhe desculpa, mas a minha INDIGNAÇÃO quando vejo escrever e ouvir dizer tanto disparate sobre os Engenheiros Técnicos. Porque se confunde de facto e prepositadamente os Engenheiros Técnicos com os antigos Agentes Técnicos ou Regentes Agrícolas.

Nem sei inclusivé, se valerá a pena perder tanto tempo e tinta a escrever sobre este tema, tanto mais que agora já possuímos Mestrados com o nível das Licenciaturas via Processo de Bolonha e, verdade se diga, devido à casmurrice dos Velhos do Restelo que se encontram à frente das Ordens Profissionais e da Élite "Pensante" ou Classe Dominante Portuguesa, como se lhes queira chamar. Agora, seremos certamente um País de Doutores mas com uma mentalidade demasiado mesquinha e oportunista para enfrentar com sucesso o FUTURO e a Competitividade Europeia e Mundial.

Pessoalmente, muito mais apreciaria o Sr.Engenheiro José Sócrates como Engenheiro Técnico e meu colega, do que como um qualquer "Licenciado" em Engenharia, via Universidade Independente. Este "Licenciado" entre aspas não é depreciativo, pois não é óbviamente menos licenciado que os actuais "Licenciados". Pois se já o era, só precisava de um Diploma que lhe atestasse isso de facto. Talvez dele necessitasse por orgulho próprio, complexos, ou pressões por parte dos seus colegas de Partido, dado que, como se sabe, para se ser Primeiro Ministro não é necessário ser "Licenciado". Não o incrimino por isso. Aliás, eu já li um artigo de um eminente Professor e Projectista de Pontes do nosso País onde diz que andou a passear no Técnico e na "má vida" os primeiros anos e depois concluíu a Licenciatura em três (3?) anos. Isto ainda antes do 25 de Abril.

É óbvio que todos sabemos que o Senhor Primeiro Ministro é um POLÍTICO de Profissão e gosto e não um Engenheiro. Aliás, como penso que o Senhor Arquitecto José António Saraiva será mais um Jornalista de Profissão e gosto do que propriamente Arquitecto.

O que me preocupa de facto é esta impunidade geral dos políticos, magistrados, polícias, ou seja, dos fundamentos do Estado de Direito (Poder Legislativo, Judicial e Executivo) e empresários, gestores, bancários e outros quejandos, ou seja da Sociedade Civil, quer sejam de Direita ou de Esquerda.

O que me preocupa são o exemplo que estamos a dar para os nossos filhos e pessoalmente tenho dois ainda jovens. O que lhes é transmitido é que nesta sociedade podre, os chicos espertos são os que vingam na vida, com expedientes e aldrabices e não com o Saber e Saber Fazer.

É triste, mesmo muito triste...

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