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Portugal Verde

energias renováveis, inovação, tendências, marketing verde, by Celso Guedes de Carvalho
Até breve

Este blogue não irá ser actualizado nos próximos tempos.

Espero que tenha gostado do que foi lendo diariamente neste blogue e que continue interessado nas temáticas que aqui foram sendo abordadas: Portugal agradece.

 

Boas energias

Celso Guedes de Carvalho

Eólica = 100 mil euros por mês

O concelho de Vila Pouca de Aguiar está a apostar na energia eólica, prevendo ter instalados 100 aerogeradores até 2012 que vão render cerca de 100 mil euros por mês aos cofres da autarquia. "Em termos de energias renováveis Temos já eólicas, mini-hídricas, está prevista a construção de barragens, vamos ser abrangidos por projectos de produção de energia a partir de biomassa e de solar fotovoltaica", afirmou à agência Lusa o presidente da autarquia, Domingos Dias. Segundo o autarca, até 2012, Vila Pouca de Aguiar vai ficar com perto de 200 MW instalados no concelho.

 

Fonte: Público, 25 de Novembro de 2008

Ministério tenta travar deslocalização para Espanha de fábrica de painéis solares

O Ministério da Economia estava ontem à noite a negociar com o proprietário da Energie a possibilidade de manter em Portugal aquela empresa - que recebeu uma oferta de compra "praticamente irrecusável" por parte de um grupo espanhol do sector. A confirmar-se esse negócio, a Energie seria deslocalizada da Póvoa de Varzim para a Galiza, colocando em risco o posto de trabalho de 35 funcionários e Portugal perderia um pólo de produção na área da "energia limpa".

 

Antes do encontro no ministério, Luís Rocha revelou ao PÚBLICO que, para recusar a oferta da firma espanhola Solar PST, do Grupo Telemo, o Governo teria de passar a considerar a Energie como uma "parceira" do Estado na política de energias alternativas. A empresa poveira conta facturar sete milhões de euros e assume-se como detentora da patente dos painéis solares termodinâmicos, exportando grande parte da sua produção. Mas, até agora, tem progredido somente com capitais próprios, inclusive na criação de novas instalações onde, em 2007, investiu três milhões de euros.

 

O empresário acrescentou que a sua firma não tem recebido o reconhecimento devido por parte do Governo e lamenta que a Energie só tenha conhecimento de apoios para a indústria quando "já é demasiado tarde" e os "players habituais" se apropriaram das verbas disponíveis. E exemplificou com o facto de a empresa não ter recebido qualquer informação sobre o recente lançamento de um pacote de 60 milhões de euros de ajudas para o sector das energias alternativas. Isto, apesar de Luís Rocha ter na manga um projecto de expansão da unidade fabril da Póvoa para a tornar no "maior complexo industrial do mundo de produção de energia solar". Se o Governo apoiar este investimento, o empresário diz que arranca com as obras no início de 2009, duplicando a área fabril (para 6000 metros quadrados) e rejeitará a proposta espanhola. Esta, do ponto de vista financeiro, é "muito tentadora" e seria consumada com o mesmo grupo que, no ano passado, quis comprar 49 por cento do capital da Energie. Nessa ocasião, o empresário entendeu que devia conservar a firma somente com capitais nacionais, como sucede há 20 anos.

 

Luís Rocha diz ter-se comprometido a dar uma resposta ao grupo espanhol até amanhã, mas, entretanto, foi "convidado" pelo Ministério da Economia para "conversações."

 

Fonte: Público, 18.12.2008

Novos parques aumentam a produção eólica em 30 por cento

A produção eólica está a apanhar bons ventos

 

A potência instalada de energias renováveis era, em Outubro passado, de 8052 megawatts (MW), com a produção eólica a aumentar 30 por cento face ao período entre Janeiro e Outubro de 2007, progressão que se fica a dever à instalação de novos parques eólicos principalmente a norte de Lisboa, segundo os dados divulgados hoje pela Direcção-Geral de Energia e Geologia.

 

A potência eólica instalada no final de Outubro de 2008 elevava-se a 2740 MW, distribuída por 166 parques, com um total de 1463 aerogeradores ao longo de todo o território continental.

 

Viseu, Castelo Branco, Viana do Castelo, Coimbra, Lisboa, Vila Real, Leiria, Santarém e Braga eram os distritos com maior concentração de parques eólicos.

 

Apesar da crescente dimensão das eólicas, a produção total de energia eléctrica, a partir de fontes de energia renovável (FER), caiu 18 por cento no período em análise, devido à forte diminuição da produção hídrica.

 

A produção hídrica registou uma quebra 34 por cento, devido à diminuição da produção nas bacias do Douro (menos 63 por cento), Lima (menos 57 por cento) e Tejo (menos 53 por cento).

 

Até Outubro de 2008, já foram licenciados cerca de 9653 MW de instalações electroprodutoras a partir de FER (mais 20 por cento relativamente à potência instalada actualmente), das quais 3740 MW de potência eólica.

 

Fonte: Público, 02.01.2009

Rede ciclável do Seixal terá ramificações em todo o concelho

No próximo ano irá nascer no concelho do Seixal uma vasta rede de pistas para utilizadores de bicicletas, que a longo prazo deverá ter a extensão de 90 km. O objectivo da autarquia é reforçar a mobilidade e acessibilidade, dando mais ênfase às questões ambientais numa cidade que é a segunda mais motorizada da Área Metropolitana de Lisboa.

 

O plano foi elaborado com base num inquérito realizado à população sobre hábitos de uso de bicicleta, daí que pretenda cobrir todo o concelho, "em articulação com os transportes públicos", explicou Alfredo Monteiro, presidente da Câmara do Seixal, na apresentação pública do plano.

Até 2010, a aposta definida pelo município será priorizar o uso da bicicleta em toda a zona da baía, acompanhando assim a revitalização da mesma, na qual serão investidos nove milhões de euros em infra-estruturas, e acompanhar o traçado metropolitano com o objectivo de estabelecer a ligação com os transportes públicos. Alfredo Monteiro afirma, porém, que esta é "a aposta para uma década de uma rede que, para além de cobrir o concelho, terá ligação com os concelhos vizinhos de Almada e Barreiro".

 

Diz Carlos Mateus, vereador do Ambiente e Serviços Urbanos da Câmara do Seixal, que a criação desta rede deriva de "um longo trabalho em que houve a preocupação de recolher experiências de outros países, onde existem bons exemplos, e a participação em conferências mundiais".

 

Alfredo Monteiro considera-a "um desafio que constitui uma etapa importante em relação ao planeamento estratégico do município onde a mobilidade é essencial". O autarca do Seixal inclui este projecto numa visão mais alargada "em conjunto com os desenvolvimentos em termos de mobilidade e acessibilidade dos quais o Metro Sul do Tejo será essencial". Recorda ainda que "é um projecto importante em termos ambientais".

 

Inverter prioridades

Mário Alves, engenheiro e consultor de mobilidade neste projecto, alerta para a mobilidade enquanto "problema político com soluções políticas que depende da articulação entre técnicos, autarquias e cidadãos". O engenheiro alerta que " a sustentabilidade é a responsabilidade de garantir a qualidade de vida", considerando que mais projectos como este terão que nascer nas cidades portuguesas. O objectivo será por isso "inverter a actual prioridade dada aos carros e passá-la para as pessoas", explica.

 

Na última década na Área Metropolitana de Lisboa, Mário Alves afirma que "a mobilidade tem aumentado e a acessibilidade descido", sendo "importante apostar mais na acessibilidade enquanto facilidade de acesso das pessoas aos locais e não tanto na mobilidade, que é apenas a quantidade de movimento das pessoas", pelo que a solução apontada assenta no ordenamento do território, na restrição automóvel e no investimento em transportes públicos e não-motorizados.

 

Joana Figueiredo, representante do Grupo de Mobilidade Sustentável da autarquia, explicou que a metodologia de aplicação do plano foi constituída "pensando a rede viária como suporte-base, os transportes públicos enquanto local de interface, equipamentos de partida e destino e ainda a estrutura verde do concelho, procurando também promover o centro histórico enquanto ponto turístico de fácil acesso".

 

O declive do terreno, os condicionantes do Plano Director Municipal e a continuidade do serviço foram também "pontos essenciais na aplicação do plano", explicou a responsável. Para o utilizador, "os critérios de desenho tiveram em conta a inclusão na via, a funcionalidade, a segurança e conforto e a qualidade ambiental", afirmou Joana Figueiredo.

90 km

 

Segundo a assessoria de imprensa da CM Seixal, o investimento a longo prazo aponta para um milhão de euros para a criação de uma rede de 90 quilómetros de pistas cicláveis.

 

Hábitos de uso da bicicleta no concelho

O concelho do Seixal apresenta uma elevada taxa de motorização, com 72 por cento de utilizadores diários da sua viatura própria, apesar de mais de metade das deslocações casa-trabalho serem, em média, menores a cinco quilómetros. A conclusões foi feita a partir de um estudo camarário, realizado entre Maio e Outubro de 2006, com uma amostra representativa de 626 pessoas, que teve como objectivo perceber qual a possibilidade de aplicação do plano da rede ciclável no concelho do Seixal.

 

Como resultados do inquérito, ficou a saber-se que 50 por cento dos inquiridos revelou ter bicicleta própria, e, destes, 58 por cento revelaram vontade de aderir ao uso diário da bicicleta, se para isso forem criadas as necessárias condições. Quando questionados os pais em relação a uma possível utilização pelos filhos da bicicleta como veículo para chegar à escola, 81 por cento dos encarregados de educação afirmou que permitiria essa deslocação dos seus filhos, mas, mais uma vez, se forem criadas as melhores condições, sendo que a segurança foi o denominador comum citado por todos.

 

A bicicleta é utilizada actualmente no concelho essencialmente como objecto de lazer. A falta de pistas cicláveis, a sinalização de percursos e a inexistência de locais de estacionamento para bicicletas foram os factores mais apontados pela população como dissuasores do seu uso.

 

A autarquia tem investido na promoção de estilos de vida saudáveis através do desenvolvimento do Projecto Municipal Seixal Saudável, pelo que, segundo Carlos Mateus, "esta proposta de Rede Ciclável vai ao encontro dos princípios e objectivos promovidos pela Rede Europeia das Cidades Sustentáveis e pela Agenda 21, aos quais o Seixal aderiu em 1998 e 2003, respectivamente". Neste sentido, "o uso da bicicleta é encorajado por melhorar o ambiente, a saúde, a equidade social e a economia dos seus utilizadores e da comunidade".

 

Fonte: Público, 14.12.2008

2010 Toyota Prius

Ver aqui o novo Prius…de uma forma original

Autarca de Moura distinguido mundialmente

Autarca de Moura distinguido mundialmente

 

Grupo norte-americano de justiça global classificou Pós-de-Mina como uma das personalidades do ano por projecto de energias alternativas

 

José Maria Pós-de-Mina anda nas bocas do mundo pelas melhores razões. Onde quer que vá toda a gente lhe lembra o que nunca sonhou ouvir: o seu nome saltou de Moura para o mundo. Uma revista norte-americana com distribuição mundial (OneWorld), de que a maioria dos seus conterrâneos não sabe o nome, considerou-o uma das 10 personalidades do ano do projecto de energias renováveis que desenvolveu no concelho de Moura.

 

Os critérios de selecção deste prémio exigem o empenhamento dos escolhidos nas questões dos direitos humanos, na justa distribuição dos recursos naturais e económicos; promoção de meios de vida sustentáveis, entre outros.

Tudo no seu dia-a-dia corria em função das dificuldades que hoje qualquer autarca enfrenta no desempenho da sua tarefa, quando alguém lhe diz que tinha sido classificado no site da OneWorld como "presidente da câmara do futuro" da Europa.

"Presidente da câmara do futuro? Eu?", foi o desabafo que lhe saiu vezes sem conta, antes de perceber o que lhe tinha acontecido. Depois quis saber porquê. A sua inclusão no grupo de finalistas está ligada ao reconhecimento do papel que tem tido na condução do processo das energias renováveis no concelho de Moura.

 

Energia desde Março

Pós-de-Mina batia com a palma da mão na testa, ainda incrédulo. "Como é que lá pelas Américas o pessoal sabe o que faço e o que sou?", perguntava a si próprio.

O seu empenhamento na causa das renováveis tomou corpo no ano 2000, quando os representantes de uma empresa lhe vieram propor que "acolhesse um projecto comunitário para a instalação de pequenas centrais solares".

Nem hesitou. Viu na proposta que lhe foi apresentada a possibilidade de poder dar o primeiro passo num projecto que hoje tem uma dimensão mundial. As pequenas centrais solares foram substituídas por uma apenas que cobre 250 hectares de uma área na freguesia da Amareleja, onde os estudiosos foram descobrir que aquela nesga de terra recebe o maior número de horas solares da Europa. O investimento de 237 milhões de euros, disponibilizado na totalidade pela empresa espanhola Acciona, para produzir energia destinada à rede eléctrica nacional, financiou uma central com 46,41 megawatts (MW) pico e 35 MW de potência de injecção na rede. Está a produzir energia desde Março deste ano.

 

Pós-de-Mina já nem quer lembrar os momentos em que esteve tentado a "atirar a toalha ao chão", tantos eram os obstáculos e as hesitações dos organismos do Estado e de potenciais interessados em desenvolver um projecto ao qual a autarquia nunca poderia dar corpo pelos colossais investimentos que eram necessários para a instalação da maior central fotovoltaica do mundo.

 

Um novo projecto

Consumiu muitas energias, "anos de vida", algumas desilusões e ataques de forças políticas opositoras que viam no empreendimento um objectivo megalómano, de promoção pessoal. Pós-de-Mina, que sempre fez questão de se manter equidistante de protagonismos, vê na obra que idealizou o exemplo concreto do que pode o sonho e a perseverança.

Para si, a indicação para integrar o naipe de 10 candidatos ao prémio Personalidade 2008 só por si significa apenas que alguém lá fora consegue ver o que no seu país a luta política ofusca.

O que é importante para Pós-de-Mina é a janela de oportunidades que a sua indicação para personalidade do ano pode vir a propiciar ao seu concelho: "Desde que atraía mais investimento e que esse investimento se traduza na criação de postos de trabalho, agradeço a quem indicou o meu nome."

 

Em mãos tem já outro projecto de energias renováveis: a rede SunFlower, que envolve oito municípios de oito países europeus (Bulgária, Espanha, França, Grécia, Inglaterra, Itália e República Checa e Portugal).

 

A personalidade de 2008 agradece a simpática expressão utilizada por um colega presidente de câmara mexicano que o designou "o autarca do futuro". "Ainda não tive o privilégio de o conhecer", diz José Maria Pós-de-Mina.

http://us.oneworld.net

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Fonte: Público, 28.12.2008, Carlos Dias

 

Concelho de Ponte da Barca vai ser mais eficiente

A Câmara de Ponte da Barca celebrou em Abril um protocolo com a SmartWatt, com vista a promover a cidade "como Território de Energia Limpa", segundo refere a autarquia. O contrato - em que também participam o INESC Porto (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto) e o INEGI (Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial) - tem a duração de cinco anos e pretende ser um primeiro passo para a criação de um cluster energético, naquele concelho do distrito de Viana do Castelo.

 

Na sequência do protocolo, foram propostas à autarquia diversas medidas com vista à eficiência energética, que, de acordo com o presidente da câmara, António Vassalo Abreu, "vão mesmo ser implementadas", a médio ou longo prazo. Até porque os "primeiros resultados são francamente animadores" e o potencial de poupança é elevado.

 

Segundo a SmartWatt, "com alterações do tarifário e alterações da potência contratada, o sistema de contabilidade energética permite uma poupança imediata de cerca de quatro por cento, o que corresponde a um ganho de 15 mil euros por ano", sendo também possível reduzir a factura de electricidade em 44 mil euros anuais, através de medidas de "eficiência e racionalização de consumos". Contudo, indica aquela empresa sedeada no Porto, essa poupança implica um investimento que só terá retorno dentro de seis a oito anos.

 

Além disso, "em instalações de serviços, escolas, edifício da câmara, piscinas e campo de jogos, é possível reduzir entre cinco e 15 por cento os consumos eléctricos, através da melhoria da eficiência da iluminação, dos equipamentos eléctricos e dos automatismos, bem como da implementação de planos de acção comportamental". Por outro lado, no que concerne à iluminação pública, será possível reduzir o consumo em cerca de 20 por cento, "por via da instalação de reguladores de fluxo, da troca de lâmpadas, da introdução de sistemas de controlo da iluminação e de um melhor controlo no período de iluminação".

 

Algumas destas e outras medidas já estão a ser aplicadas e o edifício dos Paços do Concelho até está a ser equipado para ser totalmente auto-suficiente. Outras medidas, contudo, terão de aguardar por ajudas externas. "Sabemos de antemão que vai haver fundos comunitários para a eficiência energética e tencionamos candidatar-nos a eles", revela Vassalo Abreu. Para implementar todas as propostas, diz o autarca que será necessário gastar cerca de meio milhão de euros, verba que a câmara "não tem possibilidade de gastar, neste momento".

 

Fonte: Público, 28.12.2008

Um "antinegócio" que ajuda a poupar na conta da electricidade

A SmartWatt iniciou actividade em Janeiro, fruto da vontade de alguns investigadores ligados à Universidade do Porto. Actualmente, tem nove colaboradores e alguns clientes bem conhecidos

 

Aposta na poupança, foi criada em Janeiro deste ano e já conta com vários clientes de peso, entre os quais se destacam o Grupo MCoutinho, a RAR Açúcar e o Grupo Cabelte, bem como as câmaras de Lisboa e de Ponte da Barca.

 

Chama-se SmartWatt e é uma empresa de eficiência ou contabilidade energética, sedeada na Faculdade de Engenharia do Porto (FEUP), que rema a contravapor. "É uma espécie de antinegócio. A nossa economia é orientada para vender mais e o nosso negócio é poupar", explica Cláudio Monteiro, promotor da SmartWatt e um dos principais especialistas do país em energias renováveis e eficiência energética. "Surgiram primeiro as renováveis, mas não são a melhor solução. É muito mais fácil poupar luz do que instalar painéis fotovoltaicos no telhado. É muitíssimo mais fácil, mais barato e ambientalmente mais benéfico", reforça o professor da FEUP.

 

Criada por um conjunto de investigadores ligados à Universidade do Porto, a SmartWatt dá emprego a nove pessoas, todas elas formadas em Engenharia ou Gestão. Uma empresa em fase de expansão, que faz parte do restrito grupo de organizações portuguesas com o carimbo Esco (Energy Service Company) - designação dada a empresas cuja actividade consiste no fornecimento de soluções energéticas, com o objectivo de diminuir o consumo e, por conseguinte, reduzir a factura de electricidade ao fim do mês. "É um novo tipo de empresas, que está a surgir no mercado para enfrentar os novos paradigmas energéticos. Face à escassez de recursos e às preocupações ambientais, surgem finalmente diferentes formas de reduzir consumos, mitigar carbonos e implementar medidas eficientes em termos de estratégia energética", real-ça Cláudio Monteiro.

 

Mas nem todos são potenciais clientes. Até porque, para poupar, é muitas vezes necessário gastar dinheiro e as infra-estruturas de menores dimensões dificilmente conseguem, a médio prazo, obter um retorno superior ao investimento. "O maior potencial de poupança está nos edifícios públicos, porque são aqueles em que há maior descuido na utilização da energia e porque, geralmente, têm grandes dimensões", indica aquele especialista da empresa portuense. E concretiza: "O que interessa mais são, por exemplo, as universidades, os hospitais, as autarquias, etc.". "Se forem instalações muito pequenas, o esforço que a SmartWatt terá de fazer é demasiado grande para pagar o investimento."

 

As Esco actuam essencialmente em duas áreas: eficiência energética e energias renováveis. E, apesar de a SmartWatt se assumir como especialista em contabilidade energética, isso não quer dizer que não preste serviços no sector das renováveis. "O cliente tem um edifício onde incide radiação solar, e, portanto, tem um recurso energético endógeno, que pode aproveitar. A SmartWatt pode fazer uma análise do potencial que o cliente tem e encontrar soluções que permitam instalar determinados sistemas de produção de energia", explica Cláudio Monteiro.

"São sistemas, muitas vezes, caros, mas dos quais o cliente poderá ter retorno ao fim de 10 ou 15 anos".

 

Tão ou mais importante do que produzir energia, é sensibilizar para a necessidade de poupar no dia-a-dia. São gestos comuns que devem ser evitados, "bastando" fazer pequenos esforços. "O que acontece é que as pessoas chegam ao trabalho, ligam os computadores e o ar condicionado e não se preocupam em desligar. As pessoas já sabem que devem poupar energia, mas não o fazem", lamenta o promotor da SmartWatt e um dos seus fundadores. E dá a receita: "É preciso criar planos comportamentais, para que a empresa cliente saiba como incentivar os seus funcionários a, por exemplo, apagar a luz ou abrir as persianas para aproveitar a luz do dia".

Fonte: Público, 28.12.2008

Norte e Galiza apostam em carro ecológico

O desenvolvimento e produção de um veículo eco-sustentável orientado para a mobilidade urbana é o objectivo de uma candidatura conjunta a fundos comunitários apresentada por dois centros de investigação do Norte de Portugal e da Galiza.

 

"Há uma candidatura conjunta, mas ainda não há decisão", admitiu hoje Teresa Lehmann, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), acrescentando que "existe uma forte vontade de continuar a interagir com a Galiza nesta área".

Para dar continuidade ao anterior projecto, o galego CTAG e o nortenho CEIIA apresentaram uma candidatura ao Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça Espanha/Portugal (POCTEP), que visa o desenvolvimento, teste e produção do MOBI, um veículo amigo do ambiente destinado à circulação citadina, que é habitualmente conhecido como 'carro verde'.

 

A candidatura conjunta envolve um investimento global de 2,5 milhões de euros, dos quais 75 por cento financiados pelo FEDER.

 

O projecto MOBI, que prevê a criação de 800 postos de trabalho, tem como objectivo a produção anual de 10 mil veículos, com uma incorporação tecnológica ibérica superior a 70 por cento.

 

No total, este projecto prevê um investimento público e privado global de cerca de 150 milhões de euros até 2015.

 

Fonte: JN, 8 de Outubro de 08

Lâmpadas ‘à antiga’ têm os dias contados

Continuar a sensibilizar os consumidores não basta. Comissão Europeia quer obrigar à retirada das lâmpadas não eficientes

 

A imagem de uma lâmpada, com pequenos filamentos no interior, a acender sobre a cabeça de alguém a quem acaba de ocorrer uma ‘ideia luminosa’ é algo que, a partir de 2012, pertencerá definitivamente ao passado. A Comissão Europeia espera que os representantes dos 27 aprovem, na próxima segunda-feira, um calendário para a eliminação progressiva das lâmpadas incandescentes e de outras consideradas pouco eficientes do ponto de vista energético.

 

Os argumentos para avançar para esta imposição baseiam-se em critérios de ordem ambiental e económica, mas também comportamental: “Já deu para perceber que informar os consumidores sobre as vantagens das lâmpadas mais eficientes não chega”, disse ao Expresso uma fonte comunitária associada à preparação deste dossiê. Porque a maior parte das pessoas, na hora de abrir a carteira, principalmente em tempo de crise, não hesita em optar pela solução mais barata: as lâmpadas incandescentes são, em média, seis vezes mais baratas do que as eficientes, embora estas durem 10 vezes mais tempo e consumam seis vezes menos energias, o que se traduz em poupanças significativas... a prazo.

 

Segundo a mesma fonte, se os 5,1 mil milhões de lâmpadas incandescentes (que desperdiçam mais de 70% da energia que consomem em calor) actualmente em uso na Europa fossem substituídas por alternativas mais eficientes “poupar-se-ia uma quantidade de energia equivalente ao consumo anual de 13 milhões de lares”.

 

A primeira data em discussão na próxima segunda-feira visa as lâmpadas incandescentes não transparentes, que deverão sair do mercado em 1 de Setembro de 2009, ao mesmo tempo que as lâmpadas incandescentes transparentes de 100 watts. Esta categoria de lâmpadas representa 77% do consumo em iluminação doméstica, principalmente as lâmpadas de 60 watts, cuja data de abolição proposta pela Comissão é o primeiro dia de Setembro de 2011. As restantes, de 25 e 40 watts, devem ser retiradas no ano seguinte, ficando apenas disponíveis as lâmpadas fluorescentes compactas.

 

Fonte: Expresso, 6 de Dezembro de 08

Enercon acelera investimento e cria mais 500 empregos

A construção do cluster industrial eólico em Viana do Castelo foge à tradição. Depois de ter antecipado em cerca de um ano o arranque da primeira das suas fábricas, o parceiro tecnológico do consórcio Eneop, a Enercon, está a construir uma nova unidade de pás não prevista no contrato com o Estado. Ao projecto, vai juntar-se ainda uma central de dessalinização.

 

A primeira unidade de pás, em laboração há um ano, funciona junto ao porto da cidade; a segunda, cuja construção começou em Setembro passado e estará pronta dentro de um ano, fica no parque de Lanheses, a cerca de 15 quilómetros de Viana. São, para já, 55 milhões de euros de investimento e mais 500 postos de trabalho a somar ao projecto inicial.

 

A central dessalinizadora, que vai satisfazer todas as necessidades de água para a laboração da fábrica, é um projecto extracontrato que o consórcio já previa na proposta inicial mas o júri do concurso público não considerou. "Apesar disso, a Enercon entendeu que devia avançar", declara o presidente da Eneop, Aníbal Fernandes. Está estimada em cinco milhões de euros e, embora não tenha ainda data marcada para arrancar, o projecto é dado como firme.

 

O gestor assume que a antecipação de prazos joga em benefício da Enercon. Durante um ano, a fábrica de torres de betão forneceu outras empresas do mercado. "Estamos a rentabilizar o investimento para além do que nos foi pedido." Agora, vai fornecer os parques eólicos do consórcio que co-lidera com a EDP e, a partir de 2010, vai exportar pás, torres e geradores.

 

A mesma antecipação será aplicada aos parques eólicos. O concurso estabelecia que tinham de entrar todos em funcionamento até ao final de 2013, mas o plano da Eneop é que isso aconteça até ao fim de 2011.

 

Três fábricas a inaugurar

No dia 19 de Novembro, o consórcio inaugura o segundo grupo de fábricas que constituem o principal núcleo industrial do cluster eólico e que o contrato previa entrarem em funcionamento em Dezembro próximo. São elas as unidades de geradores, de mecatrónica e de torres de betão. Esta última, instalada em Lanheses, está já a funcionar desde Setembro e já equipou um parque eólico com dez turbinas, na serra de Sicó. Estas unidades juntam-se à primeira unidade de pás que labora desde Setembro de 2007, um ano antes do previsto. Também um mesmo ano de avanço leva a fábrica de construções metálicas da A. Silva & Matos, parceira do consórcio. Apenas uma unidade da CME, ligada ao cluster, mas com instalação na Lousã, ainda não tem o processo concluído.

 

Aníbal Fernandes sublinha a antecipação da parte fabril de todo o projecto, que prevê a instalação em Viana do Castelo de cinco novas unidades que constituem o principal núcleo do projecto, formado por um cluster de 29 empresas. "Todas as fábricas que eram para estar concluídas no fim de 2008, já estão. Está tudo praticamente feito na parte fabril."

 

Quanto aos parques eólicos da Eneop, o primeiro está em construção e mais nove ficarão concluídos até ao final do ano, com uma potência de 170 Megawatt (MW). Em 2009 entrarão em construção mais 15 parques, no total de 450 MW.

 

Na fábrica de torres, uma das três a serem inauguradas no próximo mês, um turno de 60 pessoas trabalha actualmente na construção dos enormes segmentos cilíndricos que constituem o pilar de betão das turbinas. Cada um dos 15 segmentos que compõem uma torre pesa cerca de 40 toneladas. Esta fábrica vai a caminho de ter dois turnos e quase duplicar o seu quadro de pessoal, faltando para isso as licenças oficiais já pedidas. Em velocidade de cruzeiro fará três torres por semana, podendo ir até às 200 por ano.

 

A Enercon é a parceira tecnológica do consórcio Eneop, que co-liderou com a EDP, e que venceu o primeiro concurso eólico em Portugal. Pela obtenção de 1200 MW de potência para parques eólicos, cuja construção iniciou recentemente, o consórcio ficou responsável pelo lançamento de uma nova fileira industrial em Portugal. O investimento total previsto é de 1,7 mil milhões de euros, dos quais 161 milhões na parte industrial e o restante na construção de parques eólicos.

 

Com o alargamento do projecto, os investimentos pelos quais a Enercon é directamente responsável ascendem agora a 137,6 milhões de euros.

O consórcio liderado pela Galp Energia-REpower ganhou o segundo concurso de 500 MW, tendo-lhe sido atribuídas responsabilidades industriais semelhantes.

 

Não é o primeiro grande projecto da vida de Aníbal Fernandes. Entre a construção do terminal de gás natural em Sines e a do cluster industrial eólico em Viana do Castelo, este engenheiro electrotécnico, de 55 anos, marca algumas diferenças. O terminal de Sines "foi um desafio à capacidade de engenharia portuguesa", diz. Era um projecto de grande dimensão, numa tecnologia (criogenia) que o país não dominava, mas essencial para armazenar o gás natural. "Foi o maior tanque de gás que se fez em Portugal e a equipa constituída era 90 por cento nacional". Foi buscar apenas três especialistas estrangeiros em três domínios-chave. A equipa que fez o desenho da engenharia de base, com base na qual os empreiteiros gerais apresentaram as propostas, fez depois a fiscalização da obra. "Incorporou-se saber e pouparam-se milhões de euros. Com outra vantagem: parte dessa equipa transitou para a parte da operação com o conhecimento que tinha da parte da construção", o que diz ser relevante quando o terminal se prepara para obras de expansão. Defensor e praticante do respeito pelos prazos, orçamentos e objectivos - em Sines antecipou prazos e concluiu a obra abaixo do orçamentado -, Aníbal Fernandes sustenta que "essa deve ser a regra e não excepção". Também a tecnologia eólica é nova no país. Um dos desafios agora é integrar equipas alemãs da Enercon e portuguesas. "Contam-se pelos dedos da mão os alemães que cá têm estado. Não mais de cinco em cada fase." O maior desafio está no bom caminho mas ainda vai a meio: "Transformar uma adversidade estrutural do país - a sua fragilidade energética - numa oportunidade." Para este gestor, a meia-vitória já conquistada foi tirar as energias renováveis da "subalternidade" em que viviam em Portugal e esta, sublinha, é a mudança mais significativa provocada pelo projecto industrial eólico, integrando a cadeia que vai desde a investigação e desenvolvimento até à operação industrial dos equipamentos. "A fileira industrial está a transformar-se numa fileira de saber, que só peca por tardia."

 

 

 

A central de dessalinização culmina uma série de iniciativas de sustentabilidade do projecto, que vão desde a iluminação das fábricas a uma cisterna de água. As fábricas portuguesas da Enercon têm painéis solares térmicos para aquecimento da água, com os quais consegue uma poupança de 40 por cento das necessidades. Acresce uma cisterna para recolha da água da chuva com 1000 metros cúbicos de capacidade para fornecer a Armada, em caso de necessidade, a central de betonagem e para rega e jardinagem.

 

Também as paredes e telhados das fábricas integram janelas de dimensão superior à habitual e clarabóias de modo a reduzir as necessidades de iluminação. A poupança de consumo eléctrico não foi quantificada, mas a compra de energia eléctrica à rede vai acabar quando entrarem em funcionamento duas turbinas eólicas para teste e consumo, com dois MW cada. Servirão as necessidades do complexo fabril e ainda haverá energia para vender à rede.

 

As novas fábricas da Enercon, em Viana do Castelo, vão começar a procurar mão-de-obra fora do distrito, nomeadamente Barcelos e Esposende, para ultrapassar as dificuldades que sentem na segunda fase de recrutamento para o cluster industrial eólico.

 

Entre anúncios dos jornais e listas de inscritos no Instituto de Emprego, a resposta, nesta fase, tem ficado muito aquém do desejado. "É muito baixa", responde Francisco Laranjeira, director-geral da Enercon portuguesa, que se escusa a avançar números. "Eu nem digo [a taxa de respostas], para não assustar."

 

Questionado sobre se o Rendimento Social de Inserção ou o subsídio de desemprego são, neste momento, um factor desincentivador para o mercado de trabalho, e para os seus 7,6 por cento de desempregados, o gestor prefere não responder.

O consórcio vira-se agora para as regiões vizinhas, como a zona do vale do Cávado, perante a escassez de mão-de-obra disponível e os compromissos assumidos com o

 

Estado português.

Apesar de a energia eólica ter uma forte incorporação tecnológica, o conceito industrial desenvolvido pela Enercon implica mão-de-obra mais intensiva no que se refere às operações de rigor, de recorte das fibras de vidro que revestem as pás das torres eólicas e de rebobinagem dos aerogeradores. Do mesmo modo, os trabalhos mais pesados ficam para as máquinas e para os monocarris suspensos do tecto.

 

Nas fábricas de pás, as mulheres desenrolam a fibra de vidro, cortam-na, esticam-na e passam-na a ferro, diariamente, vezes sem conta. De camada em camada, as asas longilíneas de 40 metros de comprimento são transformadas em pás de rotor. Na unidade de geradores, são os homens que rebobinam quilómetros de fio de cobre no interior dos cilindros com a precisão suficiente para que uma folha de papel passe sempre entre os fios no final do trabalho. A montagem de um aerogerador por uma equipa de quatro pessoas, em dois turnos de oito horas cada, demora em média seis dias úteis.

 

Não é, por isso, de mão-de-obra indiferenciada que a Enercon anda à procura. O presidente da Eneop, Aníbal Fernandes, defende que na indústria central desta fileira - aerogeradores, pás e torres -, a mão-de-obra é "sempre qualificada". O trabalhador "tem de saber, pelo menos, interpretar um desenho", um requisito de literacia que admite poder não se estender ao resto da cadeia de fornecimento.

 

No caso das fábricas da Enercon, os trabalhadores são pré-seleccionados passando sempre por uma fase de formação, parte da qual é feita na Alemanha para os quadros e cargos intermédios.

 

O gestor estima que quando a fileira eólica estiver concluída em Portugal dará emprego a 20 mil pessoas, de forma directa e indirecta, confirmando que a energia renovável é uma fonte de emprego superior à da indústria eléctrica tradicional e que a produção descentralizada de energia é mais trabalho-intensiva.

 

Na Alemanha, por exemplo, a eólica representa 10 por cento da electricidade produzida, empregando cerca de 300 mil pessoas. Os outros 90 por cento dão trabalho a 210 mil pessoas. Em Espanha trabalham 100 mil pessoas neste sector.

 

Fonte: Público, 28.10.2008

 

Produz energia no quintal e vende à EDP

Montou no quintal de casa, em Vila Nova de Tonda, Tondela, um sistema de painéis solares. Com eles produz energia, que depois injecta na rede pública. A EDP paga-lhe quase seis vezes mais do que ele pagaria a energia tradicional.

 

É um dos primeiros produtores privados do país que vende à EDP electricidade que produz em casa, através de um sistema de placas fotovoltaicas que instalou no quintal.

 

O complexo, constituído por 20 painéis solares, está a funcionar desde 10 de Outubro passado e custou cerca de 28 mil euros a António Correia, funcionário público, chefe de uma repartição de Finanças em Viseu, que espera conseguir o retorno do capital investido, num prazo máximo de oito anos.

 

Nos primeiros 40 dias, de 10 de Outubro a 20 de Novembro, já recuperou 360 euros.

 

A contabilidade comparativa entre o que produzem as duas dezenas de painéis solares e a energia que depois é injectada na rede pública, é controlada por mecanismos distintos. É através deles que António Correia faz a leitura dos custos e dos proveitos. "Sei sempre a quantidade de electricidade que foi produzida", garante.

 

O sistema fotovoltaico que instalou no quintal de casa, converte a energia solar em electricidade, devido ao seu material semi-condutor. Com a ajuda de um conjunto de baterias pode-se armazenar a energia ou então optar-se por injectá-la directamente da rede eléctrica. É o que faz António Correia. E ganha muito com a opção tomada, já que a EDP lhe paga cada Kw que produz a 65 cêntimos, quase seis vezes mais do valor que a empresa cobra por cada KW ao consumidor.

 

Mas o sistema proporciona ainda ganhos a outro nível, designadamente na redução de emissões de CO2 para a atmosfera. Há estudos que apontam para uma diminuição mínima de 20%, por exemplo, relativamente a uma central térmica convencional.

 

A quantidade de energia que produz no quintal, depende da intensidade com que os painéis captam os raios solares. No Verão, o volume é bastante maior que no Inverno. "Mas mesmo quando o céu está cinzento, há sempre produção de energia", sublinha António Correia.

 

Portugal, logo a seguir à Grécia e à Espanha, goza do maior potencial de aproveitamento de energia solar da Europa, com mais de 2300 horas/ano de insolação na região norte, e 3000 horas/ano no Algarve. No entanto, o aproveitamento que em Portugal se faz da energia do sol "é francamente reduzido, verificando-se que este sector tem estado confinado à sombra, quando comparado com a utilização das fontes eólica e hídrica", lembram vários especialistas na matéria, com estudos e obra publicada.

 

Fonte: JN, 2008-12-14

EDP e Galp massificam carros eléctricos

Parece ficção científica, mas não é. Portugal prepara-se para dar um passo sem precedentes na mudança do paradigma dos transportes: acabar com a forte dependência dos carros a gasolina e a gasóleo – um dos maiores pesadelos da factura energética nacional.


A solução, inspirada no modelo israelita, passa por um acordo entre o Executivo de José Sócrates e o construtor automóvel Renault-Nissan, o primeiro a propor a produção de carros eléctricos em massa. “Os carros para o Projecto Better Place deverão ser produzidos em França, e será criada uma gama totalmente eléctrica”, diz fonte da Renault Portugal. Os ministros da Economia e do Ambiente, Manuel Pinho e Nunes Correia, receberam recentemente o convite de Carlos Tavares, vice-presidente da Nissan, para lançar este conceito em Portugal. E não hesitaram.

O sucesso do projecto, que deverá arrancar dentro de três ou quatro anos, está condicionado pela criação de uma estrutura logística em larga escala. O Governo sabe disso e está já a montar um consórcio que envolve um vasto leque de entidades públicas e privadas. É o caso do Centro de Inteligência e Inovação (Inteli), detido em 75% pelo Estado, da Câmara de Lisboa e de empresas como a EDP, Galp, Martifer, Brisa, Sonae e Jerónimo Martins. À lista irão juntar-se ainda diversos grupos económicos ligados ao sector tecnológico. Fonte oficial da Renault Portugal não adianta pormenores, mas confirma que “Portugal faz parte dos países para implementar o projecto Better Place”.

Fechado a sete chaves, os contornos definitivos do modelo de negócio serão brevemente anunciados com pompa e circunstância pelo Executivo de José Sócrates. Um projecto que faz parte do pólo de competitividade para o sector automóvel que Manuel Pinho anunciou estar a criar.

Com esta viragem de paradigma, diz um especialista do sector “garantidamente vão aparecer novas fábricas para produzir outros tipos de carros em Portugal que estarão perto de centros de testes e de competência”. Neste novo ciclo da indústria, além dos fornecedores de componentes já existentes, vamos ter os da electrónica e renováveis. “Que hipóteses temos: eléctrica, biotenol, hidrogénio? Há muito por definir, mas é importante começar a andar. Estamos a falar de uma reconversão da indústria automóvel”, adianta esta fonte.

O rosto da mudança é o israelita Shai Agassi, que chega com provas dadas. Em Janeiro, o primeiro-ministro de Israel, Shimon Perez, surpreendeu o mundo ao aderir ao Project Better Place, comprometendo-se a substituir centenas de milhar de veículos poluentes por carros amigos do ambiente. E acima de tudo reduzir drasticamente a sua dependência do petróleo em dez anos. Mas o que parece uma utopia, há muito que despertou o apetite de diversos agentes económicos. Sobretudo dos grupos energéticos, que vêem no projecto uma nova oportunidade e sabem que se ficarem de fora arriscam-se a perder dinheiro.

A EDP trabalha, há meses, num projecto conjunto com os gigantes energéticos europeus EDF, RWE e Endesa no desenvolvimento do projecto ‘Grid for Vehicle’ (G4V), iniciativa que visa verificar os impactos da ligação dos carros eléctricos à rede pública. Este é um passo considerado crucial para a implementação de toda a logística, a par dos avanços nas baterias de lítio – que já garantem autonomias na ordem dos 150 quilómetros. Na forja estão ainda sistemas de tecnologia complementares que permitem carregamentos rápidos de 80% da carga das baterias, em apenas dez minutos.

Agilizar o abastecimento será, aliás, crucial, para o sucesso da operação. E é aqui que a Galp entra. A petrolífera, que controla 37% do mercado de distribuição de combustíveis e uma rede de mais de 800 postos de combustíveis em todo o país, quer ter um papel a dizer neste processo.

Em cima da mesa está a montagem de postos eléctricos nas suas bombas, bem como de sistemas de substituição de baterias. Garantem os especialistas contactados pelo DE, que estes últimos demoram, em média, cerca de quatro minutos. Ou seja, o cidadão comum pode optar por vários tipos de carregamentos. Um lento, que na prática consiste em fazê-lo na sua própria casa, o que poderá demorar cerca de seis horas, e um mais rápido, recorrendo aos pontos de abastecimentos disponíveis na cidade – que poderão ir desde os vulgares parques de estacionamento aos centros comerciais. Daí a importância de atrair para o negócio os grandes grupos de distribuição nacional ou a líder da concessão das auto-estradas, com mais de mil quilómetros.

Fonte: Diário Económico, 2008-06-30 00:05

Uma economia de baixo carbono

Portugal é modelo de um país que está a investir nesta alternativa. O melhor exemplo é o primeiro projecto comercial de produção de energia das ondas

 

O mundo precisa de um mercado de carbono global

 

A crise internacional não pode pôr em causa a transição para uma economia de baixo carbono. Face ao abrandamento global da economia, existe a tentação de relegar para segundo plano a transição para uma economia de baixo carbono, mas esta é uma questão essencial para o futuro da nossa economia.

 

Com os elevados preços do petróleo e gás a contribuírem para o aumento da inflação, a dependência dos combustíveis fósseis agrava as nossas dificuldades económicas e pode também pôr em causa a segurança ambiental e a estabilidade geopolítica. Temos de usar a União Europeia (UE) para estabelecer uma nova estratégia global de baixo carbono.

 

As consequências ambientais da nossa dependência dos combustíveis fósseis são bem conhecidas - as emissões de gás com efeito de estufa causarão mais secas e condições climáticas extremas; os cumes gelados irão derreter e o nível do mar irá subir. E as necessidades energéticas ameaçam também modificar o mapa geopolítico - desde novas tensões por causa do petróleo e do gás no Árctico até um aumento dos lucros do petróleo e do gás que beneficiam os Estados ricos em fontes de energia. Corremos o risco de uma cooperação internacional construtiva dar lugar a uma concorrência destrutiva entre nações.

 

É fácil sermos fatalistas e concluir que uma maior insegurança é inevitável. Mas há alternativas para o futuro. Ao diversificarmos as nossas fontes de energia, podemos evitar uma nova contenda pelos recursos. Construindo uma economia de baixo carbono, estaremos a reduzir as emissões de gás de estufa e as pressões inflacionistas, mas também a produzir emprego e crescimento económico favoráveis ao ambiente.

 

A tecnologia que tornará isto possível já existe ou está a emergir. Portugal é um bom exemplo de um país que está a investir em energias de baixo carbono, por exemplo com o primeiro projecto comercial de produção de energia das ondas, recentemente lançado e baseado em tecnologia britânica.

 

A questão principal é como acelerar este processo, conseguindo o apoio político para aumentar o investimento numa revolução de baixo carbono. A UE pode ser o agente catalizador e, tendo começado pela cooperação em relação ao carvão e ao aço para evitar conflitos e instabilidade na Europa, tem que regressar às suas raízes. É preciso utilizar todos os instrumentos para definir padrões globais.

 

Existem três prioridades:

 

Primeiro, precisamos de usar o nosso poder de negociação para conseguir um acordo global sobre alterações climáticas para além de 2012;

 

Segundo, o mundo precisa de um mercado de carbono global para ajudar os países desenvolvidos a identificar os sectores onde será possível reduzir as emissões envolvendo custos mais baixos e a transferir fundos para permitir aos países em vias de desenvolvimento uma transição imediata para a energia de baixo carbono. Daí a criação do esquema europeu de comércio de licenças de emissões de carbono;

 

Terceiro, temos a capacidade de estimular o investimento global em tecnologias limpas. Sendo o maior mercado único no mundo, ao definirmos padrões ambiciosos na UE para novos veículos e equipamentos, estaremos a estimular a inovação a nível global.

 

A EU será julgada pela capacidade de cumprir os objectivos estabelecidos para 2020. Um clima económico difícil não é desculpa para adiar a transição para uma economia de baixo carbono; é uma razão para a fazermos mais depressa.

 

Fonte: David Miliband, Ministro Britânico dos Negócios Estrangeiros, Expresso, 11 de Outubro de 08

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