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Mário Viegas
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ouvi, ouvi este poeta ignorado
que cá de longe fechado numa gaveta
no suor do século vinte
rodeado de chamas e de trovões,
vai atirar para o mundo
versos duros e sonâmbulos como eu.
Versos afiados como dentes duma serra em mãos de injúria.
Versos agrestes como azorragues de nojo.
Versos rudes como machados de decepar.
Versos de lâmina contra a Paisagem do mundo
— essa prostituta que parece andar às ordens dos ricos
para adormecer os poetas.
Fora, fora do planeta,
tu, mulher lânguida
de braços verdes
e cantos de pássaros no coração!
Fora, fora as árvores inúteis
— ninfas paradas
para o cio dos faunos
escondidos no vento...
Fora, fora o céu
com nuvens onde não há chuva
mas cores para quadros de exposição!
Fora, fora os poentes
com sangue sem cadáveres
a iludiremos de campos de batalha suspensos!
Fora, fora as rosas vermelhas,
flâmulas de revolta para enterros na primavera
dos revolucionários mortos na cama!
Fora, fora as fontes
com água envenenada da solidão
para adormecer o desespero dos homens!
Fora, fora as heras nos muros
a vestirem de luz verde as sombras dos nossos mortos sempre
de pé!
Fora, fora os rios
a esquecerem-nos as lágrimas dos pobres!
Fora, fora as papoilas,
tão contentes de parecerem o rosto de sangue heróico dum
fantasma ferido!
Fora, fora tudo o que amoleça de afrodites
a teima das nossas garras
curvas de futuro!
Fora! Fora! Fora! Fora!
Deixem-nos o planeta descarnado e áspero
para vermos bem os esqueletos de tudo, até das nuvens.
Deixem-nos um planeta sem vales rumorosos de ecos úmidos
nem mulheres de flores nas planícies estendidas.
Uma planeta feito de lágrimas e montes de sucata
com morcegos a trazerem nas asas a penumbra das tocas.
E estrelas que rompem do ferro fundente dos fornos!
E cavalos negros nas nuvens de fumo das fábricas!
E flores de punhos cerrados das multidões em alma!
E barracões, e vielas, e vícios, e escravos
a suarem um simulacro de vida
entre bolor, fome, mãos de súplica e cadáveres,
montes de cadáveres, milhões de cadáveres, silêncios de cadáveres
e pedras!
Deixem-nos um planeta sem árvores de estrelas
a nós os poetas que estrangulamos os pássaros
para ouvirmos mais alto o silêncio dos homens
— terríveis, à espera, na sombra do chão
sujo da nossa morte.
José Gomes Ferreira
( 1900-1985)
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Aqui, no PÚBLICO de ontem, podia ler-se esta aterradora e chocante notícia:«O primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, pediu ontem desculpas ao milhão e meio de "australianos esquecidos" - as crianças que foram vítimas ao longo de várias décadas de maus tratos e abusos em instituições públicas do país, muitas delas enviadas do Reino Unido para a Austrália e em muitos desses casos sem o conhecimento dos pais."[Sentimo-nos] desolados por esta tragédia, esta tragédia absoluta, de infâncias perdidas", afirmou Rudd perante os cerca de mil de sobreviventes deste drama humano que se apresentaram no Parlamento - cumprindo a recomendação feita pelo Senado em 2004, instando o Governo da Austrália a assumir "arrependimento"; (...)Estamos todos juntos para vos apresentarmos as desculpas do Estado, para vos dizer que estamos desolados", prosseguiu, num discurso transmitido pela televisão, lamentando ainda que muitas daquelas crianças tenham sido abandonadas "ao frio, à fome e à solidão, sem terem ninguém, absolutamente ninguém, a quem recorrer". Centenas de milhares de crianças foram vítimas de enormes violências, incluindo casos de abuso sexual, nos orfanatos e casas de acolhimento australianas. (...) Ao longo das três décadas foram enviadas pelo Reino Unido umas 130 mil crianças pobres, entre os três e os 14 anos de idade, para outros países da Commonwealth, sobretudo para a Austrália e Canadá, mas também para a Nova Zelândia, para a África do Sul e para o Zimbabwe, com promessas de que teriam uma vida melhor. Muitas das crianças abrangidas pelo programa estavam já institucionalizadas no Reino Unido, sendo-lhes dito que os pais tinham morrido, ao mesmo tempo que os pais não eram informados de que as crianças estavam a ser enviadas para fora do país. Em muitos casos foram tornadas trabalhadoras em quintas, onde sofreram todo o tipo de abusos físicos, psicológicos e sexuais.»
Entretanto, lido o essencial da notícia e embrulhados o choque e indignação, estou certo que nem um só um defensor do sistema capitalista achará que isto deva ser lançado à conta dele, estou certo que aqui só verão um acidente ou tragédia da história e não crimes como vêem noutras latitudes e que nenhuma corrente política portuguesa, apesar de a estes factos estarem associados governos britânicos conservadores e trabalhistas, admitirá carregar com este peso sobre os ombros porque, como bem sabemos, pesos sobre os ombros e para toda a vida é só para os do costume.
In o tempo das cerejas
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Nâââooo!!! – comenta o empresário das sucatas de Ovar, Manuel Godinho – E o que é que eu tenho feito?!
Vamos por partes, e aquele benemérito homem dos envelopes e das prendas não tenha entendido bem o verdadeiro sentido da coisa... mas olhando para os exemplos de alguns dos protegidos e ex-colaboradores de Cavaco Silva, como Dias Loureiro, José Oliveira e Costa do BPN, etc., etc., etc.... quem é que o pode censurar?
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Teresa Forcades, freira catalã doutorada em Saúde Pública, faz uma reflexão sobre a história da Gripe A (H1N1) e da sua vacina. Ela apresenta dados científicos e descreve as muitas irregularidades que envolvem o assunto. Na entrevista explica que a Organização Mundial de Saúde modificou a definição de pandemia, analisa as implicações políticas e os interesses subjacentes à campanha de vacinação, analisa os perigos das vacinas que estão a ser fabricadas e faz um apelo à activação urgente de mecanismos legais a fim de não penalizar os cidadãos que se recusem a deixar-se vacinar. A entrevista está num castelhano bastante acessível a pessoas de língua portuguesa. Embora extensa, vale a pena ouvi-la na íntegra.
DOBRE DE SINOS PELA GRIPE A de ALISH on Vimeo .
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Crónica de uma ressureição
A generalidade da imprensa francesa destaca
a Estreia do documentário de Serge Bromberg que conta a história e recupera imagens desde há 45 anos esquecidas do filme inacabado de Henri-Georges Clouzot L'Enfer, com Serge Reggiani e Romy Schneider nos principais papéis. No Figaro, pode ler Dans les coulisses de «L'Enfer», film maudit de Clouzot
e Romy:La lumière et L'Enfer
.Ver o filme-anúncio aqui
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Com a devida vénia do Tempo das cerejas
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Doris Day - Somewhere Over The Rainbow
Resto de bom fim-de-semana
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Quem avisa vossa amiga é...
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Cliquem no título para verem a notícia
- Parece que se ganham (Soares da Costa) concursos com uns pressupostos e depois afinal
- NADA.
Será que o Godinho disse ao Vara que era vitorioso antes de se saber a sentença??? SERÁ???
NÃÃÃOOOOO...
Read More »»
http://democraciaemportugal.blogspot.com/
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Na AISP: "Lisboa recebe a Marcha Mundial apassou para 14 de Novembro no Parque Expo à tarde. À noite, está agendado um concerto no Chapitô, intitulado Aves Migratórias. No dia seguinte, a Marcha de Rua decorre no final da tarde, sob o lema "Diversidade por uma Causa" que pretende mobilizar vários quadrantes da sociedade. A concentração está marcada para as 17 horas no Marquês de Pombal, sendo que a marcha inicia às 17:30h pela Avenida da Liberdade até ao Rossio onde será celebrada uma Festa Multicultural." [mais informação]


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O pacto de Sócrates para o desemprego e para a precariedade
- A economia do ministro da Economia e a economia do país real
RESUMO DESTE ESTUDO
No Livro Verde sobre o direito do trabalho enviado aos Estados Membros em 2006, a Comissão Europeia considera que existe na UE "um mercado de trabalho a duas velocidades, constituído por trabalhadores com um emprego permanente, chamados "os insiders", e outros, que designa por "outsiders", que incluem desempregados, pessoas afastadas do mercado de trabalho, e aqueles que se encontram em situações de emprego precárias e informais (pág.4)" E defende que os Estados Membros devem avaliar "o grau de flexibilidade previstos nos contratos clássicos (os contratos efectivos por tempo indeterminado), e, se necessário, proceder à sua alteração, no que diz respeito aos prazos de pré-aviso, custos e procedimentos aplicáveis ao despedimento individual e colectivo, ou ainda no que se refere à definição do despedimento sem justa causa" (pág. 4). Portanto, o que a Comissão Europeia defende é que se faça um nivelamento por baixo, retirando direitos aos trabalhadores efectivos, ou seja àqueles que têm alguns direitos.
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Como diz no seu Blog Delito de Opinião , Pedro Correia ,os novos afazeres políticos, como deputado do Parlamento Europeu, roubam muito tempo a Vital Moreira. Só por isso certamente o ilustre europarlamentar ainda não se pronunciou sobre o caso Face Oculta com a mesma energia e a mesma veemência usada para se pronunciar sobre o caso BPN. Aqui, em que acertadamente se indignava com os "esconsos (e aventureiros) negócios do BPN". Aqui, em que lucidamente recomendava um "código de ética bancária" e um "mecanismo de autodisciplina deontológica" aos banqueiros portugueses. Aqui, em que justamente se indignava contra as "falcatruas dos dirigentes do banco". Aqui, quando clamava - e muito bem - contra "a dimensão da negociata", que a seu ver a transformava numa "questão política que mancha as instituições democráticas".
Aguardo ansiosamente as reflexões do professor sobre o escândalo Face Oculta e todas as suas ramificações tentaculares que já foram tornadas públicas
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Nascemos para amar; a humanidade
Vai tarde ou cedo aos laços da ternura:
Tu és doce atractivo, ó formusura,
Que encanta, que seduz, que persuade.
Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão n’alma se apura
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.
Qual se abismou nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos descorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.
Amor ou desfalece, ou pára, ou corre,
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.
(Bocage in "Obra Poética" 1997)
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Uma certa quantidade de gente à procura
de gente à procura duma certa quantidade
Soma:
uma paisagem extremamente à procura
o problema da luz (adrede ligado ao problema da vergonha)
e o problema do quarto-atelier-avião
Entretanto
e justamente quando
já não eram precisos
apareceram os poetas à procura
e a querer multiplicar tudo por dez
má raça que eles têm
ou muito inteligentes ou muito estúpidos
pois uma e outra coisa eles são
Jesus Aristóteles Platão
abrem o mapa:
dói aqui
dói acolá
E resulta que também estes andavam à procura
duma certa quantidade de gente
que saía à procura mas por outras bandas
bandas que por seu turno também procuravam imenso
um jeito certo de andar à procura deles
visto todos buscarem quem andasse
incautamente por ali a procurar
Que susto se de repente alguém a sério encontrasse
que certo se esse alguém fosse um adolescente
como se é uma nuvem um atelier um astro
(Mário Cesariny)