
Absolutamente incrédulo pelas notícias que vi e ouvi hoje, nos Órgãos de Comunicação Social! Este Douro que Deus fez, continua na berra! Vejam só: . 1 - Poluição no Rio Douro muda sexo dos peixes! Como? Páro um bom bocado, para pensar: - … Douro Património Mundial - … Douro, Maravilha da Natureza Mundial… … Ibérica… Portuguesa… Nortenha… Transmontana… Duriense…! - Douro dos Srs. Forrester, Tony Blair, Gordon Brown, Sua Santidade o Papa, Maestro Vitorino d’Almeida ( errado!!!), Cineasta Manuel de Oliveira ( muito obrigado pelo que divulgou o Douro), Empresário Mário Ferreira ( pudera….!), Dona Antónia ( obrigado por tudo, Cara Senhora), António Pires Cabral, Campos Monteiro, Alves Redol, Guerra Junqueiro, João de Araújo Correia, António Cabral, Miguel Torga e mais, muitos mais aqueles que ao Douro dedicaram as suas obras. Fizeram-no pelo amor a estas terras, sem esperarem nada a não ser, e porque não, a esperança de serem lidos e compreendidos.. Mas que os peixes entrem nesta treta é que me põe a cismar!!! Que estará por trás disto? Que vem aí? Será uma nova maneira de fazer publicidade? Ò diabo… Entretanto, coitados dos peixes! 2 Irritou-se a gente do Douro e protestam contra as linhas de alta tensão que por aí desafiam a densidade das videiras. Proliferam por tudo o que é sítio e ninguém dá satisfações ao Povo. A EDP parece um estado dentro de outro estado! Faz o que quer e ainda lhes sobra tempo! Fiquei feliz por ver que este Povo começa a usar o seu direito de indignação. Nós também somos cidadãos. Vou-vos narrar duas situações. a) Procedeu e muito bem a EDP à limpeza de matas por baixo das linhas de alta tensão e nas zonas envolventes . Abriu corredores, para melhor entenderem. Muito bem. Só que as equipas envolvidas galgavam terreno com toda a rapidez e não olhavam para trás! O MATO CORTADO FICAVA LÁ… Fizeram-no no Inverno ( muito bem…) mas esqueceram-se que vinha aí a época de calor e que o mato abandonado era combustível que ficava para trás! E, não vi ninguém que viesse verificar que tudo estava em ordem Tão pouco a Protecção Civil! b) Num Domingo de manhã, falta a electricidade por breves segundos. Ao “regressar”, passados esses breves segundos…um rebentamento mesmo à minha frente e o monitor ligado ao computador, despediu-se. Vi que não havia nada a fazer e, posteriormente verifiquei que até a impressora tinha sido solidária e fora também “ à vida”! Fui a Vila Real e relatei os factos, na loja da EDP, por escrito. Querem saber a resposta que me foi enviada por carta, assinada por um Senhor chamado Américo Figueiredo Grou, em nome da EDP Distribuição – Energia, S.A. ? - “ Gostaríamos de agradecer o seu contacto e de o informar que não podemos assumir a responsabilidade do dano que nos referiu pelas seguintes razões: . O incidente consistiu numa interrupção e reposição de energia na rede de média tensão de S. Martinho de Anta; . Os equipamentos eléctricos são construídos para suportar estas situações Lamentando o incómodo, apresentamos os melhores cumprimentos.” Acrescento que não aceitei os cumprimentos, porque até parece que me estão a chamar burro. Primeiro ( ponto 1) confirmam a anomalia Segundo ( ponto 2) dizem que os equipamentos eléctricos são construídos para suportar avarias!!!! EU NUNCA VI QUE ALGUM APARELHO ELÉCTRICO FOSSE CERTIFICADO PELA EDP!!! Nem essa é a sua competência….. Mas, não querem saber que entretanto me convidaram para eu assinar uns papeizinhos para pertencer à EDP5D, até porque tinha …Seguro incluído!!!!!!! Seguro? Para quê, se todos os aparelhos são à PROVA DE FALHAS DA EDP? Não será por causa de gestores assim ( pergunto eu, no meu direito de cidadão) que o País está assim? Estamos mesmo entregues à bicharada.

Depois das acções individuais de protesto feitas através de telefone, mensagens ou reclamações por escrito nas Lojas PT, contra a muito fraca qualidade de serviço de Internet, decidiram, dezenas de habitantes de S. Martinho de Anta elaborar um “abaixo assinado” de atenção à Portugal Telecom, solicitando a esta que, na continuação das obras de implementação de Fibra Óptica com destino à sede do Concelho e, passando todos os cabos ali bem perto do Centro desta Freguesia, ( cerca de 300 metros junto ao futuro Espaço Torga), seja esta dotada de todo o material adequado para que os habitantes de S. Martinho de Anta tenham acesso ao Serviço de Internet. - Não compreendem os assinantes de tal documento como é possível que a PT se pague por um Serviço de prestação de 6 MB’s e não forneça mais que meio Mega. - Que as desculpas sejam de que as residências estejam longe da Central ( Sabrosa) - Que o próprio Estado esteja a “forçar” a relação dos Contribuintes com o Fisco através da Internet e que nos vejamos impossibilitados de a ela aceder adequadamente. - Que esta terra ( e muito bem) esteja a ser enriquecida com o Espaço Torga, obra vultuosa que honra o Escritor aqui nascido e que serve como pólo de desenvolvimento e não seja acompanhada por igual contributo de participação da PT. - Não sabemos se no Plano de Estratégia Nacional da PT o interior está contemplado. Todavia, sabem de plena consciências os signatários que são tão importantes enquanto cidadãos e portugueses como aqueles que vivem nos grandes Centros e até mesmo os da Sede do Concelho. Fomos 128 cidadãos os que entregaram o documento, embora maisais uns 100 o fizessem mas…desapareceram as respectivas assinaturas. Obra do Demo, talvez!!! Esperaremos o tempo estipulado por Lei por uma resposta da PT. Depois, iremos todos a uma Loja PT assinar o livro de Honra. - O LIVRO DE RECLAMAÇÕES! Notas: O Documento foi entregue na Loja PT do Dolce Vita, em Vila Real, em 06-07-2010 Anteriormente, uma outra reclamação da Junta de Freguesia foi entregue à PT e nunca teve resposta. Dá que pensar…

 
Já que tinha que ir à festa, atendendo à Exposição de Pintura que lá íamos fazer, decidi ver a festa “por dentro”, para me ajudar a passar melhor o tempo e para saber algo mais. Pequenas coisas que passam despercebidas a quem passa e só as compreende quem está bem por dentro. Passei a saber tudo? Evidentemente que não. Mas sei um pouco mais, tendo estado do lado de cá. Fizemos a Exposição na Sala do 1º Ciclo, lugar de muito significado para a minha mulher, por ter sido ali precisamente que ela aprendeu as primeiras letras e que traçaram o perfil profissional dela no futuro, como Professora ( já aposentada, como sabem) e que transmitiu ao nosso filho mais novo, ele também Professor. Aliás muito bem feita a escolha da escola como ponto agregador duma povoação que anda desavinda e também pela possibilidade de reencontro com colegas dessa época passados mais de 50 anos! Lindo! Mas, volta e meia, vinha até cá fora até para encher os pulmões de um pouco de ar bem mais fresco que soprava na rua, já que na sala estava um calor sufocante. Ali ao lado, um vendedor de doces tradicionais. Homem simpático, de fácil trato, bem apresentado e educado. Como vizinhos de circunstância, fácil foi o entabular de conversação, como se vê nas crianças quando se encontram em qualquer sítio e parecem conhecidos de longa data. Procurei uma cadeira lá dentro e aí começámos nós a cavaquear! António Teixeira de seu nome, enquanto vai colocando em cima da banca de madeira mais “doce da teixeira “( não tem nada a ver com o seu apelido), mais uns pacotinhos de cavacas, porque se apercebe que começam a vir mais pessoas para o largo, diz-me que, em 1989 teve um terrível acidente de viação que o “mandou” para o hospital onde esteve mês e meio de costas, sem se mexer, porque havia partido os ossos da bacia! - Fui dado como morto, mas lutei e ainda cá ando, com a graça de Deus! Emigrou para a Suíça e lá trabalhou bem duro e em circunstâncias que nada abonam a favor da entidade empregadora.
A prova era dada quando voltava à família: - Chegado cá, engordava logo um quilo por semana! Era muito duro !!! - A minha mulher que havia começado nesta vida de vender, começou a puxar-me para eu não ir mais para a Suíça e entrar neste negócio. Visitámos umas fábricas, fomos vendo como se faziam as coisas e cá ando eu… … não faço contas às horas que estou acordado! Faço contas ao lucro ! Enquanto vai conversando comigo, noto que uma humidade rebelde lhe anda a saltar nos olhos, enquanto um sorriso humilde e calmo lhe baila no rosto. Ali em frente, nos dois coretos implantados no largo, ao lado da Igreja, começa o duelo entre as duas Bandas de Música, contratadas pela Comissão de Festas. A da Portela e a de Mateus! Toca uma e replica-lhe a outra. Cerimoniosos os Mestres olham-se e respeitosamente saúdam-se. As cerca de três dezenas de assistentes não parecem muito interessados na contenda pois até de costas estão para os coretos. Talvez estivessem mais interessados no jogo da Final de Futebol ou em saberem em quem tinha apostado o polvo! Mas, imperava o Fair- Play! A Banda que assistia, acabada a actuação da outra, aplaudia com entusiasmo e simpatia. - Mestre, quantas pensa tocar mais? – perguntava um dos mestres de banda ao outro. - Bom, não sabemos ainda, não é…? Aquele que parece ser o Chefe dos Mordomos, gajo sabido e atento, chega-se ao meio do espaço entre os dois coretos e:
- Meus Senhores, às 4 em ponto ( 16 horas) acaba o concerto. A 20 metros dali, o cigano fumando cigarro atrás de cigarro, berra bem alto: - Venham dar um tirinho. Acertam sempre…! Mais ao lado, uma senhora de cabelos brancos, tez bem curtida pelos anos passados na dura vida do campo, meio curvada mas ainda jovial, larga uma gargalhada de contentamento, enquanto se agarra a uma mocetona que vem ao seu encontro, juntamente com dois rapazotes pequenos e aquele que deve ser o marido: - Ó rapariga, que ainda te não tinha visto! Carácio, que estás boa com’ó milho! Quando vais embora? - Ó Tia Rosa, mas nós inda só chígámos tresantontem! Deixe-nos passar a festa, c’um carago! E outra: - Olha, minha filha, já viste o que aconteceu à nossa Igreja? - Já mo mostraram. Como foi possível isto? Referiam-se à Igreja Paroquial de Vilar de Maçada. Oito dias antes, num fim de tarde em que houve uma terrível trovoada que espalhou estragos por tudo o que é sítio, com prejuízos graves em casas particulares, caminhos, vinhas e sementeiras, veio um raio que acertou na cúpula da Igreja Matriz e a rachou. As pedras de granito saíram do sítio e estão em vias de cair. A Igreja está fechada e o trânsito de pessoas proibido à volta dela. Uma Igreja construída em 1753! - E agora? Como se vai fazer para termos outra vez a nossa Igreja? - Olha minha filha, temos que nos juntar todos. - E de lá de baixo, ninguém ajuda? - Ora… Volta e meia, especialmente quando alguém se aproximava da barraca do Senhor Teixeira para comprar um docinho, eu aproveitava para ir à Escola. Também tinha obrigação de olhar pela nossa “barraquinha”, embora estivesse muito bem entregue e a pintora se sentisse “ nas sete quintas”, porque os visitantes eram gente da sua terra e por eles ela tivesse feito tudo para ali estar. Por outro lado, ao ausentar-me daquele excelente ponto de observação, dava folga ao vendedor nosso vizinho e as pessoas deixavam de olhar meio desconfiadas de me verem ali sentado a rabiscar!
É que enquanto conversava ia fazendo caricaturas daqueles que via à minha frente! Eu nunca me tinha visto com tanta fartura de modelitos! Caras e mais caras Valeu bem a pena ir à festa. Só foi pena ver que a festa este ano se fez para cumprir tradição, para não se perder o hábito, para “ que haja festa”. Porque a situação em que se encontra a Igreja tira brilho às cerimónias, causa transtornos e quebra tradições. Os andores estavam na rua quando deveriam estar dentro da Igreja recebendo uns e outra as visitas anuais de quem anda fora e vem matar saudade. Nota-se por demais que as pessoas embora tenham alegria no reencontro com amigos e familiares, andam tristes e meio desorientadas. Não há dinheiro! Casa onde não há pão… Que haja pelo menos um pouco de esperança em dias melhores e gozem a Festa com o que ela tem de bom, sobretudo com harmonia e união entre todos, vilardemaçadenses.


Já pouco mais há a acrescentar àquilo que foi dito, ou a discrição torna-se mais penosa para quem lê que o esforço de quem caminhou. Devo contudo acrescentar algo que muito agradavelmente me surpreendeu. O serviço prestado pelo Restaurante Bar CAIS DA FOZ, bem no afluente do rio Pinhão com o rio Douro. Ao chegar olhei o dono a direito. Olhei-o de frente, porque achava que conhecia aquela cara! Não, não era. Mas era um familiar dele aquela pessoa com quem eu o confundira. Ele era primo. Ao saber onde morava disse-me então que o pai havia sido primo direito de Miguel Torga. Disse-o com orgulho e de cabeça erguida. E bem pode! Por o ser e nisso sentir orgulho. E o almoço? As batatas estavam bem assadas e com muito bom paladar. A carne era tenra e gostosa. O arroz, para além do bom aspecto, estava bom. A salada, bem apresentada.
Serviço: - Rápido - Atencioso, sem ser pretensioso. - Boa apresentação Outros pratos:
- Bacalhau - Cabrito - Leitão
Sobremesa recomendada: - Bolo borrachão
Vinhos: - 15 tintos - 5 brancos - 2 rosés - 4 verdes brancos
Digo-vos me sinto muito bem naquilo que estou a fazer pela primeira vez no meu Blogue: Fazer publicidade a um Restaurante! Mas, explico porquê: É que aquele Restaurante está implantado num local que eu e tantos mais ajudámos a construir com os nossos impostos. Nós por aqui em duplicado, com os impostos municipais e mais os nacionais e todos vós com os impostos nacionais. O Cais Fluvial do Pinhão, na parte que respeita ao Concelho de Sabrosa! E vendo aquele grupo de turistas que por ali andava, olhando para um lado e para o outro como ovelhas tresmalhadas, com o barquinho ali bem perto, para não perderem o norte e terem a certeza que irão rio abaixo, sem terem a curiosidade de entrar aqui ou acolá, verem e conviverem, perguntarem algo sobre o que vêm, sentirem-se solidários com os que visitam, deixando nem que seja o produto da venda de um café… … … eu senti-me muito bem, em casa e solidário com os meus. Vim da Serra ao Rio, à terra que também me viu crescer. Almocei muito bem! Fui turista na minha terra
E por cá continuarei, com a graça de Deus, orgulhoso por ser transmontano e homem do Douro. O Douro também é Património dos que cá estão. Acabou. Obrigado caros caminhantes, companheiros desta bela jornada. Que venha mais, como já foi prometido.  

 Sabia bem a fresquinha do local e o aconchego no estômago! Mas, estava na hora de avançar, encosta abaixo. Feitos os agradecimentos à autoridade local e a quem da terra esteve presente, deixámos para trás o que era serra avançando até aos vinhedos. Deixou de se ver a giesta, o rosmaninho, a carqueja, ( a bela- luz e a mata pulgas ou panasco, assim se chama a planta fofinha Enf. Paula…!) para além do pinhal, obviamente. Vinhas e mais vinhas e uma “bornoeira” no vale do Douro que não deixa ver claramente as coisas, um pouco mais ao longe! Estava a chegar a hora da canícula, era o pronuncio. As pernas começam a doer, mas a paisagem assombra pela beleza e vai atenuando. - Ai quando chegar a Quinta da Eira Velha! Aí é que vai ser lindo! Para este dia foi feita limpeza de mato ao caminho público e tudo é mais simples. No chão, uma calçada maravilhosa em xisto, implantada na vertical e com espinhela ao centro, para fortalecer e quebrar os declives para um e o outro lado. Bem gasta, bem polida. Romana ou medieval, tem na sua história, milhares ou centenas anos de vida.
Merecia bem mais respeito que aquele que vi, quando um proprietário decidiu, para abocanhar mais uns metros para a sua nova plantação de vinha, destruir uns largos metros de calçada. Ali ou mais acima, ao desactivar uma velhíssima fonte pública que servira em tempos para dessedentar pessoas e animais no percurso entre Gouvães e o Pinhão. Sou do tempo ainda, em que as pessoas da serra para se abastecerem, apanharem o comboio ou tratarem da sua vida pessoal, usavam aquele caminho para irem e voltarem, do Pinhão. A estrada de Gouvães foi feita quando eu tinha 6, 7 ou 8 anos de idade! Comi por lá, muitas vezes, caldo de farinha feita pelo Manuel Maduro, quando o meu Pai me levava a visitar a obra! Doeu-me muito a inconsciência, a falta de respeito pelo que é de todos, o desprezo pelo que é história. Pode-se fazer muita publicidade ao Douro, mas sem dúvida que a melhor, mais genuína, barata e pura, bela e sentida, sofrida até ao tutano, mas que dá força e vontade lutar por aquilo que é nosso, é o respeito pela nossa história, pelas nossas raízes. É que chegados à espectável Quinta da Eira Velha, maravilhoso miradouro sobre o Pinhão, vi coisas que não gostei. E doeu-me! Doeu-me tanto como a grande tareia que levaram os músculos das minhas pernas ao descer de uma cota de 400 metros para os 100, no penúltimo quilómetro de caminhada. Debaixo dos nossos olhos, bem ali ao fundo mas ainda bem longe em distância a percorrer estava o Rio Pinhão, vestido de castanho barrento pelos sedimentos que arrasta das terríveis trovoadas que assolaram esta Região. E vai depositar tudo no Rio Douro! Claro. - Leva, leva! Leva também isto, para não ir só o Vinho Tratado! Mostra-lhes que a nossa força de alma é de xisto negro como os esteio de vinha que vêm do Monte do Poio, mas que as forças começam a ser de barro, pelo desgaste sem proveito a que nos obrigam. Meditações ao descer até ao alcatrão, junto à Ponte Romana.
Faltavam cerca de 700 metros para chegar ao Restaurante Cais da Foz. Mas parecia que as pernas davam por terminada a missão e se recusavam a andar. Apanhei a boleia dada pelo generoso e sempre atento Bombeiro e não me custou nada aquele último bocado de estrada já alcatroada e bem a direito, perante o espanto de muitos turistas que por ali cirandavam e que deveriam ser passageiros do Fernão de Magalhães, ali no cais ancorado. Ah, como eu gostava de vos ver lá no alto para poderem ver e sentir o que é Douro. Porque o Douro não é só Rio. É gente que vive mais cá no alto. Que nunca andou de barco e que nem sequer sei se sabe nadar.
Nota:
Noutros assuntos falarei em próximo texto. Aquele Almoço e outras coisas, Senhor Rocha! Que bela descoberta…  

Ainda não tínhamos ainda caminhado muito quando, de repente, o caminho se pôs a correr a pique, em direcção ao rio. Tinha uma inclinação que metia respeito, mesmo antes de os pés começarem a resvalar encosta abaixo. Fora 400- 500 metros sempre a travar e o corpo a teimar em fugir para a frente, seguindo a força da inércia. A meio, uma boa desculpa para tomar fôlego: - Tirar uma ou mais fotografias. “ respirar fundo, olhar em frente, apontar, suster respiração e…calma…disparar” Já lá vão dezenas de anos sobre esse treino militar. Ali, só tinha a máquina fotográfica e a vontade de ir em frente. Mas entendi logo que os avisos anteriores foram mais que adequados e justificados, pelo que tinha que “jogar à defesa” na economia dos meus esforços. Todavia, deu tempo para ver que lá ao fundo pastoreava um grande rebanho de cabras ( 156, como vim a saber) coisa já pouco usual por estes montes. Inquietaram-se os animais e assombrou-se a pastora ( senhora ainda nova e muito bem apresentada)perante tão grande cruzada de loucos saudáveis vestindo camisola branca.
Encontro de profissionais de saúde e simples curiosos com a natureza a reproduzir-se, sem cuidados primários de saúde, ambulâncias ou incubadoras. Tudo isto Mara vilhosamente descrito em: http://sol.sapo.pt/blogs/aserrana/archive/2010/06/29/Ba_FA00_-de-Recorda_E700F500_es-_2D00_-Na-II-Caminhada-do-centro-de-Sa_FA00_de-de-Sabrosa.aspx Foram momentos de enorme beleza, de encanto e de reencontro de muita mãe perante aquilo que a natureza depunha ali aos seus pés. Por outro lado, as crianças que iam no grupo, passaram da situação de espantados a obedientes jovens curiosos perante aquilo que os adultos lhes estavam a transmitir. Imaginam-se, sem nada previamente combinado depararem com uma cena tão enternecedora? Mas, a caminhada tinha que continuar que o sol começava a fazer estrago nas nossas costas e cabeças. Servira aquele bocado para retemperar forças e olhar para trás. Pensava eu que Deus havia sido benevolente e tinha posto aquele castigo logo ao princípio! Pois sim. Lá mais para a frente verão como estava enganado. Avisadas estavam as senhoras, ao cantarolarem velhas modas, para amenizarem a caminhada: “…Fui ao Douro à vindima Não achei que vindimar Vindimaram-me as costelas Foi o que eu lá fui ganhar..” Venha outra raparigas: vá, quem começa? Vê-se já, do lado esquerdo, a aldeia de Provesende e as suas encostas, com os belos desenhos traçados pela nova metodologia de plantio de videiras, na Quinta do Junco. Sempre ombrearam na paisagem do Douro as vinhas desta quinta, então propriedade do Banco Borges & Irmão com a ainda linda Quinta do Noval.
Do lado direito, começa a vislumbrar-se a Quinta das Carvalhas e lá ao fundo a do Ventozelo. Mesmo em frente, Casal de Loivos, com Valença à direita e Tabuaço junto “ ao ombro direito” Caminhávamos muito bem quando, de repente, o caminho volta a mergulhar, perante o desespero silencioso dos meus joelhos, em percurso tipo montanha, ou seja, ir para frente e voltar quase ao mesmo sítio mas uns metros mais abaixo, para entrarmos em Gouvães. Parece um presépio, esta terra implantada bem lá no alto. Começam os caboucos da casa de trás, quando acaba o telhado do da frente! Tudo limpo, muito bem limpo, mas não se via viva alma! Pensei que haviam fugido, perante a invasão vinda de lá do alto. Mas não. Tinham ido à Missa Dominical. Não demorou muito.
Aparece no largo do Pelourinho, mesmo junto à rua de D. Sancho I o Presidente da Junta, dizendo que mais acima, na bela fonte pública havia um pequeno lanche para nos ser oferecido. Pequeno? Mergulhados na fresquinha água vinda da Serra, estavam garrafões de vinho tinto ( muito bom) sumos e águas. Numa mesa, um presunto, salpicão, bolos de bacalhau, pão de Covas e azeitonas. Que coisa mais linda! Fazia crescer água na boca! E mesmo a calhar, diga-se em abono da verdade, porque aquele esforço todo havia feito muito estrago. E o povo começava a aparecer, saudando na sua terra aqueles profissionais de saúde que tão bem conhecem, do Centro de Saúde de Sabrosa. 

 
 Deveriam ser 9 da manhã, quando o autocarro da Câmara Municipal de Sabrosa que nos transportava, nos largou mesmo no alto de S. Domingos de Abrecôvo, o S. Domingos Grande, como lhe chamava Miguel Torga para o comparar com o S. Domingos de Provezende ( o S. Domingos Pequeno), de menor envergadura e menos “pose”! Tantos anos a viver em frente a ele, a S. Domingos de Abrecôvo, parecendo desafiar-me para lá ir, de carro ou a pé, mas porque cá de longe tudo parecia a pique, metiam-me aquelas alturas um respeitinho, que me fiquei, há muito, cá para baixo. Afinal o velho autocarro ia mesmo lá acima, embora pelo outro lado, um que da minha janela não é visível. Bom, lá chegados, ficamos de boca aberta, esmagados pelo espectáculo que se depara aos nossos olhos. São 360 graus de Douro, todo ali, como Deus o trouxe ao Mundo e o homem dominou. O Alvão e o Marão de guarda permanente, com Terras de S. Marta de Penaguião e Mesão Frio bem aconchegadas no seu regaço. Lamego, Serra das Meadas e Montemuro, Moimenta da Beira, Armamar e Tabuaço, quase em frente, rodando o olhar da direita para a esquerda, virado para sul. “Olha aquela terra ali! É o Marmelal, onde uma vez eu fui ao bruxo, por causa de um problema com o meu filho”! “ Olhe, ali abaixo fica o Pesinho e Covas não se vê, porque fica ali naquela cova” “ Ali fica o Tedo”! “Olhe Valença… Ervedosa”! “ E aquela terra ali? Ah! É Casal de Loivos, já sei, porque estou a ver a Quinta do Noval”! Das 30 pessoas que ali estavam prontas para começar a Caminhada organizada pelo Centro de Saúde de Sabrosa, todas se sentiam pequenas perante a imensidão e a beleza que bem lá do alto lhes era proporcionada. Também eu dali olhei para ver “ a minha” Serra da Azinheira e o local onde fica a nossa casa. Comoveu-me a sorte de estar naquele sítio tão lindo e com uma beleza paisagística maravilhosa. “ Ora bem, meus Amigos, vamo-nos juntar aqui para ouvirem uma explicação sobre o que vamos encontrar pela frente, até chegarmos a Gouvães, onde faremos uma paragem para arrancarmos até ao Pinhão, onde acabará a nossa caminhada” – disse bem de frente, em voz alta o bom conhecedor do percurso, àqueles que de “ peito feito” responderam ao desafio do director do Centro de Saúde de Sabrosa, Dr. Veladimiro Tavares. Médicos, Enfermeiros, Assistentes e Administrativos. Aderentes com sucesso ( não lhes chamo doentes) ou em vias disso. Bombeiros, como apoio logístico, mas também membros da Comunidade Local ( porque por aqui, graças a Deus que nos conhecemos mutuamente) e que estão sempre prontos a dar uma mão em apoio, quer ajudando a transpor um pequeno obstáculo, a chegar uma garrafa de água ou a transmitir uma palavra de apreço, encorajamento ou humor. “ Chamo a atenção que existe uma descida muito inclinada, logo ali abaixo, que devem fazer com muito cuidado. Parem para descansar e vejam bem onde põem os pés. Quando virem que não conseguem, parem, que haverá sempre quem dê uma ajuda. Depois será tudo plano até chegar perto de Gouvães, onde haverá outra descida menor, mas também é para fazer com cuidado. Vamos começar e, olhando bem para o chão que pisam, mas parem, parem para olhar para os lados, porque vale bem a pena” Se valeu, amigo Doutor Veladimiro! Estou sentadinho a escrever, porque não posso “ com uma gata pelo rabo”, tal é o cansaço que ainda sinto nas pernas. Mal me levanto para andar, parece que as pernas se recusam a moverem-se, tal como o motor de arranque dos carros antigos. Tram….trrrram…trrrram e nada! Trammmmmmm, tram, ….alto que já pegou e lá vai aos soluços! Mas pouquinho, não vá faltar a gasolina! Tirando isso, que pouco vai durar a maleita, se Deus quiser, tenho a alma cheia de belas coisas, de paisagens e descobertas, umas boas e outras já não tanto. Coisas que aqui irei contar. Coisas que vi e senti, neste pedaço do Reino Maravilhoso



De volta à Zona do TuaAvança o corpo no tempo, enquanto a memória se vai socorrendo de coisas que há dezenas de anos se passaram. Parece uma lapa a agarrar-se a lembranças, a imagens e até a forças que fazem parte de um passado que, graças a Deus ainda vai dando para contar. O meu sentido de orientação, que suponho tenha muito de características inatas mas que também muito se apurou na minha sobrevivência militar, deu sempre para que para além de uma Carta Militar, à escala de 1/25.000, já desajustada no tempo ao desenvolvimento apressado que começou a existir neste país há mais de 30 anos e que não “ incluía” ( é óbvio, pois claro) nevoeiro, geadas e chuvas intensas, deu para que nunca me perdesse nem deixasse perder todos os que chefiava, no estudo geológico feito então na zona do Rio TUA. Eram pesquisas muito complicadas e que obrigavam à procura de um qualquer caminho que nos aproximasse o mais possível do objectivo para pesquisa e, caminhos, poucos havia. Largava-se o Jeep num alto e toca a andar a pé, com a mochila às costas e as mãos bem ocupadas, de modo a fazer o serviço programado e nunca mais lá voltar. É que doía bem nas pernas, aquele declive de permanente “poço-do- inferno”! E ao subir, quase sempre com cargas muito pesadas, o que mais apetecia era largar o desabafo “ raios partam este Tua do Inferno! Mas, numa pousa que se fizesse ou num simples olhar de soslaio, logo vinha a compensação: - Porra, que isto é mesmo lindo! Contei-vos em tempos a história passada numa velha mina de Volfrâmio abandonada pelos alemães, na noite do armistício. A história do povo que estava à boca do Túnel à espera da fausta notícia e que exultou quando nos viu aparecer, com o homem manco à nossa frente, o verdadeiro herói dessa história. Passados tantos anos e depois de ter iniciado a minha aventura neste Blogue, muitos amigos fizeram o favor de deixar aqui vídeos sobre a Linha do Tua. Agradecia a dádiva e de muito boa vontade os ia logo ver e aproveitar o link para ver muitos mais! Ainda não se sabia então a maluqueira que ia desatinar as pessoas que amam aquela zona, que acordaram para uma triste realidade que não imaginavam, quando deram conta que os Senhores “Caseiros e Feitores de Lisboa” iam fazer ali uma barragem e deixar a linha do Tua submersa! Começou a revolta e a luta, contra os interesses de quem diz que manda, sem que esteja mandatado para mandar de qualquer modo ou feitio, seja contra quem quer que for! Digo-vos já, para que não sobrem dúvidas, que sou Transmontano e Duriense como há muito sabem, MAS TAMBÉM SOU DO TUA! E, porque também tenho ( graças a Deus) muito boa memória, peço-vos que recordem que a Barragem do Côa foi suspensa quando estava em fase muito adiantada de construção, por causa das Pinturas Rupestres, que iam ficar debaixo de água! - Ganhou o PS as Eleições ( António Guterres), muito por causa da emotividade posta no assunto e de um trabalho de Marketing muito bem feito que pôs as pessoas a reagir como carpideiras inconsoláveis. Fui contra e ainda sou, porque aquela espécie de xisto metamorfizado, igualzinho aos milhões de esteios e pedras de vinha que há séculos são usados no suporte dos bardos das vinhas do Douro, dava muito mais jeito, embelezamento, utilidade, possibilidade de estudo e rentabilidade a médio e longo prazo, num qualquer Museu situado na Vila ( será que ainda é Vila ou já é cidade ?) de Vila Nova De Foz Côa que lá em baixo. Não fugiam as Pinturas e tínhamos Barragem Para Dar e Durar!
Assim, ganhou o PS ao ganhar as Eleições Legislativas de então e a Somague, que recebeu uma enorme indemnização do Estado por este ter abandonado um contrato que tinha celebrado e que não cumpriu. O tal Estado, Pessoa de Bem! Ora, transportando essa mesma situação para a Linha do Tua, o mesmo Estado – Pessoa de Bem- já tem uma actuação absolutamente contraditória, antagónica mesmo! Borrifa-se para as pessoas e olha para os interesses! Interesses que não são os da Região, mas somente de estratégia monopolizadora de Mercados e Cotizações, de Dow Jones e de Índices Nasdaq, para regabofe e bom proveito dos Gestores a quem basta aumentar os preços, para mostrarem lucros sem que os trabalhadores sejam dados ou achados em termos de produtibilidade. No Rio Côa, poderia o Estado trazer as gravuras para o Museu ( tal como sugerido por uma Comissão Especializada Sueca, que então veio a Portugal). No Tua, não se pode trazer as pessoas para o Museu. Não podem ser abandonadas nas suas aldeias, sem que tenham hipóteses de mobilidade razoável. Não podem ser ignoradas, só porque são poucas e o valor quantitativo dos seus votos é insignificante. .. Tenho na minha frente o livro Pare, Escute, Olhe. Ao folheá-lo, vem-me à lembrança tudo aquilo que a minha memória guardou de todos os anos que passaram. Entram-me pelos olhos dento fotografias cheias de vida e significado. Memórias de um tempo bem mais recente mas, páginas de vidas de um povo que tudo faz para resistir ao escavar constante da pouca terra que lhes vai restando, por baixo dos pés. Sintomaticamente, nas fotos vêm-se muitos velhos e algumas crianças. Velhos a quem pouco resta e crianças que estão à espera do seu tempo para daqui fugirem, porque o seu futuro não deve passar por estas terras. As fotos são de Leonel de Carvalho. Cheias de força e sentido. Os belos textos, são do Escritor Transmontano Jorge Laiginhas, com várias obras já publicadas, algumas por mim já aqui enumeradas e de uma simplicidade cativante, que podem ler aos Domingos no JN, na sua muito particular maneira de descrever os inícios da República. Se puderem, leiam o livro, ou então vão ver o filme com o mesmo nome, numa sala de cinema. Acreditem que vale a pena. Pelo TUA e pelo DOURO.

…E ele chutou!!!Desde o campeonato do Mundo de 1966 que não havia assim um golo…

… Senhor Presidente da República, o seu “Convite” para assistir às Comemorações do Dia de Portugal e, eventualmente ser condecorado, se faltasse alguém! Não aceitei porque sabia que quem ia estar presente no Palanque das Vaidades era gente que nada tem a ver comigo, ou com o Portugal que é o meu e que com orgulho compartilho no Povo humilde a que pertenço. E fiz bem! Muito bem mesmo… Porque sou e serei sempre Português… … do Algarve, desde que acima da auto-estrada que separa a parte chique, do Algarve verdadeiro e genuíno, dos Alentejos , particularmente do Alto Alentejo onde deixei muito do meu suor e entusiasmo de empreendedorismo, já lá vão muitos anos. Das Beiras, seja lá ela qual for, porque estão lá muitas das raízes deste País que não se substanciam só em Monsanto, (projecto de restauro de Património que deve ser ainda orgulho de Vossa Excelência, se bem se lembra…) e de muitas parecenças com o meu Trás -os- Montes. Do Minho aqui ao lado… Da Madeira ou dos Açores! Mas não do Terreiro do Paço! Nada contra Lisboa e muito menos contra os Lisboetas, muitos deles por empréstimo, oriundos que são do interior. Se a coisa assim continua, muitos deles vão voltar “à Província” para serem outra vez transmontanos, minhotos, beirões, alentejanos ou até algarvios! Vão reaprender o que é um ingaço! Agora aqueles que estavam no palanque são gente que ou é do Terreiro do Paço, lá vão almoçar, jantar ou até dormir! Conhecem os corredores, as salas cozinhas , despensas e até armários! É gente em que a conversa lhes entra por um ouvido e sai pelo outro, sem causar mossa! Eles, ou quem os lá pôs, são gente que foi ávida na fartura, soberanos na parcimónia, mudos à súplica e cegos perante a desgraça. Gente que está bem, muito bem mesmo, especialmente na avidez de estarem sempre na primeira fila à espera de abocanharem algo que lhes traga melhor proveito. Gente que está bem, vai continuar bem e sem saberem o que custa compartilhar uma cabeça de sardinha. Gente que já nada representa, porque se Vossa Excelência os interrogar se representam pobres eles dirão “ que não têm nada a ver com isso”! Dia de Portugal! Qual deles? O dos poderosos? O dos pobres? E, por outro lado, comemorar PORTUGAL !!! Será que Bruxelas autorizou? Está ver caro Senhor que fiz muito bem em não ter ido. Ia estragara festa. Nem que fosse para ser Comendador da Treta. Mas valeu a pena ver, nem que fugazmente, pela Televisão, aquele bando de barrigudos mas orgulhosos ex-combatentes desfilarem perante “as individualidades”! Quanta história ia naquelas cabeças! Quanta juventude veio ao de cima!!! Será que fizeram bem em irem buscá-los depois de tanto ano? É que eles são “covas” de sonhos desfeitos, de histórias mal contadas, de sofrimentos que deram para toda a vida ou glórias que nunca foram para eles! Foram escorraçados, insultados, apelidados do pior. E tinha que ser um transmontano a chamá-los para a ribalta! Há transmontanos com muito valor e outros que não valem um chavo! Eu, sou transmontano assim, que se há-de fazer…

Não cumprem os homens, mas cumpre a natureza! Houve tempo e mais que tempo, para limpar as matas. Tempo de sobra para arranjar caminhos e fazer “ bordas”! Desta vez é que vai ser, dizia-se. Carros novos e vistosos, fardas que até então não eram conhecidas, gente de cá e de lá do rio que se juntam aos magotes num qualquer sítio que, espero eu que não os vi, presumo não ser para discutir futebol. Vejo-os às vezes nos restaurantes. Olho para eles com simpatia, porque da abnegação deles depende tudo aquilo que tenho. A casa da minha família. Mas, a verdade é que vi muito pouco. Há muita mata por limpar. E este mesmo ali a baixo, com casas ali ao lado…! Já estou a ver que este Verão vai ser um desassossego como nos anteriores. Incêndios e mais incêndios e um constante “credo” na boca na esperança de que não seja perto de mim. Para já, está aberto o circo!
As mulheres entrelaçam as mãos de aflição e os homens impotentes vigiam, olhando para o ar, vislumbrando através da cor das grossas colunas de fumo, se o fogo se agarrou a pinheiros ( fumo negro) ou se o heli lhe acertou em cheio com água ( fumo branco). - Olha, fumo negro! Agarrou-se a pinheiros cheiinhos de resina! - Espera, fumo branco. O homem do helicóptero é uma artista. Foi mesmo na mouche! Pelo meio, acabou o descanso. Os helicópteros passam a rasar o telhado da minha casa sobressaltando tudo e todos e fazendo-me lembrar com o barulho dos seus motores, o ambiente de guerra em Moeda, Moçambique! Estes helis que por aqui andam, não sei de onde vieram, mas parece que o motor lhes está a sair pelo cano de escape. E, ainda não vieram os aviões!!! Querem uma ideia, para mostrar ideias, na ideia de que tudo tem que mudar? - PRESIDENTE DE JUNTA QUE TENHA UM INCÊNDIO NA SUA FREGUESIA, MOTIVADO POR FALTA DE PREVENÇÃO, ESTÁ IMPOSSIBILITADO, POR LEI, DE SE RECANDIDATAR...!


Por mais que eu deseje que o meu Blogue se dedique só a questões relacionadas com o Douro e, de Respingo em Respingo, vos ir contando o que por aqui se vai passando sem esquecer a nossa história no passado, vão chegando notícias que preocupam demasiado e não deixam que mergulhe a cabeça, não na areia mas escondida atrás de qualquer videira ou vala escavada no meio do xisto e faça de conta que nada se passa. Digo-vos que sinto que a União Europeia chegou ao fim, muito antes daquilo que eu previa, ao ver que já começou o “chega p’ra lá”! Vejam: - Horst Köhler ( Presidente da Alemanha) demitiu-se esta manhã depois de ter sido criticado por comentários sobre a presença militar alemã no estrangeiro. Numa entrevista a uma rádio, o presidente relacionou a presença militar germânica com «rotas de comércio». - O governo grego foi aconselhado por economistas britânicos a deixar a zona euro para recuperar da crise da dívida, avança o "Sunday Times". Caiem por terra, portanto, tantos pressupostos de engodo que levaram a que tenhamos perdido muito da nossa soberania a favor de uma chamada solidariedade Europeia e que mais não serviu senão para descapitalizar, desmoronar industrialmente e socialmente a Europa a Oeste, em favor de Países de leste, mas mais perto de uma Alemanha que fica mesmo ali ao pé! As empresas que fecharam portas em Portugal ( depois de terem recebido milhões como incentivos para fixação), para rumarem a Leste, deixando centenas de milhares de Portugueses no desemprego, deverão ter recebido ordens, conselhos e muito mais incentivos dos seus respectivos países, para irem como abutres à procura de nova presa. Aliás, este pobre País que é o nosso, tem sido uma autêntica cobaia: - Recebeu subsídios para arrancar vinhas, olivais e outro tipo de culturas. - Recebeu subsídios para voltar a replantar o que havia arrancado! - Recebeu subsídios para voltar a arrancar, em nome de uma qualquer coisa. É mesmo de andar com a cabeça à roda! Mas, esperem aí !!!! Não era isso mesmo que eles pretendiam? Pôr este Povo de cabeça zonza; para perder o “norte”; a noção do espaço que ocupa; o sítio onde põe os pés; para que lado se oculta o sol; de que lado vem o vento…pois…muita coisa junta, que já não entra na cabeça! Forças armadas, já não temos! Só profissionais - de - armas, para andarem lá fora, por tudo o que é sítio, enquanto cá o crime campeia. Submarinos!!! Para quê? Para irem patrulhar os mares da Somália? Não estou a ver um submarino por mais moderno que seja, subir o Douro e ir pôr em respeito os Espanhóis( em viagem de cortesia, está claro!) que estão do outro lado de Freixo de Espada à Cinta! Ou subirem o Tejo até terras de Teruel! Vigilância? Para que servem os satélites? Engraçado é que quem aconselha a Grécia a capitular é precisamente quem não aderiu ao Euro e se ficou, e muito bem, pela Libra. Alguém nos perguntou alguma coisa? Só me chateiam a cabeça com os Referendos ao Aborto ? Sem me estar a deixar levar por teorias de conspiração ( estou como os meus vizinhos aqui do lado: no creo em brujas, pero que las hai… se não estiver bem escrito, pouco me importa, porque nem ao acordo Ortográfico cá do burgo vou ligar!). Não acham que aquilo que a Alemanha não conseguiu através dos horrores da Guerra ( 2 !!!!) conseguiu-o agora através da asfixia social e económica? Não que esta parte do Continente Europeu lhes interesse muito. - O volfrâmio que aqui havia “ à tona da Terra” já o extraíram há 50 anos e, por outro lado, já nem para “caricas serve”. - O vinho, têm por lá muito e daqui só se for pelo preço da “uva mijona” - A cortiça, compram-na em qualquer lado mais barata a preço mais competitivo mesmo que daqui vá! - Vêm cá de férias? Pois sim, para espaços fechados que já estão estrategicamente nas mãos de quem vai levar o lucro lá para fora! Depois de toda esta minha divagação, pergunto-vos o a vossa opinião sobre qual o futuro dos “feitores e caseiros” portugueses ( em letra pequena, pois claro) nos seus empregos em Bruxelas e Estrasburgo? - Vão ser corridos? - Vão ser despromovidos? - VÃO PARA O DESEMPREGO? E… Voltam para cá? Hui !!! E os aspirantes aos Empregos Comunitários? Vão para a Suíça lavar pratos? Querem ver…vou montar uma Empresa Sazonal: - Procuram-se Políticos Desempregados para transportarem cestos às costas, na altura da vindima! Vencimento: - 3 tigelas de sopa de feijão ao dia, batatas cozidas com toucinho ( meio dia) e arroz de feijão com meia sardinha assada. Um púcaro de vinho a cada refeição. Um copo de bagaço antes de entrarem ao lagar, à noite, e meia dúzia de figos secos. - Guarida garantida, no “cardanho do pessoal”, cabendo ao trabalhador munir-se de manta para agasalho. Que diabo de maluqueira!!!! Ia ser uma Festa das Vindimas como não há memória aqui no Douro.

Dele só tinha como referência vê-lo passar, volta e meia à minha porta, conduzindo uma velhinha Ami6 do princípio dos anos 70 do século passado, da qual me lembro muito bem por ser o carro de brincadeiras meio malucas dos meus tempos de juventude. A maneira como aquele carro se apresenta, dá que pensar! É de quem tem muito amor e também dinheiro, porquê esconder (?), ao conservar assim, nos mais pequenos pormenores o interior do carro, as janelas, fechos das portas, jantes e tampões salvaguardando assim o que era imagem de marca naquele tempo. Não pode pousar uma mosca!!! Ficava-me por aí a minha análise até verificar que é um “benfiquista” especial ! Destoou claramente na legítima comemoração do título de Campeão Nacional de Futebol da época presente. Bem à sua maneira, como vim a verificar mais tarde, não entrou em confusões. Passeou-se pelas ruas, conduzindo calmamente e sem alaridos, talvez sabendo que bastava para o seu orgulho de benfiquista vitorioso conduzir a bela Ami6 toda ornamentada com camisolas e cachecóis com as cores do Benfica. Fê-lo pelas ruas de S. Martinho de Anta, do Concelho e de Vila Real, assumindo a sua condição de benfiquismo com o maior civismo, encharcado de alegria. Se tal acontecesse na Avenida da Liberdade no Porto ou no Marquês de Pombal, em Lisboa, de certeza que o Senhor Manuel Augusto S. Caçador, nascido na aldeia da Garganta, deste Concelho de Sabrosa, ia aparecer em todos os Telejornais Nacionais como figura elevada ao mais alto nível de popularidade, nem que somente por uma semana, como convém às “máquinas trituradores de famas ocasionais, só para dar jeito”! Não, não quero isso ao falar dele. Bastou-me tê-lo observado ao balcão do Café que frequenta quando vem a Portugal para ver que é essencialmente desportista, para além de amar o seu clube de uma maneira que considero muito peculiar como com o tempo vão ver, porque combinámos que a história dele ia passar à posteridade, neste meu Blogue.
As duas horas que passei com ele antes do seu regresso a França, depois de adiada a viagem de avião duas vezes, mostrou-me um homem muito calmo, respeitador e muito solidário.
Há partes da sua vida que mostram um homem lutador. Há outras que comovem. E, também há algo que dá bem para rir e mostrar a sua condição humana. Vai valer a pena! … Residindo em Paris para onde emigrou, “ a salto”, ainda solteiro depois de cumprido o Serviço Militar Obrigatório (1) em Angola, não há jogo que o Benfica dispute na Luz que ele não venha assistir. - “ …saímos de Paris na manhã do jogo, de automóvel, de autocarro ou de avião, conforme aquilo que se arranja. Para o jogo leva sempre uma esferográfica vermelha e uma bola, para que a equipa do Benfica a assine… Ficam por Lisboa 2 dias e voltam a França! - “…quanto gastamos? Hum…1000 Euros cada um! …pas de problema!” … Comprando camisolas e cachecóis há mais de 20 anos tem na sua casa local mais de 200 camisolas e outros tantos cachecóis! Compra tudo? - Não. Só aqueles que dá gosto de ver, a vestirem a camisola do Benfica! Neste momento quando vai aos jogos enverga a camisola do Cardozo, porque nesta altura é o goleador mor! E se o quiserem ver na Luz, atenção! O Senhor Manuel enverga: - calças vermelhas - camisola do Cardozo - chuteiras vermelhas. - 3 cachecóis do Benfica! Um em cada pulso e outro ao pescoço! Ah, se não conseguirem identificá-lo, perguntem ao Shéu, que ele sabe de certeza por onde anda o Senhor Manuel. Mas … não perguntem ao Nuno Gomes!!! … Sabem quantas águias embalsamadas tem na sua casa? 32!!!! Imaginem porquê este número! … E fico-me por aqui, para já, com estes simples respingos! (Apontamentos?) A figura como ser humano e como aficionado pelo seu clube, de uma maneira inteiramente dedicada mas também educada ( coisa bem rara nos tempos que correm) é tão apaixonante que sei vai merecer o máximo interesse independentemente do clube que cada um de nós apoie. Vai ser, seguramente, uma figura marcante do Douro e por motivos bem positivos. Saúde Senhor Manuel lá por terras gaulesas. Rápida recuperação da sua esposa e volte daqui por duas semanas, que temos muito de que falar, para contar aos meus amigos.



Às 16 horas de ontem, Sábado, dia 15 de Maio de 2010, conforme pensado e vastamente anunciado, nasceu o livro “Baú de Recordações - Crónicas da Serra”, da autoria de Celeste Renha Coutinho, conhecida na Comunidade Sol como ASerrana. Mais de uma centena de pessoas oriundas de lugares como Oeiras, Porto, Guimarães, Vila Real, S. Martinho de Anta, S. João da Pesqueira, Souto Maior, Celeirós, Vilar de Maçada e… mais não me lembro, pelo que peço desculpa, assistiram ao parto literário de um livro que no Sol, foi concebido, nele germinou e numa bela tarde de sol ( depois de vários dias de chuva e frio) viu a luz do dia. Foi emocionante, mas acima de tudo gratificante para quem estava tremeliques de todo, com receio de que algo falhasse. Mas não. Os Amigos não deixaram que tal acontecesse, pelo entusiasmo carinho e até emoção que transmitiram a tudo o que no Auditório de Alijó se passou. O discurso entusiasta, motivador e empolgante do Presidente da Câmara de Alijó, Dr. Artur Cascarejo.
O saber indiscutível e contagiante da apresentadora da Obra, Dra. Ana Paula Fortuna. O momento de Poesia ao serem magnificamente lidos, com emoção, com colocação de voz, as pausas devidamente assinaladas,dos poemas da autora, pela Dra. Otília de Magalhães A intervenção comovida da Autora, várias vezes interrompida com aplausos pelas gente da sua terra, quando citações sobre pessoas, factos ou pensamentos eram feitos. Viram-se lágrimas nos olhos, de emoção. Viram-se abraços de salutar convívio. Viu-se alegria Viu-se amizade. Viu-se felicidade Viu-se orgulho. Ali, naquele lugar, àquela hora. Obrigado a todos, pela amizade, solidariedade e presença. Foi quem quis. Os que não foram, porque não puderam ir, saibam que foram lembrados.
  
 Mais uma etapa nas nossas vidas!A DOIS.
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