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FACE OCULTA’. Vara e Penedos ouvidos em Aveiro. Santos Silva tenta ensaiar vitimização partidária. Sem sucesso. Não se pode passar a vida a gritar ao lobo... E Vara-2009 não é Sócrates-2008 ou 2009. Tem dois bancos atrás de si como percurso recente. E, a meu ver, não deveria ter ido nem para um nem para outro. Gente muito ligada à política não é indicada para a banca.
DESPACHOS. Cluny tem toda a razão: tem de se conhecer os despachos do presidente do STJ e do PGR. Ou foram lavrados em dossiê sem processo e não existem. Ou em inquérito contra Sócrates, que foi encerrado – e não há segredo de Justiça. Além de que é muito duvidoso que o presidente do STJ pudesse substituir-se à secção criminal do Supremo. Caso em que o despacho seria nulo.
CORRUPÇÃO. Portugal desce no ranking internacional. Impressionante é ver como os portugueses vão piorando a sua visão acerca de si próprios.
ÁFRICA DO SUL. Custou, mas o jogo decisivo na Bósnia chegou a ser empolgante. Único senão: tive de o ver gravado (salvo os últimos 10 minutos) por causa de uma aula de doutoramento. Professor sofre...
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DIPLOMACIA. Colóquio na Faculdade. Participei em painel sobre as relações externas de Portugal. Com António Sobrinho, administrador do Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal. Mais de centena e meia de inscritos. Boa iniciativa da Associação Académica.
ECONOMIA. Recuperação no 3.º trimestre. Mas desemprego preocupante, previsões europeias pesadas e paragem do investimento externo. E a sensação de arranque fraco do Governo. Com o primeiro-ministro, ademais, atingido por tiros no porta-aviões…
DESEMPREGO. Taxa sobe vertiginosamente. Em teoria, só 9,8%. Na prática, mais de 10%. Bem pode o Banco de Portugal dizer que a economia portuguesa cai menos, que a realidade social palpável diz o contrário.
TAP. Depois da fusão Ibéria-BEA, ainda mais urgente definição estratégica na TAP. A menos que se aceite inércia perigosa ou engolimento pela nova entidade. Que tal pensar em TAM e Singapore Airlines (e, quiçá, depois, também TAAG), juntando Brasil, interesse de Singapura em placa giratória europeia para África e América do Sul, com parceiras já incluídas na Star Alliance com a TAP?
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ESCUTAS. Procurador e presidente do Supremo divulgam comunicados. Tirando ligeiras contradições, o interessante é confirmar-se que Aveiro suscitou a questão de envolvimento criminal de Sócrates, que o procurador-geral demorou de 3 de Setembro até 28 de Outubro para enviar para Aveiro o despacho do presidente do Supremo (o que coincidiu temporalmente com o ciclo eleitoral do Outono), que aquele presidente decidiu sobre validade de escutas relativas a invocado crime no exercício de funções do primeiro-ministro em vez da secção criminal do Supremo e determinou a sua destruição, matéria controversa. E ainda que as fugas de informação só ocorreram muito depois de as certidões das escutas iniciais terem vindo de Aveiro para Lisboa.
DINKY TOYS. Desde 1954 – ano em que surgiram em embalagens individuais – brinquei com eles. Graças a um amigo que fazia colecção (o que eu não podia fazer, por serem caríssimos no início): Carlos Pires. Comprava-os todas as semanas no Bazar do Parque, no Estoril. Éramos colegas no Lar da Criança e os meus pais deixavam-me ir para sua casa, na Rodrigo da Fonseca, brincar. E, no Verão, no Monte Estoril. Tinha um móvel feito de propósito, que chegou a guardar mais de 300 carrinhos. Único problema: eu adorava as corridas e ele, meticuloso, tratava os carros como peças intocáveis de museu. Fomos grandes amigos e companheiros de viagens entre os 7 e os 17 anos (e colegas no Pedro Nunes). Morreria aos 25, com a noiva, na auto-estrada Estádio Nacional-_-Lisboa, em vésperas do casamento, no dia seguinte a terem jantado em minha casa. Escrevi, então, artigo no Expresso sobre a estupidez de não haver rails na auto-estrada. Tal como foi o acidente, existissem eles e estaria ele, provavelmente, hoje vivo, a celebrar comigo os 75 anos dos carrinhos Dinky Toys…
CARVALHAL, Carlos. Novo treinador do Sporting. Já esteve no Sp. Braga. Pouco tempo. Quem gostava muito dele era o mestre Luís Freitas Lobo. Deus queira que tenha sucesso agora.
ANGLICANOS. Constituição apostólica Anglicanorum Coetibus abre caminho à entrada de anglicanos na Igreja Católica – o que teve óptimo acolhimento em sectores da comunidade anglicana. A Constituição permite, nomeadamente, permanência do sacerdócio de casados.
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PORTUGAL-BÓSNIA. Estádio da Luz ao rubro. Nomes da nossa equipa ovacionados delirantemente. Nome do treinador vaiado massivamente. Ouvi e achei deslocado no caso. Que mais não fosse, pelo momento.
JOGO. Passável na primeira parte. Embora com ala direita exclusiva, Nani bem, mas isolado. Deco irregular. Simão apagado. Duda fraco. O resto a cumprir o indispensável. 1-0 foi melhor do que 1-1, penso que chegará para ir à África do Sul, mas temos que jogar mais um bom bocado na Bósnia se não quisermos andar sempre à ‘rasquinha’, à espera de balizas com postes milagreiros!
INTERVALO. Conversando com convidados, supostamente dos Emirados, que integravam o lote dos companheiros de camarote, onde estávamos Rita e eu, comento os bósnios: combativos, perigosos, não excepcionais, muito altos e fortes, criando dificuldades no jogo pelo ar. Às tantas, retorque a convidada, com 1 metro e 90 ou mais de altura: «Somos, de facto, muito altos». Eram bósnios e muito bem-educados. Tinham encaixado 45 minutos de emoções portuguesas. Sem um queixume ou sequer identificação nacional...
BRASIL. Obrigado! Pelos Pepe, Liedson e, há mais tempo, Deco, que nos ofereceste. E que tanto jeito têm dado.
NORONHA DO NASCIMENTO. Reeleito presidente do STJ. Como se esperaria. Nenhuma novidade.
PGR. Um desabafo, o de que lhe apetecia divulgar as escutas, farto de pingue-pongues, e, já agora, para agradar à corporação e à opinião pública... Por acaso, ilegal. Ou melhor, ilegal, não fora o ressalvar «se eu pudesse». Se não pode e sabe que não pode, ajuda ao prestígio da instituição que serve desabafar sobre o que faria se pudesse?
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SÓCRATES. Irritado e com ar cansado. A querer saber decisão final do presidente do Supremo sobre as escutas. E a responder, de novo, aos jornais – uma vez mais o SOL, em particular – distinguindo conhecimento formal da operação PT-TVI de comentários anteriores sobre notícias ou informações. Ou seja, comentando matéria alegadamente de escutas que considera ilegais...
VIEIRA E SANTOS SILVA. Ataques violentos à Justiça por invocada politização. No melhor estilo Berlusconi. Quem diria que o PS o iria imitar... Santos Silva – é claro – a falar mais como se continuasse ministro da Propaganda do que como ministro da Defesa. E a violar, ele também, o segredo de Justiça, ao falar de 42 cassetes e 4 meses de gravações...
ANTÓNIO FIGUEIREDO. Morreu. O coração não aguentou os choques decorrentes do acidente de há quatro meses. Convivi com ele muito entre 1983 e 1987, no Semanário. Eu era presidente do Conselho de Administração e ele tinha 8% mas representava 40% no Conselho Geral, que reunia todas as semanas, às vezes mais. Era intelectual e fisicamente corajoso, lutador, muito teimoso, com bom fundo mas personalidade vigorosa, carácter forte e debatente incisivo. Lembro-me como torceu por Lemos Ferreira para Belém em 1986 e tolerou com dificuldade Freitas do Amaral. E apoiou Cavaco para S. Bento. Era um militar de direita marcada e com convicções, misturando nostalgia imperial e constante apego ao futuro. Durante quatro anos, foi um prazer, mesmo se cansativo aqui e ali, discutir e aprender com ele. Até porque era amigo dos seus amigos e leal mesmo para com os não amigos. Um dia, uma questão mais aguda de desagrado seu, somado a outro vindo de quem dominava outro pacote de 40% do capital, recaindo sobre decisões editoriais do jornal, levaram-me a considerar impossível gerir aquele complexo equilíbrio em que eu representava os restantes 20%. Mas continuámos a manter, à distância, um relacionamento cordial e sem feridas. Via-o pouco, nos últimos 15 a 20 anos. Acompanhava, de longe, o seu percurso empresarial e pessoal. Agora que partiu, relembro esses tempos longínquos em que privámos e descubro mais alguma coisa que apreciava nele, mesmo quando me irritava, imenso, com o seu estilo de alguma auto-suficiência castrense: a sua força vital, o seu amor pela vida. Que o levou a batalhar por ela quatro meses, num contexto de vitória quase improvável.
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ESCUTAS. Prosseguem as notícias sobre matérias de alegadas escutas e de tramitações processuais correspondentes. Ou seja, violação do segredo de Justiça. Nuns casos, a violação cobre o conteúdo de alegadas conversas Vara-Sócrates. Noutros, a tramitação Procuradoria- Supremo e alegada decisão do presidente deste órgão. Eu continuo na minha – defensor do segredo de Justiça, agora como há anos, quando ouvi sustentar teses radicais sobre a sua extinção.
ACÇÕES PREVENTIVAS. Já agora, chamo a atenção dos que voltam a preocupar-se com o segredo, depois de o terem querido esvaziar, para as acções preventivas de investigação criminal, que deveriam ser excepcionais e se estão a multiplicar. Isto é, investigação antes e fora de um processo penal, pela PJ, como forma de tornear a limitação do segredo de Justiça. Obtendo as provas sem os engulhos do inquérito. Mas com patente sacrifício de formalismos que acautelam valores e direitos não irrelevantes.
MANUELA ao ataque no Parlamento. Em termos de convicção, expressão e eficácia política, do melhor que fez como líder. Em substância, pedindo esclarecimentos com base em matéria objecto de violação de segredo de Justiça. Ou seja, pedindo demais. É certo que Sócrates tem respondido mal e tarde ao desafio do caso ‘Face Oculta’. Deveria ter dito, desde o início coisa deste género: «É um caso em investigação criminal. Compete à Justiça essa tarefa. Espero e desejo que a cumpra, cabalmente, nos termos constitucionais. Como é sabido, sou amigo de Armando Vara há muitos anos, com quem falo habitualmente, e continuarei a ser amigo e a falar. Mas, como é óbvio, assim como não mudo de amizades por causa de processos judiciais, também ninguém esperará que mova um dedo por causa daquelas amizades para obstruir processos judiciais. Acrescento que, em nenhuma conversa com ninguém foi referida matéria a que, alegadamente, se reporta a investigação mencionada, nem qualquer outra com eventual relevância criminal. O Governo, no quadro das suas responsabilidades constitucionais e legais, entretanto, já tomou ou vai tomar medidas urgentes para investigar e punir actuações ou omissões ilegais e criminosas nos sectores público administrativo e empresarial sob seu controlo». Isto pouparia a alusão a Vara, com um dia de atraso, a reboque dos jornais, não atiraria para os ministros a informação sobre as auditorias a realizar – como se tivesse pudor de as referir – e tornaria claro que mais não diria nem teria de dizer acerca de escutas, evitando a conferência temerosa de Lacão, que nela afirmou o que deveria ter, frontalmente, dito no hemiciclo.
PONTOS. No momento em que os primeiros casos de gripe A chegam às minhas turmas, segundo ponto de avaliação, hoje. Provou bem a preocupação de aproveitar intensivamente Setembro, Outubro e Novembro, em ensino e avaliação, antecipando eventuais problemas generalizados com a gripe.
ESCOLA LEAL DA CÂMARA. ‘2010 – os desafios da República’. Tema de palestra nesta escola, magnífica, de Rio de Mouro. Perto de 300 professores, alunos e pais. Debate noite fora. Presente Fernando Seara, como sempre simpático. Quatro horas muito estimulantes. Relevo para educação, língua, Europa, juventude e política, emprego, reforma e credibilização do sistema político. E, claro, economia, desigualdades e pobreza.
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JUSTA homenagem. Hoje. Na SIC, a Eduardo Barroso Pelos 1.000 transplantes hepáticos. Lá estive. Como o seu mais antigo amigo – desde o ano e meio de idade. Sem ele saber da celebração preparada. Outros, com enorme mérito, têm prestigiado este domínio médico. Mas o Eduardo é especial – pela consistência quantitativa e qualitativa da sua obra. Às vezes, discordamos – na política, no futebol, em certas opções de vida –, mas ele é e será sempre o maior amigo, com o seu incomensurável coração e a sua lealíssima amizade. E, como é público e notório, a sua deliciosamente incorrigível extroversão. Parecida com a minha.
ENTREVISTA. Óptima. De Mário Crespo a Maria Filomena Mónica. Ela, excepcional. A pensar e a explicar. Ele, boa forma. O que reconheço com tanto mais à vontade quanto ele não morre de paixão pelo que digo e faço há décadas.
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PROCURADOR. Ontem, remeteu para o presidente do Supremo Tribunal de Justiça decisão sobre escutas entre Sócrates e Vara. Hoje, espera informação distrital. Além, certamente, da comunicação formal da decisão do Supremo. Minha dúvida, já antiga: deve ser ele a servir de porta-voz para efeitos administrativos? Acho que não.
AGUIAR BRANCO. Atacou o PGR nas suas intervenções. Tem razão na substância. Não penso que tenha na forma e na oportunidade.
BASTONÁRIO. Como sempre, nos casos judiciais melindrosos, objectivamen- te ao lado da classe política e contra a máquina da Justiça. Com argumen- tos hábeis, mas reversíveis, como o timing da divulgação. E se tivesse sido antes das eleições, em Junho ou Setembro, altura de despachos já do procurador sobre o processo, não teria sido mais óbvia a instrumentalização política? Dito de outro modo, quem ganhou mais com o timing, dentro dessa tese ‘política’, que me parece, neste particular, simplista? PS ou oposição?
SUPREMO. Terá declarado nulas as escutas, como se diz? Esperemos para ver, antes de opinar. Juridicamente, como é evidente.
ABRIGO. Curta ida ao Portugal no Coração, programa da RTP. Para apoiar arranque de semana de recolha de fundos para Associação Abrigo, do Montijo. Fim: centro de acolhimento temporário de crianças em risco, com aconselhamento familiar e centro de pesquisa. Resposta dos telespectadores foi imediata: 4 mil chamadas em pouco mais de 10 minutos. Dia 12, Jorge _Sampaio, Pinto Monteiro, Maria Barroso, Pacheco Pereira, Laborinho Lúcio, Rosário Carneiro, entre outros, estarão no II Forum da Abrigo.
AVALIAÇÃO. Isabel Alça_da. Bom começo. Salvaguarda direitos ou expectativas do passado. E avança para vida nova em Janeiro. Portas fala, a confirmar, implicitamente, acordo.
RONALDO. Tudo como _previsto. Duas horas _em Portugal. Todos _felizes.
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ESCUTAS. Pasmo por ver, agora, aqueles a quem ouvi dizer as últimas do segredo de Justiça, arrepelarem os cabelos com a sua violação no caso ‘Face Oculta’. Há uns tempos, era eu e poucos mais a defenderem-no e eles a atacarem-no. Conveniências dos tempos...
ROGER FEDERER. Em 2010, de novo, em Portugal. No Estoril Open. Boa notícia.
CRISTIANO RONALDO. Virá amanhã a Portugal. Para ser examinado e se confirmar que continua em recuperação. Solução feliz para não restarem dúvidas no estado de espírito da Selecção e nas relações entre ela e o Real Madrid. Magnífico desfecho.
JORGE SÁ BORGES. Morreu. Fundador e dirigente da SEDES. Depois, vice-presidente da Comissão Política Nacional do PSD. Em 1974 e 1975. Apesar de, no partido, na altura, termos estado em posições opostas – eu com Francisco Sá Carneiro, ele em divergência, que culminaria na dissidência, no final de 1975 – reconheço, como sempre reconheci, a sua inteligência, cultura, abertura ao mundo, luta contra a ditadura, desejo de democracia e igualdade. E, também, o seu empenho na defesa da língua e da edição de livros.
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CDS. Revisto o debate do Programa do Governo e, em particular, as intervenções de Portas e Amado, tudo mais claro: acordo PS-CDS no OE e na avaliação dos professores. Para já. Uma espécie de regresso a Guterres-Monteiro.
TAP. Ontem, vinte minutos no avião, à partida, por alegada reparação. Quinze minutos de voltas, à chegada para aterrar. Embarque às 15h20. Saída do avião, pelas 16h50. Hoje, quase 40 minutos de espera por malas. Duas. Uma, a minha chegou aí. A outra, ainda conseguiu demorar mais.
DALILA RODRIGUES. Parece que terá sido a própria Paula Rego a querer substituir a directora da Casa das Histórias. Por causa de uma censura de entrevista da artista no site do museu? Uma pena, este mau começo...
MULTIBANCO. Já vi exemplos de nova taxa. Má para os comerciantes. Mas, quem manda é a banca. Nisto como em muitas coisas mais. É o país que temos... O Governo desmentiu e engoliu...
TROPEÇÃO do Sp. Braga. Em Guimarães. Mérito do Vitória. E demérito do Sp. Braga. Caso singular, espero. Não inversão de tendência.
PAULO BENTO. Esperei dois dias para maior distanciamento. Saída digna, de alguém bem formado, honesto, que ficou tempo demais – como reconheceu – e perdeu, por completo, capacidade de mobilização anímica da equipa. E, por isso, além do mais, autoridade. Duas atenuantes: os êxitos na Taça e internacionais, além dos 2.ºs lugares; o ter só um ano de treinador – e de juniores – antes de ter assumido o cargo de que se afasta.
SPORTING. Bem, a saída de Pedro Barbosa, o director inexistente. Problemas: dinheiro, jogadores, efectivo responsável pelo futebol e novo estilo presidencial – juntando à inquestionável qualidade humana o bom senso, a moderação verbal e a persuasão liderante. Além, claro, de boa escolha de treinador.
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BRAGA. Duas palestras, hoje. Em Braga. Nos 60 anos da Escola Secundária dos Maximinos. Sobre educação. No Bom Jesus, para casais católicos, iniciativa da diocese, sobre Portugal – desafios sociais prioritários. Presente o arcebispo-pimaz, D. Jorge Ortiga. Tarde e noite cheias e gratificantes...
BOM JESUS DE_ BRAGA. Já lá não ia desde a remodelação hoteleira. Um sucesso para visita e estadas, breves ou mais longas.
CASAMENTO de pessoas do mesmo sexo. Referendo? – pergunta colocada. Percebo, evidentemente, a posição da hierarquia e de católicos animadores de petição, que me é simpática. Mas não escondi a minha avaliação de que PS, BE e PCP não vão aceitar o referendo. E têm argumento mais forte do que no caso do aborto – a defesa pré-eleitoral de o terem proposto no programa. Não entendo é a disciplina de voto do PS em matéria tão pessoal em termos de convicções. Representa um controleirismo estranho num partido que tolerou, sem disciplinas, inúmeros desalinhamentos de votos na última legislatura, em áreas mais sensíveis para o partido e o Governo.
SONDAGEM. Cavaco baixa muito, provavelmente com a exposição do ‘caso das escutas’. Sócrates e PS sobem um pouco, como CDS e Portas. Os demais sofrem, mais ou menos. Preço de resultados eleitorais e sinal de que o eleitorado quer estabilidade e premeia, para já, Governo e partido que parece querer viabilizá-lo. Para a liderança do PSD, aparece o meu nome em primeiro. Tal como na sondagem de há um mês. Lisonjeiro, de novo.
BANCO POSTAL. Ideia recorrente dos CTT. Parece um iô-iô. Os Governos ora querem, ora não querem. Mas será possível, agora?
SOARES-ALEGRE. Ambos a estranharem aspectos formais dos mandados da operação ‘Face Oculta’. Mas ambos grandes lutadores contra a corrupção. Não percebi a estranheza. Meu defeito, certamente.
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DEBATE do Programa do Governo. Sócrates a anunciar medidas sociais, curtas para a crise, mas de efeito político. No mais, vago – muito vago no ataque à corrupção, e vago quanto à saída da crise, ao défice público, a reformas de fundo. Oposição a acenar com esses temas, mais o endividamento externo. Mais a avaliação dos professores. Matéria em que o primeiro-ministro prometeu diálogo sem concretizar. E sem suspensão prévia.
‘TEMOS UM BANCO...’. Teixeira dos Santos, respondendo à notícia de taxa por operações multibanco, explicou não haver tal risco. Não por intervenção administrativa do Governo, mas por actuação da Caixa Geral de Depósitos. E começou a frase da resposta da seguinte forma: «Temos um banco...». Aí notou o perigo e deu a volta ao bilhar grande. Lapso elucidativo...
COMPRAR UMA CANA. Outra pérola de Teixeira dos Santos: comparar o TGV a uma cana, essencial para pescar e, com os peixes, pagar a própria cana... Já terá feito as contas ao custo da cana? Dará ela jamais para se pagar a si própria? É perguntar a Espanha acerca da rentabilidade do TGV de Madrid a Sevilha...
LÍDERES. No geral, Sócrates esteve bem na forma, fugindo no conteúdo. Manuela esteve acima do que muitos esperavam. Portas já falou com ar de viabilizador do próximo OE. Louçã e Jerónimo foram previsíveis sem oscilações.
PACHECO. Promete o despique futuro com Sócrates. Este tentou diminuí-lo, formulando mesmo juízo final negativo sobre a sua prestação. Mas Pacheco deixou a germinar o caso ‘Face Oculta’. E a verdade é que Sócrates gozou com a Quadratura do Círculo, mas precisa de lá ter, para o defender, o n.º 2 do PS – e o programa já viu três primeiros-ministros chegarem e partirem...
INGRATIDÃO. Além de que é ingratidão de Sócrates para com a televisão esquecer o que lhe deve na sua promoção política. É pensar nos anos de debates semanais que aí teve com Santana Lopes...
‘FACE OCULTA’. Mais dois arguidos suspensos de funções. Um, pelo seu pé. Outro, pelo tribunal. Ataque à corrupção – uma prioridade política para todos os partidos, sob pena de pesadas consequências no futuro.
SECTOR PÚBLICO. E atenção para o Governo: a comprovarem-se os factos em causa em entidades administrativas submetidas a seu controlo de legalidade, nos últimos quatro anos e meio, a responsabilidade política suprema será sua. E sem ser possível alegar campanhas negras de carácter pessoal...
FUTEBOL EUROPEU. Benfica, muito bem. Nacional e Sporting, passáveis.
FISCO. SAD do Boavista e do V. Setúbal, devedoras. E clubes correspondentes também. Tal como Leixões e Salgueiros, entre outros. Más notícias...
TRIBUNAL DE CONTAS. Concessões do Douro Interior e da auto-estrada transmontana sem visto prévio. Estradas de Portugal recorre. Sensação de desconforto quanto à tramitação destes processos. Mas solução esperada para breve.
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PROGRAMA DE GOVERNO. Mais do mesmo. Com Sócrates à espera da retoma internacional e a fazer-se a vítima doméstica.
OPOSIÇÕES. Percebendo que o Programa não adianta nada, mas à procura do novo tom de ataque.
PREVISÕES. Da UE. Insignificante subida do crescimento da economia portuguesa para o ano. Mas com mais desemprego e défice astronómico. Pelo menos, mais dois anos a distanciarmo-nos da Europa e a aproximarmo-nos de África. Única vantagem: elevação da temperatura ambiente e da água do mar...
MURO DE BERLIM. Há 20 anos, estava lá. Com Madalena Leal de Faria e Ana Maria Guimarães. A viver, em directo, o maior momento político dos últimos 60 anos. Vitória da democracia. Uma palavra é devida ao, hoje caído em desgraça, Helmut Kohl.
LÉVI-STRAUSS. Um dos ícones da nossa juventude deixou-nos. Já nos tínhamos habituado a considerá-lo imortal.
SUBLINHADO. Devido a Armando Vara. Acabou por fazer o que devia. Embora por sugestão de Constâncio.
1/8 DE FINAL. Contra o Apoel, o FC Porto obteve passagem aos oitavos-_-de-final da Liga dos Campeões. A carreira europeia compensa a (temporária) discrição interna.
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CARLOS VEIGA. À noite, apresento a biografia política de Carlos Veiga, ex-primeiro-ministro de Cabo Verde e candidato presidencial – e possível Presidente – dentro de meses. Obra de Nuno Manalvo, especialista em Sá Carneiro e PSD, sobre os quais escreveu com sucesso. Carlos Veiga foi meu colega de curso e de estudo durante cinco anos em Direito. Reencontrámo-nos diversas vezes mais tarde, desde curso de feitura das leis, do INA, em Cabo Verde, em que fui docente e, no elenco dos alunos, ele ombreava com o futuro Presidente Mascarenhas Monteiro, até relações partidárias entre PSD e MPD – o seu partido – de 1996 a 1999, incluindo a conversão do MPD em observador em reuniões do PPE, após a entrada do PSD. Está em boa forma e prepara-se para, à terceira vez, vencer as presidenciais... Em rigor, merece-o, pelos seus mandatos governativos com mais de 2/3 dos votos, pela Constituição pluripartidária que apadrinhou e pela abertura internacional e o ciclo de desenvolvimento que protagonizou.
MOÇAMBIQUE. Resultados só a 12. Mas Frelimo esmaga, como seria de esperar com o domínio da Administração Pública e de muitos dos principais media. Renamo paga a factura de o líder não ter percebido o desafio da renovação colocado por Simango, ex-presidente de Câmara da Beira...
GRIGORY SOKOLOV. Concerto na Gulbenkian. Prato forte – a Sonata para Piano em ré maior de Schubert. Um dos nomes já clássicos do pianismo russo. Grande fim de tarde.
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FACE OCULTA. Um preso preventivo e uma dúzia de arguidos. E a curiosidade de ver o que Constâncio dirá das condições de Vara para continuar como banqueiro apesar de arguido. Pode ser que me engane, mas discordo de muito boa gente, com quem tenho discutido a matéria e que aposta que o veredicto será favorável a Vara. Com o argumento de que, ao fim e ao cabo, o que a banca tem a ver com suspeição de luvas em processo de corrupção com a sucata de empresas não bancárias é apenas haver moeda, leia-se dinheiro, envolvido em ambas as realidades ou eventuais realidades. Eu tenho posição diferente da deles acerca desse argumento. E, sobretudo, de Vitor Constâncio.
ANTÓNIO SÉRGIO. Um jornalista e amante da rádio. Que marcou várias gerações. Com a sua eterna juventude. E também o seu poder criativo, presente até ao último minuto da vida. A comunidade mediática portuguesa está unânime na dor da sua prematura perda.
DEFUNTOS. Mais um ano passou. Visita ao Cemitério dos Prazeres. E o adensar da saudade diária dos pais. Depois, Cemitério de Benfica. E evocação da avó Joaquina, a única que conheci... Muito divertida e celoricense (gandarelense) de gema.