SOL

Afinal, há raízes que nunca se extinguem...!

Todos sabemos, os que vivemos pouco ou algum tempo no interior, como era a vida, que dificuldades, mesmo quando se tinha muitas terras e, como suposto,  de tudo para viver. No entanto, era legítimo que se quisesse experimentar uma vida, “lá fora”,  pensadamente, melhor..!

 

Há tempos numa visita a uma das muitas e belas paisagens do nosso país interior, tive o grato prazer de conhecer uma família que, natural dessa bela região, terão emigrado para África, como tantos nossos compatriotas o fizeram durante o século passado.

Conversa puxa conversa, ou a conversa é como as cerejas…, e entre apanhá-las e comê-las, esses belos frutos, directamente da árvore, ia ouvindo a história dessa família emigrante e, migrante, actualmente, na capital.

Aquele Beirão de alma e coração estava ali com uma bela casa inserida, de resto, numa paisagem rica em vestígios arqueológicos, dos nossos primeiros habitantes da península, não me esqueço de uma pedra escavada pelo uso que teria sido uma “parideira”, ou uma outra bem maior que teria sido uma piscina. Um espaço bem cuidado, onde todos os grãos de terra arável, estavam aproveitados com árvores de fruto, cultura de primores e jardim.

O dia estava chuvoso, tipo “molha tolos”, mas a temperatura estava amena e convidativa a andar pela rua. O nosso anfitrião, não parava, aliás bastava olhar aquele espaço que, logo se adivinhava o temperamento de quem o fazia verdejar, não obstante estar a mais de 300 quilómetros a maior parte do sua actual vida.

A certa altura, quando os restantes elementos do grupo se preparavam para uma sedentária tarde no sofá, depois de uma boa feijoada à transmontana servida ao almoço, ele calçou e vestiu qualquer coisa mais impermeável e fez um desafio a quem o quisesse seguir, dizendo que nos iria mostrar uma coisa.

Eu, que gosto de surpresas, e então numa zona onde os monumentos megalíticos abundam e me aguçam a curiosidade, embora não tivesse a melhor indumentária para um dia de chuviscos, imagine-se que até estava de calças brancas, mas, fiquei logo a postes e alinhei no “safari”. Deixámos a aldeia e lá fomos por entre picadas de castanheiros seculares e outra flora que deu origem às minhas mil perguntas, sobre as espécies que desconhecia.

Depois de alguns solavancos no todo terreno, encosta abaixo, eis que chegávamos perto de uma ribeira, naquela altura farta de água, qual rio, e parámos junto a umas ruínas, onde vegetação e paredes de robustas pedras talhadas e encaixadas umas nas outras se confundiam com o bosque circundante. O nosso guia saiu do jipe, desceu sobre algumas  pedras, já soltas e dispersa na assentada de terreno na margem esquerda da ribeira e ficou ali a olhar por uns instantes.

Um dos amigos, seu conterrâneo e cúmplice, conhecia bem o sítio, mas nós, ficámos a imaginar porque nos levaria ali.

É verdade, a história daquelas ruínas, não é risonha, mas é uma de muitas que terão ocorrido no nosso país interior e gerado a sua desertificação  durante  o século XIX e XX.

Eu tinha levado a minha máquina fotográfica, que carrego sempre à mão pelo que, já sou conhecida como a que dispara sobre tudo e qualquer coisa.

 

Fazia algumas fotografias às tais ruínas quando o nosso amigo começou a pensar alto.

-Isto, é o que resta de um moinho de água e da casa dos meus pais e onde vivi até ir para a tropa (Ultramar);

 

- Isto, por esta margem fora é o que resta de uma chã de terras que dava moios (medida de capacidade) de pão,  e de tudo, com fartura.

 

Depois, virou-se mais para o interior do que restava das paredes daquelas ruínas, de resto,  extensas e, recomendando cuidados, com o chão e as silvas, mandou-nos “entrar”, explicando:

_ Aqui era o quarto dos meus pais, aqui, o nosso quarto….,  meu e  dos irmãos.

Continuando, procurando não meter o pé nalgum buraco, fez outra pausa:

- Este era o forno onde se fazia a  boroa e algo mais em dias especiais.

E, continuando a visita guiada, chegávamos junto aos restos do que sobrara do moinho de água. Ainda lá estava a conduta de água tapada (tardiamente), com extensas lages de granito, levada de água que constituía a força motriz para fazer girar as mós de pedra que moíam o grão. E mais  um silêncio do nosso guia…:

- Aqui, na levada, caíram dois irmãos meus, crianças ainda, e foram arrastadas…!

Senti - me a gelar..! Não da chuva que até parecia mais um dia de sauna, mas  imaginando tão dolorosa e arrepiante situação.

Continuando, dizia:

-Foram tempos difíceis, para fazer a instrução primária, na sede de concelho, todos os dias fazia este trajecto serra acima, serra abaixo, calcorreando quilómetros, sempre na expectativa de uma boleia de alguma carroça de burro que fosse na minha direcção.

Talvez o acumular de acontecimentos e sofrimentos que a certa altura, aparentemente, já eram corriqueiros e naturais, mas não o foram o suficiente para me fazer parar e pensar, deram-me coragem para sair daqui para fora. A ida para a tropa e depois para a guerra colonial, foi o pretexto. Fiz bem? Fiz mal? Quem pode responder com exactidão?

 Este sítio faz parte de mim, apesar do que resta dele, aqui está a minha essência…!

-  Vamos embora, dizia, enquanto entrava no jipe.

É lá regressámos aquela aldeia histórica, monumento nacional, mas não sem antes ainda nos levar a ver um belíssimo souto de castanheiros que tinha mandado plantar, havia uns cinco anos.

Afinal, há raízes que nunca se extinguem...!

O meu vestido verde....!

O meu vestido verde com favos de mel e fartas laçadas!!!!


 

Em meados do século passado, lá pela Beira interior, prestar provas da 4ª classe (4º ano do ensino básico actual) era uma responsabilidade e um acontecimento de registo especial.

Assim era para os que eram propostos a exame e, para os familiares que preparavam o candidato, vestido a rigor, e o levavam à sede de concelho, pois era aí que as provas escritas e orais, estas para quem passasse nas primeiras, eram prestadas.

 

Se o aluno vivia a emoção e o nervosismo de ser submetido a examinação por um júri, de que nem o seu professor ou professora faziam parte, também vivia a ansiedade de nesses dias ter roupa nova e bonita para estrear e exibir juntos dos colegas e senhores da vila.

 

Era uma preocupação para a família a indumentária dos filhos. Eram sacrifícios acrescidos com despesas extras sobre as magras economias.

Porém, sempre se dava um jeito e caprichava-se quase sempre.

 

Era preciso manter a boa disposição das crianças e irem  bem vestidos, era um factor a não descurar, juntamente com as sabatinas de última hora.

 

Lembro-me muito bem do vestido verde com favos de mel e fartas laçadas. Era de um verde claro, de popeline, feito a rigor pela Ernestina, que aplicou toda a sua “ciência” e capricho no embonecar da “mana mais pequena” ou da “miúda” como ainda hoje gosta de a tratar.

 E, como me lembro de tudo isso...!

 

Foi um sucesso, vestido, contas ditado,  redacção, desenho e umas orais “cantadas” com rios, serras, vias férreas, etc.,etc., etc,….!

 

Era um acontecimento fazer a 4ª classe porque  era feita com exigência e   saber e, apesar de tudo, era um diploma com garantia...!

Homenagem a uma Rosa, Mulher!

 (Imagem do Record)

A Rosa Lobato Faria que agora nos acompanha noutra dimensão, deixou muitos e bons exemplos de profissionalismo, de artista, de escritora,  de mulher, de um ser humano maravilhoso.

 

É difícil sublinhar entre tudo o que de bom escreveu, mas eu sublinhei este texto da sucessão do tempo e em especial a sua conclusão, tão simples mas tão profunda e significativa.

 Uma boa "deixa”...!

Obrigada, Rosa!

 

« "todas as idades, como todas as estações, têm o seu encanto; o que é preciso é coração para senti-las e amá-las tal e qual como elas são."

 
 

  O céu tem quatro portas e em cada uma delas mora uma das estações do ano. Na porta branca mora um velho chamado Inverno, que é um bocado resmungão e espalha à sua volta a chuva, a trovoada, o frio, o vento e a neve. Na porta verde, mora a menina Primavera, cheia de vida e de cor; adora brincar com as borboletas, ver desabrochar as flores e sentir o cheiro da fruta madura. Na porta amarela, mora o Verão, que é um rapaz bonito, forte e bronzeado; gosta do sol, da praia e das férias, dos campos de trigo ondulantes e da fruta sumarenta. Por fim, na porta dourada mora um homem chamado Outono, que, além de pintor, é um grande maestro, e cria uma sinfonia de verdes escuros, castanhos, roxos, vermelhos e dourados na folhagem das árvores.

Esta é, portanto, a história das estações do ano, as quais, afinal, têm paralelo nas vidas das pessoas, pois, como nos diz a autora, "todas as idades, como todas as estações, têm o seu encanto; o que é preciso é coração para senti-las e amá-las tal e qual como elas são."»

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Sinais de primavera!

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

 

(Miguel Torga)

 

 Fotos de Irene Borges

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"Sorte em viver aqui"


  

É verdade, em deveres e lazeres pela terra do bom chícharo  mas não só!

Alvaiázere tem muito mais. Tem bom azeite, bons vinhos, bons enchidos e queijos. Tem de tudo um pouco, para o que a sua gente vive, trabalha  lutando pela vida, coisa que sempre muito bem soube fazer.

Terra farta! "Sorte em viver aqui"! Seu lema.

 

Mas o que quero registar, particularmente, foi a honra que tive em conhecer, pessoalmente, uma parte da jovem e afável equipa da gestão camarária de Alvaiázere, começando pelo seu Presidente. Foi uma enorme satisfação ter oportunidade de poder agradecer pessoalmente a quem, sem me conhecer, acreditou ao apoiar-me na edição do meu livro “O Januário e a Menina dos Caracóis”, pelo encorajamento que me transmitiram na edição e divulgação do livro, cujos cenários e assunto também  tem referências desta autarquia.

 

Aproveitei para fazer algumas fotografias já que ontem até o tempo ajudou e me deixou a paisagem da  Serra de Alvaiázere a descoberto.

 

Após um almoço “ ao  Brás”, bem aconchegado, deixámos a vila .

 

Depois, ainda deu para fazer uma visita obrigatória à minha casa de berço ali, no concelho vizinho, Figueiró dos Vinhos, que é de onde sou natural.

 

Entretanto, a noite caía já, em plena A23, rumo a casa.

 

 

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Admissões/Demissões ou a "Dança das Cadeiras"

Fiquei escandalizada ontem, não com a notícia de uma demissão /admissão de um cargo público, porque quando há mexidas nos executivos, em regra, infelizmente, e para ineficácia do sistema, os novos ministros gostam de ter algumas “simpatias”. Mas, o que me incomodou, seriamente, foi a forma como tal mudança foi feita e, claro, os microfones dos jornalistas foram, desta feita, a testemunha difícil de escamotear. Pelo menos, prestaram um excelente trabalho, mostrar a quem ouviu, a hipocrisia da Sra. Ministra para com um dirigente que já deu provas sobejas de competência no cargo, conhecimento e dedicação nesta área.

Estou a referir-me à demissão do Director do Museu de Arte Antiga, Dr. Paulo Henriques.

 Para uma titular de um Ministério da Cultura, por maioria de razão, era exigida uma postura mais cautelosa e, acima de tudo, mais cuidada e respeitosa.

 A mentira bonita não vale a verdade feia!

Depois, pode convencer-se quem não conhece o trabalho, o profissionalismo e a grandeza humana de Paulo Henriques mas, jamais, os restantes e são muitos. Assim não vamos longe!!!

 

 «Notícia do público

Ministério apresenta hoje Plano Estratégico para os Museus do Século XXI

Director do Museu Nacional de Arte Antiga afastado por não ter perfil de gestor

20.01.2010 - 07:47 Por Alexandra Prado Coelho, Vanessa Rato

 

 

 

Paulo Henriques é o segundo director a sair na sequência das novas directrizes do ministério para o sector. Plano estratégico para os museus fala em "práticas de gestão" e pede "ganhos de eficácia".

Paulo Henriques tem um longo percurso à frente de museusPaulo Henriques tem um longo percurso à frente de museus (Pedro Elias (arquivo))


É o segundo director a ver-se afastado do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) em menos de três anos: Paulo Henriques, que tomou posse em Setembro de 2007, foi informado ontem pelo Ministério da Cultura (MC) que o seu perfil não corresponde ao que se pretende neste momento para a condução do histórico primeiro museu português.

Foi nesses termos que pouco depois comunicou a sua saída à equipa do museu, enquanto, internamente, o ministério fazia saber que a nova direcção seria anunciada hoje. Ao fim do dia, já por comunicado, o ministério esclarecia que o afastamento de Paulo Henriques a oito meses do fim da sua comissão de serviço renovável surge "no âmbito de uma nova orientação estratégica dos organismos do Ministério da Cultura [...] em que se inclui o Plano Estratégico para os Museus do Século XXI".

É um plano a apresentar esta tarde, no Museu de Arte Popular, a partir de um documento a que o PÚBLICO teve acesso e que, entre outras medidas de fundo, atribui a alguns museus e palácios financiamentos plurianuais, libertando-os do actual espartilho da gestão anual.

Escolha inesperadamente apaziguadora no momento do polémico afastamento da historiadora Dalila Rodrigues, após um braço-de-ferro público com a então ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, Paulo Henriques, de 52 anos, chegou ao MNAA com um percurso de dez anos à frente do Museu Nacional do Azulejo. Formado em História da Arte e membro da direcção da galeria Loja do Desenho, espaço que nas décadas de 1980 e 1990 contribuiu para autonomização desta disciplina em Portugal, esteve ainda à frente do Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, entre 1992 e 1998.

Tido como um especialista versátil, hábil no cruzamento de várias linguagens e tempos históricos, rigoroso e com grande sentido de ética profissional, pensou-se, à época da sua chegada ao MNAA, que pudesse contribuir com um olhar mais transversal sobre as colecções, equilibrando, com a sua formação em escultura e artes decorativas, a tendência dos seus antecessores de enfoque nos acervos de pintura.

Ao tomar posse, apontava um caminho diferente do ensaiado por Dalila Rodrigues: em vez de iniciativas de grande visibilidade, ao encontro de novos públicos e apoios mecenáticos, Paulo Henriques anunciou a tentativa mais invisível de recuperação de uma credibilidade científica que entendeu estar debilitada, afastando-se assim da procura da autonomia financeira que marcou o percurso da sua antecessora. E isso pode ter-lhe custado agora o lugar. Não será o perfil mais tradicional do director-investigador, mas o do director-gestor, que o Ministério da Cultura de Gabriela Canavilhas procura para a condução dos museus sob tutela do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC).

Que perfil de director?

Sem entrar em pormenores, o comunicado do Ministério da Cultura remete novos esclarecimentos sobre a saída de Paulo Henriques para a conferência de hoje de apresentação do Plano Estratégico para os Museus do Século XXI. Marcado por palavras como "inovação", "criatividade", "participação", "avaliação", "eficácia" e "coerência", este não define explicitamente um perfil de director, mas refere a "definição de práticas de gestão para os serviços centrais e dependentes", visando ganhos de "eficácia" e "racionalidade", o que parece indicar que a capacidade de gestão e captação de financiamentos é vista como fundamental num director de museu.

De resto, há um mês, a demissão de Joaquim Caetano do Museu de Évora, quando Canavilhas já tinha discutido com o primeiro-ministro, José Sócrates, o seu caderno de encargos para o sector, era já um indicador das expectativas da nova equipa ministerial. Na altura, Joaquim Caetano explicava ter o perfil de um historiador, quando "a prioridade", aquilo que neste momento se pede a um director, "é a captação de financiamentos". "Os museus enfrentam um esquema de avaliação quase empresarial, ao mesmo tempo que mantêm meios de gestão que não se afastam muito da repartição pública e as duas coisas juntas funcionam mal", dizia Joaquim Caetano.

Segundo o novo plano estratégico, com a introdução de financiamentos plurianuais, os museus passarão a ter margem de manobra para fazer programação a mais longo prazo, algo que os seus responsáveis vêm pedindo há muito tempo, mas em troca devem comprometer-se com um programa de actividades definido com o ministério.

O documento é o culminar de uma reflexão sobre o modelo de gestão dos museus que tinha sido iniciada com o anterior ministro, José António Pinto Ribeiro. Na origem está a constatação da situação de penúria dramática em que se encontra a maioria dos museus da rede do IMC: sem funcionários suficientes, sem dinheiro para compras básicas, com edifícios a precisar de obras urgentes e sem capacidade para fazer uma programação.

Outra das propostas do documento é a transferência de alguns dos 28 museus que pertencem ao IMC, "de forma faseada", para o controlo dos municípios ou das Direcções Regionais de Cultura. Os museus a transferir seriam "seleccionados com base em critérios patrimoniais e museológicos e assentes em contratos- programa".

Isto reduziria as despesas do ministério, libertando verbas para os museus que ficassem sob a sua responsabilidade. O documento não explica, contudo, se o poder central se desresponsabilizaria completamente desses museus, um dos pânicos de muitos especialistas ao longo dos últimos anos.»

 

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Ai, Haiti!!!

 

 Seja apenas imaginário…!

Que as ajudas humanitárias,

Tenham intenções secundárias

Eu recuso tal cenário.

 

É que para meu desgosto…!

O caos não foi em Haiti

Foi em nós, em mim, em ti,

Se verdade tal suposto.

 

A natureza humana será tal,

Que numa situação premente

Ajudará, tão lentamente,

Tornando a ajuda fatal?

 

Não! Não,  minha gente!

Por favor vamos pensar

E vamos, todos, acreditar

Na dor que o mundo sente.

 

Vamos todos contribuir,

Num sistema global,

Na ajuda pronta e  cabal,

Noutro infeliz provir.

 

E se não podemos lá estar

Com uma acção presente,

Estejamos solidariamente,

Com o que temos p’ra dar.

 

Ai  Haiti!

IBC.

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Melodia Interrompida!

Estive na promoção do livro de poesia do autor deste poema Ontem. Foi um momento de cultura muito agradável, na livraria Circulo de Letras em Lisboa.

 

 

LABIRINTO

 

 

 Já não sei o caminho

Hipotequei a vida

Só ganhei frustração

Que noite tão comprida

Ausência de carinho

Prenhe de solidão.

 

Já não sonho o futuro

Num presente de nada

Que nada me promete.

Que destino tão escuro

Nenhum sinal na estrada

Nem ópio que me injecte.

 

Já não espero o amor

No sentir que eu invento

Mas que só vive em mim.

Meu grito, meu lamento,

Meu vulcão, minha dor,

Porque não dizes sim?

 

(De Carlos Almeida Santos “Melodia Interrompida”)

 

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Breve apontamento sobre “Al-bai-zir”


 

 

 

 

 

«Dom Sancho I outorgou foral a Alvaiázere em 1200. Em 1388 foi elevada a vila por foral concedido por Dom João I. Hoje em dia esta região é um dos principais produtores de azeite do nosso país. Feriado Municipal: 13 de Junho.»

 

Alvaiázere é um concelho do distrito de Leiria. Uma povoação muito antiga que, provavelmente, já era habitada pelos primitivos povos da península. Pelo prefixo “al”, logo se deixa ver que ali estiveram árabes e foram eles que lhe deram o nome. “Al- bai- zir”, que acabou por dar Alvaiázere.

No reinado de D. João I, foi elevada à categoria de vila e doada  por D. Duarte a sua mulher em 1435, pelo que ficou a pertencer à casa de Bragança.

A IGREJA MATRIZ, dedicada a Santa Maria Madalena,

 

é um edifício singelo. No remate da sua frontaria, de empena recortada, está um baixo relevo quinhentista figurando Cristo, preso à coluna entre anjos. 

 

No frontão do portal, figura a data de 1810. A torre sineira tem uma armação de ferro para o sino. O interior, tem três naves, com tectos de madeira,

Tem cinco altares. A abóbada do altar é artesoada, pintada de verde, com cinco barretes a firmarem as nervuras e estribos de canto. A arcaria que preenche os tramos, dividindo as naves, data do sec. XVI.

O púlpito em cálice, tem a base trabalhada em forma de concha. Ao espírito da época (transição do sec, XVI para o XVII). No altar mor estão colocadas duas esculturas de pedra quinhentistas  representando a Santíssima Trindade e Santa Bárbara.

 

 UM SOLAR SEISCENTISTA,  Numa das ruas da vila ergue-se uma casa solarenga, com um andar cimeiro corrido de sacadas elegantes e um portal ao gosto da época, apresentando no frontão, cingido por pilastras, uma pedra de armas esquartelada..

 

O CHAFARIZ DA VILA,  ostenta a data de 1842 (ano em que foi reformado). Ladeiam-no duas colunas pinaculadas e orna-o uma curiosa carranca (cabeça barbada) , rudemente esculpida. 

 

VESTÍGIOS DO CASTELO. No lugar denominado Carreira dos Cavalos ou Muredo, no alto da Serra de Alvaiázere, erguem-se alguns arruinados panos de muralha, que se supõe datarem do período lusitano-romano. Estes muros fizeram, provavelmente parte de um hipódromo romano.

Fonte: “Tesouros artísticos de Portugal” e fotos Dias dos Reis)

  Mas há muito mais para descobrir.---!

 

 

 (Fonte: “Tesouros artísticos de Portugal” e fotos Dias dos Reis)

Mas, há muito

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Compromissos, liberdades, convicções.

Hoje, liturgicamente, a Igreja Católica festejou a festa do Baptismo, porquanto o Sacramento do Baptismo é o cerne ou fundamento de toda a vida cristã.

 

 De vez em quando, houve-se alguém dizer que não baptiza o seu filho porque espera que seja ele a decidir quando crescer, se quer ou não ser baptizado.


Obviamente, que quando um casal de cônjuges, católicos, decide baptizar o filho, fá-lo com convicção da fé que professa, que pratica, que vive e quer para o seu filho, como algo bom e fundamental para a sua vida. E, porque acredita sem reservas que o baptismo é fonte de vida espiritual, quer transmiti-la à sua descendência quanto mais cedo melhor.

É um acto co-responsável com os padrinhos que assumem nesse dia responsabilidade de acompanhar o crescimento  integral do afilhado.

Afinal, quando abraçamos uma religião convictamente, assumimos determinados compromissos consciente e livremente também. Então, é natural que nos disponhamos a cumprir as respectivas regras, com espontaneidade e fé.

Outra coisa diferente, é a adesão ou conversão a uma religião em certa altura da nossa vida e aí iniciamos todos os rituais a começar pelo Baptismo (na religião católica) após um período de catecumenado, ou preparação catequética para receber, conscientemente, os Sacramentos.

Em qualquer caso, cada pessoa é livre de tomar as suas decisões e assumir responsavelmente os seus actos perante si própria e em consciência, por maioria de razão, quando se trata de decidir por terceiros que de si dependem.

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Pais, padrinhos, professores!

Diz a tradição que os padrinhos assumem, ao baptizar os afilhados, uma responsabilidade equivalente à paternal.

Cresci nessa cultura mas, confesso, talvez por não absoluta necessidade desse meu lado, tenho afilhados dos quais estive bastante ausente, principalmente, por razões geográficas.

 

Ontem, segundo dia do Novo Ano, em que também é dia de acrescentar mais um ano à minha existência, resolvi sublinhar essa data de uma forma diferente, promovendo um encontro com um afilhado que vejo muito poucas vezes. Baptizei-o, participei no casamento e pouco mais.

 Actualmente, a mulher está a dar aulas, colocada no Baixo Alentejo, junto à fronteira. Tem dois filhotes, um  de três e outro de ano e meio, que também estão “destacados” com a mãe e cujo meu afilhado, pai, engenheiro civil em Coimbra, os visita semanalmente.

 Sabendo eu deste quadro, decidi ir festejar com eles o meu aniversário e partilhar um pouco da sua vida que, como devem calcular, neste contexto não é fácil.

 A esposa e mãe professoras é uma menina muito meiga, muito calma, muito dócil, mas também muito assertiva no que diz e faz, desde logo na educação dos filhos (uma prof…). O marido  é a alma gémea no contexto familiar, disponível de alma e coração e ambos de uma simplicidade e sobriedade, impressionantes.

 Usufrui durante 24 horas da sua vivência “ nómada”, actualmente. Sinto que eles são um testemunho de que para se ser feliz, essencial é cantar a mesma canção, dizendo em coro: estamos juntos, mesmo a cerca de 400 Kms…!

 Sempre tive uma consideração e respeito muito grandes pelos professores, e agora mais que nunca, esse sentimento, foi renovado vigorosamente. E é por isso que lamento cada vez mais, a forma nem sempre mais atenciosa e justa, de como os professores têm sido tratados por quem deveria protegê-los superiormente e, não o fazendo,  tem levado a que o seu prestígio e papel na construção da sociedade não seja devidamente apoiado e reconhecido por esta.  

 Pensem, para procurar garantir um mínimo de esperança na sua carreira docente, uma jovem família, sobrevive com todas as suas forças, a uma separação desta ordem. Não são os únicos. Não! Ok! Mas não é fácil, é doloroso, por vezes, e isso tem que ser reconhecido.

 Gostei muito de estar com eles, talvez tenha sido o meu aniversário, não sei se o mais feliz, mas muito feliz, marcante pelo exemplo de luta pelo futuro, pela entrega, pela disponibilidade e pela aceitação amorosa e partilhada.

 Resta -me desejar-lhes toda a força física e espiritual, a eles e a todos aqueles que, para sobreviver, aceitam a sorte sem hesitar!

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Se eu desse um nome a 2010, eu gostaria que fosse " O Ano da Esperança”!


 

Então façamos um brinde ao Ano da Esperança!

 

Da Esperança, numa vivência mais transparente nos actos públicos e individuais,

Da Esperança, numa maior objectividade no espírito crítico e opinativo.

Da Esperança, numa maior solidariedade universal e anónima,

Da Esperança, numa maior entrega sem interesse de nada receber em troca,

Da Esperança, num avanço da ciência na descoberta da cura para tantas doenças,

Da Esperança, num entendimento global para a preservação da Natureza,

Da Esperança, numa maior tolerância em todas as dimensões,

Da Esperança, num Mundo mais justo e acolhedor dos mais idosos e desvalidos,

Da Esperança, na valorização da Família, enquanto, estrutura básica de qualquer sociedade, colocando sempre a criança em primeiro plano.

Da Esperança, na capacidade sonhadora alavanca do agir e da busca da felicidade,

Da Esperança, no meu próprio compromisso e prática para a concretização destes propósitos.

 Da Esperança!

 (Irene borges)

 Ainda a linguagem de Esperança com Drumonnd

……..

 " Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente.

   Desejo -te o sonho realizado.

 O amor esperado.

 A esperança renovada.

Desejo-te todas as cores desta vida.

 Todas as alegrias que poderes sorrir,

Todas as músicas que te poderem emocionar.

 Para ti neste novo ano, desejo que os amigos sejam mais cúmplices, e que sejas mais amiga (o) dos teus amigos, que a tua família esteja mais unida, que a tua vida seja mais bem vivida.

 Gostaria de te desejar tantas coisas. Mas nada seria suficiente para repassar o que realmente te desejo . Então, desejo apenas que tenhas muitos desejos. Desejos grandes e que eles te possam  mover a cada minuto, rumo à sua felicidade!"
                           
 Carlos Drumonnd de Andrade

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Excelente Dia da Família, continuação de Boas Festas

Foi uma noite de Natal, diferente. Claro que todas as noites, também de Natal, são diferentes, a vida é uma sequência não uma repetição, embora por vezes pareça. Cada instante é prelúdio do seguinte , é como a água corrente que também não passa duas vezes no mesmo leito.

Este ano o Natal em Família também foi vivido nessa continuidade. Havia marcadores com nomes que ficaram na gaveta. Ausências, circunstanciais, mais definitivas umas que outras. Todavia, em espírito de família todos lá estiveram.

Este ano até tivemos visitas, um bebé franco-africano que passou por nossa casa de escala em Lisboa, entre Maputo e Liege - , o Yanisse- simpático, risonho, quando no colo da mami, contrariamente, chorava com qualquer de nós. Um bebé ao vivo no nosso presépio…J)


Este Natal fez-se contenção no consumismo. Houve prendas do “amigo secreto”, em jeito de troca…! Foi interessante.

 

Desta vez, não foi nas serranias Beirãs, por motivos de saúde de alguns, foi no Bugio, para não se perder o hábito, também.

Até houve tempo para fazer a festa de S. Brás. Eu não conhecia essa tradição, mas, quando falávamos com uma amiga de Gouveia e lhe dizíamos que estávamos no terceiro dia de convívio familiar, lá em casa, ela disse que quando o Natal se celebra três dias seguidos é a festa de S. Brás.

Uma coisa eu sei é que hoje, Domingo, a liturgia da Igreja Católica celebra o dia da Família, nesta sequência natalícia.

Entretanto, apercebi-me, enquanto lá ia ouvindo ou lendo notícias no intervalo do meu papel de anfitriã, que, e vindo da sociedade civil, independentemente dos Credos, este ano o Natal marcou bastante o sentido de família, a par do solidário.

É um bom sintoma, sinal que o mundo se está a aperceber que a instituição família, base de toda a sociedade, precisa de atenção e retoma do seu verdadeiro papel.

Um Excelente dia da Família para todos. Continuação de Boas Festas.

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No meu presépio de barro, deixo um abraço fraterno!

O MEU PRESÉPIO DE BARRO

FEITO COM TANTO CARINHO

QUERO AQUI PARTILHAR

CONVOSCO NESTE CANTINHO….!

 

FELIZ NATAL COM UM ABRAÇO

DE FRATERNA AMIZADE!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Um conto de Natal!

 

Era uma noite de breu, só as estrelinhas, porque o firmamento estava límpido, se viam como pontos de agulha fina muito longe a brilhar mas como quem diz que  mesmo distantes estavam lá, como  guião na densa escuridão.

Ao fim de algum tempo de ali ficar sentada, em profundo silêncio, junto ao parapeito da janela que dava para as serranias do lobêtio, as árvores, pouco a pouco, começavam a desenhar um esboço no horizonte como a dizer-lhe: também nós estamos aqui, silenciosas, contemplando o Céu estrelado e recebendo os ténues fios de luz que  nos tocam docemente, como beijos que chegam do Oriente.  .!

 

Os mais novos ainda se mantinham à volta da lareira a festejar o Nascimento, só ela e os mais pequenitos já tinham regressado aos seus quartos.

Aquele silêncio, ali em contemplação, aos poucos, trazia até aos seus sentidos cada elemento da natureza e da vida …que iam adornando os seus pensamentos.

 Agora, era o som da água da regueira mais a abaixo que se fazia ouvir como música de fundo. De quando em vez, como quem muda de parágrafo, sentia a passagem dos morcegos deambulando, de toca em toca, em murmúrios de afectos, ou  ouvia o som esporádico de uma coruja ou mocho, lá longe.

 Suavemente, uma brisa cadenciada agita lá fora a natureza e as sombras deslizam na vidraça como quem espreita para o seu interior.

Na aldeia em frente, observava pontos de luz, bruxuleantes, de candeeiros de petróleo que numa janela faziam vigília a algum doente, ou a luz frouxa dos faróis de bicicletas que traziam a casa, noite dentro, algum morador da aldeia que vinha  de locais mais distantes.

 

Em tudo ali, a altas horas e apesar da Noite… dominava o silêncio!

 

Uma vez mais, olhou o firmamento, uma estrela cadente deslocava-se,veloz como que a assinalar a direcção da Gruta.

Espreitava  de novo, escutava e sentia a brisa e os cheiros da terra e da noite. Senta-se, agora,   e reza as orações do deitar.

 Os olhos ficam húmidos e formam uma cortina que aos poucos se adensa e desce como pano de palco em fim de acto.

Finalmente, adormece no sono e na graça de mais um Natal!

Publicado por portocego | 13 Comentário(s)
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