SOL

EDUARDO SANTOS CARNEIRO

VILA NOVA DE FAMALICÃO

Conde de Arnoso

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Personagem importante nos finais do século XIX e inícios do século XX.

"Bernardino Pinheiro Correia de Mello, fidalgo da Casa Real, cavaleiro da ordem da Nossa Senhora da Conceição, comendador de Isabel a Católica, de Espanha, cavaleiro da ordem de S. Maurício e S. Lazaro de Itália, oficial às ordens d’el Rei Senhor D. Carlos e seu secretário particular" (1).

O Conde de Arnoso nasceu a 27 de Maio de 1855. Fez o curso liceal com distinção e seguiu a carreira militar como oficial de engenharia. "Homem de finíssimo trato, tendo aprendido o culto das belas letras no convívio paterno, dedicou alguns dos seus ócios à literatura tendo publicado vários trabalhos. Amigo de Eça de Queiroz e de outros «vencidos da vida»"(2).

Daí que na sua época se dissesse:

"É um apreciado escritor... a sua obra literária é uma série de instantâneos do seu espírito.

Sendo grande admirador de Eça de Queiroz" (3).

Pelo decreto de 28 de Setembro de 1895 foi agraciado com o título de Conde de Arnoso (4).

Através de tudo isto que foi referido pode ver-se a grande importância do Conde de Arnoso para a nação, sendo ainda alvo de estima régia, pois era secretário particular do Rei D. Carlos. Na sua região, o Conde de Arnoso soube mostrar o seu valor, dando o seu contributo sempre que necessário.

Isto pode confirmar-se num semanário da sua época:

"O ilustre par do reino..., o nobre Conde de Arnoso depois que conseguiu que o Mosteiro de Arnoso fosse considerado monumento nacional, nunca deixou de pugnar pela sua conservação..." (5).

Devo salientar que este mosteiro, é uma construção românica datada de 1156. é uma das três igrejas românicas que ainda se encontram conservadas no concelho de Vila Nova de Famalicão.

Sobre o Conde de Arnoso encontram-se várias notas no jornal «Estrela do Minho» onde nos são referidas todas as chegadas para férias e partidas para Lisboa deste ilustre personagem.

Pode também através deste jornal saber-se um pouco mais acerca do Sr. Conde. Por exemplo, numa notícia de 19 de Julho de 1903 e na primeira página do jornal vem a seguinte nota:

"De visita a se Exmo. irmão Sr. Visconde de Pindela, está à dias em S. Tiago da Cruz. o senhor Conde de Arnoso, secretário particular do rei, e um espírito ilustrado a toda a prova ao serviço de um caracter a todos os respeitos, digníssimo.

O Sr. Conde e a sua Exma. esposa retiram amanhã para Lisboa" (6).

E para atestar mais o grande valor deste personagem, sempre que ele vinha a Vila Nova de Famalicão, saía no semanário local a seguinte nota:

"Tem estado no solar de Pindela*  os Srs. Condes de Arnoso, pelo que tem estado de serviço permanente a estação telégrafo-postal desta vila" (7).

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(1) Portugal , Dic. Histórico... - Lisboa, João Romano Torres Editor - 1904, Vol I, p. 724

(2) Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira -Lisboa, Ed. Enciclopédia Lda. - s/d, vol III, p.p. 272-273

(3) Portugal , Dic. Histórico... - Lisboa, João Romano Torres Editor - 1904, Vol I, p. 724

(4) Idem, Ibidem

(5) in Estrella do Minho - Famalicão - 26/Jul/1903 "Conde de Arnoso", p. 1

(6) Idem, Ibidem

(7) Idem, ... 20/Ago/1903, p. 1

CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (1997) -"Personalidades de Vila Nova de Famalicão no Início do século XX", Boletim Cultural nº 14, Vila Nova de Famalicão.

* Arnoso - freguesia de Vila Nova de Famalicão

*Pindela - S.Tiago da Cruz - V.N.Famalicão

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FAMALICENSES:Lino Carvalho / José Carvalho - Reguladora

A Boa Reguladora - Famalicão

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Os «manos Carvalho» como muitas vezes são citados, em jornais e livros do concelho, daí que não os separe pois o objectivo deles era comum, a fábrica de relógios «A Boa Reguladora». "Lino Gomes Costa Carvalho, notável artista relojoeiro dos fins do século XIX, nasceu em Santiago de Mouquim, concelho de Vila Nova de Famalicão...

... Em 1892 conseguira Lino Gomes Costa Carvalho a colaboração de seu irmão José Gomes Costa Carvalho, e em Abril abriram no Porto, a fábrica que ficou a chamar-se «A Boa Reguladora».

Em 1895 ... os irmãos Carvalho associaram-se com Joaquim de Oliveira Rocha, mudando a fábrica para a freguesia de S. Julião do Calendário, em Vila Nova de Famalicão. Ali continuaram os dois irmãos a produzir belos relógios.

Em Agosto de 1901 passou a fábrica a ser pertença apenas dos dois irmãos constituídos na firma J. Carvalho e Irmão, e o progresso da sua indústria foi rapidíssimo, ampliando-se as instalações com secções de fabrico de madeiras para construção, serragem, moagem e produção eléctrica..." (70).

"Lino Carvalho e José Carvalho, grandes industriais portugueses sediados em Vila Nova de Famalicão, «A Boa Reguladora» única fábrica de relógios no país e na península..., constituiu importantíssimo factor de progresso em Vila Nova de Famalicão"(71).

Estes grandes industriais eram mencionados quase todas as semanas no semanário local,”Estrella do Minho”, onde recebiam grandes elogios, como "distintos artistas, arrojados industriais" (72), "nossos amigos, activos industriais" (73), etc.

A indústria dos Irmãos Carvalho, não se cingia apenas à relojoaria, mas também à serração de madeiras, moagens e produção eléctrica.

Sobre a produção eléctrica devo mencionar a intenção dos irmãos Carvalho de dotarem a Vila de Famalicão de iluminação pública, isto é mencionado numa notícia de 24 de Maio de 1903 no jornal «Estrela do Minho», e a nota é a seguinte:

"Está prestes a concluir-se a instalação do grande motor ultimamente adquirido pela fábrica de relógios «A Boa Reguladora» dos activos industriais Carvalho e Irmão desta vila.

Ai tem a nossa terra ensejo de primeira ordem implantar aqui o alto melhoramento da luz eléctrica por preço mais económico do que nenhuma outra.

Sabemos que os proprietários da grande casa industrial se prestam a fornecer a iluminação desde que se lhes garanta apenas a despesa das instalações nas ruas, que é relativamente pequena, fazendo um preço às lâmpadas bastante económico" (74).

A nível industrial é sem dúvida uma das primeiras indústrias na Vila Nova de Famalicão, e do seu género (relógios) é a única da península Ibérica, daí que nos possamos orgulhar destes arrojados industriais, o valor da fábrica era tal que em todo o país, e segundo já constatei, encontram-se relógios da «Reguladora». Quase todas as estações dos caminhos-de-ferro portugueses possuem no seu exterior um relógio desta fábrica, fabricam-se também os contadores de água e electricidade que se podem ver em quase todas as casas portuguesas, pois são todos fabricados na «Reguladora» de Famalicão.(*)

Actualmente, ano de 2009,  a empresa Boa Reguladora, em Famalicão, foi adquirida por dois dos seus antigos trabalhadores, que decidiram voltar a fabricar e a dar assistência técnica aos milhares de relógios espalhados por colecções particulares, um pouco por todo o mundo

As especificidades dos relógios são tantas que os novos proprietários da empresa, pediram a colaboração de antigos funcionários - muitos deles já reformados - que continuam a ser os únicos a saber desempenhar tarefas tão peculiares como "afinar as máquinas" e "sintonizar as Ave-Maria" com que são assinaladas todas as horas.(**)
As caixas de madeira e todos os acabamentos continuarão a ser feitos em Famalicão e apenas o interior dos relógios passará a ser importado da Alemanha.

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(70) Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira - Lisboa, Ed. Enciclopédia Lda., 1947, vol 12, p. 528.

(71) MACHADO, Carlos Sousa, et al -O Nosso Concelho: Obra de Todos para Todos: Vila Nova de Famalicão e as suas indústrias, comércio, profissões liberais e agricultura, Famalicão, Oficinas Gráficas Minerva - 1947.

(72) in Estrela do Minho - Famalicão, 18/Nov./1900, "Carvalho e Irmão", p.1.

(73) Idem,... 26/Abr./1903, p.3.

(74) Idem, ... 24/Mai./1903, p.2.

(*) CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (1997) -"Actividades Sócio-Culturais, Comerciais e Personalidades de Vila Nova de Famalicão no Início do Século XX", Boletim Cultural nº 14, C.M.F., V. N. Famalicão.

(**) Agência Lusa

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BOAS FESTAS

Votos de Feliz Natal e um Bom Ano Novo para todos.

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Famalicenses - Barão de Joane

Vila Nova de Famalicão

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Nesta pequena biografia vou referir-me ao 2º Barão de Joane, filho de António Luís Machado Guimarães que foi o primeiro Barão de Joane, fidalgo cavaleiro da Casa Real.

"Quanto ao 2º Barão de Joane, António  Machado Guimarães, devo dizer que foi um dos primeiros vultos do concelho de Famalicão, e um grande benemérito" (38). Nasceu no ano de 1847 e faleceu em 1909.

Para melhor conhecermos este personagem ilustre de Vila Nova de Famalicão vou citar alguns trechos que encontrei no jornal local «Estrella do Minho».

"O Sr. Barão de Joanne é um dos caracteres, só amigos de fazer bem, pairando o seu espírito muito acima da mesquinhez humana. Como politico, ele é, incontestavelmente um dos primeiros vultos do nosso concelho. Excelentemente relacionado nas altas regiões, ele vai praticando o bem, prestando valiosíssimos serviços a todos que dele se acercam..." (39).

Grande elogio faz o jornal «Estrella do Minho» ao Sr. Barão de Joane, e não só nesta nota mas em todas.

"O Exmo. Barão de Joanne, irmão do ornamento da nossa Universidade e lidimo cavalheiro, Sr. Dr. Bernardino Machado. Prestabilíssimo para toda gente... por isso possui a estima de todos, pessoal e politicamente falando.

Na politica progressista do concelho, de que é incontestavelmente o mais prestigioso chefe, é ele também consideradíssimo pelos marechais do partido, que reconhecem que a dedicação do Sr. Barão de Joanne, é das que, embora o partido se dissolvesse, ele é que ficaria onde sempre esteve.

Mas onde a sua obra social mais avulta, é no benefício que tem prestado à nossa terra.

Por seu intermédio temos a majestosa escola... a favor das crianças. Ao nosso hospital, também ele se devotou em largos anos de serviços...

Na Câmara Municipal também o puritanismo da sua boa vontade se manifestou de sobra e continuará mais tarde na sua patriótica e interrompida tarefa" (40).

Um homem importante do concelho de Famalicão, e disso não há dúvidas, pois ocupou vários cargos, como o de presidente da Câmara Municipal e o de provedor do Hospital S. João de Deus. "Foi provedor do Hospital, de 1 de Julho de 1890 até 1 de Julho de 1894  e de 1 de Julho de 1903 até à sua morte em 1909" (41).

De todas estas notas pode-se concluir que o Sr. Barão de Joane era muito querido por todos, e fazia todo o bem que estava ao seu alcance em prol do concelho.

Era irmão de uma grande figura ilustre nacional, o Dr. Bernardino Machado que foi presidente da Republica portuguesa por duas vezes.

O Barão de Joane possuía um belo solar - a casa de Rorigo, em Calendário, freguesia vizinha da cidade de Famalicão.

Quanto ao nome de Joane, herdou o título do seu pai, 1º Barão de Joane, freguesia de onde era natural.

Aquando da morte do Barão de Joane em 1909 o semanário «Estrella do Minho» dedicou-lhe a primeira página, onde enaltece este grande homem Famalicense, como veremos a seguir.*

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               (38) in Estrella do Minho - Famalicão, 26/Jan/1902, "Barão de Joanne" p.1.

               (39) Idem, ... 17/Jan/1901.

               (40) in Estrella do Minho - Famalicão, 26/Jan/1902," Barão de Joanne" p.1.

               (41) CARVALHO, Vasco de - Aspectos de Vila Nova , Vila Nova de Famalicão, Tip. Central, 1956.

               (*) CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (1997) -"Actividades Sócio-Culturais, Comerciais e Personalidades de V. N. Famalicão no início do século XX", Boletim Cultural nº 14, Vila Nova de Famalicão.

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Personalidades Famalicenses: José de Azevedo e Meneses

JOSÉ DE AZEVEDO E MENEZES - Casa do Vinhal


   

      

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José de Azevedo e Menezes Cardoso Barreto, nasceu a 22 de Outubro de 1849 e faleceu a 12 de Setembro de 1938.

Sempre referido e mencionado apenas como José de Azevedo e Menezes, sabe-se que "foi juiz de direito substituto em Vila Nova de Famalicão. Foi provedor do Hospital S. João de Deus de Vila Nova de Famalicão, de 8 de Julho de 1880 a 10 de Julho de 1882"(66).

Foi um dos fundadores do jornal «A Palavra» e o cargo mais importante que desempenhou foi o de Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão nos anos compreendidos entre 1896 a 1898.

Sobre José de Azevedo e Menezes, senhor da casa do Vinhal, o semanário «Estrella do Minho» fazia várias referências, era um dos homens mais importantes de Famalicão, assim como dos mais ricos.

"Em 1900 José de Azevedo e Menezes era um dos três maiores proprietários da Vila" (67), era natural de Famalicão e morava na Casa do Vinhal como já foi atrás mencionado, devo portanto falar do seu belo solar e como ele foi descrito por Pinho Leal em 1890.

"A casa e quinta do Vinhal demoravam em terreno mimoso e fértil e em sítio muito vistoso e pitoresco, cerca de um kilometro a oeste de Vila Nova de Famalicão e no termo da paro chia desta Villa. Foram modernamente restaurados e muito alindados pelo seu actual possuidor e representante, o Sr. José de Azevedo e Menezes Cardoso Barreto... o palacete domina um extenso lanço da via férrea, que passa em plano um pouco inferior a 50 metros de distância, metendo-se de permeio os jardins, tem amplas vistas sobre a villa e seus formosos arrabaldes, o que tudo torna hoje esta vivenda uma das primeiras do Minho.

Tem o palacete uma linda capela brasonada" (68). O que aqui foi descrito por Pinho Leal, é o que hoje cem anos depois se pode ver, um magnifico solar com um belo jardim na frente e de onde se pode ver toda a cidade de Famalicão.

Quanto a notícias de José de Azevedo e Menezes no jornal local, são notícias referentes à ida para férias, vinda de férias e festas na casa do Vinhal.

Geralmente o Sr. José de Azevedo e Menezes ia passar as suas férias para a praia de Vila do Conde.

Assim como outras personalidades de Famalicão, José de Azevedo e Menezes era muito elogiado no jornal da sua terra, e um bom exemplo disso é a nota que a seguir vou citar:

"Foi agraciado pela Santa Sé com a comenda de S. Gregório Magno o Exmo. Sr. José de Azevedo e Menezes Cardoso Barreto, da Casa do Vinhal, desta Villa. A alta distinção pontifícia não podia realmente ser concedida a quem melhor tenha jus ao prémio justíssimo aos seus merecimentos.

Carácter íntegro de virtudes e civismo, intelligencia robusta, illustradissima, honra e orgulha o Sr. José de Azevedo e Menezes a terra onde nasceu" (69). É sem dúvida mais uma das grandes figuras ilustres que habitaram a região Famalicense.

_________

  (66) CARVALHO, Vasco de - Aspectos de Vila Nova, V. N. de Famalicão, Tip. Central, 1956, p.56.

  (67) SILVA, José Casimiro da, Vila Nova de Famalicão e seu Termo, Famalicão, 1968.

  (68) LEAL, Pinho-Portugal Antigo e Moderno, Dicionário...,Liv.Ed.Tavares Cardoso e Irmão, Lsboa-1890, vol12, p.1512.

  (69) in Estrella do Minho - Famalicão, 8/Mai/1904, "José de Menezes", p.2.

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Visconde Álvaro de Castelões

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Relativamente a Álvaro de Castelões, encontrei várias referências a Álvaro de Castelões num semanário famalicense denominado «Estrella do Minho».

"Álvaro de Castro Araújo Cardoso Pereira Ferraz, foi terceiro Visconde de Castelões ao qual por decreto de 27 de Novembro de 1905 foi concedida mais uma vida no título.

Álvaro de Castelões, colonialista, engenheiro e poeta, nasceu no Porto no dia 1 de Abril de 1859. Formou-se em engenharia..., foi director dos Caminhos-de-ferro do Minho e Douro" (57).

Álvaro de Castelões não se destacou só como engenheiro ou deputado, pois ele foi um talentoso poeta, publicando os seguintes livros de versos: "Beijos e Rosas em 1891; Do Soneto Neo Latino em 1930; O Sonho do Infante D. Henrique em 1936, etc."(58).

Até 1905, nas várias referências do jornal semanário «Estrella do Minho», Álvaro de Castellões é apenas tratado como o «distinto deputado e engenheiro», mas após 1905 é tratado como Visconde de Castellões. Quando ele foi agraciado com o título de visconde o jornal «Estrella do Minho» relatou o facto da seguinte forma:

-"Foi agraciado com o título de visconde de Castellões, em terceira vida, o antigo deputado por este círculo e distincto engenheiro, senhor Álvaro de Castellões.

Castelões é uma freguesia do concelho de Famalicão, onde o novo agraciado possui uma quinta e o solar dos seus maiores, que usaram igual título." (59).

Este é, sem dúvida, um notável testemunho do valor de mais uma figura ilustre do concelho de Famalicão, e também uma eminente personalidade no estrangeiro, principalmente nas colónias portuguesas em África e na Índia, como comprova uma notícia do jornal «Estrella do Minho» daquela época, onde nos é referido que: "Já seguiu para a Índia, onde vai exercer o cargo de Director Geral das Obras Públicas, o nosso conterrâneo e amigo senhor Visconde de Castellões" (60).

Sobre esta personagem ficou aqui apenas a súmula da sua biografia, que denota, no entanto que Álvaro de Castelões foi uma figura proeminente que contribuiu a vários níveis para o desenvolvimento da nação.

________

(57) Grande Enciclopedia Portuguesa e Brasileira, Lisboa, Ed. Enciclopédia, Lda. - 1947, vol. 6, p.199.

(58) in Estrella do Minho - Famalicão, 21/Out/1900, "Álvaro de Castellões"(58) Grande Enciclopedia Portuguesa e Brasileira - Lisboa, Ed. Enciclopédia, Lda. ,1947, vol. 6, p.199.

(59) in Estrella do Minho - Famalicão , 5/Mar/1900, "Visconde de Castellões".p.2.

(60)  Idem, ... 8/Abr/1906, "Visconde de Castellões" p.2.

CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (1997) -"Actividades Sócio-Culturais, Comerciais e Personalidades de V. N. Famalicão no início do século XX", Boletim Cultural nº 14, V. N. Famalicão, 1997.

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Vila Nova de Famalicão - História/Geografia

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Relativamente à sua localização, Vila Nova de Famalicão encontra-se na província do Minho, no distrito e arquidiocese de Braga, é sede de concelho e de comarca, encontra-se em terreno plano a 88 metros de altitude num importante nó rodoviário que a liga ao Porto, a Braga, a Barcelos, a Guimarães, à Povoa de Varzim e a Santo Tirso.(1) Tanto a nível rodoviário como a nível ferroviário Vila Nova de Famalicão é uma povoação com uma excelente situação topográfica(2), o que a torna importante pois é um ponto de passagem obrigatória tanto hoje como no início do século XX já o era. Quanto à historia de Vila Nova de Famalicão, pode-se dizer que D. Sancho I no dia 1 de Julho de 1205 deu foral aos que haviam de povoar o seu reguengo de Vila Nova(3).Mas alguns autores referem que a povoação hoje denominada Vila Nova de Famalicão já era, nos alvores da nacionalidade portuguesa, sede administrativa e judicial da terra de Vermoim, de quem alias foi até ser concelho, cabeça de julgado, herdando-lhe o território (4). Uma certa tradição pretende, sem fundamento, encontrar a origem do nome da terra Famalicense num imaginário personagem histórico chamado ""Famelião", que ao fixar-se aqui, no tempo dos condes de Barcelos, terá aberto uma taberna conhecida por: "Venda Nova de Famelião..."(5).Ter-se-á que esperar pelo censo de 1527 para aparecer pela primeira vez a referência a "Vila Nova de Famyliquam", embora em 1307 já se fale nas chancelarias de D. Dinis em "Fhamelicam"(5).Mas é sobre o reinado de D. Maria II, que a povoação se elevou á categoria de Vila, o que se lê na carta de 10 de Julho de 1841. A partir de meados do século XIX, depois da refundação do concelho e com a abertura da estrada Porto - Braga em 1875, Famalicão entra numa fase de grande desenvolvimento. Constroem-se edifícios públicos, como o Hospital da Misericórdia (1878), e os Paços do Concelho em 1881 e erguem-se "edifícios particulares luxuosos"(*) com capitais vindos do Brasil, de que é exemplo o "Palacete do Barão da Trovisqueira" .* É nessa época que começam a instalar-se na vila e no concelho, fábricas e oficinas, são os casos da fábrica de relógios "A Boa Reguladora" em 1895, da Tipografia Minerva em 1886 e das fábricas têxteis em Riba de Ave, freguesia pertencente ao concelho de Vila Nova de Famalicão. Das fábricas de Riba de Ave posso referir a primeira a ser instalada que foi em 1890 pelo Barão da Trovisqueira, em 1896 a Sampaio Ferreira fundada por Narciso Ferreira, que se tornou no maior industrial português no ramo da indústria têxtil. Liderando um dos pólos de desenvolvimento do Vale do Ave, com uma área de 209 k m2 e cerca de 129 000 habitantes, o concelho de Vila Nova de Famalicão possui um tecido industrial, que aposta na reconversão tecnológica, apoiada por instituições de investigação científica, pela permanente capacidade inovadora da classe empresarial, Vila Nova de Famalicão apresenta uma intensa actividade nos sectores como o têxtil e o vestuário, as carnes e a alimentação, a electrónica e a metalomecânica, a construção civil e os serviços são exemplos significativos do dinamismo empresarial do concelho e que marcam a evolução económica da região. *

 

(1) Guia Turístico de Portugal de A a Z - Lisboa, Circulo de Leitores - 1990.

(2) SILVA, José Casimiro da - Vila Nova de Famalicão e seu Termo, Vila Nova de Famalicão - 1968.

(3) VIEIRA, J. A. - O Minho Pitoresco - Lisboa, Ed. Lisboa - 1887.

(4) Vila Nova de Famalicão, Roteiro Turístico, Câmara Municipal.

(5) VIEIRA, J. A. - O Minho Pitoresco - Lisboa, Ed. Lisboa - 1887.

*Alguns dados retirados do "Atlas de Investimento do Vale do Ave"

** CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (1997) -"Actividades Sócio-Culturais, Comerciais e Personalidades de V. N. Famalicão no início do século XX", Boletim Cultural nº 14, V. N. Famalicão, 1997.

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Concelho de Vila Nova de Famalicão
          • * Abade de Vermoim
            * Antas - Santiago
            * Arnoso - Sta Eulália
          • * Arnoso - Sta Maria
          • * Avidos
            * Bairro
            * Bente
            * Brufe
            * Cabeçudos
            * Calendário
            * Carreira
            * Castelões
            * Cavalões
            * Cruz
            * Delães
            * Esmeriz
            * Fradelos
            * Gavião
            * Gondifelos
            * Jesufrei
            * Joane
            * Lagoa
            * Landim
            * Lemenhe
            * Louro
            * Lousado
            * Mogege
            * Mouquim
            * Nine
            * Novais
            * Outiz
      •                     *Oliveira -Sta Maria
          • *Oliveira - S. Mateus
            * Pedome
            * Portela
            * Pousada de Saramagos
            * Requião
            * Riba de Ave
            * Ribeirão
            * Ruivães
            * São Cosme do Vale
            * São Martinho do Vale
            * São Miguel de Seide
            * São Paio de Seide
            * Sezures
            * Telhado
            * Vermoim
            * Vila Nova de Famalicão
            * Vilarinho das Cambas
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Caldas da Saúde, Santo Tirso e Vizela, termas/história

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Relativamente às termas devo dizer que, " Portugal foi desde a sua fundação pioneiro da assistência termal, pois logo os seus primeiros reis instituíram estabelecimentos de assistência junto às termas, que uma longa tradição reputava como afamadas para vários males"(19).

E é bem certo que Portugal é um país com grandes tradições termais, já desde a época romana, e estabelecimentos termais encontramo-los desde Melgaço, no Minho até Monchique, no Algarve.

No que respeita à região de Famalicão, as termas mais próximas, eram as das Caldas da Saúde  e de Vizela.

Vou falar um pouco das termas das Caldas da Saúde. A região onde se encontra a estância termal das Caldas da Saúde tem todas as características do Minho – que na opinião de Camilo Castelo Branco «bem pudera ser a flor da Europa», embora pertença geograficamente à província do Douro Litoral (20).

As termas, ligadas pela estrada... às vilas de Santo Tirso e de Famalicão, distam respectivamente 3 e 7 Kms das sedes daqueles concelhos.

"Caldas da Saúde tem um clima agradável e como o seu nome indica – sã.  A temperatura, durante a época termal, oscila entre 22 e 31 graus. O local é seco. Não há nevoeiros. Os ventos dominantes são os do Norte e o Oeste. Altitude 112 metros" (21)

"São as águas das Caldas da Saúde consideradas...como águas sulfúreas - sódicas primitivas, cloretadas, alcalinas, etc. Empregadas com fins terapêuticos há longos anos - supõe-se mesmo, atendendo à tradição e aos achados arqueológicos, que elas foram aproveitadas pelos romanos" (22).

Importantes estas termas e as mais próximas de Famalicão (7 Kms), daí que muitas pessoas do concelho as frequentassem, bem como eram frequentadas as termas de Vizela.

"A vila de Vizela  fica a nove kilometros de Guimarães, a 31 de Braga e 50 do Porto. Centro apreciável de turismo, pelas belezas próprias... Mantendo a tradição secular das suas milagrosas curas, a estância hidrológica de Vizela, é no seu género, a primeira do país tanto pela excelência das suas águas... que brotam a temperaturas compreendidas entre 15 e 65 graus" (23).

Segundo o panfleto da Edição Turismo de Vizela, " data de 1774 a descoberta destas termas, cuja remota origem vem de civilizações extintas, pois nelas procuravam alivio, celtas e romanos, godos e árabes"(24).

Quanto aos famalicenses, devo dizer que muitos deles frequentavam as termas, indo todos os dias a banhos às Caldas da Saúde, pois não existia hotel para aí se hospedarem. Quem frequentava as Caldas de Vizela já o fazia por quinze dias ou um mês.

Quanto a referências no jornal famalicense daquela época, devo dizer que muitos elogios receberam as Caldas da Saúde, onde se lê que "está em pleno funcionamento o estabelecimento thermal, a pouca distancia d'esta villa (Famalicão), estância já muito acreditada pelo avultado número de curas devidas à excelência das suas águas.

De Santo Thirso e de Famalicão vão muitas centenas de pessoas tomar banhos e águas às Caldinhas como por aqui lhe chamam" (25).

Isto é um bom testemunho, da importância das termas para a população que às centenas ía todos os dias a banhos.

 

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 (19) Termas localizadas no concelho de Santo Tirso.

(20) CARNEIRO, Alexandre Lima, As Caldas da Saúde, Porto, 1962, p. 9.

(21) Idem,... p.p. 10-11.

(22) Idem, Ibidem, p.12.

(23)  Vizela, Rainha das Termas de Portugal - Vizela, Edição Turismo de Vizela, 1946.

(24)  Idem , Ibidem.

(25)  in Estrella do Minho - Famalicão, 9/Jun/1901, "As Caldas da Saúde".

(26) Idem, ...3/Jun/1900, "Termas".

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Narciso Ferreira - Riba d'Ave (Famalicão)

 

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Têxtil fundada em 1896              Casa Conde de Riba D’Ave              Hospital Narciso Ferreira

Narciso Ferreira nasceu em Pedome, freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão, a 7 de Julho de 1862 (83), e morreu a 23 de Março de 1933 (84). "Começou a trabalhar muito novo, vendendo fazendas pelas localidades circunvizinhas da sua terra natal. Um dia resolveu montar uma pequena fábrica manual de tecidos de algodão.

Os seus conhecimentos técnicos levaram-no a montar na margem do Ave a sua primeira fábrica mecânica, que pela grandeza e prosperidade atingida foi sucessivamente dotada de novas oficinas. O modesto comerciante tornou-se então no maior industrial português no ramo têxtil" (85).

"Já em 1902 Narciso Ferreira era um activo industrial e possuía a importante fábrica de fiação de Riba d'Ave da Firma Sampaio, Ferreira e Cª" (86).

Mais uma personalidade Famalicense de renome nacional e internacional, sem dúvida um dos maiores industriais do nosso país, sendo o mais importante da indústria têxtil. Já no início do século XX era o maior industrial do Norte, segundo nos informa o jornal regional «Estrella do Minho». " A importante fábrica de fiação e tecidos dos Srs. Sampaio, Ferreira e Cª, em Riba de Ave, formando honrosamente ao lado das mais esperançosas empresas industriais do norte do país, é contudo a mais importante do Rio Ave e do nosso concelho... Tem cerca de 600 operários" (87).

Devo salientar que todas as empresas de Narciso Ferreira se situavam na zona de Riba de Ave, freguesia pertencente ao concelho de Vila Nova de Famalicão com muitas tradições no ramo da indústria têxtil, assim como Santo Tirso e Guimarães.

É referenciado várias vezes no jornal local onde se lê noticias sobre compras de mais terrenos para a construção de fábricas, bem como a compra de quedas de água no Rio Ave, onde Narciso Ferreira construía  as suas mini - hídricas  para obter a electricidade necessária para o funcionamento das suas fábricas…

Narciso Ferreira para além de ter sido um grande benemérito na sua terra, Riba de Ave e freguesias vizinhas, todas do concelho de Famalicão,"…foi notável a sua acção beneficiente construindo o hospital de Riba de Ave, ...construiu cinco grandes bairros operários, uma creche, um quartel para a Guarda Nacional, fundou escolas em várias localidades" (88).

Foi sem dúvida um grande benemérito, e isso ainda se pode ver hoje na vila de Riba de Ave, todas as grandes obras lá existentes foram mandadas fazer pelo Sr. Narciso Ferreira e seus familiares, o hospital, o cine-teatro Narciso Ferreira, grandes fábricas na margem esquerda do Rio Ave, assim como o mercado local, a estalagem, o quartel de bombeiros, a estação de correios, bairros sociais, etc, enfim um grande número de edifícios.

"O governo, reconhecendo os altos serviços prestados por Narciso Ferreira às indústrias e seus actos de generosidade, galardoou-o com a grã-cruz das Ordens de Mérito Industrial e Benemerência.

Era sócio das firmas Sampaio-Ferreira e Cª Lda. Oliveira Ferreira, e Cª de Caniços; Fábrica de Bairro, Empresa Têxtil Eléctrica Lda.; e de outras mais.

Fundou além da empresa Hidro - Electrica de Varosa, a Empresa Florestal Portuense e foi presidente da Associação Comercial e Industrial de Famalicão" (90).*

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_________

(83) Aurélio Fernando - Riba de Ave em Terras de Entre Ambas as Aves,  Riba de Ave , Ext. Delfim Ferreira, 1994, vol II, p 15.

(84) Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira - Lisboa, Ed. Enciclopédia Lda., s/d, vol 11, p. 177.

(85) Idem, Ibidem.

(86) in Estrella do Minho - Famalicão, 12/Out/1902, "Narciso Ferreira", p.1.

(87) Idem, ... 5/Fev/1905, "Fábrica de Riba d'Ave", p.1.

(88 e 90) Grande enciclopédia Portuguesa e Brasileira - Lisboa, Ed. Enciclopédia Lda., s/d, Vol 11, p. 177.

*CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (1997) -"Actividades Sócio-Culturais, Comerciais e Personalidades de V. N. Famalicão no início do século XX", Boletim Cultural nº 14(C.M. Famalicão), V. N. Famalicão.

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Alimentação em Portugal - apontamentos...

Dia da alimentação (16 de Outubro)

Descrição da alimentação de um jornaleiro agrícola, no concelho de Vila Nova de Famalicão -início do século XX.

            "A ração diária d' um adulto - médias.

            Em géneros : Pão de milho, legumes sêccos, legumes verdes, batatas, peixe salgado, azeite ou gordura de porco, carne de porco (esta última só quando comem na casa do patrão) " (27).

            Pedro Dória Nazareth descreve a população da zona de Vila Nova de Famalicão no início do século XX, dizendo que " é na sua maioria uma população robusta e resistente não abusando do álcool.

            Se trabalham a sêcco, o que é rarissimo entre os jornaleiros, tomam sempre três refeições, sendo a primeira às 8 horas da manhã e a última à noite, compostas de uma grande malga de caldo de legumes e pão de milho, a segunda ao meio dia, é constituída pelo mesmo caldo e pão de milho e mais um pouco de bacalhau ou duas sardinhas.

            Quando comem por conta do patrão, de Inverno tomam as mesmas três refeições mas  acrescentando à primeira, sardinhas ou bacalhau e batatas ensopadas, e na segunda comem o bacalhau acompanhado de arroz ou batatas, e duas a três vezes na semana carne de porco.

            Nestas circunstâncias têem ainda no Verão mais duas refeições, à pega às dez horas da manhã e à merenda às cinco horas, constituídas por pão e vinho" (28).

            Para finalizar deve ser referido que no seu aspecto geral, a alimentação do trabalhador rural "é monótona, com pouca variedade, em que a maior parte das substâncias nutritivas é fornecida pelo pão de milho. . . " (29).

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(27) NAZARETH, Pedro Dória - Estudo sobre a alimentação das classes trabalhadoras no continente de Portugal, in Tuberculose

"Boletim da Assistência Nacional aos Tuberculosos, Lisboa, nº 4, 1907.

(28) Idem, Ibidem.

(29) ALMEIDA GARRETT, António de - Hábitos Alimentares..., in Portugal Médico, vol.XX, nº 10, Porto, 1936, pp.431-432.

Trabalho de Pesquisa:

CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (2002)-“Alimentação em Portugal - Subsídios para o seu estudo” Universidade Portucalense, Porto.

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O Professor

Dia do Professor

O professor é detentor de inúmeros e diversificados poderes, legitimados pela escola, pela família e pela sociedade. O poder do professor é tão mais forte quanto mais diversificadas forem as suas bases de sustento e quanto mais estas se apresentarem em congruência com as finalidades a nível do sistema educativo.

CARNEIRO, Eduardo Santos; CARNEIRO, Ana Paula (2003), A Indisciplina, as Relações de Poder e as Regras na Sala de Aula, ESELX, Lisboa.

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Visconde de Pindella - Arnoso, Cruz - Vila Nova de Famalicão

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Personalidade que se destacou nos finais do século XIX e princípios do século XX.

Vou referir-me apenas ao 2º Visconde de Pindella, pois foi este ilustre famalicense que viveu na época sobre a qual incide o meu trabalho (inícios do século XX) .

"Foi 2º Visconde de Pindella, Vicente Pinheiro Lobo Machado de Melo e Almada, fidalgo e cavaleiro da casa real, par do reino, ministro plenipotenciário nas cortes de Haia e Berlim, deputado da nação" (25).

Foi Também o 2º Visconde de Pindella "Comendador da Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, comendador da estrella polar da Suécia, cavaleiro do mérito naval de Espanha..." (26). Nasceu a 23 de Abril de 1852 e morreu a 14 de Abril de 1922.

Formou-se em direito pela Universidade de Coimbra. Iniciou a sua carreira pública como governador de S. Tomé e Príncipe, cargo para que foi nomeado em Novembro de 1879 (27).

Depois de ter sido deputado nas cortes e enviado como ministro para Haia, é já em 1894 o representante do nosso pais em Berlim como ministro plenipotenciário e onde esteve muitos anos.

O jornal «Estrella do Minho» refere-se ao Sr. Visconde de Pindela inúmeras vezes e, como exemplo disso, vou citar algumas notícias vindas no jornal:

"Chegaram há dias ao seu sollar de Pindela, próximo desta villa (Famalicão), os ilustres Viscondes de Pindella" (28). Esta é uma notícia da chegada ao concelho de Famalicão, mais propriamente a S. Tiago da Cruz, freguesia onde os Srs. Viscondes de Pindella tinham o seu magnifico solar.

Quando regressavam, vinha também uma nota no jornal, como esta que vou referir e que data de 4 de Novembro de 1900:

"Retiraram já do seu sollar de Pindella em S. Tiago da Cruz, os nobres Viscondes de Pindella, que prestes irão para Berlim, onde aquele ilustre titular ocupa o importante lugar de ministro plenipotenciário" (29).

Devo salientar a importância desta personalidade, que não se limita apenas ao nível concelhio, mas também ao nível nacional, pode ver-se isso também a partir das referências que aparecem no jornal «Estrella do Minho», que se refere variadíssimas vezes a Pindella e ao senhor Visconde.

Pindela situa-se na freguesia de S. Tiago da Cruz, no concelho de Vila Nova de Famalicão.

Quanto a Pindela devo referir que há indefinições quanto ao topónimo, pois segundo familiares do Sr. Visconde (30),Pindela é apenas a quinta e os terrenos a ela pertencentes, não se podendo definir como um lugar da freguesia de Santiago da Cruz, no entanto várias notas há que dizem que "Pindela é um lugar da freguesia da Cruz, concelho de Vila Nova de Famalicão. E é neste lugar que fica a quinta solarenga de Pindela" (31), actualmente ainda existe o solar de Pindela, e posso informar que aparentemente se encontra em bom estado, pertence a um neto do 2º Visconde de Pindela, que é o Sr. Engenheiro Vicente Maria Bernardo Pinheiro Lobo da Figueira Machado.*

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(25) Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Lisboa, Ed.  Enciclopédia Lda. - s/d - vol 21, p 703.

(26) Idem, Ibidem.

(27) Idem, ...p 704.

(28) in Estrella do Minho - Famalicão , 28/Out/1900, "Viscondes de Pindella", p.2.

(29) Idem, ... 4/Nov/1900.

(30) João Afonso Nazareth Pinheiro Figueira Machado, bisneto do 2º Visconde de Pindela.

(31)  Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira - Lisboa,  Ed. Enciclopédia Lda. s/d, vol 21, p.703.

*  CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (1997) -"Actividades Sócio-Culturais, Comerciais e Personalidades de V. N. Famalicão no início do século XX", Boletim Cultural nº 14, V. N. Famalicão, 1997.

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Alberto Sampaio - historiador

 

"Alberto da Cunha Sampaio, nasceu em Guimarães a 15 de Novembro de 1841. Passa a sua infância dividida entre Guimarães, de onde sua mãe era natural, e a Quinta da Boamense na freguesia de S. Cristóvão de Cabeçudos do concelho de Vila Nova de Famalicão, propriedade do seu pai de quem ficou orfão apenas com três meses de idade... (48)."Fez os primeiros estudos no colégio de Landim, freguesia do concelho de Famalicão, terminados os primeiros estudos segue para Braga onde se prepara para entrar na única universidade de então - a de Coimbra. Aí matriculou-se na faculdade de Direito em 1858, concluindo Alberto Sampaio a sua formatura em 1863.

A passagem por Coimbra e a convivência que aí manteve com homens de talento excepcional como Antero de Quental, João de Deus, Teófilo Braga, Eça de Queiroz, Guerra Junqueiro e tantos outros, influenciaram profundamente a sua formação intelectual" (49).

Podemos concluir do que aqui foi referido, e tendo por base outros documentos que o Dr. Alberto Sampaio era sem dúvida uma pessoa de grande talento. Era "excepcionalmente inteligente, culto e sabedor. Alberto Sampaio dedica-se apaixonadamente ás investigações históricas e aos estudos agrícolas revelando-se o historiador exacto, rigoroso e profundo.

Os estudos históricos-económicos atraem-no e a eles se dedica com entusiasmo (50).

Do imenso labor de Alberto Sampaio nascem «As Vilas do Norte de Portugal» e mais tarde «As Póvoas Marítimas»..., trabalhos que o colocam ao nível dos nossos maiores historiadores de então: Alexandre Herculano e Gama Barros" (51).

"A obra de Alberto Sampaio está também dispersa em revistas científicas, onde se vê que ele denota uma invulgar penetração critica e poder de análise" (52).

Foi sem dúvida um grande historiador, o Dr. Alberto Sampaio viajou pelo estrangeiro e conhecia-lhe as opiniões eruditas. Permaneceu algum tempo em Lisboa frequentando meios literários, sobretudo o da Gazeta de Portugal, mas nenhuma das suas cartas é datada da capital; é de Guimarães, de Famalicão em cujo concelho se situava a casa paterna de Boamense (53), Casa situada num local calmo, o lugar exacto para se poder reflectir e repousar.

O Dr. Alberto Sampaio faleceu com a idade de 67 anos, no dia 1 de Dezembro de 1908, na sua casa de Boamense, e acerca da sua morte vou citar um extracto do jornal semanário «Estrella do Minho» de Famalicão no qual está escrito:

"-Faleceu em Boamense, Cabeçudos, o Dr. Alberto Sampaio que era um escriptor erudito que deixa um nome notável como historiador e ethenographo. A sua obra dispersa em revistas scientificas, denota uma invulgar penetração critica e poder de analyse que o collocam a par com os mais proeminentes publicistas...

... Era um grande espírito, prespicaz e inconfundível. Pois apesar d'isso era quasi um desconhecido entre nós" (54). Realmente Alberto Sampaio era um desconhecido na sua época em Famalicão, pois em Famalicão ele refugiava-se na sua quinta, mas o meio intelectual português conhecia-o bem, era um homem de valor nacional.

_________

(48) FARIA, Emília Sampaio Novoa, Notas Biográficas Sobre Alberto Sampaio-s/l, Câmara Mun. de V. N. de Famalicão-s/d, p17

(49) Idem, Ibidem

(50), (51) FARIA, Emília Sampaio Novoa, Notas Biograficas Sobre Alberto Sampaio-s/l, Câmara Mun. de V. N. de Famalicão-s/d,

(52), (53) In Estrella do Minho - Famalicão, 6/Dez/1908, "Dr. Alberto Sampaio", p.1.

Pesquisa de:

CARNEIRO, Eduardo Manuel Santos (1997) – "Actividades Sócio-Culturais, Comerciais e Personalidades de V. N. Famalicão no início do século XX", Boletim Cultural nº 14, V. N. Famalicão, 1997.

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