
Abre um buraco na terra, lentamente
Deixa que o movimento contínuo se dissolva
Como se amanhã a rotina ficasse ausente
Numa expectativa que a sombra fresca resolva
.
Cobre as raízes com a terra solta
Aquela que um dia será parte de nós
Rega com água da fonte, tudo à volta
E os grãos soltos não ficarão sós
.
Verás com prazer o seu crescimento lento
(todas as semanas a copa aumenta um pouco)
Ouvirás a cantiga das folhas ao sabor do vento
.
Mesmo que não tenha flores nem frutos
Alimentada pela ráiz e pelo mundo louco
Ficará como estátua feita por muitos
.
Ao final do dia quando o horizonte fica vermelho
Alisa a terra onde me ajoelho
Retirando ervas daninhas que teimam
Para que amanhã ao nascer
Quando os raios de sol as queimam
Haja vontade de viver.
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29ABR2009